Sexta, 14 Janeiro 2022 05:00

"Frutas comestíveis na Amazônia"

Os superalimentos desprezados que poderiam ajudar a reduzir a fome no Brasil.

A cada ano, entre 60 e 70 milhões de toneladas do fruto mais rico em carotenoides do mundo amadurecem no Brasil, mas só uma ínfima parcela é aproveitada por humanos. A informação está em "Frutas comestíveis na Amazônia", livro do botânico Paulo Bezerra Cavalcante, lançado em 2010.

A estimativa trata do buriti, fruto de uma palmeira abundante na Amazônia e no Cerrado, mas desprezado pela indústria alimentícia.

As propriedades antioxidantes do buriti ajudam a prevenir câncer e outras doenças. Versátil, ele pode ser consumido in natura ou transformado em farinha, doces e pães.

Ainda assim, o fruto é uma das várias espécies alimentícias nativas do Brasil que têm perdido espaço em lares, restaurantes e mercados ao mesmo tempo em que a fome cresce e a comida encarece no país.

Muitas dessas espécies produzem frutos comestíveis. Outras são hortaliças que nascem espontaneamente em campos agrícolas e canteiros, mas são vistas como ervas "daninhas".

Em comum, muitas delas são considerados superalimentos por terem grande quantidade de nutrientes - como minerais, vitaminas e antioxidantes.

'Matos' comestíveis

Resistentes, várias hortaliças espontâneas comestíveis toleram grandes variações climáticas e dispensam cuidados especiais. Um exemplo é o caruru, que tem folhas com propriedades semelhantes às do espinafre e sementes com 17,2% de proteínas.

Outra planta é a beldroega, rica em ômega-3 e nas vitamina B e C, além de ter propriedades antioxidantes.

Todos os anos, porém, muitos agricultores recorrem a herbicidas para destruir grandes quantidades de caruru e beldroega antes de substituí-las por espécies exóticas. E, em muitos casos, as novas espécies plantadas têm menos nutrientes que as anteriores, são mais sujeitas a pragas e são dependentes de fertilizantes, cujos preços também estão em alta.

Pesquisador do ramo da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) dedicado a hortaliças, o agrônomo Nuno Rodrigo Madeira diz à BBC News Brasil que hortaliças como o caruru e a beldroega têm mais nutrientes que várias verduras convencionais justamente por serem mais resistentes.

"Como elas não são adubadas, elas disparam processos metabólicos para conseguir viver na adversidade e aguentar calor e seca, e isso faz com que fiquem mais nutritivas para a gente", afirma.

Para Madeira, o desprezo por essas espécies se deve ao "afastamento entre a sociedade e a origem do alimento".

"Nós nos distanciamos da produção, só entendemos mercados, e o ente mercado quer que a gente gaste mais, senão o PIB reduz", afirma.

Vender nos supermercados hortaliças que crescem sozinhas como "matos", diz ele, não seria tão lucrativo quanto vender as verduras convencionais - daí a resistência do setor em incorporar esses itens.

Só a lógica comercial, segundo Madeira, explica que em uma cidade quente como Manaus agricultores recorram a pedras de gelo para conseguir cultivar hortaliças como a alface, enquanto tantas espécies nativas adaptadas ao calor são deixadas de lado.

E isso não ocorre só no Brasil.

Professor do Instituto Federal do Amazonas (Ifam) em Manaus, o botânico Valdely Kinupp diz à BBC que 90% do alimento mundial hoje vem de 20 tipos de plantas - embora se estime que até 30 mil espécies vegetais tenham partes comestíveis.

Os números soam ainda mais paradoxais no Brasil, país que abriga entre 15% e 20% das espécies vegetais do planeta, mas alimenta a maior parte de sua população com o mesmo cardápio limitado - e majoritariamente estrangeiro.

São estrangeiros quase todos os principais produtos agrícolas do país, como a soja (China), o milho (México), a cana-de-açúcar (Nova Guiné), o café (Etiópia), a laranja (China), o arroz (Filipinas) e a batata (Andes).

Entre as raras plantas que fizeram o caminho inverso, saindo do Brasil para ganhar outras partes do mundo, estão a mandioca, o cacau e o amendoim.

"É muito pouco", diz Kinupp. "Vivemos um imperialismo agroalimentar."

No livro "Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil", que Kinupp lançou com o colega botânico Harri Lorenzi em 2014, são listadas 351 espécies alimentícias "subutilizadas, mal conhecidas e negligenciadas" pela população brasileira.

Muitas delas são nativas; outras, espécies exóticas já naturalizadas e aclimatadas ao país. Várias são conhecidas por uma série de nomes populares distintos (para evitar confusão, listamos no fim desta reportagem os nomes científicos das principais espécies citadas nesta reportagem).

Kinupp é um dos principais líderes no Brasil de um movimento pela valorização das PANC, o acrônimo que batiza seu livro.

Nos últimos anos, embalados pelo movimento, alguns mercados e feiras ampliaram a oferta de PANC, chefs as incorporaram em restaurantes, e cozinheiros criaram contas no Instagram e YouTube para compartilhar receitas.

Mas ele afirma que ainda falta muito para que essas plantas deixem de ser consideradas "não convencionais".

No caso das espécies silvestres presentes na lista, por exemplo, é preciso que agricultores e instituições de pesquisa se dediquem a estudá-las - assim como fazem há milênios com plantas como o arroz e o trigo.

E quando a planta só existe em ambientes naturais, como o buriti, deve-se trabalhar com comunidades tradicionais e pequenos agricultores para apoiar redes de coleta, beneficiamento e comercialização com preço justo.

O que é PANC

Kinupp esclarece que algumas plantas do livro são consumidas em partes do país, mas ignoradas em outras.

Uma das espécies que mais o entusiasmam é o cará-de-espinho, uma trepadeira nativa das regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste que produz tubérculos comestíveis que podem ultrapassar 180 kg.

"Essa planta é a solução para a agricultura no trópico úmido", afirma. Segundo o pesquisador, os tubérculos podem ficar armazenados por até 120 dias fora da geladeira sem apodrecer e podem ser consumidos como a batata (frita, cozida, em purê) ou virar farinha.

Hoje, no entanto, ele afirma que a espécie só é consumida em aldeias indígenas e em comunidades rurais no Baixo Amazonas.

Outras espécies citadas no livro têm mais penetração popular ou já foram mais consumidas - caso da ora-pro-nóbis, um arbusto com frutos, flores e folhas comestíveis originário do Sul, Sudeste e Nordeste do Brasil, e que pertence à culinária típica de Minas Gerais.

Seus frutos são ricos em carotenoides e vitamina C, e as folhas, quando desconsiderada a água, têm até 35% de proteína.

Outro exemplo é o babaçu, palmeira nativa do Mato Grosso e de vários Estados do Nordeste, cuja castanha pode ser consumida cru ou torrada, além de processada para extração de leite ou transformada em farinha para pães e mingaus.

Essa castanha contém de 60% a 70% de óleo rico em ácido láurico, similar ao presente no óleo de coco e no azeite de dendê.

Em 1984, a Embrapa identificou a existência de 12 a 18 milhões de hectares de babaçuzais no Brasil. Na página de seu livro dedicada à espécie, Lorenzi e Kinupp afirmam que o babaçu tem "grande potencial alimentício" e "deveria estar no mercado".

E houve uma época em que o fruto de fato esteve nas prateleiras.

Na década de 1990, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 300 mil famílias trabalhavam com o fruto.

Em 2017, no entanto, o número havia despencado para 15 mil famílias.

Pesquisadora em agricultura familiar e desenvolvimento sustentável da Embrapa Cocais, no Maranhão, a agrônoma Guilhermina Cayres diz que hoje quase toda a extração atual é destinada à indústria de cosméticos e materiais de limpeza.

Ela afirma à BBC que o Maranhão chegou a ter várias indústrias dedicadas à produção de óleo de cozinha de babaçu. Porém, o setor não foi capaz de competir com o óleo de soja, mais barato, e tem sofrido com a expansão da pecuária sobre os babaçuzais.

Além disso, Cayres afirma que muitos trabalhadores deixaram o babaçu por associá-lo à pobreza e por considerar a atividade extenuante.

Grande parte do serviço das famílias consiste em quebrar artesanalmente o coco que abriga as castanhas, função desgastante e normalmente assumida por mulheres.

A pesquisadora diz esperar que o cenário mude com o desenvolvimento pela Embrapa de uma ferramenta que facilita a quebra do coco.

A invenção, que já está sendo fabricada por uma pequena empresa local, foi finalista de um prêmio sobre tecnologias sociais da Fundação Banco do Brasil em 2021.

Cayres também aposta no desenvolvimento de produtos com maior valor agregado à base de babaçu, como biscoitos e sorvetes.

Comida que vai para o lixo

Também são consideradas PANC espécies que são consumidas nacionalmente, mas têm partes comestíveis descartadas pela maioria.

Um exemplo é o miolo do mamoeiro, que pode ser transformado em doces e farinha. Outro, o mangará ("coração") da bananeira, que pode ser servido refogado ou como recheio de pastéis.

Hoje, porém, quase todas as plantações comerciais de mamão e banana do país desprezam os itens.

Até mesmo a polpa de um fruto bastante popular, o caju, é descartada às toneladas no Nordeste por indústrias que processam a castanha da fruta, diz o sociólogo Carlos Alberto Dória, autor de vários livros sobre gastronomia.

"Os galhos (dos cajueiros) são usados como lenha, e a castanha é torrada e exportada", ele diz. "O resto, a polpa, vai para o lixo em quantidade expressiva", afirma.

Um dos sócios do Lobozó, restaurante em São Paulo inspirado nas antigas culinárias caipira e caiçara do Estado, Dória diz que o movimento pela valorização das PANC tem alcance limitado.

"É uma coisa de classe média que quer experimentar novidade e que se angustia com o desprezo pela diversidade", afirma.

Diz ainda que ingredientes regionais, que só sejam produzidos ou consumidos em partes do país, tendem a desaparecer das prateleiras porque a indústria privilegia produtos de alcance nacional.

"A exceção talvez seja o açaí, um produto regional que virou uma commodity, mas isso é muito raro", afirma.

Agricultura urbana

Que meios então haveria para não só preservar mas também ampliar o acesso a alimentos tão ricos, que exigem tão pouco e ocorrem em abundância no Brasil?

O pesquisador Nuno Rodrigo Madeira, da Embrapa Hortaliças, sugere três caminhos.

O primeiro seria incentivar o cultivo de plantas alimentícias não convencionais, oferecendo apoio técnico aos agricultores, criando feiras para a venda desses itens e espaços para a troca de conhecimentos.

O segundo seria aprofundar o debate sobre a comida nas escolas; ensinar às crianças desde cedo a importância de consumir produtos frescos e nutritivos, fazê-las se questionarem sobre a origem dos alimentos e entenderem como a comida é feita.

Ele diz que o movimento em torno das PANC não é só sobre alimentação, mas também sobre aprender a observar a natureza, conseguir identificar as espécies que nos rodeiam, sentir-se parte de um sistema vivo e integrado.

O terceiro caminho para diversificar e baratear a comida, segundo o pesquisador, seria reaproximar a produção de alimentos da população - especialmente a população que vive nas cidades.

Pessoas que morem em casas com quintais poderiam se tornar quase autossuficientes em hortaliças, diz ele, se cultivassem alguns pés de espécies como ora-pro-nóbis, chaya ou moringa - todas elas árvores ou arbustos perenes que produzem folhas comestíveis em abundância o ano todo.

Mas como nem todos têm espaço em casa para produzir, o pesquisador defende que as cidades destinem espaços para a criação de hortas urbanas.

Ele afirma que é possível cultivar hortaliças para todos os habitantes de uma cidade em 10% de sua área - iniciativa que já vem sendo adotada com sucesso, segundo Madeira, em cidades como Detroit (EUA), Havana (Cuba) ou mesmo em Sete Lagoas, em Minas Gerais.

A escolha das espécies levaria em conta as aptidões de cada local, mesclando plantas convencionais e não convencionais.

Ele diz que a produção de alimentos dentro das cidades reduziria os custos deles, pois se economizaria com o transporte dos itens até os mercados, e poderia ocupar moradores de rua e outros grupos marginalizados.

"Não faz sentido gastar um mundaréu de combustível para levar cenouras de um Estado para o outro, como é feito hoje no Brasil", diz.

Madeira diz que o cultivo de alimentos foi justamente o que propiciou o surgimento dos primeiros núcleos urbanos da história, conforme famílias se agruparam em torno de plantações.

"As cidades se formaram por causa da agricultura, e a agricultura não pode estar longe das cidades", diz. ( Fonte: BBC News Brasil em São Paulo)

Principais espécies citadas na reportagem

Babaçu (Attalea speciosa)

Beldroega (Portulaca oleracea)

Buriti (Mauritia flexuosa)

Cará-de-espinho (Dioscorea chondrocarpa)

Caruru (Amaranthus deflexus)

Ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata)

 

Portaria do Ministério do Meio Ambiente em conjunto com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) institui a Plataforma de Anuência Única do Brasil - PAU Brasil, ferramenta de gestão e anuência para a importação e exportação de espécimes, produtos e subprodutos da fauna, da pesca e da flora nativas.

A plataforma, que ficará sob controle do Ibama, funcionará em conjunto com o Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) do Ministério da Economia visando à emissão de documentos como licenças, autorizações, permissões e certificados.

A portaria entrará em vigor em 25 de janeiro. Entre os espécimes que poderão ter licenças emitidas para comércio exterior estão peixes de águas continentais e marinhas. Também estão previstas licenças para a exportação de tora (madeira acima de 250 milímetro espessura e de lenha), madeiras e carvão vegetal de espécies nativas; espécimes, produtos e subprodutos da flora e da fauna silvestre brasileiras e exótica constantes nos anexos da Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites).

Os requerimentos poderão ser feitos via formulário eletrônico, no site do Ibama, junto ao Sistema de Emissão de Licença Cites (Siscites). De acordo com a portaria. “os requerentes de licenças Cites, pessoas físicas ou jurídicas, deverão efetuar sua inscrição no Cadastro Técnico Federal - CTF como Uso de Recursos Naturais, nas categorias: importação ou exportação de fauna nativa brasileira, importação ou exportação de flora nativa brasileira e importador ou exportador de fauna silvestre exótica”, e manter seus dados atualizados. (Fonte: Agência Brasil)

 

Parque Tia Nair terá 500 novas árvores nativas e frutíferas. Mudas foram plantadas pela Rota do Oeste em parceria com projeto Verde Novo - uma iniciativa do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso.

 Quem usou  a manhã do último dia 10 para passear pelo parque Tia Nair, em Cuiabá, aproveitou para plantar árvores na ação voluntária desenvolvida pela Concessionária Rota do Oeste em parceria com o projeto Verde Novo, uma iniciativa do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso. Foi o caso dos pequenos João e Enzo, que estavam com a mãe Geovana Ferreira levando seus cachorros para um passeio. Os garotos se divertiram na atividade de plantar uma árvore cada, enquanto sua mãe contava como seria bom poder passear em um parque mais arborizado com seus filhos no futuro.

 Apesar do sol forte logo cedo, a população não se intimidou ao enfrentar as altas temperaturas para participar da empreitada ambiental em prol de uma “Cidade Verde”. A cuiabana Amália Atala e sua companheira canina Luma também não ficaram de fora: “Nós fazemos caminhada no parque todos os dias, é muito boa uma ação que vai trazer sombra para a cidade”, conta Amália. Ao todo, a Concessionária Rota do Oeste plantou 500 mudas de árvores nativas e frutíferas no local. As espécies variam entre ipês de todas as cores e árvores frutíferas como acerola, goiaba, tamarindo, amora e ingá.

 Durante a ação a representante do projeto Verde Novo Rosiane Carnaíba explicou a forma mais adequada para o plantio, visando o crescimento saudável das mudas. Para um melhor resultado em acordo com o clima local, foi utilizado o gel de plantio, um polímero que tem a capacidade de reter umidade e nutrientes no solo, beneficiando a evolução da planta. Sobre o Verde Novo, Rosiane conta que a ideia inicial era o plantio de 300 mil mudas e já foram plantadas mais da metade. Agora o novo plano é dar seguimento ao projeto sem estipular uma quantia mínima. “É muito importante para o projeto contar com a parceria de empresas como a Rota do Oeste. Plantar árvores reduz a temperatura e neutraliza a emissão de carbono na atmosfera”, destaca.

 A missão ambiental foi uma iniciativa da Rota do Oeste pela sua responsabilidade socioambiental. A empresa buscou voluntariamente parceria com o TJMT que prontamente acionou o projeto Verde Novo, fazendo a doação das 500 mudas plantadas pela Concessionária no parque. O gerente de Sustentabilidade da Rota do Oeste, Wilmar Manzi, conta que é uma forma de contribuir com um ambiente mais apropriado para a sociedade. “É uma parceria muito gratificante. A intenção é continuar com a parceria e realizar uma ação como esta anualmente” afirma Manzi.

 A parceria foi reconhecida também pelo representante do Juizado Volante Ambiental de Cuiabá (JUVAM), Sérgio Saviolli. “A conscientização ambiental é uma pauta mundial que envolve a todos nós. A Rota do Oeste firmou esta parceria com o Projeto Verde Novo para prestar sua contribuição ambiental ao plantar 500 novas árvores neste parque, que contribuirão para o microclima da nossa região, combatendo o aumento de temperatura e a baixa umidade relativa do ar. A participação da iniciativa privada em ações como esta é de suma importância, pois o equilíbrio do meio ambiente é responsabilidade de todos”, registra o Saviolli. O JUVAM é o departamento idealizador do projeto Verde Novo.

 Para Eder Lemes, funcionário da Concessionária que participou do plantio de mudas, essa é uma ação ‘para sempre’, já que as árvores crescerão e farão sombra para várias gerações. “Plantei as mudas pensando que um dia virei ao parque com minha família e poderei me sentar na sombra dessas árvores”. Aqueles que desejam conhecer mais sobre o projeto ou se tornar voluntários, podem acessar o site verdenovo.tjmt.jus.br

 (Fonte: Assessoria Rota do Oeste )

Cultivo de árvores nativas brasileiras permite retorno de investimento com mediana de 15,8%

Estudo analisou 40 projetos em quatro biomas brasileiros e comprovou também benefícios ambientais, como melhora dos recursos hídricos e remoção de carbono da atmosfera. O estudo constatou ainda que modelos produtivos com espécies nativas podem retirar de 6,7 a 12,5 toneladas de dióxido de carbono equivalente da atmosfera por hectare ao ano.

Um retorno de investimento com mediana de 15,8%, podendo alcançar 28,4% ao ano: esta é uma das principais conclusões da análise de 40 projetos de plantio de árvores nativas brasileiras em quatro dos seis biomas brasileiros. O estudo constatou ainda que modelos produtivos com espécies nativas podem retirar de 6,7 a 12,5 toneladas de dióxido de carbono equivalente da atmosfera por hectare ao ano. Eles também reduzem a erosão do solo, melhorando a qualidade da água que chega aos rios e reservatórios.

Liderado pelo Força-Tarefa Silvicultura de Espécies Nativas da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, com apoio e coordenação do WRI Brasil, o estudo avaliou 40 casos implementados ou apoiados por 30 diferentes agentes econômicos – desde agricultores familiares a parcerias com finalidade experimental, bem como empresas rurais. Juntos, eles ocupam mais de 12 mil hectares em oito estados, com predominância nos dois principais biomas florestais do Brasil, Amazônia e Mata Atlântica.

A análise se concentrou em três diferentes modelos que possibilitam o cultivo de árvores nativas brasileiras: a silvicultura de espécies nativas, os sistemas agroflorestais (SAF) e o sistema integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Ao todo, os 40 casos avaliados cultivam mais de 100 espécies florestais e agrícolas, entre nativas e exóticas.

A avaliação econômica desses projetos mostrou que as taxas internas de retorno (TIR) dos investimentos variam de 2,5% a 28,4% ao ano, com mediana de 15,8%. Com exceção de dois casos, todos os resultados mostram TIR superior a 9% – percentual competitivo na comparação com outras atividades agropecuárias. A rentabilidade para o produtor é também um indicativo de que o Brasil tem uma grande oportunidade de gerar emprego e renda se aumentar e der escala a atividades de silvicultura de espécies nativas na produção de madeira, óleos vegetais, alimentos como castanhas, frutas e diversos outros produtos florestais.

“Há um enorme potencial para os produtos florestais brasileiros nas cadeias produtivas nacionais e globais. No caso do mercado de madeira tropical, por exemplo, menos de 10% da produção mundial tem origem no Brasil”, explica Miguel Calmon, líder da Força-Tarefa Silvicultura de Espécies Nativas da Coalizão Brasil.

“O Brasil tem mais de 90 milhões de hectares de pastagem com algum nível de degradação. Desse total, mais de 40 milhões encontram-se em estado severo. O que este estudo mostra é que essa imensa fronteira que exige restauração pode ser uma oportunidade rentável de investimento para o produtor”, destaca Daniel Soares, analista de investimento do WRI Brasil e um dos autores do estudo.

Impulso mundial

Além da taxa de retorno do investimento, o produtor ainda se beneficia dos serviços ambientais oferecidos pelas espécies nativas, tais como melhora dos recursos hídricos e aumento da resiliência e produtividade de outras atividades que podem ser consorciadas com as árvores. A remoção de carbono da atmosfera, por sua vez, é um benefício para todo o planeta, mas também pode contribuir com o fluxo de caixa do produtor, já que oportunidades no mercado de carbono vêm ganhando impulso mundialmente.

A análise dos 40 casos de produção envolvendo árvores nativas brasileiras foi feita com a Ferramenta de Investimento Verena, do WRI Brasil, com base em um modelo financeiro de fluxo de caixa descontado. As informações para compor os modelos financeiros foram fornecidas pelos executores e parceiros dos casos. As principais informações para fazer a análise econômica e financeira foram a produtividade esperada para cada espécie, os custos de implementação e manutenção e as despesas administrativas. O custo de oportunidade da terra foi baseado no valor da terra, em reais por hectare, referente ao uso e ao município mais próximos ao caso.

A avaliação um a um dos casos mostrou que o investimento necessário e o retorno variam entre os modelos. A silvicultura de nativas, em geral, requer maior exposição de caixa e um período maior para que o investimento cumpra o retorno esperado. Os SAFs e sistemas ILPF, os quais incluem culturas agrícolas ou pecuária, permitem antecipar a entrada de caixa.

Para a análise de carbono, utilizou-se o GHG Protocol Florestas e Sistemas Agroflorestais. A silvicultura de nativas mostrou potencial para retirar 12,5 toneladas de dióxido de carbono equivalente da atmosfera por hectare ao ano (tCO2eq/ha/ano). Os sistemas agroflorestais, por sua vez, mostraram potencial de remover 6,7 tCO2eq/ha/ano. O estudo não quantificou a remoção de carbono dos sistemas ILPF. ( Fonte:  EcoDebate)

 

 

 

Domingo, 05 Dezembro 2021 05:00

“A natureza não tem castas”

Filha de agricultores tradicionais do Vale do Guaporé e hoje coordenadora do programa de direitos socioambientais do Instituto Centro de Vida, Deroní Mendes fala sobre conexões naturais e divisões sociais.

Quem é Deroni de Fátima Leite Mendes?

 Sou filha do seu Germano e da Dona Benedita, agricultores tradicionais do Vale do Guaporé, cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade, no Mato Grosso. Vila Bela é a primeira capital de Mato Grosso e a primeira cidade planejada do Brasil, fundada pela coroa portuguesa para assegurar que os espanhóis não povoassem o local. A minha cidade fica na fronteira com a Bolívia e é muito pequena, com cerca de 17 mil habitantes. Por um lado, tem uma grande pobreza, por outro também tem um enorme rebanho bovino. Em 2020, tinha o sexto rebanho do Brasil e o primeiro do Mato Grosso, o que indica a desigualdade na distribuição de renda. Sou da cidade de Tereza de Benguela, e quem nasceu em Vila Bela, se é negra, se é mulher, é uma herdeira de Tereza de Benguela. Aos 11 anos fui para cidade para estudar e aos 23 anos mudei de cidade para fazer faculdade. Entrei nesse meio socioambiental, e em 2006 me mudei para Cuiabá, onde estou até hoje. Sou uma mulher que sempre quis conhecer como é que funciona esse sistema da estrutura social e que nunca desistiu de lutar para trazer um pouco de benefício, de melhoria de qualidade de vida, para minha família principalmente. Eu nunca deixei de olhar qual é o papel da população negra na cidade de Vila Bela, qual o ramo que elas ocupam e principalmente qual é o papel da mulher negra nessa sociedade.

O que  fez você despertar para esse mundo socioambiental, a sua formação foi relacionada ao meio ambiente?

 Eu fiz geografia, hoje eu falo que foi a melhor escolha, mas não foi a minha escolha, foi o que sobrou, o que deu se eu tivesse escolha naquela época eu faria direito, mas as minhas condições sociais e econômicas não permitiam. Eu sempre quis fazer direito para defender as coisas com base no que estava escrito e que ninguém poderia descontruir. Mas Vila Bela é muito pequena e não tem faculdade. O lugar mais perto é Cáceres, que fica a cerca de 300 km. Lá tinha faculdade de direito, mas o curso era no período da manhã e eu precisava trabalhar. A gente é de família muito pobre, então eu tinha que ir para lá, arrumar um lugar para ficar e trabalhar. Pude fazer geografia, porque era a noite. Eu gosto da geografia humana e da geografia agrária, porque eu sou da zona rural e porque eu vejo que questões como o uso da terra é o que move o mundo nas relações sociais, culturais e econômicas. Eu fui para esse meio socioambiental quando eu comecei a trabalhar, durante a faculdade, na Fase – Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional. Eu estava em uma loja, em um trabalho análogo a escravidão, quando o coordenador da Fase me tirou de lá para trabalhar na biblioteca da ONG e foi lá que eu fui cada vez mais compreendendo o contexto das populações rurais, o contexto em que eu vivia e em que a minha família vive.

 Você sempre viveu num meio rural, só que você não tinha essa perspectiva que a geografia te deu. Hoje, qual a sua visão, enquanto mulher afro-latina-americana, sobre a proteção florestal?

 Eu estava pensando hoje sobre isso, sobre o papel das mulheres em todo e qualquer sistema, em toda e qualquer cultura. Eu costumo dizer que as mulheres são as guardiãs do clima e das florestas. Embora sejam os homens que pescam, que caçam e que fazem a roça, são as mulheres que observam os comportamentos e que fazem a comida. As comunidades afro têm um misticismo muito próximo das comunidades indígenas, tudo tem um por quê. A geografia me trouxe um novo olhar, mas eu sempre defendo que o conhecimento científico que a gente aprende na academia, não é melhor nem pior do que o que a gente aprende na vivência, ele pode ser complementar. Às vezes, difícil é conciliar. Nem quem está no sítio ou nem quem está na academia, quer esvaziar sua xícara. Todo mundo está cheio da sua opinião, do seu conhecimento, da sua expertise. E às vezes, isso não traz bons frutos.

 Você agora trabalha no Instituto Centro de Vida (ICV). O que você está fazendo lá?

 Eu trabalhei no ICV de 2007 a 2009 e depois retornei em 2012. Eu concorri a um edital de assistente de projetos lá e eu fui chamada para uma entrevista. Minha filha estava com 3 meses de idade. Nem as creches aceitavam crianças desta idade e eles me contrataram mesmo assim. Eu iniciei o trabalho em uma área administrativa, mas no final de 2019 eu assumi a coordenação compartilhada do programa de direitos socioambientais. Esse programa nasce das emergências que assola os grupos em situação de vulnerabilidade social econômica, ambiental, que é uma vulnerabilidade estrutural e histórica. O objetivo do programa e fortalecer esses grupos do ponto de vista social, político, cultural e econômico. Não é falar por eles, mas é entender qual é a prioridade e como que faz a voz deles ir mais longe. Como é que a gente contribui para que eles consigam dialogar de forma mais efetiva, nos diferentes espaços, para que os produtos deles cheguem mais longe, enfim, como é que a gente constrói soluções compartilhadas com esses grupos. Nosso foco é o estado de Mato Grosso, onde as vulnerabilidades já são gigantescas.

 Vocês estão acompanhando a implementação do Código Florestal nos territórios dos Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs)?

 No caso da implementação do Código Florestal para povos e comunidades tradicionais, a gente começou a acompanhar ainda na época do governo anterior (governo Dilma), quando ainda estavam sendo discutidas as premissas da regularização ambiental para os territórios deles, tendo em vista que são em sua maioria coletiva e têm também as suas especificidades. Como fazer a regularização ambiental dos pescadores, dos geraizeiros, das quebradeiras de cocos? São diferentes desafios dessa implementação que é muito complexa. Acho que vai demandar um grande esforço da sociedade civil, desses grupos e dos governos.

 Você vê algum avanço para esses povos, após 9 anos da Lei?

 O que a gente percebe é que houve uma mobilização e hoje esse diálogo diminuiu. Esses diálogos, em função da implementação do Código Florestal, precisam ser retomados. Eu acredito que, no estado de Mato Grosso, há uma possibilidade da retomada, pois está acontecendo uma ativação do comitê estadual de povos e comunidades tradicionais. Algumas das lideranças desse comitê são pessoas que já acompanhavam a discussão sobre o CAR. Eu acredito que toda essa bagagem, que eles acumularam na discussão nacional, vai ser bem-vinda para o estado.

 Na visão das comunidades locais, com as quais você cresceu e convive, existe uma preocupação com o Código Florestal? Você acha que a nova Lei impactou essas comunidades e nas suas formas de produzir e comercializar ou nada mudou?

 Tem casos e casos. As comunidades tradicionais se enquadram nos critérios da agricultura familiar para o acesso a crédito, por exemplo. A concessão de crédito já era um impacto já apontado pelos próprios PCTS, pois eles teriam que apresentar o recibo do CAR, o que já exclui um pouco essa possibilidade do acesso a crédito. Mas outra questão a se considerar é que muitos desses grupos nunca acessaram esses créditos, então eles não têm muito claro para que serve e quais os benefícios de fato de se ter o CAR. A minha família, por exemplo, nunca acessou a PRONAF, que seria o que eles precisariam de um recibo do CAR.

Então, a questão do CAR é meio que “faz porque tem que fazer”. A gente fez o CAR porque tinha um prazo, apareceu no jornal que todo mundo que tinha propriedade tinha que fazer. A minha família procurou um escritório, levou os documentos e fez a CAR. Igual a minha família, muitos fizeram a mesma coisa, porque está na lei então tem que fazer. Os pequenos pagam o ITR, todos os encargos, vacinam seus bois. Sabe que tem que fazer, vai lá e faz, paga para fazer e se precisar do documento, está na lei. Agora para que que serve de fato, se com esse documento aqui eu consigo algum outro benefício social, ou econômico, ou algum apoio de assistência técnica, isso inexiste para muitos.

 Quais são as suas principais preocupações em relação à proteção florestal e ao cumprimento do Código Florestal?

 Às vezes é complicado perceber o impacto sinérgico das coisas. Não adianta a gente respeitar a reserva legal, não desmatar e ficar ilhado. Não adianta a gente cuidar de um lado, pois se o outro não cuidar, a seca severa ou a inundação também vão chegar aqui. A natureza não tem castas. Uma outra questão que a gente precisa levar em consideração é a necessidade dessas comunidades, a vulnerabilidade social e econômica. Por exemplo, meu pai tem 84 anos e está com Alzheimer, com Parkinson, ele já não anda. A gente não faz mais roça há um bom tempo, para manter ele e com a aposentadoria da minha mãe, são muitos remédios e essas necessidades são urgentes. O que a gente vai fazer? Vamos criar boi. Porque é o imediato. Nessas comunidades a gente tem que observar as necessidades sociais, o quanto essas comunidades estão desassistidas do poder público. Essas pessoas precisam comer, tem os animais, tem a família para alimentar, tem o remédio, tem a energia, tudo custa dinheiro. Vamos criar boi, vamos construir pasto. Por que onde que a gente vai ter assistência técnica gratuita para tornar o nosso quintal produtivo? Têm todas essas questões.

 Qual a sua perspectiva de futuro? O que você vê para as comunidades nos próximos anos?

 O meu sonho é ver essas comunidades tradicionais, que eu não tenho nenhuma dúvida de que são de fato os guardiões da floresta, conseguindo produzir pelo menos o suficiente para a sua segurança alimentar e nutricional. E ver os produtos da sociobiodiversidade sendo valorizados no mercado. É ver os fazeres das comunidades tradicionais como uma verdadeira fonte de sustento. Meu sonho é que de fato o óleo de babaçu, que o meu irmão produz, que ele leva na garrafa pet para vender sob encomenda na cidade, seja vendido por um preço justo, que ele consiga colocar um rótulo no produto, que a gente consiga ter uma banquinha. Cada comunidade é um tesouro, ela é um ecossistema social, político, económico, que tem a sua forma própria de se organizar. E que essa organização se torne uma possibilidade para eles continuarem a ser o que são. Caber na caixinha do colonizador para a gente seguir em frente, ser respeitado, valorizado. O meu sonho é que a gente não precise disso. Cada um é cada um, cada cultura, cada fazer, cada forma de organizar è importante e tem o seu lugar. Eu consegui positivar quem eu sou, de onde eu vim, mas nem todo mundo consegue, inclusive da minha própria família, o ser negro, ser da zona rural. É legal também para eles verem que a gente tem a nossa importância. Para quem está 365 dias por ano aqui, não é fácil. Não é fácil quando você chega a            o mercado, quando você vai no posto, quando você vai na prefeitura. É muito diferente do que eu, que moro em Cuiabá e chego aqui, é outro tratamento. O meu sonho é que não precise ser assim. Essas coisas mostram como essas comunidades são negligenciadas e invisibilizadas intencionalmente. Quanto menos se souber quem somos, onde estamos e como fazemos, melhor. Melhor para quem não nos quer igual. (Fonte:  Observatório do Código Florestal)

 

 

Bureau Veritas lança programa voltado para produtores e importadores de biocombustíveis.

O Bureau Veritas, líder mundial em Teste, Inspeção e Certificação (TIC), amplia suas soluções para o mercado nacional de biocombustíveis, com o lançamento do Programa BV Renovabio. A iniciativa inclui a Certificação Renovabio e serviços estratégicos, auxiliando empresas a alcançarem as metas nacionais de descarbonização, além de cobertura geográfica total da área de atuação e equipe do Bureau Veritas especializada em Sustentabilidade.
"O lançamento do Programa BV Renovabio é mais uma iniciativa do Bureau Veritas em contribuir para um mundo mais verde. Com nossa presença em todo o Brasil, o programa nos permite atender de maneira mais completa o mercado nacional de Biocombustível, que tem apresentado alta significativa nos últimos anos, com atendimento de excelência a todas os clientes independentemente de sua localização ", destaca José Cunha, diretor de Certificação do Bureau Veritas.
O Programa BV Renovabio integra o selo de certificação, análise de elegibilidade e serviços de georreferenciamento, além de outras soluções complementares, como construção de elegibilidade, análise de ciclo de vida do produto e desenvolvimento de pegada de carbono e Análise de Lacunas (Gap Analysis) para a comparação entre o desempenho real do cliente e o desempenho potencial, com relação às metas de descarbonização.
A Certificação Renovabio, inclui duas fases prioritárias. O processo inicia com a análise de elegibilidade do produtor de biocombustíveis a partir da verificação documental da unidade. Após esse passo, a elegibilidade da rota de produção também é verificada e são abertos os processos administrativos com a ANP. Ocorre então a análise de imagens por meio de satélites, assim como a conferência de informações e possíveis pendências. O próximo passo é a realização de uma auditoria, com vistoria presencial da unidade produtora. A partir dos dados coletados, tem início a última fase da certificação, com elaboração do relatório final e emissão do Selo Renovabio. O certificado terá validade de três anos contados a partir da aprovação pela Agência Nacional de Petróleo (ANP).
Com quase 200 anos de experiência no mercado, o Bureau Veritas já certificou mais de 100 mil empresas e possui mais de 20 mil profissionais treinados em padrões internacionais. O Grupo oferece mais de 60 treinamentos em Sistemas de Gestão da Qualidade, Formação de Auditor, Auditor Líder, Compliance e Seis Sigma.

Sobre o Grupo Bureau Veritas
Com receita global de 4,6 bilhões de euros, o Bureau Veritas é líder mundial em Teste, Inspeção e Certificação (TIC). Fundado em 1828, o Grupo está presente em 140 países, atendendo mais de 400 mil clientes. São 75 mil colaboradores localizados em mais de 1.600 escritórios e laboratórios pelo mundo, sendo 5 mil profissionais no Brasil. O Bureau Veritas oferece um portfólio completo de serviços e soluções inovadoras para garantir que ativos, produtos, infraestrutura e processos que atendam aos padrões e regulamentações de qualidade, saúde e segurança, proteção ambiental e responsabilidade social.

 

Bureau Veritas lança programa voltado para produtores e importadores de biocombustíveis.

O Bureau Veritas, líder mundial em Teste, Inspeção e Certificação (TIC), amplia suas soluções para o mercado nacional de biocombustíveis, com o lançamento do Programa BV Renovabio. A iniciativa inclui a Certificação Renovabio e serviços estratégicos, auxiliando empresas a alcançarem as metas nacionais de descarbonização, além de cobertura geográfica total da área de atuação e equipe do Bureau Veritas especializada em Sustentabilidade.
"O lançamento do Programa BV Renovabio é mais uma iniciativa do Bureau Veritas em contribuir para um mundo mais verde. Com nossa presença em todo o Brasil, o programa nos permite atender de maneira mais completa o mercado nacional de Biocombustível, que tem apresentado alta significativa nos últimos anos, com atendimento de excelência a todas os clientes independentemente de sua localização ", destaca José Cunha, diretor de Certificação do Bureau Veritas.
O Programa BV Renovabio integra o selo de certificação, análise de elegibilidade e serviços de georreferenciamento, além de outras soluções complementares, como construção de elegibilidade, análise de ciclo de vida do produto e desenvolvimento de pegada de carbono e Análise de Lacunas (Gap Analysis) para a comparação entre o desempenho real do cliente e o desempenho potencial, com relação às metas de descarbonização.
A Certificação Renovabio, inclui duas fases prioritárias. O processo inicia com a análise de elegibilidade do produtor de biocombustíveis a partir da verificação documental da unidade. Após esse passo, a elegibilidade da rota de produção também é verificada e são abertos os processos administrativos com a ANP. Ocorre então a análise de imagens por meio de satélites, assim como a conferência de informações e possíveis pendências. O próximo passo é a realização de uma auditoria, com vistoria presencial da unidade produtora. A partir dos dados coletados, tem início a última fase da certificação, com elaboração do relatório final e emissão do Selo Renovabio. O certificado terá validade de três anos contados a partir da aprovação pela Agência Nacional de Petróleo (ANP).
Com quase 200 anos de experiência no mercado, o Bureau Veritas já certificou mais de 100 mil empresas e possui mais de 20 mil profissionais treinados em padrões internacionais. O Grupo oferece mais de 60 treinamentos em Sistemas de Gestão da Qualidade, Formação de Auditor, Auditor Líder, Compliance e Seis Sigma.

Sobre o Grupo Bureau Veritas
Com receita global de 4,6 bilhões de euros, o Bureau Veritas é líder mundial em Teste, Inspeção e Certificação (TIC). Fundado em 1828, o Grupo está presente em 140 países, atendendo mais de 400 mil clientes. São 75 mil colaboradores localizados em mais de 1.600 escritórios e laboratórios pelo mundo, sendo 5 mil profissionais no Brasil. O Bureau Veritas oferece um portfólio completo de serviços e soluções inovadoras para garantir que ativos, produtos, infraestrutura e processos que atendam aos padrões e regulamentações de qualidade, saúde e segurança, proteção ambiental e responsabilidade social.

 

O curta-metragem retrata o misticismo do lugar a partir da reflexão sobre a fuga da rotina e do sistema econômico.

O misticismo na Serra do Roncador, conhecida pela forte energia espiritual e natureza exuberante, é a inspiração para o documentário "O Dedo de Deus: contatos mágicos na Serra do Roncador", que estreia no mês de dezembro em Barra do Garças, Cáceres e Cuiabá. Produzido com recursos do edital MT Nascentes, da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), terá a primeira exibição pública presencial nesta quarta-feira (1º.12), em duas sessões, para a comunidade da Escola Estadual Irmã Diva Pimentel, em Barra do Garças.

Para o público geral, o documentário estreia no dia 07 de dezembro, às 19h, em Cáceres e Barra do Garças. Em Cáceres, será no 3º Festival de Cinema Olhares do Pantanal. E em Barra do Garças, no auditório da Prefeitura Municipal. Uma semana depois, em 14 de fevereiro, a exibição pública será em Cuiabá, às 19h, no cinema do Sesc Arsenal.

O curta-metragem foi selecionado no edital MT Nascentes da Secel, viabilizado por meio da Lei Aldir Blanc, e retrata o misticismo na Serra do Roncador a partir da reflexão sobre a fuga da rotina e do sistema econômico, que valoriza os bens materiais, a busca pelo amadurecimento espiritual que intriga a razão, a cura das feridas emocionais.

A idealizadora do projeto, a jornalista Aliana Camargo, afirma que a realização do documentário é uma provocação interna para ela e para os que assistem. “Ele traz o benefício da dúvida para quem é cético, e instiga os que estão na busca de saber o que há além dos nossos cinco sentidos materiais. Além disso, mostra a riqueza exuberante da Serra do Roncador, que é um lugar com uma energia muito forte”. Aliana também assina o roteiro e a direção do filme.

 

A produção audiovisual é estruturada a partir do relato de experiências metafísicas e de evolução da consciência humana vivenciadas pelo ator cuiabano André D’Lucca, um apaixonado pela região. Do primeiro encontro com a serra, ainda na adolescência, às mais de 30 viagens ao Roncador na fase adulta, André conta sua trajetória em busca de autoconhecimento e de conexão com o divino.

O mistério que transcende a realidade material também se fortalece com os depoimentos de pesquisadores e de espiritualistas que consideram o Roncador um santuário espiritual e metafísico, um chacra da Terra. Mais do que a porta da Amazônia Legal, a Serra do Roncador seria um portal para o desconhecido.

O título do filme, O dedo de Deus, é uma menção à formação rochosa no Roncador bastante visitada por turistas e místicos do Brasil e do exterior, por ser considerado um local onde há grande concentração energética. Com 31 minutos de duração, o filme foi realizado em parceria com o Núcleo de Produção Digital da Universidade Federal de Mato Grosso (NPD/UFMT) do campus Araguaia. 

trailer do filme está disponível no youtube.

 

Segunda, 01 Novembro 2021 13:17

Uma legislação para o bioma

Conferência vai discutir legislação para o pantanal.
Evento vai contar com palestras sobre uso sustentável dos recursos naturais

Proposto pelo senador Wellington Fagundes (PL-MT), o Estatuto do Pantanal será discutido, no período de 10 a 12 de novembro, em uma conferência que vai reunir cientistas, pesquisadores e representantes do Poder Judiciário, Senado Federal e Assembleia Legislativa.

O objetivo é apresentar sugestões de aperfeiçoamento do projeto de Lei 5.482/2020, que está na Comissão de Meio Ambiente do Senado e cria uma legislação para o bioma.

A proposta de legislação levou em consideração a necessidade de exploração sustentável dos recursos naturais do pantanal e evitar que novas tragédias, como a do ano passado, se repitam, quando os incêndios consumiram 4 milhões de hectares no bioma.

Na época, o senador apresentou proposta para criação de uma Comissão Temporária Externa do Senado, que ouviu vários setores da sociedade em várias audiências. Desse trabalho, surgiu um relatório elaborado pelo senador Nelsinho Trad (MS) e a proposta de uma legislação pertinente, já que o bioma não conta com uma legislação federal, o que levou a Procuradoria Geral da República a propor a adoção da legislação da Mata Atlântica como arcabouço jurídico para o pantanal.

“Isso mostra a necessidade urgente de aprovarmos essa legislação. Mata Atlântica e pantanal são dois biomas muito diferentes. Não podemos continuar omissos”, avalia o senador.

O evento está marcado para o Teatro Zulmira Canavarros, na Assembleia Legislativa, e a programação prevê debates sobre a conservação e exploração sustentável da maior planície alagada do mundo.

Para os dois dias de debates, entre palestrantes e debatedores, foram convidados 19 especialistas em diversas áreas de formação como biólogo, juízes de direito, advogados, engenheiros (agronomia e florestal), professores e desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.  

Abertura da conferência será no dia 10 de novembro, às 19 horas, no Teatro Zulmira Canavarros. Os dias 11 e 1 estão reservados para os debates.

Terça, 26 Outubro 2021 05:00

Por um mundo mais sustentável

Ecoponto no Comper terá ações na Semana do Lixo Zero.

  A ‘Semana Lixo Zero’ será realizada em Cuiabá com diversas ações, dentre elas o curso ‘Condomínio Lixo Zero’, que ocorrerá no dia 27, às 19h, no  Ecoponto do estacionamento do Comper do Jardim Itália. O evento será presencial, gratuito e obedecerá as normas de biossegurança. A Semana Lixo Zero’ é uma realização do Instituto Lixo Zero Brasil, conta com o apoio de diversas empresas e instituições e ocorrerá até o dia 31 de outubro.

  O curso ‘Condomínio Lixo Zero’ será exclusivo para síndicos, administradores e mobilizadores ambientais de condomínios e prédios de Cuiabá e Várzea Grande. Serão abordados os processos desde a educação ambiental à destinação correta de todos os resíduos gerados e casos práticos.

 A coordenadora de Relacionamento com o Cliente da Rede Comper, Lídia Pachori contou que nos dias 30 e 31 (sábado e domingo), das 8 às 18h, as pessoas que levarem os seus recicláveis no Ecoponto ganharão uma muda de árvore frutífera ou nativa, uma parceria com o projeto Verde Novo e Arborizar Cuiabá.     

 O diretor da Teoria Verde, um dos organizadores do evento, Jean Peliciari, disse que este evento conta com uma vasta programação. “Será uma grande oportunidade para os participantes conhecerem o conceito lixo zero, casos de sucesso, diferentes metodologias, dentre outros”, disse.

 A programação completa e mais informações no site: www.teoriaverde.com.br/semanalixozero2021

  Ecoponto

Trata-se de um projeto ambiental, social e econômico de sustentabilidade que tem por objetivo receber doações de lixos recicláveis, que após serem vendidos terão o valor revertido para instituições sociais e para a compra de materiais escolares. A iniciativa nasceu da união de esforços de várias empresas, instituições e parceiros que trabalham por um mundo mais sustentável.

Os valores arrecadados com as doações recebidas pelo Ecoponto são destinados para as instituições de acordo com cada segmento:

  • Plásticos: É o Bicho MT, Cão Cuidado Cão Amor e Tampatinhas.
  • Alumínio e sucata de ferro: Abrigo Bom Jesus de Idosos.
  • Papel e Papelão: compra de kits escolares para crianças carentes da região.
  • Eletrônicos: Hospital de Câncer de Mato Grosso.
  • Óleo de Cozinha: valor dividido para as 12 escolas municipais cadastradas na campanha LEVO e que são locais de entrega voluntária.
  • Vidros: não haverá valor em dinheiro para a reciclagem, pois o valor do resíduo é baixo, mas terão destinação correta.
  • Remédios vencidos: não gera receita, mas igualmente terão a destinação correta.

 

A Unimed Cuiabá criou o Programa de Economia e Sustentabilidade –ProEco.

Consumir de forma sustentável é pensar no impacto que cada escolha traz ao meio ambiente, sociedade e até às finanças. Pensando nisso, a Unimed Cuiabá, por meio do setor de Sustentabilidade, criou o Programa de Economia e Sustentabilidade (ProEco), no âmbito da Cooperativa que busca a conscientização e adesão a boas práticas de consumo.

No mês de outubro o foco do programa é o consumo sustentável, celebrado no dia 15. Entre as ações já realizadas que impactam no consumo estão a sensibilização de clientes, colaboradores e cooperados a preservação do meio ambiente, economia da água, combate à poluição e ao reflorestamento. A Singular Cuiabana realiza ainda coleta seletiva, reaproveitamento de papel, campanha interna para evitar impressões desnecessárias, economia de energia e água.

Aderir ao consumo consciente requer um olhar mais atento à origem dos produtos e serviços que consumimos. “O consumo consciente se trata da soma de pequenas atitudes”, ressalta a diretora administrativo financeiro da Unimed Cuiabá, dra. Suzana Palma.

A médica reforça ainda que a ação sempre parte do objetivo de causar o menor impacto negativo possível no meio ambiente e na qualidade de vida. “Na prática o consumo sustentável engloba o planejamento das compras, seu propósito e motivação e isso se estende a tudo: móveis, roupas, calçados, bolsas. Além da reutilização de embalagens, descarte de materiais eletrônicos evitando que ele seja feito com outros tipos de lixo, economia de energia, ao desligar a luz dos ambientes e evitar banhos demorados”, explica.

Para quem deseja aderir a esse importante conceito de vida, preparamos nove dicas simples para começar hoje mesmo.

 Lista de compras: Elas facilitam a ida ao mercado, além de ajudar a organizar melhor o orçamento e a ir diretamente até os produtos que são realmente necessários.

  1. Lista de compras: Elas facilitam a ida ao mercado, além de ajudar a organizar melhor o orçamento e a ir diretamente até os produtos que são realmente necessários.
  2. Reaproveite e recicle: Alimentos, potes, caixas de leite e outros itens podem virar porta joias, bolsas e porta objetos. Para isso use a imaginação e até uma ajudinha da internet vale. Pesquise e veja quanta coisa é possível.
  3. Valorize as empresas com responsabilidade social: Diversas empresas já possuem ações que visam a redução do impacto no meio ambiente. São organizações que trabalham com madeira e fazem o reflorestamento; indústrias de cosméticos que não testam os produtos em animais; fábricas que produzem por meio de técnicas antipoluição e muitas outras. Valorizá-las é também uma maneira de fazer um consumo consciente.
  4. Opte por eletrodomésticos econômicos: O Programa Nacional de Conservação de Energia é resultado da parceria entre o Inmetro e o Ministério de Minas e Energia. Eles disponibilizam o Selo Procel, que identifica os aparelhos que consomem menos energia. Além de reduzir os impactos causados no meio ambiente, eles também ajudam a economizar na conta de luz. Na hora de comprar procure sempre optar por eletrodomésticos econômicos, que atendam às suas necessidades do dia a dia e que permitam, ao mesmo tempo, uma boa economia de dinheiro.
  5. Utilize a tecnologia a seu favor: Manter as finanças em dia é possível, sem acúmulo de papel. Para isso utilize  eu aplicativo bancário e sempre que possível opte por receber boletos eletrônicos. Evite o uso de papel e o planeta agradece.
  6. Reduza o consumo de água e energia: Atitudes simples podem trazer redução no consumo que impactam nas contas. Ações como se lembrar de tirar do congelador os alimentos antes de prepará-los e evitar utilizar o microondas é uma das formas de evitar o uso desnecessário do equipamento. Regule o termostato da geladeira em épocas mais frias e ajustar o ar-condicionado com timer programado para que ele desligue sozinho um tempo depois.
  7. Evite excessos: Sempre que ver uma promoção, analise se o produto realmente terá uma utilidade no seu dia a dia e evite compras desnecessárias. 
  8. Faça doações: Tire um tempo para organizar as suas coisas. Separe roupas, sapatos, utensílios de cozinha e até objetos que você não usa mais e faça doações.
  9. Espalhe a ideia de consumo consciente: Além de tomar atitudes corretas para ter um consumo consciente, é importante espalhar estas ideias. Converse com seus amigos e familiares sobre as atitudes deles em relação ao próprio consumo cotidiano.

Isso é importante para que cada vez mais pessoas reflitam sobre o assunto e assim tomem atitudes que serão positivas para si mesmas e para os demais. Nunca se esqueça que somente com bons hábitos no dia a dia e uma noção correta da importância do consumo consciente será possível ter sobra de dinheiro no final do mês.

Uma forma de começar a divulgar o consumo consciente é compartilhar esse material nas redes sociais. Faça isso agora mesmo e espalhe essa ideia!

Domingo, 03 Outubro 2021 05:00

“A Amazônia é um milagre vivo”

Sebastião Salgado é um homem visionário e tenaz. Sua missão, há décadas, é salvar o último Éden remanescente, a Amazônia, minado por uma destruição progressiva e imparável. Defender uma região (tão grande quanto a Europa) equivale a evitar que a Terra se autodestrua.

O grande fotógrafo entra bem cedo da manhã no Maxxi, o museu de arte contemporânea em Roma, na Itália, e se detém frente às imagens malucas e proféticas que fazem parte de uma exposição destinada a percorrer as grandes capitais.

A reportagem é de Franca Giansoldati, publicada em Il Messaggero, 01-10-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 Eis a entrevista.

 A COP-26 será inaugurada em Glasgow em um mês. O que você espera dessa cúpula do clima?

Faço logo uma premissa para limpar o campo de qualquer mal-entendido: o meu trabalho não tem referências de tipo político, é uma espécie de missão caracterizada pela independência total. Mas a fotografia é a minha vida. Nas imagens que eu capturo com as lentes, eu expresso as minhas opiniões, a minha ética e, consequentemente, tento também viver de modo coerente. Pessoalmente, alimento uma grande esperança na Cúpula de Glasgow que será realizada em novembro na Escócia. Espero que haja dois aspectos centrais nas discussões previstas.

Primeiro: a preservação da região amazônica, assim como a defesa das florestas temperadas do Canadá, do Alasca, da Sibéria e das grandes extensões desérticas. Isso porque devemos garantir tudo aquilo que ainda não destruímos. O segundo aspecto diz respeito à estratégia a ser elaborada para sanar as feridas infligidas ao ecossistema. Há também o tema do reflorestamento. Por meio de uma fundação, nós já plantamos milhões de árvores de centenas de espécies diferentes desde 1999. Acredito que se deva fazer o mesmo em outros lugares, também aqui na Itália, onde eu vejo o avanço das monoculturas, sobretudo. Caso contrário, perde-se aquela biodiversidade sem a qual a vida na terra será cada vez mais difícil. É preciso agir, e o tempo está se esgotando.

Vamos falar sobre o imposto sobre o carbono: você acha que ele pode realmente servir à causa ambiental e ajudar a reduzir as emissões de CO2 na atmosfera?

Amadureci uma opinião favorável, mas com uma condição: que os valores arrecadados efetivamente sirvam para apoiar projetos rigorosos de proteção da terra. Explico: os créditos devidos pelo CO2 emitido, ou seja, a receita do imposto sobre as emissões de dióxido de carbono, são recursos realmente essenciais se quisermos recuperar o nosso ecossistema começando a plantar florestas. Infelizmente, até hoje, os créditos foram principalmente para apoiar o setor industrial que, em vez de reduzir as emissões nocivas, aumentou a produção.

Estou convencido de que os incentivos no mínimo deveriam ser dirigidos aos agricultores. A abordagem que predomina hoje deve ser revertida, razão pela qual não apenas os representantes do mundo empresarial ou financeiro deveriam ser convidados para Glasgow, mas também os agricultores e os cultivadores. Ajustar o planeta significa agir concretamente com projetos locais, generalizados controláveis. Plantar árvores continua sendo fundamental. Repito isso várias vezes, porque as árvores representam o único instrumento para transformar o CO2 em oxigênio. Na madeira, o carbono é coletado por meio da fotossíntese. Por isso, os créditos do imposto sobre o carbono deveriam ser dirigidos aos agricultores, caso contrário não se resolverá nada.

O que devemos entender aqui e agora, sem perder mais tempo?

O mundo deve entender que a Amazônia é o espaço mais puro que temos à disposição. Uma espécie de Éden. Ecologicamente não contaminado do ponto de vista ambiental, mas também do ponto de vista humano, pois lá reside o maior grupo cultural do planeta, que pode ser rastreado até as nossas raízes. A Amazônia é um milagre vivo. Nela vivem 180 tribos espalhadas, que falam 182 línguas diferentes, dando origem a culturas distintas. Trata-se de um espaço essencial: nessa macrorregião, captura-se a maior quantidade de CO2 do planeta e existe a maior massa de água e de umidade terrestre, capaz de alimentar os chamados rios aéreos. Eu os fotografei o tempo todo: são rios de nuvens, um fenômeno único e incrivelmente poderoso. Confio ao Messaggero, o jornal que o papa lê todos os dias, uma mensagem cheia de realismo. A Amazônia também pode ser comparada a uma espécie de Paraíso terrestre com populações formadas por homens e mulheres não tocados pelo pecado original. É o símbolo daquilo que é bom, narrado no Gênesis.

Por nada menos do que 10 anos você viveu essa realidade extraordinária tanto do ponto de vista natural quanto humano: o que ainda não conseguiu contar com as suas fotos?

Em geral, posso dizer que passei naqueles lugares inacessíveis o tempo necessário para trabalhar como eu queria, completando 48 reportagens. Só há uma história que não consegui terminar por causa da Covid, mas consegui ver tudo o que eu queria.

Depois de uma experiência tão intensa, o que os seus olhos veem que ainda não conseguimos captar?

A constatação de que aquelas tribos somos nós desde o início. Viver com eles é penetrar no desenvolvimento da espécie humana, desde quando o Homo sapiens entrou no continente americano há 20 mil anos, pelo Estreito de Bering, depois da era do gelo. E, quando os portugueses e os espanhóis descobriram as Américas, eles encontraram a nossa progênie, deparando-se com a pré-história da humanidade. Lembrando que ainda hoje existem dezenas de grupos de índios que nunca entraram em contato com a nossa civilização. Considero um grande privilégio ter podido conhecê-los e observá-los. É como se encontrar diante das origens da nossa espécie.

 

Em documento dirigido ao mercado financeiro,  Planet Tracker afirma que colapso ambiental representa um risco para os investidores no país. Mudanças climáticas alteram as chuvas e prejudicam o agronegócio, alerta.

A reportagem é de Edison Veiga, publicada por Deutsche Welle, 17-09-2021.

Impulsionadas pelo desmatamento, alterações climáticas severas que já ocorrem em determinadas regiões do Brasil alteram o regime das chuvas e prejudicam o agronegócio, representando um risco para investidores no país. Essa é a principal conclusão de um relatório divulgado na quinta-feira (16/09) pelo think tank britânico Planet Tracker, uma organização sem fins lucrativos que se dedica a apresentar para o mercado financeiro soluções sustentáveis para o futuro.

Segundo o documento de 42 páginas, as mudanças climáticas já dificultam a viabilidade de uma segunda ou mesmo de uma terceira safra de culturas – a chamada "safrinha". Dados de 2018 indicam que essa capacidade de alternar, nesse regime, safras de soja e milho em um mesmo ano responde por 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e, no fim das contas, garante 20% das exportações agrícolas brasileiras.

Pontualmente, trata-se de um risco econômico para os produtores: quem conta com os rendimentos diretos de uma "safrinha" pode ver sua renda anual cair em até um terço, já que as mudanças climáticas deixam mais curto o período para o amadurecimento do grão.

A dificuldade de se produzir mais de uma vez no mesmo ano tem a ver com a irregularidade das chuvas, que têm caído com menos intensidade e durante menor tempo nas regiões mais próximas de desmatamento. O relatório cita o estado de Rondônia, onde o início da temporada de chuvas foi encurtado em 11 dias nos últimos 30 anos.

"Contudo, onde o desmatamento intenso não ocorreu, o início da temporada de chuvas não apresentou alteração significativa", afirma o texto.

Segundo a previsão apresentada pelo documento, se nada for feito para reverter o cenário, a queda anual de receitas de exportação dos principais produtores de soja e milho do Brasil – o estado do Mato Grosso e a região conhecida como Matopiba, formada por áreas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – estará na casa de 2,1 bilhões de dólares até 2050.

O alerta do think tank é direcionado a investidores, tanto aqueles que apostam em empresas que fazem parte da cadeia do agronegócio brasileiro, quanto os que aplicam no tesouro público – a ressalva, nesse caso, é que quedas do PIB podem resultar em prejuízos.

Peter Elwin, diretor da Planet Tracker, alerta que "parar o desmatamento imediatamente é a chave", e "reflorestar é o próximo passo óbvio". "Estudos mostram que a agricultura do Brasil pode continuar a crescer sem que seja necessário mais desmatamento."

Para o biólogo Mairon Bastos Lima, pesquisador no Instituto Ambiental de Estocolmo, é preciso fazer a lição de casa e cuidar do próprio quintal. "Não é só a mudança climática global. Há também a mudança climática local e regional, que é causada sobretudo pela destruição da vegetação no próprio Brasil", comenta. "Não se vai resolver a mudança climática brasileira só com redução de emissões na Finlândia ou onde mais for: é preciso cuidar da vegetação brasileira também."

Ciclo de mais desmatamento

 Um grande problema, avalia a engenheira ambiental Rafaela Flach, pesquisadora da Universidade Tufts, nos Estados Unidos, é que o agronegócio brasileiro está na iminência de mergulhar em um ciclo vicioso: a perda de produtividade decorrente das mudanças climáticas, sem que haja reforço nas proteções ambientais, pode significar uma ameaça ainda maior ao meio ambiente; e, claro, isso pioraria ainda mais a alteração do clima, resultando em produtividade mais baixa.

"Quando a produtividade fica estagnada ou o sistema de mais de uma safra ao ano é impossibilitado, mas a demanda segue alta, o setor acaba procurando outras maneiras. Num cenário de políticas públicas fracas de controle de desmatamento, isso acarreta maiores taxas de conversão de vegetação nativa para agricultura", explica.

"Quanto mais avançamos para novas áreas com vegetação nativa, reduzimos substancialmente as chances de reverter um quadro bastante perverso de efeitos climáticos cada vez piores. E isso não atinge apenas os produtores agrícolas, ou a economia brasileira, mas toda a cadeia de valor, a sociedade. Ninguém ganha com isso", alerta a bióloga Louise Nakagawa, pesquisadora da área de sustentabilidade do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).

 Segurança alimentar

 Outro ponto levantado pelos especialistas ouvidos pela DW Brasil é como essas alterações climáticas, além de impactarem na economia do país, também podem vir a representar um risco para a segurança alimentar.

A preocupação é ainda maior quando se olha para os pequenos produtores. "Eles já têm dificuldade de acessar crédito e melhores tecnologias e são os mais vulneráveis a essas mudanças climáticas", ressalta a engenheira ambiental Flach. "E são também os produtores que tendem a suprir mais o mercado interno, sendo essenciais para a segurança alimentar."

"É preciso compreender que a maior parte da alimentação brasileira provém da agricultura familiar. A pujança de setores agroexportadores como a soja não impediu os preços do arroz e do feijão de subirem. Pelo contrário, a produção brasileira de arroz tem diminuído porque o Brasil tem se focado excessivamente em commodities de exportação – que às vezes nem sequer vêm à mesa do brasileiro", diz Lima, do Instituto Ambiental de Estocolmo.

"Então um sistema alimentar mais sustentável e resiliente também passa essencialmente por uma valorização maior da agricultura familiar e da garantia de acesso das pessoas a esses alimentos."

 Várzea Grande sedia o Programa Rios+Limpos.

Porta de entrada do Pantanal Mato-grossense, um dos mais importantes biomas do mundo, Várzea Grande espera que o desenvolvimento seja sustentável para que as gerações futuras também desfrutem das riquezas de um ecossistema equilibrado e eficiente.

Várzea Grande foi escolhida para sediar o lançamento do Programa Nacional Rios+Limpos. As baías de Siá Mariana e Chacororé - localizadas no Pantanal - também terão a edição do evento, nesta sexta e sábado, 18 de setembro, data em que se comemora o Dia Mundial da Limpeza.

O Programa Rios+Limpos, visa melhorar a qualidade das águas no país, e consequentemente a saúde das pessoas. A iniciativa é inédita no Pantanal e fortalece as ações executadas pelo Governo do Estado para manter o nível de água e a biodiversidade local, em parceria com os municípios que estão dentro da área do Pantanal ou de bacias que formam o Pantanal Mato-grossense.

“É um orgulho para nós a escolha de Várzea Grande para sediar o lançamento desse importante programa. A nossa administração tem aplicado políticas públicas de desenvolvimento econômico e social, e nossa preocupação é para que a qualidade de vida da população não seja comprometida, por isso estamos investindo em todos os setores, e principalmente, no esgotamento sanitário, que ajuda a preservar o Rio Cuiabá, um dos mananciais mais importantes na formação da região pantaneira e um dos maiores pontos turísticos de nosso país”, destacou o prefeito Kalil Baracat.

Ele reafirmou, durante o evento, a parceria de serviços com o Governo Federal e com o Governo do Estado, em ações conjuntas para o fortalecimento e desenvolvimento de projetos que assegurem a preservação do meio ambiente e das bacias e rios que unem as cidades de Cuiabá e Várzea Grande.

“A questão ambiental sempre será primordial, essencial e repleta de diversidade de ações, pois não é apenas em uma gestão que iremos conseguir resolver todos os problemas que cercam o meio ambiente e o desenvolvimento tão essencial às pessoas”, disse o prefeito Kalil Baracat acompanhado pelo governador do Estado em exercício, Otaviano Pivetta.

O vice-governador do Estado no exercício da Chefia do Poder Executivo, Otaviano Pivetta disse que o Governo do Estado tem se esforçado na tratativa de decisões e na adoção de medidas efetivas para evitar danos ao meio ambiente e que tem estabelecido ordem de desenvolvimento para que os agentes produtivos se integram ao meio ambiente e façam a sua produção sem agredir os recursos naturais.

“Preservar os nossos recursos naturais é uma obrigação de todos nós, e a consciência popular precisa colocar isso na pauta do dia a dia. Esse gesto com o universo em que vivemos precisa acontecer dentro de casa, na rua, no bairro, na cidade e no estado. Nós temos que incorporar a cultura da sustentabilidade. O Rio Cuiabá merece e precisa urgentemente de cuidado, por isso são necessárias ações como esta e outras para a preservação desse bem. O Governo do Estado está pensando e agindo de forma consciente na certeza de que nós vamos deixar um legado positivo, e o início de uma cultura que se tornará patrimônio da sociedade. A secretaria de Meio Ambiente está fazendo um trabalho transparente, consciente, estratégico e no cumprimento da Lei”.

O secretário Nacional do Ministério do Meio Ambiente, André França, disse que o programa Rios+Limpos integra a agenda ambiental urbana que é desenvolvida pelo Ministério de Meio Ambiente para melhorar a qualidade de vida das pessoas, aliadas às ações amplamente desenvolvidas pelos estados e municípios. “Escolhemos Cuiabá/Várzea Grande por saber da conexão que as duas cidades têm com o Rio, e que tiveram o seu desenvolvimento a partir do rio, e esse é um bom exemplo para mostrar ao país, que Mato Grosso tem feito um bom trabalho na conscientização da população para a importância de se preservar esse bem maior, e tão essencial para a vida. Cada um fazendo a sua parte, os rios ficam mais limpos e todos ganham com essa educação ambiental”.

André França disse ainda que em um bioma único no mundo, como o Pantanal, é mais emblemático desenvolver ações, porém Mato Grosso tem feito um bom trabalho no meio ambiente, e este trabalho é importante porque é um momento de também chamar a atenção do voluntariado para que mais ações e projetos sejam realizados em prol da preservação das nascentes e rios. “E essa época é totalmente adequada uma vez que os rios estão mais baixos, e os trabalhos ficam mais facilitados. E como o Brasil está passando por uma crise hídrica é mais um motivo para cuidar melhor dos nossos rios”, asseverou.

A secretária Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Mauren Lazzaretti, disse que o lançamento do programa Rios+Limpos é importante uma vez que as ações, no Estado, seguem até o dia 18 de setembro, Dia Mundial da Limpeza. “Neste dia haverá uma movimentação de mais de 180 países, e mais de 50 milhões de pessoas envolvidas na limpeza dos rios, de áreas urbanas e de cursos d’águas, e o nosso Estado também participa desse movimento. Esse é um programa para todo o Brasil com o objetivo de promover ações e medidas voltadas para a limpeza dos rios brasileiros. O Estado de Mato Grosso é parceiro do Governo Federal e hoje é protagonista dessa ação tão importante para a qualidade de vida da população. “Estamos procurando melhorar a cada dia a gestão e a política estadual para que ela reflita no apoio que o Estado e o Governo Federal podem dar aos municípios, para que essa agenda urbana possa refletir a toda a população mato-grossense”. 

A Conexão de duas cidades com o Rio

O secretário municipal de Meio Ambiente, Desenvolvimento Rural e Sustentável, Célio Santos agradeceu a iniciativa do Governo Federal e o Governo do Estado por oportunizar ao município de Várzea Grande o lançamento de um importante programa como o Rios+Limpos. “Esse projeto visa, principalmente, conscientizar a população para que não descarte lixos nas ruas, que acabam desaguando nos córregos e, consequentemente, nos rios e no Pantanal, causando danos irreparáveis para o meio ambiente".

Para o prefeito Kalil Baracat, natural de Várzea Grande, não existe desenvolvimento econômico e social sem que ele seja autossustentável, sob pena das futuras gerações não desfrutarem da importância de um ecossistema equilibrado. “Ou adotamos medidas agora, ou as futuras gerações padecerão”, disse Kalil Baracat sinalizando que este é um problema de conscientização, pois o desenvolvimento não pode parar, mas também não por ter consequências danosas ao meio ambiente.

Logo após a solenidade de lançamento do programa Rios+Limpos, equipes das secretarias de meio ambiente de Cuiabá e Várzea Grande, além de moradores do Distrito de Passagem da Conceição e voluntários realizaram a limpeza das margens do Rio Cuiabá. Equipes de barcos também percorreram o Rio para a limpeza nos locais com mais dificuldade de acesso. 

Presentes ao evento, os deputados estaduais, Paulo Araújo (PP) e Carlos Avallone (PSDB) e a suplente senadora Margareth Buzetti enalteceram o evento apontando que a globalização passa a exigir dos governos medidas positivas e efetivas visando o desenvolvimento autossustentável, pois ele é essencial para que o Planeta Terra possa se manter e não sofrer com as decisões adotadas pela exploração irracional de seus recursos naturais.

As autoridades presentes conheceram um pouco da cultura e artesanato de Várzea Grande, como as Redes do Limpo Grande, a gastronomia e a apresentação de danças como o cururu e o siriri. Na oportunidade o Secretário Nacional do Ministério do Meio Ambiente, André França lembrou que o artesanato, a gastronomia e a cultura têm dado demonstrações inequívocas da importância do desenvolvimento sustentável. “Está muito claro que as riquezas locais sobrepuseram o desenvolvimento industrial, comercial e convivem de forma harmônica, é isto que todos nós desejamos, a manutenção dos valores históricos e culturais”, disse André França.

 

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