Cultura

Cultura (203)

Segunda, 20 Setembro 2021 14:07

“Na Xá Cara”

Novo álbum da Tocandira será lançado hoje, 20/9, com fusão de jazz com rasqueado.

 Os fãs de jazz fusion têm motivo para comemorar. Nesta segunda-feira (20) será lançado disco com “sotaque cuiabano”, em que músicos da Tocandira adicionam ao gênero, também o rasqueado, rock, MPB e até disco music. O nome irreverente “Na Xá Cara” é resultado de pesquisas musicais e mix de técnicas apuradas e traduz o peso com que o som chega aos ouvidos de quem o escuta.

O novo trabalho da banda será disponibilizado nas principais plataformas de streaming, que podem ser acessadas no endereço https://linktr.ee/tocandira, a partir das 19h. Compõem o trio, o guitarrista Danilo Bareiro, o baterista Éder Uchôa e o baixista Wellington Berê.

O projeto do disco foi aprovado em edital da Lei Federal Aldir Blanc em Cuiabá, executada pela Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer, com apoio do Conselho Municipal de Política Cultura de Cuiabá. Diretor artístico e produtor do disco, Danilo se emociona ao falar do trabalho, que tem produção executiva é de Vicente de Albuquerque.

“Foi um processo de produção único em nossas vidas. Diante do ‘chamado’ do edital nos lançamos a produzir músicas do zero e o resultado, para nós, foi incrível. Esse projeto se concretiza a partir do estímulo da política cultural”.

O disco tem sete faixas e renova a parceria dos músicos da banda e conta ainda com participações especiais do tecladista Igor Mariano e do saxofonista Phellyppe Sabo. Quem assina a mixagem é o áudio designer, Tchucka Jr.

“Eu, Éder e Berê, parceiros de longa data e músicos que formam a Tocandira mergulhamos em um processo tão imersivo que por vezes alcançamos a marca de 24 horas de produção ininterrupta. Fechamos sete músicas, mas adiantamos, temos um bom material para um próximo disco”, anuncia Danilo Bareiro.

Na identidade plural do disco, ele enfatiza que a pesquisa com ritmos regionais de Éder Uchôa influenciou muito e assim, o rasqueado e o cururu se fizeram presentes. Caso, de “Jazz queira ou não”. Essa música tem a participação de Igor Mariano. “Ficou um jazz com rasqueado, com pop e até disco music”, descreve Danilo, ao falar da música mais ensolarada.

Outra música, a “32 passos para o precipício” - ideia de Éder Uchôa -, tem acordes complexos aos quais foram adicionados samplers de internet. “Ficou um monstro elaborado. Passei 12 horas compondo os arranjos e Wellington fez a melodia”, diverte-se Danilo.

“Já a Lamflex começou com uma proposta de lambadão, mas acabou que a influência do metal se sobrepôs. A propósito, a presença do metal é marcante no disco todo por causa do pedal duplo que o Éder utiliza. Já Berê se utiliza muito da técnica de slap no contrabaixo. Ele foi influenciado pelos estudos que vêm desenvolvendo”, aponta.

“Cajueiro rei e os cajus do arco-íris'', com o sax de Phe Sabo, no que diz respeito ao local de criação, tem tudo a ver com a cultura cuiabana. Compusemos debaixo de um cajueiro. Naquele dia chovia muito e um arco-íris surgiu por detrás dele”, relembra.

“Flores de Gardênia” foi presente para Gardês, casada com Wellington Berê. “Ele saiu para busca-la porque íamos comemorar o aniversário dela e quando voltaram, a música já estava composta”.

Outra faixa, foi dedicada a Cristhiane. Ganhou o título “Shé”, apelido carinhoso dado por Danilo à esposa.

Por fim, Na Xá Cara é um híbrido de todas as influências, técnicas e gêneros que delinearam a trajetória dos três músicos. “E é principalmente, fruto de tudo que está rolando na nossa mente atualmente: tem slap, metal, rasqueado e compasso sete por quatro. Ela descende de uma música que compus quando tinha um projeto com Éder, o Jaburu”.

Danilo celebra o momento e acredita que o disco vai trazer frescor na vida de quem curte um bom jazz fusion. “Afinal, sabemos por experiência das apresentações na noite mato-grossense, da observação de nossas andanças pelo Estado, que há um público consumidor ávido por trabalhos como este”.  

 

Segunda, 20 Setembro 2021 05:00

“Muito Mato”

Aceleradora e incubadora seleciona artista para assessoria de carreira musical. A ação é gratuita e aberta para todos os artistas que e atuam em Mato Grosso. Os interessados podem se inscrever até o dia 24 de setembro.

Viabilizado com recursos do edital MT Criativo, realizado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), o projeto Muito Mato dá andamento a suas ações de marketing digital e branding. A aceleradora e incubadora musical irá selecionar um artista (solo, banda, duo ou trio) para gravar um single (música de trabalho) em estúdio e promovê-lo.

A ação é gratuita e aberta para todos os artistas que residem e atuam em Mato Grosso. Os interessados podem se inscrever até o dia 24 de setembro. Para participar do processo de seleção é necessário preencher a ficha de inscrição disponível no https://muitomatomtmt.wixsite.com/mtmt com dados do artista e do seu projeto, um vídeo explicando os motivos para seu projeto ser selecionado, dentre outras informações complementares.

O resultado do processo seletivo será divulgado no dia 30 de setembro. O artista selecionado será assessorado pela incubadora pelo período de 60 dias, e contará com o suporte de uma equipe de profissionais que cuidará de todas as etapas de produção, divulgação e incubação do trabalho a ser lançado. 

Saiba mais sobre o projeto em muitomatomtmt.wixsite.com/mtmt

 

Domingo, 19 Setembro 2021 05:00

O acervo do poeta Silva Freire

No Dia do Poeta Mato-Grossense, equipe responsável pela catalogação e digitalização do acervo divulga resultados do projeto.

Segunda-feira, 20 de setembro, Dia do Poeta Mato-Grossense. A data efeméride, instituída por lei em junho de 2008, homenageia o nascimento de Benedito Sant'Anna da Silva Freire, o poeta Silva Freire.    

Para celebrar, a Casa Silva Freire divulga os resultados do projeto de catalogação e digitalização do acervo pessoal do poeta.

A diretora da Casa, Larissa Silva Freire Spinelli ressalta que ter toda sua obra publicada era um desejo declarado do poeta, registrado em entrevista. “O primeiro passo foi dado e o futuro nos reserva boas surpresas”.

A solenidade será transmitida em tempo real, via página da Casa Silva Freire no Facebook, a partir das 19h (horário de MT).

Durante o evento, será exibido vídeo em que a equipe do projeto e a consultora especialista em metodologia de arranjo de acervo, a professora Elizabeth Madureira, contam como se deu o processo de tratamento do acervo, bem como a classificação, catalogação e digitalização. Também será divulgado o mockup do catálogo que direcionará futuras consultas ao acervo.   

“Agora, pudemos ter a noção mais abrangente, um panorama, sobre sua produção, e desejamos em breve ter novas publicações”, explica Larissa. Os arquivos foram organizados pela primeira vez por Glenda Silva Freire e então, mantidos sob a guarda de Leila Freire, viúva do poeta.

O acervo

Entre as surpresas e descobertas estão muitos poemas inéditos, principalmente da década de 1950, período que o poeta Silva Freire estava estudando no Rio de Janeiro. Há ainda, poemas reunidos já preparados para uma publicação.

“Acrescentam ao acervo, poemas recebidos de outros escritores em sua homenagem. Para o campo da literatura esse tipo de documentação é importante para compor uma historiografia literária. Poemas publicados nos jornais também foram reunidos, pois não tínhamos os originais. Dessa forma, identificamos produções até então desconhecidas da Casa. Elas são importantes, pois traduzem a visão de mundo do poeta”, explica.

Discursos políticos, jurídicos e na área da docência são outros documentos de grande relevância para que se possa entender o “universo silvafreiriano”. 

Preservando os originais

Nesta primeira etapa, foram realizados o tratamento e restauro de alguns textos que estavam em processo de desgaste avançado, a equipe pôde estabilizar o desgaste dos documentos, preservando os originais.  “Com a digitalização de fotos e documentos escritos, evitamos que eles se deteriorem com o contato”.

Todo o trabalho foi desenvolvido sob coordenação geral, executiva e técnica, respectivamente, de Leila Freire, Larissa e João Paulo Lacerda Paes de Barros. Contou ainda com a supervisão minuciosa da especialista em arranjos de acervo de família, a historiadora Elizabeth Madureira e assistência de produção de Claudia Borges.

Como assistentes técnicas de catalogação e digitalização, a estudante de Pedagogia Centro Universitário de Várzea Grande - UNIVAG, Milene Daniele Borges e Fabiana Silva Azevedo, que possui vasta experiência em catalogação de acervos e cursa História na Universidade Federal de Mato Grosso. Vale ressaltar, projeto ainda teve suporte da equipe do Arquivo Público de Mato Grosso. 

Banco de dados

À ocasião do evento, será revelada a metodologia adotada e qual o processo utilizado para catalogação e digitalização dos documentos e ainda, um “antes e depois”. 

“Realizamos um levantamento de um grande número de informações, um banco de dados que será muito útil para pesquisas no campo literário. E de outro lado, vai nos propiciar muitas ações futuras e uma política de publicação, de agora para frente, atendendo seu desejo de democratizar sua obra”.  

O inventário da obra só foi possível graças à aprovação do projeto em edital realizado pelo Governo de Mato Grosso, via Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer – Secel-MT, em parceria com o Governo Federal, via Secretaria Nacional de Cultura, do Ministério do Turismo.

 

Sábado, 18 Setembro 2021 05:00

‘Segredos’

MON apresenta a maior exposição já realizada pelos artistas OSGEMEOS.

A exposição “OSGEMEOS: Segredos”, realizada pelo Museu Oscar Niemeyer (MON), poderá ser vista pelo público a partir de 18 de setembro. Produção original da Pinacoteca de São Paulo, a mostra em Curitiba é uma parceria com o MON, apresentada pela Copel e viabilizada pelo governo do Estado do Paraná.

São mais de 850 itens, entre pinturas, instalações imersivas e sonoras, esculturas, intervenções site specific, desenhos e cadernos de anotações. As obras estarão na torre e na sala expositiva do Olho.

“Mais do que nunca, a arte apresenta-se aqui como inspiração”, diz a diretora-presidente do MON, Juliana Vosnika. Ela comenta que as cores, o movimento e a alegria presentes na obra d´OSGEMEOS, iluminam e nos ajudam a fazer a travessia entre o agora e uma nova fase, pós-pandemia.

“Neste momento, em que todos focamos numa reconstrução, seja individual ou coletiva, a arte desta genial dupla de irmãos contribui com a nossa busca interna”, afirma. Seus traços retratam o dia a dia das grandes cidades e suas obras nos levam a uma imersão que revela pertencimento e identidade a símbolos locais e cotidianos, que nos conectam ao lúdico”, diz Juliana.

A superintendente-geral da Cultura, Luciana Casagrande Pereira, comenta que em muitas cidades do mundo, as obras nos espaços públicos em grandes proporções foram um respiro durante o isolamento social. “Estamos muito felizes em receber a exposição ‘Segredos’, que sela definitivamente a paixão do grande público por essa arte”, comenta. “É muito interessante perceber como OSGEMEOS conseguem transitar entre a arte urbana e o museu tornando seus desenhos cheios de representação acessíveis a todos”.

“OSGEMEOS: Segredos” é a primeira retrospectiva de grande porte que examina a produção dos artistas desde o começo da década de 1980 até a atualidade. “Esta é a maior exposição já produzida por eles”, comenta o curador da mostra, Jochen Volz, diretor-geral da Pinacoteca de São Paulo.

“Como indica o título ‘Segredos’, o objetivo da mostra é revelar novas visões do fazer artístico d’OSGEMEOS. Objetos pessoais, como cadernos, fotos, desenhos e pinturas que datam desde a infância dos dois irmãos até hoje são apresentados ao público pela primeira vez, incluindo estudos e obras de arte que precedem em muito seus famosos personagens e lançam luz sobre as raízes de seu surgimento. Influências artísticas e colaborações são expostas ao lado de pinturas e esculturas recentes”, informa o curador.

Os artistas
A dupla de artistas formada pelos irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo (São Paulo, 1974) construiu uma trajetória no mundo das artes sem nunca ter perdido de vista o desejo de manter-se acessível ao grande público.

Esse percurso inclui a participação em mostras nas principais instituições internacionais, como o Hamburger Bahnhof, em Berlim, em 2019, com um projeto concebido em parceria com o grupo berlinense de breakdance Flying Steps – um dos mais premiados mundialmente; a Vancouver Biennale, Canada (2014); o MOCA – Museum of Contemporary Art, em Los Angeles (2011); o MOT – Museum of Contemporary Art Tokyo, em Tóquio, Japão (2008) e a Tate Modern, em Londres, Reino Unido (2008), onde os artistas pintaram a fachada, e a Trienale de Milão (2006), entre outros. Ao longo de sua carreira, os irmãos também receberam convites para criar para os principais espaços públicos de mais de 60 países, incluindo Suécia, Alemanha, Portugal, Austrália, Cuba, Estados Unidos – com destaque para os telões eletrônicos da Times Square, em Nova York (2015) –, entre outros.

Gustavo e Otávio sempre tomaram o espaço urbano como lugar de vivência e de pesquisa desde o início de sua produção, em meados da década de 1980. Os artistas partiram de uma forte imersão na cultura hip hop, que havia chegado ao Brasil no momento em que os irmãos começaram a produzir, e da influência da dança, da música, do muralismo e da cultura popular para desenvolver um estilo singular, com atmosfera alegre, que acabou se tornando um emblema dos espaços urbanos pelo Brasil e pelo mundo.

Seus trabalhos contam histórias – às vezes autobiográficas – cujas tramas envolvem fantasia, relações afetivas, questionamentos, sonhos e experiências de vida. OSGEMEOS mantém seu ateliê, até hoje, no Cambuci, antigo bairro de operários e imigrantes na região central de São Paulo, no qual passaram sua infância e juventude. A partir da década de 1990, suas experimentações – não só em graffiti, mas também pintura em telas e esculturas estáticas e cinéticas – ultrapassaram os limites bidimensionais, culminando na construção de um universo próprio que opera entre o sonho e a realidade.

SOBRE O MON
O Museu Oscar Niemeyer (MON) é patrimônio estatal vinculado à Secretaria de Estado da Comunicação Social e da Cultura do Paraná. A instituição abriga referenciais importantes da produção artística nacional e internacional nas áreas de artes visuais, arquitetura e design, além da mais significativa coleção asiática da América Latina. No total, o acervo conta com mais de 9 mil peças, abrigadas em um espaço superior a 35 mil metros quadrados de área construída, sendo 17 mil metros quadrados de área para exposições, o que torna o MON o maior museu de arte da América Latina. Os principais patrocinadores da instituição, empresas que acreditam no papel transformador da arte e da cultura, são: Copel, Sanepar, Grupo Volvo América Latina, Vivo e Moinho Anaconda. (Divulgação: Museu Oscar Niemeyer - MON)

Serviço:
“OSGEMEOS: Segredos”
Produção original da Pinacoteca de São Paulo
A partir de 18 de setembro
Museu Oscar Niemeyer (MON)
VENDA DE INGRESSOS exclusivamente on-line, pela plataforma Inti.

Olho, Torre do Olho e espaços externos
De terça a domingo, das 10h às 18h
www.museuoscarniemeyer.org.br

Livro que reúne textos teatrais será lançado na próxima semana, no Cine Teatro Cuiabá.

É com o objetivo de deixar um registro de vivências de palco para as gerações futuras, que o diretor artístico do grupo Cena Onze, Flávio Ferreira, lança o livro O Louco Nosso de Cada Dia e Outros Filhos, na próxima quarta-feira (22), às 20h, no Cine Teatro Cuiabá, de forma gratuita, que se baseia em vivências pessoais, com 13 textos de teatro, sendo o primeiro escrito em 1990.

A ideia de escrever a obra surgiu a partir do momento em que o diretor percebeu que as coisas vão se perdendo. “A oralidade tem esse risco, então o compromisso de todos nós, que trabalhamos com cultura e arte é deixar documentado o que foi produzido e contribuir com o que pode ser melhorado a partir de então. O livro tem minha assinatura, mas também a contribuição de muita gente que ajudou a construir. Logo, é um coletivo, do qual eu faço parte. São textos, cenas, descrições de cenário e figurino”, declara Flávio.

São dezenas de textos, cada um com um olhar, uma pesquisa individual e personalizada, mas todos baseados em vivências, de obras de Flávio, de seus autores e coautores, com a parceria da editora Carlini & Caniato Editorial.

Esse trabalho demorou uma vida para sair do papel, pois o primeiro texto é de 1990 e o último de 2020, ou seja, 20 anos de diferença, nos quais foram sendo escritas e montadas as peças. Em cada montagem a gente via a necessidade de um registro”, descreve o diretor.

Quando Ferreira começou a perceber a contribuição que recebia ao trazer mais pessoas para perto, não só no elenco, mas também na escrita e dramaturgia, seus trabalhos se enriqueceram de forma gratificante. “Foi assim que obtive as contribuições de grandes poetas como Silva Freire e Oscar Ribeiro, bem como de todas as atrizes do elenco da peça Bereu. É muito importante poder contar com a consideração dessas pessoas para escrever”, ressalta.

O lançamento contará com o Grupo Cena Onze realizando performances de alguns dos textos, além de uma instalação poética, que é o ato de transformar uma poesia ou texto literário em uma obra de arte, montado pela figurinista Jane Klitzke e com a apresentação do compositor Abel Dy Anjos.

Serviço

O que: Lançamento do Livro O Louco Nosso de Cada Dia e Outros Filhos, do diretor artístico do Grupo Cena Onze, Flávio Ferreira

Quando: 22 de setembro, às 20h

Onde: Cine Teatro Cuiabá

Gratuito e aberto ao público

Informações: (65) 2129-3848 / (65) 99253-3932

 

Prefeitura relembra carnaval de rua e leva blocos para o Beco do Candeeiro. Para a secretária de Cultura, Esporte e Lazer, Carlina Rabello Leite Jacob, evento será uma celebração da vida. “Muita alegria, samba, confraternização e diversão”.

A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer realiza nesta quinta-feira (16), a partir das 19h em mais uma edição do projeto Arte no Beco, um evento para relembrar a saudade dos carnavais de rua e contar um pouco da história dessa tradição em Cuiabá. A festa Blocos no Beco vai apresentar a nova Liga dos Blocos Carnavalescos de Cuiabá, coroar os reis e rainhas de 2021, além de contar com desfile de fantasias confeccionadas por projetos aprovados em edital municipal com recurso da Lei Federal Aldir Blanc, apresentação da bateria Samba in Bloco e demais atrações. O evento é gratuito e segue as medidas de biossegurança.

 “A restauração do Beco do Candeeiro tem proporcionado um resgate da cuiabania e da memória da cidade sem precedentes. A cada evento realizado me sinto muito feliz como gestor que devolveu para a gente de Cuiabá esse espaço de pertencimento tão importante”, disse o prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro.

Nesta quinta-feira (16), os blocos tradicionais de Cuiabá apresentam a preparação para uma das mais tradicionais festas de rua do Brasil e também com muito história em Cuiabá, que o Carnaval. Na ocasião será lançada a Liga Recreativa e Cultural de Blocos Carnavalescos e Escolas de Samba de Cuiabá, composta por: GRES Tradição, Unidos do Araés, Boca Suja, Império de Casa Nova, Melados, Unidos do Pedregal, Divas Cuiabanas, Explosão do Samba e Bloco Mara.

“A cada semana um evento diferente e todos tem espaço no Beco do Candeeiro, lugar democrático, histórico, de uma importância imensa para a cultura cuiabana e agora o local para relembrarmos o carnaval de rua, que sei que todos sentem saudades. Mais do que só festejar, também queremos reconhecer todo o estudo, dedicação das pessoas que trabalham durante todo o ano para organizar este momento de alegria e pura arte”, disse a secretária de Cultura, Esporte e Lazer, Carlina Rabello Leite Jacob.

A criação da Liga tem por objetivo a união dos blocos e escolas de samba da capital para a construção de um carnaval cada vez mais organizado, incentivando a construção cultural em torno da festa e apresentando para a sociedade a história dessas movimentações culturais, dessas escolas e blocos e como elas transformam a realidade comunidades, como se integram a comunidade e se entrelaçam com a identidade local.

O espaço Cultural Celso Nazário, aprovado em edital de Subsídio, lançado pela Prefeitura de Cuiabá em 2020, por meio da Secretaria de Cultura, com recurso da Lei Federal Aldir Blanc apresenta o resultado do curso de confecção de adereços carnavalescos pra o enredo de 2021 do bloco Tradição do Araés. O projeto do curso e a manutenção do bloco em questão foram aprovados em edital de Fomento e Subsídio, respectivamente.

Na programação do evento também consta coroação do rei Momo e Rainha 2021, Rei e Rainha Gay 2021, desfile de fantasias, lançamento de pesquisa de enredo realizado pelo bloco Tradição do Araés, Encontro de Rainhas de Bateria e apresentação musical do grupo Raízes do Samba e da bateria Samba in Bloco.

“Precisamos tentar voltar à normalidade com toda biossegurança necessária”, conclui Carlinda.

 

 

Salão Jovem Arte 2021: além dos 63 artistas e coletivos selecionados, uma exposição em especial chama a atenção. Ao Museu de Artes e Cultura Popular (MACP-UFMT) será reservada a mostra dedicada aos artistas homenageados, que ocorre entre os dias 9 de outubro e 13 de dezembro, excepcionalmente.

Entre os dias 6 de outubro e 10 de dezembro, ocorre em Cuiabá a 26ª edição do Salão Jovem Arte. Este ano, a mais tradicional vitrine das artes de Mato Grosso terá exposições em três diferentes locais: na Galeria Lava Pés; no Museu de Artes e Cultura Popular (MACP-UFMT); e no Sesc Arsenal, além da possibilidade de visitação virtual.

Além dos 63 artistas e coletivos selecionados, uma exposição em especial chama a atenção. Ao Museu de Artes e Cultura Popular (MACP-UFMT) será reservada a mostra dedicada aos artistas homenageados, que ocorre entre os dias 9 de outubro e 13 de dezembro, excepcionalmente.  O projeto expográfico é uma parceria entre Jeff Keese e Douglas Peron. A curadoria dessa mostra em especial é assinada por Keese.

Clóvis Irigaray

Clovis Irigaray, Regina Pena, Benedito Nunes, Adir Sodré, Magna Domingos, Marta Catunda, Nilson Pimenta, Valdivino Miranda, Marília Beatriz, Rafael Rueda e Sebastião Mendes; confira os onze homenageados na 26ª edição do Salão Jovem Arte. Acompanhe também pelo site www.discosimaginais.com .

Clóvis Irigaray é reconhecido como um dos mais expressivos nomes das artes visuais em Mato Grosso, representante legítimo da gênese da pintura moderna no Estado, ao lado de Humberto Espíndola, João Sebastião e Dalva de Barros. Seus desenhos, ao longo de sua trajetória artística, desenvolvem uma linguagem temática tão social quanto filosófica, que o torna único entre os artistas que se dedicaram à tendência indigenista da época.

Quando analisada a série Xinguana, não se pode deixar de notar o virtuosismo nos traços do artista. Mas seus desenhos hiper-realistas revelam muito mais que genialidade artística. Conceitualmente, sua arte antecipa importantes conquistas dos povos originários tendo como base de observação a sociedade da década de 1970.  

Com impressionante habilidade para técnicas de desenho, Irigaray recriou cenários e deu novo sentido às imagens que ofereciam suporte à sua obra. Curioso notar que Irigaray nunca visitou uma aldeia indígena e as obras em questão foram baseadas em cartões postais, fotos de revistas e material publicitário da época. É preciso ressaltar ainda a temática das questões indígenas, intrinsecamente atreladas ao caráter visionário do artista, ao colocar o indígena em posição de protagonismo.

Sendo assim, sob a influência indigenista, Irigaray apresentou perspectivas consideradas visionárias para época. Exaltou a soberania dos povos do Xingu, os reconheceu como personagens igualitários em uma sociedade de consumo e lhes “abriu” espaços.  

Regina Pena

Outra artista presente na exposição de artistas homenageados é Regina Pena, que fazia da arte uma expressão de vida. Em 2011 começou a produzir gravuras digitais e poemas e transformou as próprias limitações em novas possibilidades artísticas.

Diagnosticada com esclerose múltipla em 2006, Regina foi aos poucos aposentando as tintas e os pincéis e transferindo seus conhecimentos artísticos para novas plataformas. Começou a desenhar digitalmente com a ajuda de tablets e destacou-se como uma das grandes artistas digitais do país. 

Em 2019, realizou uma exposição por meio das criações em plataformas de arte digital, com temáticas figurativas e abstratas. Os temas, além da natureza, mostravam mulheres, relacionamentos, política, metamorfoses e abstrações com geometrias e balões.

Participou de várias exposições coletivas no Museu de Arte e de Cultura Popular da UFMT e também promoveu exposições solo, além de lançar o livro “Voo Solo”, em 2015. 

Benedito Nunes

Detentor de uma técnica apurada, Benedito Nunes ficou conhecido pela produção de obras que retratam a regionalidade. Uma de suas maiores inspirações era o cerrado mato-grossense, mas também pintava o cotidiano da cuiabania com maestria.

Além de o artista cuiabano ser homenageado na nova edição do Salão Jovem Arte, também é motivo de inspiração para o projeto “Benedito Nunes Tributo ao Mestre do Cerrado” -  que vai retratar grande parte da caminhada do artista na consolidação de um trabalho de mais de 30 anos. 

Nunes, além de ser um artista acessível e carismático, era famoso por retratar o cenário mato-grossense. Assim ficou conhecido como o Van Gogh do Cerrado, deixando sua marca na arte brasileira. Um dos mais representativos artistas da chamada "Geração 80”.       

Adir Sodré

O inesquecível Adir Sodré também está na lista dos 11 homenageados em memória do 26º Salão Jovem Arte. Como diz Aline Figueiredo, "Adir é somatória, é adição".

A arte de Adir Sodré é presente para além do seu tempo de existência. Adir, um outsider, como ele mesmo se definia, foi um artista carregado de humanidade, com um potencial incontestável e tem a arte reconhecida não apenas em Mato Grosso, mas no Brasil e no mundo.

As pinturas de Adir revelam a vida cotidiana, com representações do bairro Pedregal - onde morava em Cuiabá, dos quintais cuiabanos, da estética do cerrado mato-grossense e dos elementos da cultura e da identidade cuiabana.

Apresenta também a admiração pelo pintor francês Henri Matisse, por meio das cores puras e dos elementos decorativos, em obras nas quais o erotismo é muito presente, como em Falos e Flores (1986) e Orgia das Frutas (1987).

Magna Domingos

Outra gigante entre os onze homenageados pelo 26º Salão Jovem Arte é Magna Domingos. A doce Magna, jornalista, pós-graduada em Gestão Cultural, muito conhecida por atuar como produtora cultural, foi gestora do Instituto de Arte e Cultura "Boca da Arte" e coordenadora de Cultura no Sesi-MT e do Pavilhão das Artes, no Palácio da Instrução.

Mas há também a grandiosa atuação artística de Magna. Como artista plástica, foi premiada no Salão Jovem Arte Mato-Grossense e no Salão de Artes Plásticas de Mato Grosso do Sul. Atuou nas mais diversas linguagens artísticas e culturais: música, fotografia, artesanato, teatro, artes visuais, audiovisual.

Marta Catunda

Marta Catunda também está entre as artistas homenageadas em memória. Ela atuou por 31 anos na Universidade Federal de Mato Grosso, onde desenvolveu trabalhos comunitários, educativos e artísticos com ribeirinhos, escolas, na redação de livros e catálogos ligados à arte, cultura e meio ambiente.

Como musicista e compositora, pesquisou as sonoridades ambientais e os processos de sensibilização ao meio ambiente na educação. Realizou também grandes parcerias com a amiga Tetê Espíndola.

Nilson Pimenta

Nilson Pimenta não poderia ficar de fora dos artistas homenageados pelo 26º Salão Jovem Arte. O artista plástico foi considerado um dos mais importantes e atuantes pintores brasileiros na arte naïf.

Ele participou de várias exposições coletivas e individuais, nos mais importantes museus e galerias do Brasil e do exterior, como a “Primitivos de Mato Grosso” no Museu de Arte de São Paulo em 1980; a “Brasil/Cuiabá: Pintura Cabocla”, nos museus de Arte Moderna no Rio de Janeiro e em São Paulo, e na Fundação Cultural do Distrito Federal, em Brasília, em 1981.

Em 1988, participou também da “Negra Sensibilidade”, exposta no Museu de Arte e de Cultura Popular, em Cuiabá. A arte de Nilson foi parar até na galeria de Londres, com a exposição “Naïve Paintings of Far-Western Brazil”, em 2006.

Valdivino Miranda

Desde muito jovem, Valdivino nutria a paixão pela pintura. Em 1990, começou a trajetória profissional, depois de frequentar o Ateliê Livre, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), onde aprendeu com artistas mais experientes, sob a orientação de Nilson Pimenta. Seus trabalhos de maior destaque expressam visualmente elementos zoomorfizados.

Sua trajetória é marcada por participações em exposições de grande relevância no Brasil, levando consigo o nome de Mato Grosso. Reconhecido em inúmeros prêmios regionais, nacionais e internacionais, Valdivino Miranda, ao longo da carreira, participou de diversas exposições e bienais do circuito nacional, entre elas a Bienal Naïfs do Brasil, de Piracicaba (SP), edição de 2010. Foi premiado no XIX Salão Jovem Arte Mato-grossense, em 2000, e teve três pinturas selecionadas na edição 2013 do Salão de Arte de Mato Grosso, sendo elas: “Amor de peixe”, “Amamentação do ser marinho” e o “Beijo do polvo”.

Marília Beatriz

Graduada em Direito e mestre em Comunicação e Semiótica, Marília Beatriz deu grandes contribuições nas áreas de educação, comunicação, artes e cultura no estado. Atuou como advogada, escritora, teatróloga e professora, sendo uma das fundadoras da Universidade Federal de Mato Grosso. Desde 2015, era membro da Academia Mato-grossense de Letras (AML), ocupando a cadeira 02.  

Em sua produção literária, Marília escreveu livros e artigos, organizou obras artísticas e literárias, e recebeu honrosos prêmios e distinções por sua contribuição à cultura e às artes. Dentre suas obras literárias estão: O mágico e o olho que vê (Edufmt, 1982); De(Sign)Ação: arquigrafia do prazer (Annablume, 1993); e Viver de Véspera (Carlini e Caniato, 2018).

Rafael Rueda

Artista plástico, autodidata, reconhecido nacional e internacionalmente, Rafael Rueda foi um expoente da escola abstracionista, ele expôs em Mato Grosso, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. Ele pintou quadros abstratos de 1988 até o ano de 2020 e foi o primeiro a fugir da pintura cabocla e integrar o núcleo de artistas dessa corrente artística.

Já expôs na UFMT, Chapada dos Guimarães, Pontifícia Universidade Católica São Paulo, Salão Jovem Arte Mato-grossense, Museu de Arte Contemporânea, Campo Grande (MS), Sociedade Brasileira de Belas Artes - Rio de Janeiro (RJ).

Sebastião Mendes

As pinceladas do óleo sobre a tela trazem os traços do expressionismo figurativo e o exagero nas formas trabalhadas. Dono de pinceladas com traços exibicionistas e figurativos, o sucesso das telas tem uma explicação lógica e simples: elas retratam o cotidiano. Trata-se de uma linguagem bem do Brasil interiorano, que retrata os costumes, as brincadeiras, o cotidiano do povo. Principalmente, do povo mato-grossense.

Sua estreia profissional foi aos 16 anos, quando fez sua primeira exposição. Depois, foi ao Rio de Janeiro para se aproximar dos grandes artistas da época. O artista tem obras espalhadas por acervos em todas as partes do globo, sendo desde o quadro “Mato Grosso – Nossas Raízes, Nossa Cultura”, entregue na reitoria da Universidade Federal de Mato Grosso, em 1995, a duas pinturas para a Prefeitura de Malgrat del Mar, em Barcelona (Espanha).

Hoje, suas obras estão em acervos de colecionadores e museus de diversos países da Europa, nos EUA, Japão, China, Rússia e no Brasil. Ocupa a 3ª cadeira da academia Brasiliense de arte, desde 2007.

 

Segunda, 13 Setembro 2021 05:00

“Escrever o livro foi um deleite”

Aline Figueiredo é homenageada em livro e documentário que serão lançados no dia 14 de setembro, às 19h, no teatro do SESC Arsenal em Cuiabá. As duas obras fazem parte do projeto ‘O Propósito de Aline’, que conta a vida da crítica de arte e animadora cultural. 

O livro “O Propósito de Aline” é um recorte de 75 anos de história. Aline  Figueiredo é um dos pilares da cultura mato-grossense. Incansável na luta para o reconhecimento da cultura local. O livro é uma homenagem à critica de arte e animadora cultural que construiu pontes e desbravou trilhas para a cultura popular durante toda a sua carreira. Aos 75 anos segue atenta em busca de novos projetos, inspirando gerações.

No livro, o jornalista Rodrigo Vargas, 45, compartilha conosco um pouco da trajetória e experiências dessa personagem. “Aline unificou Mato Grosso e fortaleceu uma ideia que foi reconhecida nacional e  internacionalmente. Aline sonha e realiza, não perde tempo elaborando demasiadamente. O investimento em cultura e artes reverbera”, frisou Vargas.

Blog da Condessa - A soma de todas as experiências culturais resultou em “O propósito de Aline”? O leitor terá essa percepção, dimensão ao ler o livro e ver o documentário ‘Eu sou capim navalha’?

Rodrigo Vargas - Acredito que sim. O projeto é resultado dessa multiplicidade de Alines, digamos assim. Aline Figueiredo é uma figura múltipla em todas essas figuras, papéis que ela representou ao longo da vida. Foi tudo muito rico, cheio de significados. Partimos da Aline intelectual, da cultura, da estudiosa que escreveu cinco livros fundamentais pra se entender  a cultura e a arte  não apenas em Mato Grosso, mas em todo Centro-Oeste. Há também a Aline crítica de arte reconhecida no Brasil e no exterior. A animadora cultural presente nos bastidores ajudando a construir praticamente do nada uma cena cultural que se tornou fortíssima com raízes até hoje  ao longo de 55 anos de atuação direta. E, a Aline professora de história da arte desde a década de 70. Formou público para os artistas, exposições. Ou seja, formou a cena artística e o público.  Não é uma biografia, foi se fosse teria um conteúdo certamente maior do que as 200 páginas que o livro contém.  É uma porta de entrada pra esse universo tão rico e intenso que ela construiu ao longo da vida.

Blog da condessa - Qual a importância de ambos e o que representa pra sociedade?

Rodrigo Vargas  -Espero que tanto o livro como o documentário ajude as pessoas a ter uma ideia da dimensão dessa personagem tão envolvente. O objetivo é que a pessoa leia o livro e assista o documentário com o interesse e o desejo de saber e de se aprofundar mais sobre Aline e suas obras, sobre o Museu de Arte e Cultura Popular que ela ajudou a criar. Não tenho a pretensão de que as duas obras esgotem o assunto.

Blog da Condessa -  Na sua opinião, sinônimo de ler é?

Rodrigo Vargas -  Busca. Um propósito por respostas, consolo, sentido, sentimentos. Cada livro é uma jornada. Às vezes não tão boa. Já em outras, inesquecível. No entanto, todo livro oferece essa perspectiva de busca por algo.

Blog da Condessa - Quem lê amplia o olhar, torna-se mais tolerante ao perceber na visão do outro formas de alargar a sua própria visão das coisas. Quem lê, consegue ter uma percepção mais crítica de tudo. Concordas?

Rodrigo Vargas - Sim. Nos tornamos mais humildes, evita, inclusive de nos acharmos os donos da verdade, mais receptivos e abertos a descobertas, novos olhares. Uma das consequências de se buscar o conhecimento é exatamente isso: descobrir.

Blog da Condessa - Que ações você considera válidas para ampliar o acesso ao livro, à cultura, arte?

Rodrigo Vargas - Tudo o que se fizer para popularizar, democratizar o acesso à cultura, arte, os livros é benéfico para todos. O investimento em cultura não beneficia apenas um segmento. Ele reverbera. Se transforma em um ciclo positivo, virtuoso em que a cultura vai se espraiando e melhorando a sociedade. Acredito que formas de baratear livros, tirar impostos da cadeia toda. Isso já existe hoje, inclusive com propostas pra se acabar , mas quanto mais se baratear o livro, mais se criar bibliotecas , aproximar autor do público nas escolas e quanto mais se despertar esse desejo pela cultura, melhor pra sociedade. Então, percebo as leis de incentivo à cultura dentro desse esforço de produzir mais e de forma descentralizada e com a finalidade de se fortalecer.

Blog da Condessa - O que mais te fascina na escrita, particularmente nessa obra?

Rodrigo Vargas - A minha maior experiência profissional é como jornalista. Ano que vem completo 25 anos  de atividade e basicamente a escrita é minha ferramenta de trabalho. Pra mim, que sou tímido, a escrita se tornou uma ferramenta de contato com o mundo. Essa forma de me expressar é o que mais me fascina. Essa obra, em especial, foi muito bacana de escrever. Um deleite A personagem é sensacional. A vida dela cheia de viradas, cenas cinematográficas, encontros com pessoas importantes, realizações e livros. O difícil foi saber o que explorar menos, do contrário o livro chegaria a 800 páginas.

Blog da Condessa - A ideia de escrever esse livro deve-se a importância de expandir a produção cultural mato-grossense para outras regiões e até para fora do Brasil?
Rodrigo Vargas -
Foi especificamente devido a importância da Aline pra esse processo. A Aline na vida inteira dela trabalhou para expandir a produção cultural Mato-grossense para outras regiões e até para fora do país. A Aline ao longo da vida cumpriu esse papel de levar de forma organizada  e profissional o que produzimos aqui para outros centros. Não foi Aline quem inventou as artes plásticas em MT. Havia os artistas locais, porém não estavam conectados. Não faziam mostras conjuntas, não tinham visibilidade externa. Aline conseguiu realizar esse processo de expansão cultural. O lançamento do livro "O Propósito de Aline" e do documentário "Eu sou capim navalha", abre as portas para o universo da crítica de arte, animadora cultural e escritora.

 

Blog da Condessa - O que o leitor pode esperar da obra? 

Rodrigo Vargas - As pessoas que já leram o livro me deram um feedback muito positivo. Estou bem satisfeito com as avaliações. Repito, não há a intenção de ser uma obra definitiva sobre a da vida de Aline. Até por que ela está aí firme e forte produzindo  e prestes a lançar um novo livro e com muitos projetos.  Caso tenhamos uma segunda edição certamente teremos que inserir alguns capítulos extras. O livro é um recorte de 75 anos de história desde antes do seu nascimento.  A obra percorre todo esse período. Posso garantir que será uma leitura prazerosa , repleta de surpresas em um texto simples , objetivo e com sentimento.

Blog da Condessa – Que descobertas que você fez nessa imersão?

Rodrigo Vargas - Que eu sabia muito pouco de Aline e olha que eu achava que conhecia muito. Na sequência, me surpreendi. A importância dela no cenário cultural, na minha avaliação, se tornou muito maior. Ela fez e faz história. Ela sonha, imagina algo e já se empenha em tornar realidade. Sua atuação foi decisiva na trajetória de artistas como Dalva de Barros, Clóvis Irigaray, Adir Sodré e Gervane de Paula, entre dezenas de outros. 

Filme resgata e contextualiza o Muxirum Cuiabano, importante acontecimento que contribuiu para a consolidação de elementos tradicionais, populares e ribeirinhos na iconografia da cultura mato-grossense.

Documentário e exposição fotográfica homenageiam os irmãos Ulisses e Ernani Calhao e a contribuição dos dois na criação do Muxirum Cuiabano. O lançamento dos dois produtos artísticos deve ocorrer até o final de 2021 e integram o projeto “Os irmãos Calhao e a identidade cuiabana” contemplado no edital Conexão Mestres da Cultura – Marília Beatriz de Figueiredo Leite, realizado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT).

A exposição fotográfica está em fase de catalogação. Já as gravações do filme foram concluídas na primeira semana de setembro e agora entra na etapa de pós-produção. O documentário é dirigido por Leonardo Sant’Ana e produzido pela Terra do Sol Filmes. O filme resgata e contextualiza o Muxirum Cuiabano, importante acontecimento que contribuiu para a consolidação de elementos tradicionais, populares e ribeirinhos na iconografia da cultura mato-grossense.

Como se trata de uma abordagem centrada em dois protagonistas pertencentes a um movimento composto por um grupo de pessoas, optou-se por amplo universo de depoentes (14 no total), além de contar com várias imagens de arquivo. O filme segue uma linha cronológica, porém com focos narrativos que eventualmente se separam ou se convergem.

“A narrativa começa lá atrás, na família Calhao. Depois se aproxima dos irmãos e se separa para a história de cada um, até se juntar novamente quando os irmãos se reúnem no Muxirum. E finalmente se divide em três linhas narrativas: o que cada irmão está fazendo e como o movimento evolui e reverbera nos dias de hoje”, explica Leonardo.

Muxirum Cuiabano

Muxirum é um neologismo que significa mutirão ou trabalho comunitário. Fundado em 1989, o movimento foi encabeçado por uma série de personalidades locais. Além dos irmãos Calhao, destacam-se Josephina Paes de Barros Lima, Wanda Marchetti, Adi de Figueiredo Matos, José Marciano Cândia (Pepito Cândia), Lucia Palma, Abel dy Anjos, Aníbal Alencastro, dentre outros artistas, pesquisadores, historiadores, políticos, agentes culturais, jornalistas, empresários, estudantes, funcionários públicos.

“Tínhamos conosco pessoas ilustres, intelectuais, mas tínhamos principalmente a base, o povo de verdade, que entendia a nossa linguagem, por isso o movimento ganhou corpo. Foi tudo baseado num sentimento verdadeiro”, ressalta Ernani.

O Muxirum se manteve ativo por quase uma década e tinha como propósito a salvaguarda de patrimônios imateriais e materiais de Cuiabá, mediante ações de divulgação, conscientização e valorização. “Era um movimento de pessoas dispostas a repensar a história, um movimento de resistência. Resistência àquela possível perda dos nossos valores culturais”, relembra Ernani.

O contexto da época justificativa este temor, afinal a população passava a assimilar a narrativa de que a cultural local era inferior às demais, tanto as trazidas pelos imigrantes, em sua maioria sulistas, quanto as propagadas pela televisão, majoritariamente do eixo Rio-São Paulo.  

“O processo de urbanização de Cuiabá e esse fluxo migratório muito intenso fez com que a cidade crescesse muito rápido. E isso ameaçava elementos que faziam parte do imaginário e tradição da população local”, explica Leonardo.

A revitalização das festas de São Benedito e do Senhor Divino foi um dos grandes feitos do movimento. Ambas, aliás, estiveram à beira do esquecimento naquele período. Portanto, se hoje são duas das manifestações religiosas mais tradicionais e populares de Mato Grosso, este reconhecimento passa pelas mãos e ações do grupo.

O Muxirum também teve papel de destaque na preservação da memória arquitetônica da cidade, além da permanente luta pelo legítimo reconhecimento público de manifestações artísticas e culturais locais, como o siriri e o cururu, o rasqueado, a gastronomia, o “djeito” de falar, o artesanato, dentre outras formas de expressão que constituem a identidade local.

“Começamos com o intuito de olhar para as nossas bases, nossas raízes. E quando a gente faz o levantamento desta memória e percebe tudo que se conquistou em termos culturais para Mato Grosso é extremamente gratificante”, relata Ulisses. 

 

Aos 84 anos, cururueiro Martinho afirma que continuar incentivando os mais novos o motiva a voltar a aprender.

 “Me interesso em escrever meus segredos”. Esse é o desejo que Martinho Leme de Moraes, mestre artesão de Viola de Cocho, relata ao se matricular, em Barra do Bugres, em uma das turmas do Mais MT Muxirum, programa do Governo do Estado, desenvolvido pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT).

Natural de Acorizal e cururueiro desde menino, Martinho relata que foi pela devoção que aprendeu a arte de fabricar e tocar a viola com o pai e avô. “Eu sigo esse movimento da viola de cocho. Como tudo que sei veio do meu pai, primeiro a gente aprendia a fé e a adoração e como não tinha petróleo, nós tínhamos como sustento a fabricação de moinho e pilão para vender”.

Aos 84 anos, lendo poucas palavras e sabendo escrever seu nome, engana-se quem pensa que essa é a primeira vez que trata dos estudos como uma barreira a vencer. Pelo olhar curioso, foi em forma de troca de cartas com uma das professoras, ‘no tempo’ que seus sete filhos frequentavam a escola, que ele conheceu algumas palavras.

Com data marcada para voltar a escrever, Martinho se mostra radiante com a nova oportunidade de aprender. As aulas começam no dia 14 de setembro.

“Eu não tenho a leitura, mas não sou bobo. Sou curioso. Quando as crianças iam para escola elas sempre traziam a cartinha com uma letrinha ou outra para eu aprender. Meu desejo é colocar nas palavras que o segredo da viola não é bater”.

A matrícula de Martinho foi comemorada pela coordenadora Municipal de Educação e Cultura e alfabetizadora do programa Mais MT Muxirum, Papy Nascimento. Tendo como espaço o quintal da sua casa, ela conduzirá o aprendizado de duas turmas de 10 alunos.  

“A cultura pantaneira é algo que estamos sempre apresentando aos mais novos como algo importante de se conhecer. Ter ‘Seo’ Martinho na turma é forma de enxergarmos essa troca de conhecimento, uma chance de fazer isso acontecer. Como referência do Cururu mato-grossense, é de se admirar o que de fato o motiva a aprender”, conta a coordenadora.

“Não tem lugar que eu não canto, gosto de fazer parte dessa escritura. Poder continuar incentivando os mais novos na arte da viola é o que me motiva a escrever. Agradeço por ter essa oportunidade”, finaliza Martinho.

O programa

O Programa Mais MT Muxirum – palavra do tupi guarani que significa “mutirão”, “fazer juntos” – possui o desafio de erradicar o analfabetismo entre pessoas com mais de 15 anos, no Estado de Mato Grosso, nos próximos cinco anos.

Com investimentos de R$ 14,7 milhões ao ano, só no segundo semestre de 2021, a expectativa é atender mais de 48 mil pessoas em 60 municípios.

O Mais MT Muxirum contará com mais de 100 coordenadores e mais de 3 mil alfabetizadores.

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