Quarta, 22 Setembro 2021 05:00

A pujança do cooperativismo em Mato Grosso

A pujança do cooperativismo em Mato Grosso Foto: Assessoria

 20% da população mato-grossenses é impactada diretamente pelas cooperativas.  Nos últimos 10 anos, o número de cooperados e funcionários aumentou 202% em todo o Estado, passando de 228.132 para 689.534

 Dos 3.526.220 habitantes de Mato Grosso, 685.534 têm relação direta com o cooperativismo, seja na posição de funcionário ou cooperado. O número agrupa empreendimentos em todos os setores e representa quase 20% da população total do Estado, segundo os dados do Sistema Organização das Cooperativas Brasileiras de Mato Grosso – Sistema OCB/MT.

Ainda de acordo com a estatística, o crescimento dessa fatia da população tem se mostrado gradual ao longo dos anos. Nos últimos dez anos, o crescimento chegou a 202%, já que o número era de 228.132 pessoas em 2010. Significa que na última década, 457.402 passaram a integrar o sistema.

Para o superintendente da OCB/MT, Frederico Azevedo, as projeções de crescimento continuam favoráveis. Em alguns setores, o cooperativismo já é forte e presente em Mato Grosso, como é o caso das cooperativas de Agropecuárias e de Crédito. Porém, em outras esferas, como a de Trabalho, por exemplo, há muito o que se explorar.

Somente entre os anos de 2019 e 2020, o número de cooperativas aumentou 10%, passando de 147 para 162. Entre os setores que mais apresentaram avanços no quesito ampliação das unidades está o Agropecuário (7) - que já é uma aptidão econômica do estado -, além de Saúde (3) e Trabalho (2).

Contudo, apesar da pujança, Azevedo diz que é preciso ter atenção porque, mais do que o aumento do número de cooperativas, o objetivo da OCB/MT é construir negócios sólidos e que tragam o renascimento e fortalecimento das economias locais, bem como o resultado para o cooperado.

Dentro deste contexto, ele lembra que, em alguns casos, mais compensa fortalecer uma cooperativa instalada do que criar outra ou até mesmo unir esforços e compartilhar conhecimento para melhorar a qualidade produtiva e por consequência os ganhos.

“Temos que ter uma rede que faça sentido. Então, por esse motivo, oferecemos ajuda para a montagem e desenvolvimento de projetos com informações essenciais para um empreendimento como produção local, população, consumo e logística”, explica o superintendente.

Motivos do crescimento

 Na avaliação do vice-presidente da OCB/MT, João Carlos Spenthof, os avanços são resultado do próprio trabalho das cooperativas, que mostraram solidez e credibilidade.

“Acredito que a expansão aconteceu por conta do conhecimento da atuação das cooperativas (por parte da população) na prática, pelos negócios realizados e pelas mudanças que o próprio cooperativismo passou nos últimos 20 anos”, argumenta Spenthof.

O vice-presidente conta que “desde 2012 a governança está profissionalizando e existe uma partilha nos espaços entre os conselheiros eleitos, os profissionais e executivos de mercado contratados. O regime de governança foi uma das exigências a princípio do Banco Central sobre as cooperativas de crédito, mas logo se expandiu para as cooperativas de outros setores, como o ramo Agropecuário”.

Paralelo às mudanças na forma de gestão, foram agregadas as vantagens oferecidas pelas cooperativas que transformavam o produto local mais competitivo, ressalta Spenthof. Ele lembra que, como as cooperativas não geram lucro, as empresas atravessadoras e intermediárias que atuavam na compra de insumos e venda da produção tornaram-se desinteressantes ao produtor.

“O que o cooperado deixou de perder nas transações passou a ser distribuído na própria cidade, fazendo girar a economia local”, concluiu.

Um exemplo visível disso, explica Spenthof, está nas cooperativas de crédito. Elas abriram unidades onde os bancos deixaram de atender e, assim, passaram a oxigenar o comércio local apenas com o recebimento dos aposentados, por exemplo.

“Como eles tinham que se deslocar, deixavam parte do dinheiro na cidade onde faziam o saque. Um recurso que saía da cidade. Da mesma forma entra o R$ 1 por saca, por exemplo, do produtor que conseguiu vender melhor o seu produto no mercado ou que economizou, por meio das cooperativas, para compra de insumos”, finaliza.

Segundo o superintendente, uma das ações que tem se mostrado profícua é o trabalho de orientação dos entes públicos, entre prefeituras e Estado, na participação das cooperativas de Trabalho nas concorrências públicas.

“Havia um equívoco de algumas gestões com relação aos editais. Muitas proibiam as cooperativas de participar por conta de um entendimento equivocado da legislação. A lei estabelece que as cooperativas não podem participar apenas nas relações de subordinação direta ou ser empregada. Nas demais, desde que ofereça o melhor preço, tem que participar e deve”, esclarece Azevedo.

Além deste exemplo, segundo o superintendente, existem outras situações em que as divergências ocorrem e podem ser sanadas a partir de uma ação institucional, como questões ligadas à tributação e implantação de políticas públicas.

Outra entidade vinculada o sistema é o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de Mato Grosso (Sescoop/MT), responsável por auxiliar as cooperativas no dia a dia, no que diz respeito à regularização documental, organização e desenvolvimento dos empreendimentos nos requisitos gestão financeira, balanços, resultados e transparência dos processos.

A terceira é a Faculdade de Cooperativismo (I.Coop) que tem vários cursos de formação de profissionais para atuar no cooperativismo, desde mestrados em Gestão e Direito para o Cooperativismo a cursos técnicos na área.

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