Tops da Semana

Tops da Semana (5)

O terapeuta Paulo Almeida é presidente do Instituto Terapêutico ILUMINAR que realiza , juntamente com o Espaço Alquimistas da Alma, 2 dias de Imersão – vivência com Ayahuasca. O evento 3º Despertando Curador Interno  - Temporada 2020 – será na Chácara Raio de Luz nos dias 28 e 29 de novembro. Para maiores informações, veja a  ilustração no final dessa esclarecedora entrevista sobre o tema. Boa leitura!

Blog da Condessa - Por favor, comente sobre sua experiência/ vivência com práticas terapêuticas, de imersão.

Paulo Almeida - Há cerca de seis anos iniciei a minha busca ao que chamo de novo ciclo depois de longos 35 anos de serviço público, e fui estudar. Após a minha formação na UFMT em Pedagogia , continuei meus estudos. me certifiquei e me habilitei como psicoterapeuta reencarnacionista. Na sequência como practitioner em PNL, seguido de coach na abracoachin e também como master coach. Após  vieram outras formações em terapiasholísticas, regressivas, verbais e vibracionais, energéticas. Já mais tarde viria a psicanálise para complementar os meus conhecimentos, e todas objetivando uma vida economicamente ativa voltada para o meu autoconhecimento, para a auto busca e, consequentemente, para ajudar ao outro a olhar-se, se livrar e se libertar de dores, traumas, desconfortos. Enfim, de suas enfermidades. Nessa jornada participei de algumas imersões terapêuticas e algumas voltadas para o coaching que confesso deram origem à ideia de também promover esses movimentos que me foram tão bons e significativos tanto quanto foram os primeiros que realizamos.

Blog da Condessa – O que é a Ayahuasca?

Paulo Almeida - A Ayahuasca é produzida a partir de dois vegetais que são o cipó conhecido como Jagube e a Chacrona (Psychotria viridis), que é a rainha. Dessa união, faz-se o chá.

Blog da Condessa - Oque o público participante pode esperar do 3º Despertando o Curador Interno?

Paulo Almeida – A IMERSÃO Despertando o Curador Interno tem por objetivo ajudar pessoas a olhar-se, a autoconhecer-se de uma maneira que jamais o fizeram. A reencontrar-se com seu corpo e tirar proveito do que há de melhor nele. Unir e alinhar corpo, mente e espírito. A interagir com o outro e consigo mesmo à partir de vivências, técnicas, ferramentas, recursos e estratégias terapêuticas e que ajudarão em sua transformação, se, e a partir do momento em que se permitir dar esse novo passo ,fazer esse up grade rumo a sua ascensão, progresso e desenvolvimento. Enfim, à sua transcendência–um dos objetivos para o qual viemos a este plano novamente. Entendemos que aquelas pessoas que se predisporem e se inscreverem, estão prontas para renunciar ao que as afligem ,do que as deixa enferma, rumo a uma vida mais saudável.

Blog da Condessa - O grupo atua há quanto tempo?

Paulo Almeida - Se formos analisar individualmente, em relação aos terapeutas, há pessoas da equipe que atuam há mais de 20 anos. Já outros, são mais recentes – de seis a oito anos. Juntos nos aliamos para a criação do Instituto Terapêutico ILUMINAR há aproximadamente um ano e meio.

Blog da Condessa - Como é o ritual realizado com o uso da planta Ayahuasca?

Paulo Almeida - A comunhão com a Ayahuasca se dá com objetivo religioso e de se conectar com seu Eu Superior. Busca-se uma concentração orientada e proposital para que após a ingesta do vegetal a conexão se efetive, ou seja, do nosso Eu inferior com o Eu superior de cada um e daí, a expansão da Consciência. É nesse estado, de concentração que recebemos as orientações do Ser Divino.

Blog da Condessa - A pessoa que vai pela primeira vez comungar a Ayahuasca conta com uma pessoa mais experiente para auxiliá-la, se necessário, durante todo o trabalho?

Paulo Almeida – Todas as pessoas que comungam a Ayahuasca pela primeira vez preenchem uma ficha, a Ficha de Anamnese. Em seguida passam por uma entrevista com o Fabiano Oliveira, que comunga a Ayahuasca há 15 anos e é Mestre na Ayahuasca. Aliás, ambos são mestres, o Fabiano e a sua esposa Márcia Sanches que está há mais de 25 anos comungando a Ayahuasca.  As pessoas são acompanhadas e assistidas todo o tempo durante as sessões, tanto por ele e sua esposa quanto pela sua equipe.

Blog da Condessa - Quem dirige os trabalhos com Ayahuasca?

Paulo Almeida - Quem dirige os trabalhos é o Fabiano da Silva Oliveira, ele e sua esposa são os proprietários e fundadores do Espaço Alquimistas da Alma, ambos com uma longa experiência nas vivências com a Ayahuasca, oriundos da linha do Mestre Francisco da Cultura Cósmica.

Blog da Condessa - O que acontece depois que ingere a Ayahuasca?

Paulo Almeida - Após a ingestão do chá os resultados irão depender muito do estado de espírito em que se encontra a pessoa, haja vista sua individualidade. Pode não acontecer absolutamente nada devido ao nervosismo, ansiedade da pessoa e isso é normal, está tudo certo. Entretanto, se a pessoa já tem um espírito mais elevado, mais aberto a receber essa medicina, aí a pessoa terá expandida sua consciência, irá se autoconhecer. Esse é um dos grandes resultados, levar a pessoa a fazer uma reflexão de quem ela é.

Blog da Condessa -  O que é possível, provável sentir durante a vivência/ processo?

Paulo Almeida - Quando a pessoa se entrega e se envolve ao propósito de se autoconhecer e se conectar com o seu Eu Superior para receber as orientações que busca, tudo é possível. Entretanto, esses resultados são muito subjetivos e dependem de pessoa para pessoa, conforme sua constituição e individualidade cósmica.

Blog da Condessa - A pessoa fica inconsciente?

Paulo Almeida - Não! De maneira alguma. A pessoa irá permanecer totalmente consciente. A pessoa terá plena consciência de si mesma e de quem ela é.

Blog da Condessa - Qual o propósito de vivências com ervas de poder?

Paulo Almeida - A ingesta da medicina da floresta quando realizada deve servir a um único propósito: o de encontrar a própria cura e autoconhecimento. Quaisquer outros propósitos que não sejam estes são desconhecidos por nós.

Blog da Condessa - A vivência tem sustentação espiritual e física?

Paulo Almeida - Com certeza. Toda nossa ritualística é realizada com a devida sustentação espiritual, caso contrário nada alcançaríamos em relação aos propósitos de cada um.

Blog da Condessa - Qual a necessidade de pernoitar no local da vivência?

Paulo Almeida - A ideia de pernoitar no local se prende a energia local. Uma magia agradável e salutar em razão da praticidade logística, o cronograma de atividades o dia todo nos dois dias, a vivência com o vegetal no primeiro dia, no sábado, considerando ainda que a dispersão dos inscritos e da equipe poderia impossibilitar todo itinerário previsto para os atendimentos individuais e em grupo.

Blog da Condessa - Como faço para me inscrever e garantir minha vaga?

Paulo Almeida - Criamos uma Ficha de Inscrição que pode ser encaminhada via whatsapp para a pessoa interessada que por sua vez a imprime, assina e devolve a quem mediou seu contato. Na  sequência, ficará sabendo como proceder para realizar a aplicação financeira que garantirá a sua participação.

Blog da Condessa - Há limite de vagas?

Paulo Almeida – São 25 vagas. Número esse considerado possível e tranquilo de pessoas para receberem com total segurança todo cuidado que iremos dispensar a eles, bem como tratar as questões que nos forem informadas com o devido cuidado, zelo, sigilo, ética e qualidade.

 

A Editora da Universidade Federal de Mato Grosso já publicou 702 livros, sendo 641 livros físicos/impressos e 61 e-books. À frente da coordenação da Editora da Universidade Federal de Mato Grosso (EdUFMT) desde o dia 20 de março de 2020, Francisco Xavier Freire Rodrigues também é professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Sociologia, professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea e professor do Departamento de Sociologia e Ciência Política da UFMT. Francisco Xavier Freire Rodrigues é bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), além de possuir mestrado e doutorado em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Nesta entrevista exclusiva ao Blog da Condessa, o coordenador da Editora da UFMT comenta sobre o acervo da editora universitária, da relevância da EdUFMT no fomento à leitura, sobre os livros premiados e a produção literária de autores mato-grossenses, bem como da difusão universitária, entre outros. Confira!

Blog da Condessa - Há livros premiados na editora da UFMT? O que significa/ representa esse prêmio para a literatura de Mato Grosso? 

Francisco Xavier Freire Rodrigues- Merece destaque nesse contexto o livro “Foi Assim - Vidas, olhares e personagens por trás dos processos trabalhistas em Mato Grosso”, produzido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT-23), com apoio da Universidade, por meio da Editora, que conquistou o primeiro lugar na categoria Publicação Especial do Prêmio Nacional de Comunicação e Justiça, concedido pelo Fórum Nacional de Comunicação e Justiça, no mês de junho de 2018. A premiação foi muito importante para a nossa Editora e para a sociedade de Mato Grosso em geral.

Blog da Condessa - O acervo da EdUFMT é basicamente de livros científicos? Há outros temas, áreas? 

Francisco Xavier Freire Rodrigues - Livros acadêmicos. Obras integrais e coletâneas das diferentes áreas do saber/conhecimento. Os títulos publicados versam fundamentalmente sobre o Regionalismo, a Cultura, a Educação, a Geografia, a História, o Agronegócio, as diferenças de gênero e raça, os povos indígenas e as relações de poder do Estado de Mato Grosso.

Blog da Condessa - Por favor, sugestões de leituras para adultos e crianças.

Francisco Xavier Freire Rodrigues - Para crianças sugerimos as seguintes leituras: A natureza agredida pede para ser respeitada (Moreira de Acopiara); Chapeuzinho Amarelo (Chico Buarque); Adivinha quanto eu te amo (Sam McBratney); Cospe fogo o Dragão (Luciene Regina Paulino Tognetta); Marcelo, Marmelo, martelo (Ruth Rocha). Para jovens e adultos as dicas de leituras são: De Aluísio Azevedo: “O Cortiço”; de Carlos Drummond de Andrade: “A Rosa do Povo” e “Claro Enigma”; de Lima Barreto: “Triste Fim de Policarpo Quaresma”; de Machado de Assis: “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e “Dom Casmurro”;  de Nelson Rodrigues: “Vestido de Noiva” e “A Vida Como Ela É”; de José Lins do Rego: “Fogo Morto”; de Guimarães Rosa: “O Grande Sertão: Veredas” e “Sagarana”. Outras sugestões são: Eleanor & Park, de Rainbow Rowell; Quem é você, Alasca?, de John Green; As Vantagens de Ser Invisível, de Stephen Chbosky; A Arte de Produzir Efeito sem Causa, de Lourenço Mutarelli; Sobre os Ossos dos Mortos, de Olga Tokarczuk; O ano do pensamento mágico, de Joan Didion; Don Juan (Narrado por Ele Mesmo), de Peter Handke; A revolução dos bichos, de George Orwell; Sapiens: História Breve da Humanidade, de Yuval Noah Harari.

Blog da Condessa - Na sua opinião, sinônimo de ler é? 

Francisco Xavier Freire Rodrigues - Ler é decodificar a vida. Ler é decifrar o mundo real e imaginário. Ler é reconhecer e identificar as múltiplas realidades e aprender coisas novas. Ler é captar, pronunciar, articular, proferir, recitar. Ler é adentrar um mundo novo, uma viagem no mundo das letras e no mundo do conhecimento, da imaginação e abrir as portas para inúmeras realidades. É uma maneira de constituir a identidade do indivíduo, da formação humana. A leitura é sem dúvida uma das formas do exercício da liberdade, da autonomia individual e de cultivo da imaginação. Acreditamos que quem lê amplia o olhar, torna-se mais tolerante ao perceber na visão do outro formas de alargar a sua própria visão das coisas. Quem lê certamente fala e escreve melhor, consegue ter uma percepção mais crítica de tudo.

Blog da Condessa - Em 2019, a UFMT fez um lançamento coletivo de livros produzidos por pesquisadores. Qual foi o objetivo da ação?

Francisco Xavier Freire Rodrigues - Ressaltamos que em 2019 a EdUFMT promoveu um lançamento coletivo de obras, aberto ao público, no qual estiveram presentes autores das produções bibliográficas, convidados e integrantes da comunidade interna e externa, oportunidade em que foi possível divulgar de maneira ampla boa parte das obras editadas naquele ano. O objetivo desta ação foi aproximar a sociedade, a EdUFMT, os autores e os leitores, contribuindo com a população da ciência. Mostrar a relevância social e cultural do conhecimento e das publicações da nossa EdUFMT. Os leitores tiveram a oportunidade de conversar, dialogar e tirar dúvidas com os autores/escritores. Isso significa dar “vida” aos saberes, ao conhecimento e à ciência. Eventos desta natureza permitem a socialização das produções intelectuais, fazendo com que a Universidade preste contas a sociedade.

Blog da Condessa - Cite, por favor, outros eventos relevantes.

Francisco Xavier Freire Rodrigues  - Dentre os eventos dos quais a EdUFMT participou em 2019, podem ser citados: Seminário de Educação 2019 (evento de alcance regional e nacional); XII Encontro Nacional de pesquisadores de Ensino de História 2019; e 2º Seminário de Filosofia Clássica Alemã 2019. Além disso, foram levados materiais para doação em outros eventos, como XIV Semana Acadêmica de Filosofia 2019, Áfricas – X Pluralidade Cultural – IFMT Campus Cuiabá 2019, XIV ENECOMAT 2019 e, também foram realizadas doações para bibliotecas escolares da rede pública de ensino, a saber: Biblioteca da Escola Estadual Ernesto Che Guevara (Escola do Campo em Tangará da Serra) e Biblioteca da Escola Municipal Napoleão José da Costa (Várzea Grande). Como associada da Associação Brasileira das Editoras Universitárias (Abeu), a EdUFMT participa regularmente dos seus eventos que são realizados em diversos lugares do país. Nesses espaços, foi possível divulgar as obras da EdUFMT para professores da rede de educação básica, professores da graduação e pós-graduação da UFMT e de outras instituições de Ensino Superior, estudantes de graduação e da pós-graduação, pesquisadores e comunidade externa de modo geral. 

Blog da Condessa - É relevante, consistente, substancial a produção literária de autores mato-grossenses, bem como da difusão universitária? 

Francisco Xavier Freire Rodrigues - Não temos dúvidas de que Mato Grosso é um estado rico do ponto de vista cultural e intelectual. A missão da EdUFMT é editar, coeditar, reeditar e divulgar produções acadêmicas relacionadas ao ensino, à pesquisa e à extensão, ampliar o incremento à publicação da produção científica, bem como apoiar a promoção das iniciativas de edições culturais e artísticas. Cumprindo esse compromisso institucional e com a comunidade em geral, a Editora deu sequência às publicações. Ao longo de quase três décadas a Editora publicou centenas de livros e inúmeros periódicos por ela coeditados. Encontra-se hoje entre uma das Editoras Universitárias que mais publica por ano. Os títulos lançados versam fundamentalmente sobre regionalismos, cultura, educação, geografia, história, agronegócio, diversidades, povos indígenas e relações de poder do Estado de Mato Grosso. São muitas as personalidades da literatura de Mato Grosso. Marilza Ribeiro, Tereza Albuês, Hilda Gomes, Padre Antonio Rodrigues Pimentel, Flávio José Ferreira, Aclyse de Matos, Hilda Gomes Dutra Magalhães, Ricardo Guilherme Dicke, Manoel de Barros, João Antonio Neto, Waldemir Dias Pino, Silva Freire, Lobivar de Matos, entre outros. A EdUFMT já publicou 702 livros, sendo 641 livros físicos/impressos e 61 E-books. 

Blog da Condessa -  Quantos livros, obras publicadas nos últimos cinco anos pela editora da UFMT? Comente, por favor, os mais importantes. 

Francisco Xavier Freire Rodrigues -  Publicamos cerca de 200 livros nos últimos cinco anos. O nosso acervo pode ser encontrado no endereço https://www.edufmt.com.br/.  Não vou comentar os mais importantes para não cometer injustiça com os nossos autores. 

Blog da Condessa - Quantos lançamentos previstos para este ano e para 2021?

Francisco Xavier Freire Rodrigues - Estamos finalizando a publicação de livros de dois editais de 2019, com cerca de 18 novos livros. Temos também cerca de 18 livros para serem publicados em 2020 dos editais deste ano. Os lançamentos dos livros deste ano não estão ainda agendados devido à pandemia.  

Blog da Condessa - Na sua opinião, o confinamento doméstico imposto pela pandemia do novo coronavírus estimulou a leitura?

Francisco Xavier Freire Rodrigues - Especialistas afirmam que o confinamento doméstico imposto pela pandemia do novo coronavírus tem se apresentando como uma excelente oportunidade para aproximar pais e filhos em torno da leitura. Distanciamento social fez crescer a demanda por leitura em alguns países, e e-books têm recebido mais adesão. Em países como Itália, livrarias foram autorizadas a voltar a funcionar. O período de distanciamento social tem levado a um aumento na venda de livros em diversos países no mundo. Com as pessoas passando mais tempo em casa, a demanda por produtos culturais aumentou de forma geral, e obviamente que a leitura de livros foi impactada positivamente. Na Inglaterra, a procura por livros cresceu cerca de 33% em relação ao mesmo período em 2019, e as vendas online tiveram um aumento de 400% na comparação com o ano passado. Esta mesma tendência também se fez presente na Espanha, um dos locais mais atingidos pela pandemia. Conforme dados divulgados pela Libranda, uma das principais editoras e distribuidoras de livros do país, o crescimento mais relevante e significativo se deu nos livros digitais: um aumento de 50% na demanda no mês de março, em comparação com 2019. Com o isolamento social, o tédio das pessoas tem levado a fazer coisas novas e também retomar velhos hábitos. A leitura foi beneficiada neste sentido. O 4º Painel do Varejo de Livros no Brasil em 2020 revelou que, no período de 23 de março a 19 de abril, os e-books e vendas on-line de livros físicos aumentaram consideravelmente. Nesta mesma direção, a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil mostrou que a plataforma Estante Virtual, que reúne sebos e livrarias de todo o país, aumento de 50% em abril, em comparação ao mesmo mês do ano passado.

Blog da Condessa -Quem lê amplia o olhar, torna-se mais tolerante ao perceber na visão do outro formas de alargar a sua própria visão das coisas. Quem lê, consegue ter uma percepção mais crítica de tudo. Concordas?

Francisco Xavier Freire Rodrigues - Claro. Quem lê consegue perceber e vivenciar novas experiências. Além de uma consciência crítica da realidade social, o leitor consegue vivenciar, criar e intervir na realidade com mais qualidade e conhecimento de causa. A leitura permite a humanização do homem e amplia seus horizontes de ação e percepção.

Blog da Condessa - É possível cultivar o gosto pela leitura aproveitando as possibilidades abertas pela tecnologia da informação?

Francisco Xavier Freire Rodrigues - Acreditamos que é possível cultivar o gosto pela leitura aproveitando as possibilidades abertas pela tecnologia da informação. Verificamos que muita gente resolveu, nesta quarentena, ler para crianças e adultos em vídeos e intervenções ao vivo pelas redes sociais. Percebe-se também que alguns autores, mais talentosos com os novos meios, estão inclusive animando os próprios poemas e livros. É possível aproveitar a interface entre livros e jogos eletrônicos na internet ou em dispositivos sem conexão. Em alguns jogos têm narrativas contadas. O encadeamento das ideias, como o jogo é organizado, desperta o interesse das crianças e desenvolve habilidades. Tem livros que falam dos personagens dos jogos, o que certamente, de alguma forma, pode estimular a leitura das crianças e dos jovens. Não há dúvidas de que a disponibilidade dos recursos trazidos pela internet e dos aparelhos eletrônicos facilita o acesso aos livros, bem como reforça a necessidade dos pais lerem precocemente para suas crianças. As crianças maiores têm lido também nos tablets, computadores e outros. Depois que desenvolverem o gosto pela leitura, crianças leem em todos os ambientes. Com mais tempo em casa, devido ao confinamento, é possível dedicar um tempo para a leitura. No entanto, consideramos que é muito cedo para saber qual o real impacto no mercado do livro, mas já estamos vendo um aumento no número de pessoas que usam os serviços de subscrição de leitura digital para acessar os livros. Pesquisas indicam que desde meados de março, chegaram centenas de novos usuários ao Scribd. Obviamente que isso porque as pessoas estão ficando em casa. Faz sentido que busquem conteúdos digitais e esse conforto e entretenimento durante este período. Percebemos que muitas pessoas estão ansiosas por ler neste momento. Estão com fome de recomendação de livros e criando clubes de leitura virtuais. Por isso que acreditamos que estamos vivendo um grande momento para que os editores e autores se comprometam com seu público on-line e também aproveitem as oportunidades de distribuição digital para fazer com que seus livros eletrônicos e audiolivros cheguem a todos os leitores possíveis.

Blog da Condessa - O senhor também escreve? Caso afirmativo, tens livros publicados?

Francisco Xavier Freire Rodrigues - Sim. Escrevemos basicamente livros e artigos acadêmicos, resultados de investigações científicas que realizamos na Universidade.  Os livros publicados são resultados de projetos de pesquisa, desenvolvidas no mestrado, no doutorado e no trabalho de investigação que realizamos na UFMT e nos Programas de Pós-Graduação em Sociologia e no PPG em Estudos de Cultura Contemporânea. Livros que publiquei: “A Formação do Jogador de Futebol no Sport Club Internacional” (Paco Editorial); “O FUTEBOL DE VÁRZEA NA COMUNIDADE SÃO GONÇALO BEIRA RIO” (EdUFMT), em parceria com o Allan Kardeck Benitez Acosta,  O fim do passe e a modernização conservadora no futebol brasileiro Estudo sobre os impactos da Lei Pelé (Lei 9.615/1998) no mercado futebolístico brasileiro. Temos 11 capítulos de livros sobre temas diversos (esporte, educação, segurança pública) e 49 artigos científicos publicados em periódicos acadêmicos de diferentes Universidades brasileiras e estrangeiras. 

Blog da Condessa - O acervo da EDUFMT é digital e gratuito, ou algumas obras apenas?

Francisco Xavier Freire Rodrigues -  O acervo da EdUFMT é híbrido. Somente os e-books é que estão em versão digital e com acesso gratuito. Foram publicados 61 E-books e 641 livros físicos. Também temos algumas obras impressas que são gratuitas e o restante tem um preço bem acessível.

Blog da Condessa - Qual a importância da EdUFMT no fomento à leitura? 

Francisco Xavier Freire Rodrigues - Ao longo da sua existência a EdUFMT já publicou mais de 700 livros diferentes, sobre os mais diversos temas de importância local, regional, nacional e global. Por ser uma Editora de uma Universidade Pública, ela tem publicado e divulgado livros com preços acessíveis para públicos diversos. Neste sentido, a nossa EdUFMT desempenha papel fundamental na divulgação da produção intelectual da comunidade acadêmica da UFMT e se constitui como ator importante no fomento a leitura. Ao publicar e divulgar os livros frutos de pesquisas dos nossos escritores, a EdUFMT possibilita que os conhecimentos e saberes sejam socializados com a comunidade mato-grossense e brasileira. Os e-books são fundamentais no sentido de possibilitar o acesso ampliado ao conhecimento. A EdUFMT cumpre a importante missão de popular a ciência e aproximar Universidade e a sociedade. 

Blog da Condessa - Que ações você considera válidas para ampliar o acesso ao livro?

Francisco Xavier Freire Rodrigues - Ao longo desses anos a EdUFMT promoveu politicas de doação de livros para bibliotecas e acervos de escolas, universidades e instituições de ensino no país, por meio de termos de doação e registro. Atualmente finaliza o programa de venda a baixo custo de livros para estudantes atendidos pelos programas de assistência estudantil da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil- PRAE, a ser efetivado em agosto. Outras ações visam ampliar programas de publicação de livros digitais, com acesso gratuito e programas de descontos nas vendas de livros. Divulgação forte dentro da própria universidade, promoções, participação em eventos, entre outros. A partir desse conjunto de ações, a EdUFMT tem garantido a manutenção de sua principal função: a divulgação de trabalhos acadêmicos que contenham questões de relevância social, através da divulgação da história, cultura e artes do Estado de Mato Grosso.

Blog da Condessa - A editora da UFMT tem projetos financiados, incentivos para as publicações? 

Francisco Xavier Freire Rodrigues -  A Editora captou recursos para projetos e convênios com a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel/MT) e o IFMT, na ordem de 242 mil reais para publicações. Além disso, custeou com recursos próprios a impressão para distribuição gratuita nas escolas, hospitais e comunidade do Estado de cinco mil exemplares do livro infantil Coronavirus, do #MTCiência, como uma das estratégias de prevenção e enfrentamento da Covid-19. A EdUFMT conseguiu atender as demandas de publicações de pesquisadores do quadro da universidade com publicações - financiadas - de projetos de pesquisa, convênio, parcerias e coedições. Merece destaque todas as publicações feitas dos Planos Municipais de Saneamento Básico (PMSB) para 109 municípios com até 50 mil habitantes, rendendo a Mato Grosso o título de único estado do Brasil com 100% dos seus municípios com um instrumento de planejamento dos PMSBs. Registramos também a construção do projeto “Cuiabá 300 Anos”, com publicações a serem financiadas com recurso de emenda parlamentar e o início dos estudos técnicos para a realização da cooperação da UFMT, via Editora, e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (IFMT) para a realização do seu edital interno de publicação de obras digitais, tendo como parceira a Fundação Uniselva.

Blog da Condessa - A editora permite a aquisição de livros com desconto? E o setor de vendas? Há funcionários, estagiários?

Francisco Xavier Freire Rodrigues -  Sim, mas só quando fazemos saldão. Temos descontos para compra de livros quando o professor indica um título para a turma. Ele nos manda a lista com os nomes dos alunos e damos desconto. Também fazemos algumas promoções. No Setor de Vendas da EdUFMT, temos um funcionário e dois Estagiários. Uma no período matutino e outra no período vespertino.  A livraria conta com pessoal para atendimento no horário comercial. Ela recebeu móveis novos recentemente e tem centenas de livros expostos. Também fazemos vendas online.

Blog da Condessa - Há títulos da editora disponíveis em livrarias da cidade?

Francisco Xavier Freire Rodrigues - Só vendemos nossos títulos na livraria da editora, em eventos e através do site da EdUFMT https://www.edufmt.com.br/.

Blog da Condessa - Dicas de leitura da produção regional encontrada na  editora, por favor.

Francisco Xavier Freire Rodrigues  - Salvando Dino, Trilogia Cuiabana, Identidade e Território, Nova História do Mato Grosso Contemporâneo, entre outros.

Blog da Condessa - Por fim, quais projetos futuros para a editora você pode adiantar que deverão acontecer ainda este ano ou no próximo?

Francisco Xavier Freire Rodrigues - Elevar a quantidade de publicações com o selo da EdUFMT por meio de Editais para pesquisadores vinculados à UFMT. Criar campanhas de divulgação e circulação da produção bibliográfica da Editora para a comunidade externa e interna. Publicar obras com recurso da UFMT. Publicar obras com recursos do autor/pesquisador ou entidade de apoio. Desenvolver novas formas de divulgação/circulação das obras publicadas. Esperamos para 2021: 10 obras publicadas (publicar obras com recurso da UFMT); 20 Obras publicadas (publicar obras com recursos do autor/pesquisador ou entidade de apoio); Inserção na programação da TVU; Participação em eventos de grande circulação; Divulgação de livros nas redes sociais da Editora e Realização de eventos de lançamentos de livros.

Domingo, 31 Mai 2020 06:00

Uma jornada interior

Sathya Dhara Yaga, 44, é terapeuta quântica vibracional. Atua há 10 anos. Entre as várias ferramentas evolutivas de autoconhecimento e desenvolvimento que ela trabalha, o destaque no momento é a Mesa Quântica Estelar. Justamente por não precisar ser presencial, pode ser feita à distância. Segundo Dhara, o retorno é imediato. “Em uma semana já se percebe significativas mudanças. Quando se trabalha com energia o resultado é muito rápido”. Confira a seguir a entrevista na íntegra.

Blog da Condessa - O que é mesa quântica estelar?

Sathya Dhara - Não é adivinhação, nem previsão do futuro. É uma técnica que une a radiestesia eradiônica, símbolos e a psiônica. E, através das energias positivas podem ajudar o ser humano no seu desenvolvimento pessoal. Auxilia no progresso e evolução espiritual . Como tudo é energia, a mesa vai fazer um escaneamento das energias que estão em desequilíbrio na vida da pessoa. Esse desequilíbrio normalmente é momentâneo. A mesa vai ajustar tudo o que está em desequilíbrio no seu campo. Lembrando que 50% ela atua , limpa e organiza  e ajusta dentro do campo vibratório e 50% fica para o seu livre arbítrio depois da consciência do trabalho da mesa. A duração do tratamento da mesa quântica é de 90 dias.

Blog da Condessa - Há toda uma questão espiritual envolvida?

Sathya Dhara  - Sim. O espírito é energia.

Blog da Condessa - Há quanto tempo atua com terapeuta quântica?

Sathya Dhara - Há aproximadamente sete anos. Já ao longo de uma década atendi inúmeras pessoas nas mais diversas técnicas.

Blog da Condessa - Qual o perfil do público que a procura?

Sathya Dhara - 80% de mulheres que desejam autocura, mudanças, transformações. No entanto, a principal busca é pelo autoconhecimento.

Blog da Condessa - Há casos mais complexos com tratamento mais prologado?

Sathya Dhara - Há também pessoas que querem estender o tratamento para o seu autodesenvolvimento.  Começo a orientá-la e me torno a sua mentora no sentido de direcionamento e desenvolvimento pessoal.

Blog da Condessa - Dá pra sentir o efeito na primeira sessão?

Sathya Dhara - Por mais sutis que sejam as mudanças, elas ocorrem. Quando você para e se auto-observa tem percepções que mudaram seja no emocional, na vibração, na perspectiva de vida. Enfim, a mesa permite o autoconhecimento, ela vai mostrar o que está em desequilíbrio.

Blog da Condessa – Você atende pessoas de todo Mato Grosso e também de fora do estado?

Sathya Dhara - Acontece inclusive com pessoas que estão fora do país.

Blog da Condessa - Em tempos de distanciamento social o tratamento pode ser feito à distância?

Sathya Dhara - Sim, Tranquilamente. No caso do presencial, utiliza-se uma ferramenta aliada a outras. No caso da mesa quântica eu até prefiro que seja à distância.

Blog da Condessa - Como funciona, há uma técnica?

Sathya Dhara - A técnica é desenvolvida através da radiestesia, da psiônica e da física quântica. Ela tem todo um amparo dessas três técnicas. Cada símbolo da mesa tem um significado e depois que o pêndulo mostra os símbolos em que deve atuar, fazemos o envio de energias. A mesa atua durante três meses. Trabalha tudo o que está em desequilíbrio na vida das pessoas, inclusive as passadas. A duração do tratamento é de três meses. “Eu envio o aúdio das ferramentas que saiu pra pessoa e a devida orientação com direito a três perguntas objetivas.

Blog da Condessa -Para quais casos?

Sathya Dhara -  Problemas afetivos, de saúde, financeiros, profissionais, nos negócios, energias nocivas, desequilíbrio dos chakras, limpeza dos espaços, corte de laços cármicos e quebra de contratos.

Blog da Condessa - Quais os benefícios?

Sathya Dhara - Ela atua em todos os campos da sua vida. Profissional, pessoal, afetivo, familiar e atua também na saúde mental, física, espiritual e energética. A mesa mostra frequências e energias de campo.

Blog da Condessa -O que é a análise cármica?

Sathya Dhara  - A minha forma pessoal de ver essa análise cármica é porque ocorre uma energia que fica estagnada em decorrência de negligências acumuladas ao longo dessa vida ou de passadas. Então na hora da leitura energética nós conseguimos fazer a leitura, pois existe um excesso daquela energia ali bloqueando a sua vida e não permitindo fluxo.

Blog da Condessa -Quanto aos resultados, o que a pessoa pode esperar da Mesa Quântica?

Sathya Dhara - Há muitas transformações. Entre elas, a consciência, a mudança vibratória, o autoconhecimento e a proposta para um auto desenvolvimento.

SERVIÇO

Mesa Quântica Estelar

Contato: (66) 9643 8121

Valor: R$ 232,00

Angela Regina Gama da Silveira Gutierres Gimenez é juíza da 1ª Vara Especializada de Família e Sucessões de Cuiabá. A magistrada, ex-presidente do  Instituto Brasileiro de Direito de Família de Mato Grosso (IBDFAM-MT), é formada pela PUC/SP e possui cursos de pós graduação. Também é conferencista nacional e internacional e foi condecorada com o título de Embaixadora da Guarda Compartilhada, em 2016. Em entrevista ao Blog da Condessa, a magistrada explica que a “a alienação parental quase sempre é praticada após a separação onde os genitores se encontram em grande estado de vulnerabilidade”. A juíza pontua ainda quais são os impactos da alienação parental para os filhos, quem mais comete a prática e quais são as punições previstas na legislação. Conforme ela, os prejuízos para as crianças são inúmeros. Confira:

 

Blog da Condessa - O que é alienação parental?

Angela Gimenez - A alienação parental é toda a prática capaz de debilitar um parente, quase sempre um dos genitores para uma criança ou adolescente. É um fenômeno psíquico que implanta falsas memórias com o fim de afastar aquele genitor, a ponto de nos casos mais graves a criança ou adolescente passar a odiá-lo. No Brasil, o combate à alienação parental vem previsto através da Lei 12.318/10 que já no seu início afirma: “Considera-se ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este”.

 

Blog da Condessa - Como se manifesta no dia-a-dia? Cite exemplos, por favor.

Angela Gimenez - A forma de manifestação é múltipla, pois se dá por toda a expressão de desvalor ao parente alienado, podendo, portanto, ser um gesto, palavras, atitudes, um sentimento, entre outros. A alienação parental é uma forma de abuso emocional. A lei traz exemplos expressos de como se pode caracterizar um ato de alienação parental. Mas além das situações trazidas no art. 2º da lei, muitas outras maneiras podem ser reconhecidas. A lei fala, por exemplo, em: realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor, no exercício da paternidade ou maternidade; dificultar o exercício da autoridade parental; dificultar contato de criança ou adolescente com genitor; dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar; omitir deliberadamente a genitor informações pessoais relevantes sobre a criança ou adolescente, inclusive escolares, médicas e alterações de endereço; apresentar falsa denúncia contra genitor, contra familiares deste ou contra avós, para obstar ou dificultar a convivência deles com a criança ou adolescente e, mudar o domicílio para local distante, sem justificativa, visando a dificultar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor, com familiares deste ou com avós. É visível quando um genitor começa a dificultar ou impedir o convívio do filho com o outro, utilizando-se de justificativas frágeis, tais como: hoje ele não pode ir porque esta enjoadinho ou porque marcamos um passeio ou ainda porque tem aula de catecismo, entre outros.

 

Blog da Condessa - Ela pode ocorrer de forma involuntária?

Angela Gimenez - A alienação parental quase sempre é praticada após a separação onde os genitores se encontram em grande estado de vulnerabilidade. O luto da separação é elevado, pois todos que se relacionam nutrem o sentimento de que aquela união será para sempre. É o que chamamos de “o mito do amor eterno”. Com isso, as pessoas não se preparam para as situações de separação e acabam sentindo uma dor profunda pela frustração daquilo que deveria ser para sempre e não foi. Nesse momento um vazio muito grande toma conta da pessoa que acaba por se afastar dos seus sonhos e de suas realizações existenciais transferindo para o filho a única forma de gratificação que tem na vida. Para uma pessoa que se sente vazia e sem perspectiva fica fácil usar do filho como única forma de ser vista ou reconhecida. Então pode acontecer de involuntariamente a pessoa começar a se opor ao convívio do filho com o outro genitor, sem perceber o grande mal que está fazendo para a criança. Esse afastamento do outro genitor vai desfazendo os vínculos existentes entre a criança e seu pai/mãe e o que é pior, sob o discurso de amor profundo e dedicação extrema por parte do alienador. A criança entra em grande sofrimento e angústia porque deseja conviver com os dois, porém se vê induzida a compactuar com o alienador para evitar que este sofra.

 

Blog da Condessa - Quem mais comete alienação parental?

Angela Gimenez - Não apenas os genitores podem cometer alienação parental, mas todo aquele que exerça de alguma forma influência sobre a criança ou adolescente. Então, podem ser os pais, os avós, padrinhos, irmãos mais velhos. No Brasil os números indicam que as mães são as que mais alienam, no entanto é importante que se diga que, isso ocorre, não porque as mulheres tenham mais propensão ao abuso emocional, mas sim porque ainda, temos as mulheres como o maior contingente de pessoas que exercem a guarda de seus filhos. Isso vem mudando, desde o advento da guarda compartilhada, cuja última lei, data de 2014[1] onde se instituiu no país o modelo legal de compartilhamento da guarda dos filhos, sempre que os pais não residirem na mesma casa.

 

Blog da Condessa - Quem tem maiores chances da prática? Em que situações?

Angela Gimenez - A pessoa que convive mais tempo com a criança tem mais chance de praticar a alienação parental, pois esta precisa de tempo para se instalar. Ela diz respeito à formação existencial daquela criança ou jovem. Ela implica numa construção de desvalia do parente alienado e isso só se dá com o tempo. A rejeição daquele parente vai sendo construída diariamente, esgarçando os vínculos afetivos que a criança possa ter com o outro genitor. São ações de efeito cumulativo, até que chegue o dia, em que a criança não aceita mais o outro genitor, crédula de que ele é um grande mal para sua vida. Os laços são rompidos e a imagem do alienado negativamente consolidada.

 

Blog da Condessa -  Qual o impacto desse conflito na vida de uma criança ou adolescente?

Angela Gimenez - Os prejuízos para as crianças são inúmeros. Primeiro porque não desfrutará do duplo referencial que tem direito de possuir, ou seja, o direito de receber valores de seu pai, sua mãe e das duas famílias extensas: avós, tios, primos, padrinhos. Segundo, a criança vive em permanente apreensão pelo conflito de lealdade que lhe toma por amar pai e mãe e ter de tomar partido de um deles. Além disso, a criança é colocada como único objeto de gratificação do alienador e por isso sofre com medo de falhar nessa responsabilidade de fazer seu pai ou sua mãe feliz. A angústia, ansiedade e sofrimento vão se tornando a tônica da vida daquela criança que pode vir a desenvolver graves transtornos psicoemocionais e até físicos. Desde ir mal na escola, fazer xixi na cama, roer unhas, até uma depressão que, em última análise pode estar associada à vontade de morrer. Morrer passa a ser uma hipótese para se livrar de tanto sofrimento.

 

Blog da Condessa - Há medidas protetivas?

Angela Gimenez - A própria Lei 12.318/14 apresenta um leque de alternativas que podem ser adotadas pela juíza, que são: declarar a ocorrência de alienação parental e advertir o alienador; ampliar o regime de convivência familiar em favor do genitor alienado; estipular multa ao alienador; determinar acompanhamento psicológico e/ou biopsicossocial; determinar a alteração da guarda para guarda compartilhada ou sua inversão; determinar a fixação cautelar do domicílio da criança ou adolescente; declarar a suspensão da autoridade parental. Porém, nesse aspecto a juíza é livre para tomar todas as medidas que entender necessária para fazer cessar a alienação, impedi-la ou evitá-la.

 

Blog da Condessa - A alienação parental pode ser considerada uma doença psicológica/psiquiátrica?

Angela Gimenez - A patologização da alienação parental tem gerado grandes discussões. No início dos estudos tratava-se a questão como uma síndrome, pois as crianças e adolescentes observados desenvolviam uma sintomatologia semelhante e recorrente. No entanto, a lei nº 12.318/14 não falou em síndrome e sim em atos de alienação parental. Por isso, não há necessidade de que a alienação parental avance para seu estágio mais severo a ponto de se desenvolver uma síndrome, para ser combatida. De todo modo, o reconhecimento de que os atos de alienação parental se configuram em abuso emocional é pacífico. A Lei° 13.431/2017, de 05 de abril de 2018, que estabeleceu o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência e alterou a Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), acrescentou em seu art. 4º, inciso II, alínea b, que a alienação parental é uma forma de violência psicológica. O certo é que a alienação parental é um complexo e dinâmico fenômeno biopsicossocial que causa grande prejuízo ao desenvolvimento integral das crianças.

 

Blog da Condessa - A alienação parental tem aumentado em época de quarentena?

Angela Gimenez - Nós não temos números sobre isso, pois a pandemia é recente no Brasil e teria começado, aproximadamente em 13 de março de 2020. No entanto, já é perceptível que algumas pessoas têm se valido da necessidade de confinamento social, para impedir que as crianças encontrem e permaneçam um período com seu outro genitor, mesmo nas situações em que a guarda é compartilhada.

Se a mãe e o pai não possuem comorbidades, detém o exercício pleno de seu poder familiar e se encontram em condições assemelhadas, nenhuma razão há para que as crianças não convivam com seus dois genitores, resguardadas as orientações das autoridades sanitárias. Além disso, uma preocupação se desponta é quando a gente percebe que a criança tem ficado exclusivamente com um genitor, na maior parte das vezes com a mãe, durante a pandemia. A sobrecarga sofrida quer seja pelo confinamento ou pela difícil situação econômica que atravessamos, tem elevado o nível de estresse dos adultos e provocado inquietação nas crianças que precisam permanecer em casa todo o tempo. Tal situação leva a uma maior probabilidade de castigos físicos e maus tratos por parte de quem não encontra tempo para descansar e exposto às incertezas quanto ao futuro. Assim, analisando-se por todos os ângulos, o exercício da guarda compartilhada com a divisão harmoniosa do tempo da criança com seus dois genitores é, sem dúvida, a forma mais adequada para superarmos todas as vicissitudes da vida que estamos enfrentando.

 

Blog da Condessa - Quais providências legais os pais podem tomar?

Angela Gimenez - Se algum genitor se encontra tolhido do convívio com seu filho pode recorrer à Justiça para fazer cessar esse distanciamento. O Poder Judiciário permanece, em teletrabalho, de forma ininterrupta e recebendo os pedidos de forma online. Em Cuiabá, todas as Varas das Famílias estão com seus processos digitalizados, restando fácil o acesso, por peticionamento. Se já há uma decisão judicial que garanta a convivência entre pais e filhos, a medida é a de cumprimento de sentença. Se a questão do convívio ainda não foi regularizada na Justiça é necessário que o interessado ingresse com uma ação de guarda com pedido de tutela de urgência. O tempo é muito importante para a consolidação dos vínculos afetivos e, por isso, as ações que tratam da guarda/convivência das crianças têm prioridade garantida por lei.

 

Blog da Condessa - Quais as punições?

Angela Gimenez - No Brasil, a alienação parental não é considerada como crime. Sendo assim, , as punições têm natureza civil que podem ir de uma advertência à suspensão do poder-familiar, passando, inclusive, por aplicação de multa. As crianças têm direito de serem acolhidas, orientadas e amadas por seus dois genitores e por suas famílias extensas. Devem ser blindadas dos problemas e conflitos do mundo dos adultos para assim poderem se desenvolver em ambiente seguro, harmonioso e afetivo. O dia 25 de abril é considerado o dia internacional de combate à alienação parental. Lutar contra a alienação parental é garantir um futuro de pessoas equilibradas, produtivas e felizes.

 

[1] Lei 13.058/2014

Sexta, 24 Abril 2020 06:00

A generosidade em ação

A causa é nobre. O projeto ‘Máscara do Bem Cuiabá’ troca máscaras de tecido por alimentos ou cesta básica que chegará até pessoas necessitadas

Na emergência que o mundo está vivendo, a comerciante kelida Abdala Silva, formada em Serviço Social, se destaca com seu projeto ‘Máscara do Bem’. O projeto é a soma de esforços de 20 pessoas. “É uma ação entre amigos. Sem fins lucrativos, políticos ou ideológicos. Toda ajuda e recurso veio de doação espontânea de amigos e familiares que ao tomarem conhecimento da campanha simpatizaram com o nosso movimento”, disse a comerciante. 

O momento é de reflexão, de ficar em casa e de se proteger e ao próximo. Certamente todos estão ansiosos pela volta ao convívio social e às comemorações. No entanto, há pessoas que somam esforços para transformar vidas. Para elas, a solidariedade é a melhor receita para vencermos as dificuldades deste tempo.

A confecção das máscaras de proteção à covid-19 é feita por voluntárias. “A maioria são idosas que estão isoladas, de quarentena, tristes e se sentindo  entediadas”, observou Kelida.

Ela conta que a iniciativa surgiu de um telefonema da sua comadre Lucy Vieira lhe oferecendo máscara em troca de alimento. “Eu adorei a ideia e disse: eu quero e vou te ajudar. Não sei costurar, mas vou comprar matéria prima e vou divulgar para os meus contatos. Então outra amiga, Carminha Visquetti, fez  um primeiro post e eu passei a divulgar. Com dois dias eu não conseguia mais atender o telefone e nem responder as mensagens, tamanha foi a aceitação. Muita gente querendo ajudar. Uns querendo máscara, outros querendo doar matéria prima, mão de obra e assim a ação que começou pequenina foi tomando corpo. Na sequência,  convidei outra amiga, a Heloisa Guimarães para cuidar das mídias sociais e aí que viralizou mesmo”, comemora a comerciante.

Conforme Kelida, os alimentos são destinados às pessoas diretamente atingidas pela pandemia, bem como quem perdeu o emprego, vendedores ambulantes e faxineiras. “Já arrecadamos 2000 quilos de alimentos e já distribuímos mais de 120 cestas básicas”.

EMPATIA E COLABORAÇÃO

A ideia inicial era produzir mil máscaras. Agora, segundo Kelida, vai depender da demanda. “Enquanto aparecer gente querendo trocar máscara por alimento, confeccionaremos quantas forem necessárias. Até o momento mil já foram produzidas”.

Para participar basta dirigir-se a um dos pontos de troca levando 2kg de alimento não perecível para cada máscara a ser trocada.

“Temos quem fornece e entrega cesta básica (R$52,00), basta ligar no (65) 99574076 e fazer a transferência. Na sequência, ela nos entrega a cesta e nós entregamos as máscaras. Cada cesta equivalente a 10 máscaras do bem ou a uma máscara de artista. Há também um disk idoso (65 36213755) pra aqueles idosos que querem contribuir e não podem sair de casa”, informou Kelida.

Locais de troca:

Speed Label, na Rua Comendador Henrique, 1298, Bairro Dom Aquino;

Vó Ana Bolos Caseiros, na Avenida Miguel Sutil - próximo ao Big Lar;

Prevenção Total, na Avenida Miguel Sutil, 4957, Bairro Areão;

Clínica Harmonie:  Rua José Barros do Vale, 179, Bairro Goiabeiras;

Gusman Construção, na Avenida Presidente Afonso Pena, 562, Bairro Santa Helena.

 

SERVIÇO:

@Mascaradobemcuiaba

Kelida Abdala Silva – (065) 99981-0378

Máscara dos artistas = 1 cesta de 52,00
Cada máscara comum = 2kg de alimento não perecível

A cesta contém:

Arroz 5kg
Feijão 1kg
Farinha de Trigo 1kg
Sal refinado 1kg
Açúcar cristal 2kg
Café 500g
Óleo de soja 900ml
Sardinha 84g

Conta:
Banco do Brasil
AG: 4042-8 - C/C: 106.059-7
DIST. DE ALIM. RIO BRANCO
CNPJ 03.362.501/0001-06

Legenda foto: Três artistas regionais que cederam estampas para confecção de 40 máscaras de cada um deles.