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Terça, 05 Janeiro 2021 05:00

A lentidão que nos faltava

No confinamento, temos muito mais tempo à nossa disposição do que costumávamos ter. A velocidade não representa mais um valor; a pausa não é mais um luxo; e só quem possui o dom da lentidão pode se salvar com a ajuda da sabedoria, mantendo-se equidistante da paranoia das idas e vindas lotadas e da depressão da solidão sedentária.

A opinião é de Domenico De Masi, sociólogo italiano, autor entre outros de “Ócio criativo” (Ed. Sextante), em artigo publicado por Il Fatto Quotidiano, 27-12-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Se compararmos a dimensão do corpo humano e a velocidade máxima com que ele consegue correr, entende-se que o ser humano é um dos animais mais lentos do planeta. Talvez por isso ele sempre sonhou em construir próteses – da roda ao míssil – para compensar essa sua deficiência.

Mas a conquista da velocidade não foi acelerada uniformemente. A quase 2.000 anos de distância um do outro, se Júlio César e Napoleão quisessem abranger a distância entre Roma e Paris, levariam o mesmo tempo: algumas semanas a pé, uma semana de carruagem. A 200 anos de Napoleão, se nós também quiséssemos fazer o mesmo trajeto, bastariam apenas algumas poucas horas, mesmo sem gozar de privilégios imperiais.

Foi com o advento industrial que o desafio da velocidade acelerou as suas etapas: em 1903, o primeiro voo dos irmãos Wright durou 59 segundos em uma distância de 260 metros. Seis anos depois, em 1909, Filippo Tommaso Marinetti publicou o “Manifesto do Futurismo”: “Nós afirmamos que a magnificência do mundo se enriqueceu de uma beleza nova; a beleza da velocidade. Um carro de corrida com o seu capô adornado com grandes tubos semelhantes a serpentes de hálito explosivo... um automóvel que ruge, que parece correr sobre uma metralhadora, é mais belo do que a Vitória de Samotrácia”.

Precisamente naqueles anos, Tuiavii de Tiavea, um chefe indígena das Ilhas Samoa, teve a oportunidade de visitar a Europa e de escrever, com um afiado espírito de observação, uma espécie de reportagem antropológica sobre a tribo dos brancos por ele chamados de papalagui. “Acima de tudo – afirma – o papalagui ama aquilo que não se pode aferrar e que, no entanto, está sempre presente: o tempo. Os papalaguis afirmam que nunca têm tempo. Correm ao redor como que desesperados, como que possuídos pelo demônio e, por onde passam, levam a desgraça e o pavor por terem perdido o seu tempo. Essa loucura é um estado horrível, uma doença que não há médico que cure, que contagia muita gente e leva à ruína”.

Dezoito anos depois do “Manifesto Futurista”, em 1927, Lindbergh conseguiu voar de Nova York a Paris em 33 horas. Trinta e cinco anos depois, em 1961, Gagarin foi para o espaço, e, oito anos depois, em 1969, Armstrong pôs os pés na lua.

Epidemia vem de epídemos: o dia em que o deus chega à cidade. Antes que o coronavírus chegasse à cidade do homem, a cidade, atingida pela mosca da velocidade, produzia cada vez mais rápido para consumir e consumia cada vez mais rápido para produzir. Todo mundo estava correndo descontroladamente de um lado para o outro nos vastos espaços do planeta, pulando sem parar de um trem para um avião, de modo que o tempo nunca era suficiente.

Depois, de repente, o confinamento inverteu a situação: agora, blindados em casa, é o espaço que falta. Para ir de uma parede a outra da sala, de uma sala a outra do apartamento, bastam poucos segundos. Abolido o deslocamento entre a casa e o escritório, eliminadas as reuniões com amigos e clientes, o tempo se dilatou, e agora temos muito mais tempo à nossa disposição do que costumávamos ter. A velocidade não representa mais um valor; a pausa não é mais um luxo; e só quem possui o dom da lentidão pode se salvar com a ajuda da sabedoria, mantendo-se equidistante da paranoia das idas e vindas lotadas e da depressão da solidão sedentária.

No fim das contas, a lentidão e a velocidade são sensações relativas. No “Fedro”, Platão descreve Sócrates idoso e cansado que, em uma tarde ensolarada de verão, se refresca do calor: “Que belo lugar para fazer uma pausa! O plátano cobre tanto espaço quanto a sua altura. Em plena floração, o lugar não poderia ser mais perfumado. E o fascínio incomparável desta fonte que corre debaixo do plátano, o frescor das suas águas: basta o pé para me dizer. Mas o requinte mais refinado é este prado, com a doçura natural do seu declive que, quando nos deitamos nele, permite manter a cabeça perfeitamente à vontade”. No entanto, naqueles mesmos anos, Tucídides diz que os gregos “se afanam com dificuldades e perigos todos os dias das suas vidas, com pequenas oportunidades de desfrute”. Aristóteles despreza os comerciantes pela sua vida sem pausas.

Cinco séculos depois, é assim que Lucrécio descreve um rico romano: “Ele corre para sua casa de campo, chicoteando ansiosamente os cavalos, mesmo que a casa não esteja pegando fogo e ele não tenha que apagar as chamas. Então, assim que toca a soleira, ele instantaneamente boceja e cai em um sono profundo, buscando o esquecimento. Ou vai embora às pressas e com fúria, porque sente falta da cidade. Assim, cada um foge de si mesmo, daquele eu do qual, obviamente, não é possível fugir”.

Nenhum grego e nenhum romano da era clássica jamais viajou a uma velocidade superior à do cavalo ou trabalhou mais de cinco ou seis horas por dia. Nunca dois gregos ou dois romanos conseguiram ver e falar permanecendo a mais de 100 metros de distância um do outro. No entanto, nenhum filósofo depois de Platão ou depois de Sêneca jamais produziu reflexões tão vastas e profundas; nenhum artista depois de Sófocles ou depois de Fídias jamais criou obras-primas tão perfeitas; nenhum homem soube gerir o tempo e a vida de maneira tão equilibrada e com uma hierarquia de valores tão precisa: “A guerra visa à paz – diz Aristóteles –, o trabalho visa ao repouso, as coisas úteis visam às coisas belas”.

Na sociedade industrial, aceleramos tanto os nossos ritmos de vida a ponto de consideramos lentos aqueles guerreiros e aqueles comerciantes que pareciam frenéticos aos gregos. Mas, depois, chegou o coronavírus exterminador e nos prendeu a meses de súbita e inevitável lentidão. Nada de trens, nada de aviões.

A multidão dos atarefados, acostumados a cumprir as suas turbulentas atividades materiais, viram-se forçados a um lento e inusual seminário em tempo integral, propício para o exercício espiritual da lentidão, em que também se encontraram involuntariamente envolvidos as almas mais inexperientes e recalcitrantes à busca interior.

A reclusão e a calma impostas pelo vírus nos forçam a exercitar aquela reflexão que a convulsiva sociedade secularizada nos fizeram desaprender e que agora se revela aos nossos olhos e nos obriga a admitir a diferença entre necessário e supérfluo, consistente e fútil, adulto e pueril. Quanto mais o olhar se acalma, mais sentido ele capta nas coisas que vê e que, antes, às pressas, ficavam indiferentes. Assim, aquelas ideias, aqueles objetos finalmente dotados de sentido oferecem ao nosso pensamento mais espaço para relaxar, porque somente a lentidão é capaz de nos fazer captar e amar até mesmo as coisas mínimas, aquelas que os poetas encontram sem a necessidade de um confinamento: “Benditos sejam os instantes, e os milímetros, e as sombras das pequenas coisas”, invocava Fernando Pessoa.

Infelizmente, a lentidão, assim como o ócio, não é um assunto para principiantes. Requer vocação e treinamento. Mas é uma condição imprescindível para alimentar o espírito criativo, que, segundo o testemunho de Le Corbusier, “só se afirma onde reina a serenidade”.

Esta atual e inédita experiência de lentidão, cujo fim não se entrevê, talvez deva ser vivida como um exercício coletivo em vista do futuro próximo em que, confiando às máquinas todas as ações que requerem velocidade e precisão, finalmente restará aos humanos o tempo para saborear as alegrias da criatividade e da sensualidade, da política, da estética e da convivialidade.

 

A cena que mais se vê ultimamente na Grande Cuiabá é a fila nas farmácias. Uma busca alucinada por medicamentos que supostamente tem sucesso no combate ao coronavírus. A maioria não consegue os medicamentes e quando consegue é por preços exorbitantes, cinco a dez vezes maiores que os de seis meses atrás. Um problema que afeta o cidadão comum e toda a rede hospitalar pública e privada.
As filas e o desabastecimento de medicamentes são reflexos da atuação insuficiente do poder público e do oportunismo criminoso de alguns fornecedores. Em plena pandemia, hospitais aqui e em todo o país registram falta de insumos básicos, alguns fundamentais, como os medicamentos utilizados por pacientes que estão nas UTIs. Os estoques estão se esgotando e quando os medicamentos são encontrados, tem preços astronômicos, como é o caso dos anestésicos usados para sedação e dos bloqueadores neuromusculares para as intubações. Sem eles, a ventilação mecânica não pode ser feita de forma adequada e o paciente corre maior risco de morrer.
Está claro que existem especuladores, empresários desonestos se valendo da pandemia para ganhar dinheiro. Em situações de emergência, infelizmente, há sempre os oportunistas de plantão. Contra estes, a legislação atual é suficiente, desde que seja duramente aplicada.
Hoje já sabemos qual é a prioridade de medicamentos úteis no combate ao Covid-19. Precisamos abastecer a população internada e a que vem sendo tratada ambulatoriamente, mas com preços justos e sempre a partir do acompanhamento médico. Os pacientes do SUS precisam dispor da mesma oferta de medicamentos existente na rede privada, em todas as fases do tratamento. A assistência farmacêutica é uma garantia constitucional e um dos pilares do Sistema Único de Saúde e não pode ser relegada a um segundo plano.
Especuladores à parte, é certo que existe um desabastecimento real e precisamos de medidas urgentes para combatê-lo. Em virtude de alta demanda por medicamentos da terapia intensiva, a indústria não tem conseguido produzir com a necessária rapidez para atender as novas necessidades. Secretarias estaduais de Saúde informaram uma alta de mais de 700% na utilização desses medicamentos desde o início da pandemia. Hoje, a maioria deles é comprada diretamente pelos Estados e municípios ou pelos hospitais. Penso que a intervenção do ministério da Saúde junto à Anvisa e aos fabricantes também poderia facilitar estas compras.
Pessoas estão adoecendo e morrendo em escala sem precedentes, agravada pela falta de medicamentos e não podemos nos conformar com esta situação. Urge adotar também medidas que estimulem a produção destes medicamentos essenciais, a começar pela redução de tributos para produção e importação. Os legisladores podem dar uma contribuição importante neste aspecto. Se não tivermos indústrias suficientes, vamos usar as farmácias de manipulação, que funcionam como pequenas indústrias.
É louvável a atitude de alguns prefeitos que estão ajudando a população com medicamentos, mas eles precisam de ajuda dos governos estadual e federal e não podem distribuir remédios sem receita médica. Também não podemos permitir o surgimento de um mercado negro para os medicamentos do combate ao Covid. Por isso é fundamental que todos fiscalizem e denunciem, do cidadão comum aos gestores públicos e as instituições. A Ouvidoria do Tribunal de Contas também está à disposição para receber as denúncias sobre a falta de medicamentos.
A partir desta semana o TCE passa a quantificar e acompanhar o abastecimento dos estoques de medicamentos nas UTIs. Vamos entrar em contato com as 141 comissões de saúde dos municípios e os controladores internos e externos, para que nos auxiliem nesta fiscalização. É importante também estreitar a comunicação entre os hospitais públicos e privados para um amplo levantamento dos estoques disponíveis na Capital e no interior, estudando as possibilidades de remanejamento emergencial entre as instituições.
O poder público é fundamental na orientação da população para que não faça estoque de medicamentos e não use remédios sem receita.  Mais uma vez chamo a atenção dos gestores para que usem a rede básica de saúde para controle e estratégia desta logística. As equipes de atenção básica  e o exército de agentes comunitários de saúde  e de combate à endemias podem ajudar nesta importante missão .
Se já era difícil conviver com a falta de UTIs, respiradores e EPIs, agora temos o novo desafio da falta de medicamentos. Precisamos reagir e agora é ainda mais importante a união de todas as esferas do poder público, setor privado e sociedade organizada para que, juntos, possamos superar esta pandemia. A questão maior, o que realmente interessa, é a vida de cada cidadão.

*Guilherme Antonio Maluf é presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT)

 


 

O cuiabano Marsel Vieira de Paula Marinho, de 37 anos, foi uma das vítimas do novo coronavírus em São Paulo (SP), onde mora. Marsel não fazia parte do grupo de risco da Covid-19 e começou a sentir os primeiros sintomas há, aproximadamente, 15 dias. Antes de sofrer uma parada cardiorrespiratória no domingo (12), ele ficou uma semana internado na UTI de um hospital particular. 

A irmã de Marsel, Fernanda Vieira de Paula, viajou para a capital paulista por conta dos trâmites funerários. O cuiabano, que trabalhava como supervisor de auditoria, não pôde ser velado ou enterrado. Fernanda conta que o corpo seguiu direto para o crematório. 

De acordo com ela, a princípio, como ainda não havia testado positivo para Covid-19, Marsel estava sendo tratado apenas com o diagnóstico de pneumonia, apesar dos médicos já terem alertado sobre a possível infecção pelo novo coronavírus. 

Quando precisou ir para a UTI já foi tratado como paciente Covid-19, fizeram o isolamento, por mais que ainda não tivesse resultado. O teste ficou pronto depois de cinco dias. Demorou, mas os médicos já desconfiavam", lembra. 

Fernanda ressalta que a piora do irmão aconteceu bruscamente, já que, os boletins diários apontavam que o quadro dele era considerado como estável pelos médicos. Após ter alta da UTI, Marsel recebeu acompanhamento de uma fisioterapeuta como parte da recuperação. 

No entanto, ele não resistiu. A irmã conta que uma radiografia do pulmão mostrou aos familiares que apenas uma pequena parte do órgão não havia sido afetada. "Era só um 'pedacinho' tentando reagir. Não sabemos se ele teve uma crise de ansiedade, mas o pulmão entrou em colapso. Tentaram reanimar ele durante 30 minutos". 

Em fevereiro, Marsel esteve com a família para comemorar o aniversário de 37 anos, costume que se repetia em várias datas comemorativas durante o ano. Fernanda lembra que, apesar de morar em São Paulo, o irmão viajava muito para Cuiabá, onde vivem os familiares.

Formado em Cerimonial e Eventos pela Unic, ele foi funcionário da Fema, que passou a ser secretaria estadual de Meio Ambiente (Sema). Era casado com Samuel Marinho, quem cuidou de todas as questões hospitalares em São Paulo.

Situação em SP

A viagem para a capital paulista causou apreensão e para se prevenirem, Fernanda e o seu outro irmão, levaram máscaras, luvas e álcool em gel. Ela conta que a "impressão" é de que os paulistanos ainda não compreenderam a gravidade do vírus, já que muitas pessoas ainda circulam pelas ruas. 

Para conseguir desembarcar ela ainda precisou passar por uma barreira sanitária no aeroporto, onde equipes checavam a temperatura de cada um dos passageiros. Fernanda ressaltou que ninguém da família está com sintomas da doença, mas todos estão em alerta.

"Enquanto não acontece com uma pessoa da família as pessoas não acreditam. Os cemitérios estão lotados aqui, sai um corpo e entra outro, caixões lacrados e só dez pessoas por vez podem ficar no local do velório", lamenta. (Por: RD NEWS)

 

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