Nacional

Nacional (93)

O exame de DNA é uma ferramenta conhecida para a identificação de pessoas.

Começou na segunda-feira (14) a Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas em todos os Estados e no Distrito Federal. A campanha do Ministério da Justiça e Segurança Pública vai até sexta-feira (18) e ocorre de forma integrada com as secretarias estaduais de Segurança Pública e a Polícia Federal. O objetivo é possibilitar a identificação de pessoas desaparecidas por meio de exames e bancos de perfis genéticos.

Os familiares de pessoas desaparecidas devem procurar o local indicado por cada uma das 27 unidades da Federação para fornecer seus dados e material genético. A coleta voluntária deve ser feita, preferencialmente, por parentes de primeiro grau da pessoa desaparecida, seguindo a ordem de preferência: pai e mãe; filhos; irmãos.

O DNA do próprio desaparecido também poderá ser extraído de itens de uso pessoal, tais como: escova de dentes, escova de cabelo, aparelho de barbear, aliança, óculos, aparelho ortodôntico, dente de leite, amostra de cordão umbilical. Esses materiais também poderão ser entregues nos pontos de coleta da campanha. É necessário, no ato da coleta, assinar um termo de consentimento.

Todo o material recolhido será utilizado com a finalidade exclusiva de identificação de pessoas desaparecidas por intermédio da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG). A Rede é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O exame

O exame de DNA é uma ferramenta conhecida para a identificação de pessoas. Ainda que seja mais lembrada por sua utilização em testes de paternidade ou na solução de crimes, este recurso vem sendo usado com sucesso na localização de pessoas desaparecidas (ou não identificadas), tanto no Brasil como no exterior.

É um instrumento moderno e efetivo, capaz de dar uma resposta para as famílias que vivem o drama de ter um ente desaparecido. O material colhido para este fim não pode ser utilizado para nenhuma outra ação. Sua função exclusiva é a identificação e localização de pessoas desaparecidas ou não identificadas.

Ministério da Justiça disponibilizou na internet mais informações sobre onde doar o material, tirar dúvidas e dar detalhes sobre o procedimento.

 

Sábado, 05 Junho 2021 12:54

Primeira radionovela brasileira faz 80 anos

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Uma mulher de 18 anos descobre, em uma noite, que foi adotada e é fruto de um relacionamento extraconjugal de seu pai adotivo com a empregada da família. A partir daí, a vida muda por completo e eles enfrentam inúmeras tragédias pessoais. Essa era a trama de Em busca da felicidade, primeira radionovela brasileira veiculada na Rádio Nacional, cuja estreia completa 80 anos neste sábado (5).

A história gira em torno do segredo por trás da adoção de Alice (Isis de Oliveira) pelo rico casal Alfredo Medina (Rodolfo Mayer) e Anita de Montemar (Zezé Fonseca). Carlota (Yara Sales), a empregada e mãe biológica da personagem, alega que não teria condições de criar a menina. Após a revelação de que Alice era filha de Alfredo e Carlota, os personagens enfrentam dramas em busca da felicidade alardeada no título.

Antes de 1941, os ouvintes já ligavam o aparelho para escutar tramas do radioteatro. Mas com Em busca da felicidade, o formato mudou. O texto original do cubano Leandro Blanco foi adaptado por Gilberto Martins e seguia o estilo das soap óperas norte-americanas: capítulos estruturados, exibição periódica e veiculação de propaganda. A experiência bem sucedida no rádio começou a pavimentar a paixão do brasileiro pela dramaturgia, consolidada na televisão.

A ideia veio da empresa Colgate, patrocinadora da trama, que originalmente queria apenas comprar o horário da emissora para a transmissão e contratar o diretor Vitor Costa e elenco por conta própria. Mas a Nacional não aceitou e foi decidido que a produção ficaria a cargo da rádio.

Horário matutino

A novela foi transmitida no horário matutino, às 10h30, toda segunda, quarta e sexta, até o ano de 1943. O elenco criticou a faixa escolhida para a exibição da radionovela, por não ser considerado nobre à época. Mas o objetivo era alcançar um público específico: as donas de casa, consumidoras dos produtos da patrocinadora. 

Uma campanha promocional, criada para aferir a audiência do programa, mostrou logo o impacto da novela. Os ouvintes enviaram cartas com embalagens dos produtos da patrocinadora para receber, em troca, um álbum com o resumo da história, informações sobre os personagens e fotos dos atores. Mas o número de correspondências foi muito acima do esperado e a promoção foi interrompida porque os livretos se esgotaram.

Realidade x ficção

Com elenco formado por estrelas como Rodolfo Mayer, Zezé Fonseca, Isis de Oliveira, Floriano Faissal, Yara Sales, Amaral Gurgel, Lourdes Mayer, Saint Clair Lopes, Brandão Filho e Luís Tito, entre outros, a novela mexeu com o imaginário do público.

A ficção se misturava com a realidade. Thiago Guimarães, pesquisador do Acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), conta que os atores eram constantemente confundidos com os personagens. Floriano Faissal, que interpretava o médico Doutor Mendonça, chegou a ser “consultado” por uma ouvinte que sofria com dores no fígado. Já Saint Clair Lopes foi abordado por um homem que achava que era parente de seu personagem. 

A novela afetava de tal forma a vida dos ouvintes que uma mulher procurou os jornais ao constatar que se mudaria e não conseguiria saber o final da história, como relata Thiago Guimarães:

Com o sucesso de Em Busca da Felicidade, a Rádio Nacional investiu pesado na produção das radionovelas e emplacou inúmeras tramas de sucesso - entre eles, O Direito de Nascer. Rose Esquenazi, jornalista e professora da PUC-Rio, lembra que, durante a transmissão desse clássico, os ouvintes da Nacional chegaram a enviar um enxoval completo para o fictício bebê de uma personagem, que nasceu durante a trama.

As principais radionovelas falavam de amores proibidos e mexiam com temas como infidelidade e preconceito entre classes sociais, entre outros. Tinham títulos que fortaleciam o melodrama. Rose reforça ainda que os ouvintes se identificavam com a história e comparavam a própria vida com a dos personagens, que tinham dramas verossímeis. "Havia uma certa relativização a partir da existência destas personagens", afirma.

Elenco estrelado e novos autores

Como pelo rádio o público não podia ver os atores, os ouvintes consumiam revistas da época, que mostravam quem eram os artistas. Além disso, a Nacional fazia caravanas pelo país com o elenco, que também estrelava filmes da época. A sede da emissora, na Praça Mauá, recebia fãs que iam ao local só para ver os ídolos.

Os artistas da Nacional influenciavam o público. O marketing da emissora conseguia lançar produtos novos alinhados com o perfil das estrelas do rádio, que faziam estrondo sucesso. Afinal, as pessoas queriam consumir o mesmo que os atores da época.

A partir da explosão da dramaturgia no rádio, surgiram novos autores que começaram na rádio e depois foram para o teatro e a televisão, como Dias Gomes, Oduvaldo Vianna e Janete Clair.

Certificado Unesco

Infelizmente, não há registro sonoro da radionovela. Na época em que foi ao ar, em plena Segunda Guerra Mundial, o material era gravado em acetatos à base de vidro que, devido à fragilidade, não resistiram ao passar dos anos. Este breve trecho, gravado anos depois em homenagem ao programa pioneiro, simula como seria a abertura da radionovela. O prefixo, narrado por Aurélio de Andrade, locutor da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, era assim: “Senhoras e senhoritas, a Rádio Nacional do Rio de Janeiro apresenta Em busca da felicidade, emocionante novela de Leandro Blanco, anunciando também a parceria da Rádio com a Empresa de Propaganda Standard Ltda., responsável pela conta publicitária da Colgate-Palmolive no Brasil". Clique na matéria para ouvir:

Mas parte dos roteiros da novela estão conservados: seis dos nove volumes do conjunto são mantidos pelo Acervo da EBC. O trabalho de restauração começou em 2018, quando os roteiros foram tirados do arquivo. Ainda naquele ano, este acervo ganhou o certificado Programa Memória do Mundo da Unesco, reconhecido por reunir documentos relevantes para a memória coletiva. Os cadernos foram restaurados e digitalizados, em um trabalho que durou seis meses, como conta a gerente de Acervo da EBC, Maria Carnevale.

Audio Playe

Os originais passaram por higienização, conservação, indexação para, enfim, receberem uma nova encadernação. A cópia digital do material poderá ser fonte de pesquisa e de divulgação da obra, mantendo o material em papel preservado. 

Continuidade do sucesso

Após o boom das radionovelas nos anos 40 e 50, veio a chegada da televisão. Os radioatores migraram para a telinha e o número de novelas radiofônicas foi diminuindo com o passar do tempo. Mas o formato ainda faz sucesso, como conta a jornalista e autora de radionovelas Artemisa Azevedo, que trabalhou durante mais de 40 anos na Rádio Nacional da Amazônia. Na região, a relação dos ouvintes com as histórias narradas pelo rádio manteve-se muito próxima. A emissora recebia inúmeras cartas de pessoas que se identificavam com as tramas.

Autora de muitos sucessos veiculados na emissora, como Amazônia, Turmalina e Passageiros da ilusão, Artemisa percebeu desde o início que histórias com temáticas ligadas ao povo amazônico atraíam mais ouvintes. Assim, as radionovelas se tornaram um meio de informação importante e mudaram também vidas, como relata a jornalista.

 

Segunda, 31 Mai 2021 05:00

“Faz Escuro mas eu canto”

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Fundação Bienal de São Paulo anuncia lista de artistas da 34ª edição> No total, são 91 nomes de 39 países.

 A Fundação Bienal de São Paulo anunciou no último dia 27 a lista completa de artistas participantes da 34ª edição, com o tema Faz Escuro mas eu canto, composta por 91 nomes (sendo 2 duos e 1 coletivo) de 39 países. A edição, iniciada em fevereiro de 2020, culminará na mostra coletiva que vai ocupar todo o Pavilhão Ciccillo Matarazzo a partir de setembro de 2021, simultaneamente à realização de exposições individuais em instituições parceiras na cidade de São Paulo.

Segundo os organizadores da Bienal, entre os artistas da edição, todos os continentes, exceto a Antártica, estão representados, com distribuição equilibrada entre homens e mulheres e uma parte (4%) se identificando como não binária. “Esta será ainda a Bienal com a maior representatividade de artistas indígenas de todas as edições com dados disponíveis, com nove participantes de povos originários de diferentes partes do mundo”, dizem os organizadores. 

O curador da Bienal, Jacopo Crivelli Visconti, disse que a lista de convidados foi elaborada com sentido de urgência, com base nos acontecimentos dos últimos meses, para estabelecer pontes entre obras e artistas que refletem múltiplas cosmovisões, culturas e momentos históricos.

“O processo de colocar em relação e ressonância todas essas vozes foi intenso e estimulante, vivificando um dos conceitos de Édouard Glissant que mais nos inspirou nesse caminho: o de que falamos e escrevemos sempre na presença de todas as línguas do mundo”.

O ano de 2021 marca também o aniversário de 70 anos da 1ª Bienal (1951). Segundo Glissant, ao longo dos últimos 70 anos as bienais de São Paulo adaptaram-se aos tempos - e sua capacidade de mudança e sua abertura ao novo –, que asseguraram que a mostra mantivesse sua relevância artística e cultural. 

“A 34ª Bienal de São Paulo, de alguma forma, simboliza isso: face a tempos desafiadores, encontramos maneiras de nos mantermos fiéis à proposta desta edição sem, no entanto, ficarmos presos em ideias e projetos que haviam perdido sua pertinência no novo contexto global”.

Catálogo digital tenteio 

Devido à pandemia de covid-19, a programação digital da Bienal foi intensificada, permitindo novas formas de conexão com o público, que tende a continuar aumentando. Por isso, neste ano foi lançado um catálogo inteiramente digital para uma Bienal de São Paulo, com 130 publicações ao longo de 70 anos de história. A publicação compõe uma narrativa visual e textual, formada por contribuições de todos os artistas participantes da 34ª Bienal, elaboradas exclusivamente para a ocasião.

“Pretendemos dar continuidade nas próximas edições. A realização do catálogo digital tenteio é, sem dúvida, uma das iniciativas que não estavam previstas no projeto inicial, mas não apenas estão de pleno acordo com ele como também são capazes de expandir seu alcance", afirmou o presidente da Fundação Bienal de São Paulo, José Olympio da Veiga Pereira. 

A lista de artistas participantes pode ser acessada em http://imgs.fbsp.org.br/files/ca49b5630cb0de190786a0992c9991be.pdf

Já o catálogo digital tenteio deve ser acessado no https://issuu.com/bienal/docs/34bsp_tenteio_pt

 

Quarta, 26 Mai 2021 05:00

‘Adote um amor’

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Cartilha estimula adoção de crianças mais velhas e com deficiência e tira principais dúvidas para quem deseja adotar.

 No Dia Nacional da Adoção, celebrado no último dia 25, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH) lançou uma cartilha para incentivar a adoção de crianças e adolescentes mais velhos, a chamada adoção tardia, e a adoção de crianças com deficiência ou doenças raras. 

Intitulado Adote um amor, o material explica como é o processo de adoção, quem pode adotar, os custos para uma adoção, quanto tempo leva, entre outras das principais dúvidas de quem deseja adotar no Brasil. Atualmente, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cerca de 5 mil crianças estão na fila da adoção e existem cerca 35 mil pais interessados. Mesmo assim, existe uma dificuldade enorme de adoção no caso de crianças mais velhas ou com deficiência e por isso a fila não é zerada. Do total de crianças em abrigos para adoção, cerca de 25% são portadoras de deficiência ou de doenças raras. 

"A iniciativa de desenvolvimento da cartilha é um importante material que visa incentivar e orientar os futuros pais e mães do nosso Brasil, informando sobre a cultura da adoção, de modo a incentivar que cada vez mais pessoas conheçam e optem pela adoção de crianças com deficiência ou com doenças raras, como nanismo, albinismo, autismo, etc., considerando que lugar de criança é numa família", afirmou a secretária nacional dos direitos das pessoas com deficiência, Priscila Gaspar, durante a abertura de seminário virtual sobre o tema organizado pelo MMFDH. 

No capítulo que trata da adoção tardia, a cartilha fala das especificidades desse tipo de adoção e ainda dá dicas de filmes e outros materiais em vídeo que contam histórias de adoção tardia de crianças e adolescentes, como forma de estimular os potenciais pais adotivos. 

"Eu discordo muito desse termo, porque nunca é tarde para se adotar", afirmou a ministra Damares Alves, também na abertura do seminário. A própria ministra, que adotou uma filha de origem indígena quando a menina tinha 6 anos de idade, afirma que a experiência afetiva foi transformadora.  

"A adoção da Lulu [Kamayurá] mudou a minha vida. Eu tenho usado muito a minha história para incentivar, falar e dizer ao Brasil, especialmente ao povo cristão, que fala que foi adotado por Deus, que eles precisam adotar mais no Brasil", enfatizou Damares.

Na parte que trata da adoção de crianças com deficiência e doenças raras, a cartilha ressalta que é importante a disseminação de informações completas para que famílias em potencial reduzam as próprias barreiras para adotar uma criança com essas características. 

Atualmente, 55,6% dos pretendentes habilitados afirmam aceitar adotar crianças com alguma deficiência ou doença. Entretanto, apenas 5,36% desses pretendentes aceitariam adotar uma criança com HIV, 4,1% concordariam com a adoção de criança com deficiência física, e somente 2,5% se habilitaram para receber uma criança com deficiência física e intelectual. 

Para a secretária nacional da Família, Ângela Gandra, qualquer projeto pessoal de adoção deve levar em conta uma escolha afetiva baseada no interesse da criança.  "O projeto pessoal de um pai que quer adotar tem que ser um projeto do coração, no maior interesse da criança. Adoção não é uma feira que tu vai lá escolher. É uma abertura à vida como ela vem, a aceitação das crianças dentro das suas necessidades", afirmou durante o seminário virtual sobre o tema.

Domingo, 16 Mai 2021 05:00

Conexão com o mundo

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Seminário online gratuito debate acessibilidade e inclusão digital.

No próximo dia 20, quando se comemora o Dia Mundial da Conscientização sobre Acessibilidade, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) inicia o seminário online Encontros CCBB Sobre Acessibilidade Digital. O seminário gratuito abrange uma série de debates e oficinas técnicas que abordarão conceitos, dados de mercado, dicas e melhores práticas para quem deseja produzir conteúdos culturais digitais mais inclusivos para todas as pessoas. O evento se estenderá até o dia 14 de junho próximo e nele será divulgado o Estudo CCBB sobre Acesso à Arte e Cultura por Pessoas com Deficiência.

Ao todo, serão seis dias de debates e oficinas práticas, visando promover diálogos sobre acessibilidade digital, além de capacitar profissionais e pessoas envolvidas na produção de conteúdo e criação de plataformas digitais, especialmente no âmbito da cultura e das artes. O público alvo do seminário são produtores de conteúdo digital, curadores, professores, arte-educadores, pessoas com deficiência e todos aqueles que desejam uma internet mais inclusiva. As inscrições, inclusive para quem necessita de recursos de acessibilidade digital, podem ser feitas no https://encontrosccbb.com.br/

Acessibilidade digital

Para a curadora dos Encontros CCBB sobre Acessibilidade Digital e idealizadora do Movimento Web para Todos, Simone Freire, o evento acontece em um momento oportuno para se debater a acessibilidade digital porque, em razão do isolamento social imposto há mais de um ano pela pandemia do novo coronavírus, “a nossa conexão com o mundo passou a ser online: para conversar com familiares e amigos, trabalhar, estudar, comprar e se divertir”.

Por isso, Simone considera o seminário essencial: “Visitar uma exposição virtual sem recursos de audiodescrição se você não possui a visão, ou participar de um debate online sem contar com a tradução para o seu próprio idioma, como Libras [língua de sinais utilizada por pessoas com deficiência auditiva], infelizmente ainda é a realidade em se tratando da experiência proporcionada para este público”

Na avaliação da curadora, a falta de conhecimento sobre acessibilidade é uma das barreiras para que essa realidade não se traduza em inclusão. “Acessibilidade digital não é um bicho de sete cabeças. São diretrizes internacionais, inclusive já traduzidas para o português, que estão ao alcance de qualquer profissional que queira se apropriar desse conhecimento e contribuir para transformar a web brasileira em um espaço mais inclusivo para todo mundo”, disse Simone Freire.

Os debates e oficinas que fazem parte dos Encontros CCBB Sobre Acessibilidade Digital apresentam recursos de acessibilidade, entre os quais interpretação em Libras, legendas em tempo real (estenotipia) e audiodescrição.

A programação será transmitida nas redes sociais do CCBB no YouTube.

 

Terça, 11 Mai 2021 05:00

‘Por Elas Que Fazem a Música’

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79% de mulheres que atuam na música são discriminadas. Enquete ouviu 252 profissionais do setor.

 Pesquisa realizada pela União Brasileira de Compositores (UBC) junto a compositoras, intérpretes, musicistas, produtoras fonográficas e técnicas, não necessariamente associadas à entidade, e respondida por 252 profissionais do setor do sexo feminino, constatou que 79% das mulheres na música já sofreram discriminação de gênero e 53% jamais receberam valores de direitos autorais, porque não tinham músicas tocando em algum lugar ou não eram associadas à UBC.

Segundo a coordenadora de Novos Negócios da UBC, Vanessa Schütt, o resultado da enquete é um reflexo da sociedade brasileira. “O sistema patriarcal e machista que ainda vigora no país está presente nos depoimentos de várias mulheres que participaram da sondagem e comprova o que o relatório anual Por Elas Que Fazem a Música, lançado pela UBC em março passado, já atestava”, disse. 

O relatório tinha por finalidade medir a participação feminina entre os associados e revelou, por exemplo, que do total de associados da UBC, só 15% são mulheres, e dentro dos 100 maiores arrecadadores, só 9% são do sexo feminino.

“Em uma entrevista de rádio me perguntaram por que eu, cantora sertaneja, não chamo um homem para fazer dupla comigo. O entrevistador disse que, ao estar acompanhada de um homem, seria mais fácil vender show e até mesmo um empresário investir em mim”, declarou uma artista à pesquisa.

Ambiente hostil

A pesquisa, inédita e aberta, divulgada torna visível a dificuldade enfrentada pelas profissionais do setor da música em um ambiente hostil. Do total de participantes da pesquisa, 33% são compositoras; 30% se disseram intérpretes; 19% são produtoras fonográficas; 17% são músicas executantes; e 3%  trabalham em outras áreas dentro da música, como funções técnicas, por exemplo. Várias responderam que atuam em mais de uma função.

Por regiões, a maior parte, equivalente a 63%, são oriundas da Região Sudeste, seguindo-se Nordeste, Sul, Centro-Oeste e Norte. Por faixa etária, a maioria (35%) tem de 31 a 40 anos de idade; 28% até 30 anos; e 24%, de 41 a 50 anos de idade.

“Uma coisa que a gente queria pegar e que não tem na nossa base de dados é a orientação sexual”, disse Vanessa. A ideia da UBC é incluir a pergunta também nas próximas pesquisas para ampliar sua base de dados. 

As respostas à enquete sinalizam avanços na aceitação às diferença no mercado musical: 55% se definiram como mulheres cisgênero heterossexuais, 23% como cis bissexuais; 17% como cis homossexuais, e pouco mais de 1% como mulheres transgênero.

Escolaridade

A pesquisa aponta que 60% das mulheres se declararam brancas, contra 40% de pardas, pretas, amarelas e indígenas. Em relação à escolaridade, a enquete mostrou que 46% têm curso superior completo, 12% têm mestrado e doutorado e apenas 3% têm segundo grau incompleto ou menor escolaridade. 

A maior ou menor escolaridade, entretanto, não interfere no recebimento de valores autorais: 53% declararam nunca ter recebido nenhum valor de direitos autorais e 51% afirmaram receber, no máximo, R$ 800 anuais oriundos dessa fonte. As que recebem mais de R$ 54 mil em direitos autorais representam apenas 3% das respondentes. 

Segundo a UBC, elas traduzem “a grande disparidade na distribuição dos rendimentos, verificada em outros levantamentos, e que se deve, entre outros fatores, à dificuldade de inserção para artistas independentes e de fora do mainstream [corrente dominante] no mercado musical como um todo”.

Vanessa Schütt disse que a intenção da UBC é aumentar sempre no relatório e pesquisas as questões envolvendo a mulher, “para as pessoas entenderem que a desigualdade existe e todo mundo deve se mexer e refletir para fazer alguma coisa para mudar esse quadro”.

A maioria das participantes se declarou solteira (53%), 68% não têm filhos, o que pode indicar a dicotomia entre dedicar-se à carreira ou formar uma família, que é frequentemente imposta às mulheres não só no meio musical, mas no mercado como um todo. 

Por meio da enquete e do relatório anual, a UBC pretende destacar a necessidade de equiparação de condições de trabalho e rendimentos entre homens e mulheres no mercado musical, porque considera que isso beneficiaria toda a cadeia produtiva.

Descrédito

Entre os depoimentos recebidos pela UBC, destacam-se:

“Basta você dizer que é compositora para ser desacreditada. Mulher cantando é até aceitável, mas compondo, acham que não temos competência”.

“Em algumas entrevistas, as perguntas técnicas acerca da composição de música ou de dificuldades da banda eram direcionadas apenas aos meus companheiros de banda. Minhas perguntas eram mais relacionadas ao que eles consideravam do ''mundo feminino”.

“Colegas músicos frequentemente não escutam minhas opiniões por acharem que não tenho muito a acrescentar, apesar de eu ser graduada em música pela Universidade Federal da Bahia e ter vasta experiência no mercado”.

“Recebi o cachê mais baixo que o combinado pelas gravações de voz de um disco completo. Eu era a única mulher da banda e atuava como cantora/intérprete. Até hoje não recebo pelos direitos conexos.”

“Sempre me perguntam se sou mesmo a compositora e a arranjadora das minhas músicas. Frequentemente ficam muito surpresos quando digo que produzo.”

“Já ouvi tantos absurdos, mas alguns dos que mais me marcaram foram falas do tipo 'além de bonita, ainda canta'; e 'é bom ela ficar na frente, enfeita o palco'. Também já fui descartada por um produtor quando descobriu que eu não estava solteira.”

“Nos festivais, em sua grande maioria, o corpo de jurados é formado em sua totalidade por homens.”

“Em um barzinho, enquanto um cantor se apresentava, eu pedi o microfone e cantei um pedaço da minha música que fala sobre empoderamento feminino. Todos aplaudiram muito, e ele, ao final, tentou me convencer a ceder minha música para ele gravar. Disse que faria muito mais sucesso na voz dele.”

 Desde segunda-feira (26), intérpretes e compositores de todo o Brasil poderão inscrever suas composições na 13ª edição do Festival de Música Rádio MEC. Ao todo, 12 prêmios serão distribuídos em quatro categorias: Música Clássica, Música Instrumental, Música Infantil e Música Popular. De cada uma, sairá a melhor composição inédita, o melhor intérprete e a vencedora no voto popular.

Assim como em 2020, o Festival de Música Rádio MEC 2021 será totalmente online, devido à pandemia da covid-19. Além de todas as inscrições serem online, o anúncio dos classificados para as fases semifinais e finais e dos premiados se dará por meio de lives (transmissões ao vivo) nas redes sociais da Empresa Brasil de Comunicação.

A abrangência nacional do concurso (em 2020, apenas músicos da região Sudeste e do Distrito Federal puderam se inscrever) e o aumento do número de prêmios por voto popular (até 2020, apenas uma composição era premiada por meio de votação na internet) são as principais novidades da edição deste ano.

Para Thiago Regotto, gerente das rádios MEC AM e MEC FM, as novidades deixam o festival (um dos mais tradicionais do Brasil) mais amplo e atrativo. “Envolver mais categorias na votação popular trouxe mais calor ao festival. Antes o público escolhia um vencedor. Agora são quatro. E, ao abrir a participação, deixamos de ser um festival regional para ser um festival nacional”, diz.

Regotto aponta que há uma tendência para, mesmo depois da pandemia e a volta de shows presenciais (como ocorreu até 2019), o festival continuar fortalecido na web. “A internet permitiu abrir o festival para todo Brasil. Era algo que não tínhamos como perspectiva a curto prazo. E a gente percebeu que é um festival que tem o rádio como sua base, mas precisa estar na internet. Não tem como voltar atrás”, aponta.

Para se inscrever acesse https://radios.ebc.com.br/

Sexta, 23 Abril 2021 05:00

“Narizinho Arrebitado”

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A menina centenária, de Monteiro Lobato, ganha exposição virtual. Biblioteca inaugura mostra gratuita com raro material do autor.

 A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM), da Universidade de São Paulo, (USP) abriu ao público, no último dia 22, em formato digital, a exposição Uma menina centenária – 100 anos de Narizinho Arrebitado, que marca o centenário da publicação do livro infantil A menina do narizinho arrebitado. No último domingo, foi comemorado o aniversário de Monteiro Lobato, nascido em 18 de abril de 1882. 

A mostra tem curadoria das professoras e pesquisadoras Gabriela Pellegrino Soares (USP) e Patrícia Tavares Raffaini, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e do designer Magno Silveira. A exposição pode ser vista no site http://ameninacentenaria.bbm.usp.br/

A mostra apresenta, em imagens e textos, a trajetória do escritor, o nascimento da personagem Narizinho e outras informações e curiosidades.

O site é rico em fotos, cartas de crianças leitoras, ilustrações do cartunista Voltolino e imagens de livros que compõem a história pessoal e profissional de Monteiro Lobato. Uma seção específica é dedicada a discutir a respeito das acusações de racismo que o autor sofreu em tempos recentes.

A curadora Patricia Tavares Raffaini destaca a oportunidade de o visitante ter acesso a materiais muitas vezes desconhecidos e exemplifica: "Na exposição o público poderá verificar na íntegra, não só a primeira edição da obra, muito diferente das versões posteriores, como também o manuscrito que deu origem às aventuras de Narizinho e Pedrinho”.

Já a pesquisadora Gabriela Pellegrino Soares afirma que  "a exposição recupera a história do livro A menina do narizinho arrebitado pelo prisma da biografia de Monteiro Lobato e do ambiente literário, artístico, educacional e político que envolveu as primeiras edições da obra, desde o seu lançamento em 1920."

Competição reúne professores e alunos dos ensinos fundamental e médio de todo país.

 As inscrições para a Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) estão abertas até a próxima sexta-feira (23). A competição, realizada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é aberta para professores e alunos do ensino fundamental (8º e 9º anos) e do médio de escolas públicas e particulares de todo país.

As provas começam no dia 3 de maio e vão até 12 de junho. Ao todo, serão seis fases online com questões de múltipla escolha e tarefas. Para participar, os interessados devem formar equipes compostas por um professor de história e três alunos. Cada fase da competição dura uma semana.

O preço para inscrição, por equipe, para alunos e professores de escolas públicas é R$ 58. Já para escolas particulares, o preço é R$ 118, por equipe. Participaram da última edição, no passado, 69,8 mil inscritos de todos os estados brasileiros. 

As inscrições podem ser feitas em https://inscricoes.olimpiadadehistoria.com.br/inscricoes/onhb_13/new

 

Nova tecnologia simplificará obtenção de prova material contra postos.

 Provar materialmente uma das fraudes mais comuns e com o maior número de vítimas – a das bombas de postos de combustíveis – é algo que envolve equipamentos e procedimentos complexos, além de apreensões in loco e análises laboratoriais. Tudo isso poderá ser substituído por um clique de celular, dado por qualquer consumidor.

Basicamente, o equipamento a ser instalado na bomba é composto por um hardware (equipamento) que faz a leitura de um transdutor óptico capaz de contar a quantidade de combustível que é apresentada no display da bomba. A garantia de que a bomba de combustível está correta é dada por uma assinatura digital que poderá ser checada por meio do bluetooth dos celulares. A violação dessa assinatura comprova a fraude.

Para se ter uma ideia de como são praticadas fraudes nas bombas de combustíveis, a cada ano cerca de 20 mil casos são autuados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) – número que fica ainda mais impressionante se for levado em conta a complexidade para se conseguir evidenciar esse tipo de prática fraudulenta. 

“As bombas medidoras de combustíveis possuem eletrônica bastante complexa, com placas de circuitos e software (programa de computador) que são vulneráveis a modificações, sendo quase impossível, ao fiscal, verificá-las em campo. Em muitos casos são necessárias análises laboratoriais para produzirmos provas materiais contra os infratores”, afirmou à Agência Brasil o chefe da Divisão de Metrologia em Tecnologia da Informação e Telecomunicações do Inmetro, Rodolfo Saboia. 

Citando levantamento divulgado pela Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), o chefe da Divisão de Gestão Técnica do Inmetro, Bruno de Carvalho, disse que “as fraudes em bombas movimentam mais de R$ 20 bilhões a cada ano”.

Certificação digital

Para resolver – ou, pelo menos, amenizar – esse problema, o Inmetro está adaptando e implementando uma tecnologia que, há muito, já vinha sendo usada para dar segurança às transações feitas pela internet: a certificação digital.

“Nas bombas de combustíveis, o componente que faz a transformação da informação de medição, em sinal elétrico, é conhecido como transdutor [pulser]. Ele contém um chip criptográfico com um certificado digital. Desta forma, toda informação de medição que sai do pulser é assinada digitalmente, ficando impossível sua adulteração, sem que essa assinatura seja invalidada”, detalha Rodolfo Saboia.

Para agregar ainda mais segurança ao processo, os certificados digitais estarão vinculados à Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil), cadeia hierárquica de confiança coordenada pelo Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), que viabiliza a emissão de certificados digitais para identificação virtual do cidadão em documentos como o e-CPF (Cadastro de Pessoa Física). O pedido de credenciamento – que tornará o Inmetro autoridade certificadora de primeiro nível na cadeia do ITI, para a adoção do equipamento – ainda está sob análise do instituto. A expectativa é de que essa aprovação ocorra ainda neste semestre.

“Na prática, o certificado digital ICP-Brasil funciona como uma identidade na rede mundial de computadores, garantindo a identificação inequívoca dos seus titulares e dando aos atos praticados por meio dele a mesma validade jurídica daqueles que assinamos e reconhecemos firma em cartório”, detalhou o presidente-executivo da Associação das Autoridades de Registro do Brasil (AARB), Edmar Araújo.

Identificação imediata

Saboia disse, também, que o principal ganho com a assinatura digital da informação de medição é a “rápida identificação de uma eventual fraude”. “Atualmente, para identificar uma fraude eletrônica em uma bomba de combustível é necessário apreender as placas eletrônicas das bombas e levar para análise em laboratório. Esta análise pode levar semanas. Com a assinatura digital, em poucos minutos, por meio de interface ou aplicativo de smartfhone, será possível - a fiscais e consumidores - checar se a assinatura é válida. Se a assinatura não for válida, significa que a bomba foi fraudada”, argumentou.

Com as medições analógicas dando lugar às digitais, sua utilidade poderá abranger fraudes envolvendo pesos e medidas que vão além das praticadas por postos de combustíveis mal intencionados. Segundo o presidente da AARB, “o certificado será destinado exclusivamente a objetos metrológicos regulados pelo Inmetro, mas é possível que seja também utilizado para controle de outros equipamentos, como balanças e relógios medidores de energia elétrica”.

Araújo estima que ainda no segundo semestre de 2021 tudo esteja operacionalizado para que as bombas de combustíveis comecem a ser certificadas.

Protótipos

Segundo o Inmetro, as indústrias já estão finalizando o desenvolvimento de protótipos para que a tecnologia seja colocada em prática. “Restam ainda algumas dúvidas normais de implementação, que estão sendo sanadas com auxílio da equipe do Inmetro”, disse Saboia.

Depois disso, os modelos de bomba serão enviados a laboratórios acreditados para a realização dos testes laboratoriais necessários para a aprovação de modelo dos instrumentos. “Uma vez aprovado pelo Inmetro, as indústrias já estarão autorizadas a comercializar seus instrumentos”, complementa Bruno de Carvalho.

Aplicativo

A fiscalização das bombas poderá ser feita por meio de um aplicativo para smartphones, a ser disponibilizado pelo Inmetro. A ideia é fazer com que eles se conectem com as bombas de combustíveis por meio de bluetooth, de forma a verificar se a assinatura digital da bomba foi violada. Caso tenha sido violada, a informação é imediatamente encaminhada ao Inmetro via internet.

“As bombas de combustível deverão ter informações sobre sua identidade – como o endereço do posto, sua data de fabricação e se o certificado metrológico ICP-Brasil está instalado – disponíveis a qualquer pessoa”, detalhou Araújo.

Segundo o Inmetro, a ideia inicial era a de que a tecnologia servisse apenas para os fiscais. No entanto, ao identificarem como será simples o processo, optou-se por estender a ferramenta aos usuários.

“Com o aplicativo, todos serão nossos olhos nos postos de combustíveis, o que empoderará o consumidor. Basta ligar o bluetooth para captar os dados da bomba e saber se há alguma inconsistência na assinatura digital. Quanto à transmissão, ela pode ser feita automaticamente, assim que se tiver acesso à internet”, finalizou Saboia.

 

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