Quarta, 11 Março 2020 04:00

A pesquisa e o uso de materiais recicláveis em rodovia

A pesquisa e o uso de materiais recicláveis em rodovia Foto: Divulgação

Material reciclado em regiões de alta temperatura é tema do 3° Seminário de Pavimentos Sustentáveis. Mato Grosso pesquisa em laboratório e, pela primeira vez, testa o desempenho do pavimento, utilizando material reciclável na BR-163/364.

O 3° Seminário de Pavimentos Sustentáveis da BR-163/MT reuniu alunos, pesquisadores e profissionais da área de pavimentação e engenharia civil para a discussão do uso de materiais recicláveis em obras de recuperação e reparos da rodovia. O evento foi uma parceria entre a Rota do Oeste, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e teve como tema “Tecnologia + Sustentabilidade: Aproveitamento do RAP em regiões de alta temperatura”.

O seminário marcou a finalização da terceira etapa da pesquisa “Aproveitamento de Resíduos de Pavimentos Asfálticos (RAP) em regiões de alta temperatura e tráfego pesado”, realizada pela Concessionária em parceria com a UFMT. Representantes de vários lugares do país estavam presentes no evento, para a troca de experiência na área estudada. Puderam ver de perto os resultados do estudo desenvolvido no laboratório de controle tecnológico de pavimento da empresa, localizado na sede da Rota do Oeste. Agora a pesquisa segue com o acompanhamento do desempenho do trecho experimental, na BR-364, que recebeu o fresado reciclado em fevereiro de 2020.

A primeira palestrante do evento, que aconteceu na última quinta-feira (05.03), foi a engenheira civil e mestranda em engenharia de transportes pela Universidade de São Paulo (USP), Karina Suzuki. Ela abordou a reciclagem a quente com diferentes teores de material fresado e ressaltou a importância da realização de ensaios em laboratórios e os testes práticos na rodovia, assim como foi feito no estudo da Rota do Oeste.

“Trata-se de uma tecnologia que tem viabilidade técnica, econômica e sustentável”, diz Suzuki. A palestrante acrescenta ainda que em outros países o material utilizado em reparos recebe uma porcentagem de produto reciclado na mistura, fazendo com que 100% do resíduo seja reaproveitado em algum momento. “Acredito que a gente precisa começar a usar mais o reciclado, pensar no impacto ambiental de forma adequada, assim como o estudo que foi feito para a BR-163/364”, fala.

Sobre o desempenho da mistura, a engenheira explica a necessidade de seguir o caminho percorrido pela Concessionária, para avaliar o estudo. “É preciso que os materiais recicláveis sejam estudados da maneira correta, com ensaios e testes, pois cada mistura pode ter um desempenho diferente. É importante um laboratório equipado e bem preparado, para que o estado receba um material com bom desempenho, que foi devidamente testado”, explica.

A especialista em regulação de serviços de transportes terrestres da ANTT, Cínthia Santiago Sobreira, explica que a pesquisa da Rota do Oeste faz parte de uma política de desenvolvimento tecnológico com o intuito de estimular a produção tecnológica e a pesquisa. Ela considera o estudo um ganho importante para Mato Grosso, pois é um estado que promete desenvolvimento e possui grande movimento de carga. Acrescenta a importância da preocupação em buscar soluções de reparos que levem em consideração o impacto à natureza. “Nós acreditamos que será muito importante para a comunidade acadêmica, para o desenvolvimento de novos órgãos e de novos projetos rodoviários”, completa.

Desenvolvimento sustentável

A diretora do Instituto de Engenharias (Ieng) da UFMT - Câmpus de Várzea Grande, professora Ilce de Oliveira Campos, agradeceu à Rota do Oeste pela oportunidade de participar e pelos ganhos para a UFMT. “Esse é um dos nossos primeiros projetos em parceria com a iniciativa privada e nós começamos muito bem, porque tivemos ótimos resultados”, fala. O professor de Engenharia dos Transportes da UFMT, Regis de Bel, considera o acesso a um laboratório de ponta um ganho aos alunos. “Acredito que tenha sido uma oportunidade única a todos eles”, diz.

O professor de Engenharia de Transportes da UFMT, Luiz Miranda, acrescenta ainda que o Seminário de Pavimentos é uma forma de exercer a comunicação com a academia e com todos os envolvidos. “É uma prestação de contas do nosso trabalho. É a nossa oportunidade de interagir com os pesquisadores de outros estados e mostrar como estamos avançando. Reciclagem é a senha para o desenvolvimento sustentável do país e do mundo. A Rota do Oeste está trazendo a oportunidade de inserir Mato Grosso neste cenário.

O diretor de engenharia e operações da Rota do Oeste, Lucas Suassuna, diz que esta é a conclusão de mais uma etapa. Segundo ele, a Concessionária busca trabalhar para contribuir com o desenvolvimento da sociedade. “Nós tivemos aqui, em parceria com a UFMT, a oportunidade de promover o desenvolvimento dos pavimentos asfálticos de forma sustentável. É um ganho para nós, para o meio ambiente e para o fomento da pesquisa científica”, explica.

Os alunos do 8° semestre do curso de Engenharia dos Transportes da UFMT Larissa Campos e Higor Peres consideram a experiência uma vantagem. Segundo eles, tiveram acesso a um laboratório completo, com equipamentos novos e de ponta. “Nós não temos isso na faculdade e também pudemos ir a campo e ver na prática o que aprendemos nas aulas. Assim, eu consegui ver que, de fato, é essa a carreira que eu quero seguir”, diz Campos.

A expectativa da Rota do Oeste é que, após os testes, as obras de reparo e recuperação do pavimento sejam feitas com a mistura composta pelo material, que leva até 30% do fresado reciclado na composição, em todo o trecho sob concessão, que vai de Itiquira (km 0) à Sinop (km 855). (Fonte: Assessoria Rota Do Oeste)

 

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