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Onívoros, veganos e vegetarianos, sempre a mesma disputa: quem tem a alimentação mais saudável?

Essa pergunta poderia fazer parte de um concurso televisivo, mas seria enganosa porque possivelmente não tem uma resposta 100% precisa.

A seguir, apresentamos uma série de evidências para que você chegue à melhor conclusão possível.

A qualidade de uma dieta não depende apenas da carne

A dieta onívora é a mais conhecida por ser seguida pela maioria da população humana mundial.

Onívoro é um animal que se alimenta de vários tipos de substâncias orgânicas, ou seja, todos os grupos de alimentos estão incluídos.

No extremo oposto, uma dieta vegana é aquela que não inclui alimentos de origem animal. Portanto, carnes, peixes, ovos, laticínios e mel seriam excluídos.

E, em algum ponto intermediário, estão as dietas vegetarianas, que são aquelas que excluem carne e peixe, mas não laticínios ou ovos.

Vale destacar que qualquer uma das dietas citadas, desde que bem planejada, é saudável.

Desde 2015, a Academia de Nutrição e Dietética dos EUA estabeleceu que as dietas veganas e vegetarianas são saudáveis ​​e nutricionalmente adequadas.

Elas podem proporcionar benefícios para a saúde, tanto na prevenção quanto no tratamento de certas doenças.

Outra questão é a sustentabilidade da alimentação, mas isso merece um artigo à parte.

O que a ciência diz sobre o consumo de carne

Sabe-se que uma dieta onívora balanceada, seguindo as recomendações de ingestão, pode ser classificada como saudável.

Aqui, entendemos essa dieta como aquela em que não se consome álcool, produtos processados, doces ou carne vermelha mais de uma vez por mês, etc.

Mas sempre tendemos aos extremos, e o ritmo de vida e as influências do meio ambiente distorcem o que poderia ser uma alimentação saudável.

Assim, consumimos carne vermelha quase que diariamente, fazemos lanches com alimentos processados, ​​como presunto cozido, e pensamos que o vinho é saudável porque está incluído na dieta mediterrânea.

Mas isso não poderia estar mais longe da verdade, já que a Organização Mundial de Saúde (OMS) não estabelece doses seguras de consumo de álcool.

De acordo com a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, a carne processada é um carcinógeno humano, o que significa que há evidências suficientes para dizer que esses produtos causam câncer. Enquanto a carne vermelha é classificada como um provável carcinógeno.

Além disso, recentemente foram identificados danos ao DNA que relacionam o alto consumo de carne vermelha ao câncer colorretal.

Pesquisas relacionadas às dietas vegetarianas e veganas são relativamente recentes, dado que foi nos últimos anos que se viu um aumento da adesão a esses tipos de alimentação.

As motivações para seguir essas dietas são muito variadas e incluem uma preocupação com a vida dos animais, a ética, a saúde e a sustentabilidade do planeta.

Embora, talvez, também possamos adicionar o modismo a essas razões.

Todas são saudáveis, mas algumas mais do que outras?

O que essas dietas à base de alimentos de origem vegetal têm para nos fazer pensar que são mais saudáveis? Um maior consumo de frutas e verduras, cereais, legumes e fontes proteicas de origem vegetal.

Talvez a maior diferença esteja no que elas não contêm: produtos de origem animal com alto teor de gordura saturada.

Há vários estudos que avaliam os diferentes benefícios dessas dietas para a saúde e exploram sua relação com diferentes doenças, melhorando-as ou prevenindo-as.

Por exemplo, o efeito negativo dos lipídios no sangue quando estão elevados é conhecido.

Por isso, seguir uma dieta vegetariana pode ser benéfico, já que modula esse perfil.

O organismo precisa ser constante em seus processos. O equilíbrio ácido-base é importante para manter essa homeostase — e a nutrição desempenha um papel fundamental.

Alimentos como carnes, peixes, ovos e queijos promovem meios ácidos.

Se isso não for contrabalançado com o consumo de frutas, legumes e verduras pode ser prejudicial à saúde.

Por isso, uma dieta vegana seria muito mais saudável do que uma vegetariana e, por conseguinte, uma onívora.

Outra doença bem conhecida relacionada à alimentação é a diabetes mellitus tipo 2.

As pessoas com um padrão baseado em produtos vegetais têm um risco menor de desenvolvê-la, uma vez que os produtos vegetais atuam sobre diferentes parâmetros reduzindo esse risco.

Por fim, poderíamos destacar a importância que vêm ganhando os estudos sobre a microbiota intestinal e sua relação com algumas doenças.

Observou-se que as dietas vegetarianas e veganas melhoram o perfil de nossas bactérias intestinais, nos protegendo contra várias doenças.

Na alimentação, os extremos podem não ser bons, mas se bem planejados, são alternativas saudáveis.

Tendo em vista a crise climática que vivemos e os impactos ambientais da criação de animais para consumo humano, talvez não seja absurdo reduzir o consumo de produtos de origem animal e aumentar os de origem vegetal.

Não só melhorará nossa saúde, como também a do planeta.

Com estas informações, já conhecemos as opções. Agora cabe a cada um escolher a mais saudável e sustentável.

*Sonia Martínez Andreu é professora do departamento de enfermagem e fisioterapia, diretora da especialização universitária em vegetarianismo e planejamento dietético em alimentação vegetariana, Universidade das Ilhas Baleares, Espanha.

Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. 

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a Síndrome de Burnout, ou síndrome do esgotamento profissional, como uma doença ocupacional, isto é, relacionada ao estresse da rotina de trabalho.

 O termo foi incluído na 11ª versão da Classificação Internacional de Doenças, a CID-11, que passou a vigorar em 1º de janeiro de 2022.

A Síndrome foi oficializada como “estresse crônico de trabalho que não foi administrado com sucesso”. No texto anterior, ela era considera ainda como um problema na saúde mental e um quadro psiquiátrico.

De acordo com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o número de solicitações de auxílio doença quintuplicou entre março e abril de 2020. Estes foram os dois meses de evolução do contágio da covid-19 no Brasil. Os dados apontam que entre um mês e outro, os pedidos saltaram de 100 mil para 500 mil.

“De fato, o número de requerimentos de benefícios previdenciários no INSS de natureza psiquiátrica está entre os primeiros colocados. Os pedidos de auxílio doença e benefícios assistenciais, em decorrência de transtornos mentais, só possuem menor incidência em relação aos de natureza ortopédica”, diz Carla Benedetti, advogada, mestre em Direito Previdenciário pela PUC-SP e associada ao IBDP (Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário).

Pesquisa da Microsoft apontou um aumento de 44% de brasileiros com esgotamento profissional. “A Síndrome de Burnout, consequência do excesso ou sobrecarga de trabalho, se agravou na pandemia. Nesta condição, a pessoa se sente literalmente exausta, esgotada física e psicologicamente, seja por causa do número de horas trabalhadas, seja pelo estresse provocado pelas condições de trabalho”, explica a Dra. Danielle H. Admoni, psiquiatra na Escola Paulista de Medicina UNIFESP e especialista pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).

O home office, por exemplo, se tornou uma rotina para muitos profissionais. No entanto, nem todos conseguiram se adaptar com a junção do ambiente de trabalho ao de casa. “Pacientes relatam desânimo, dificuldade de raciocínio, ansiedade, irritabilidade, sensação de incapacidade, diminuição da motivação e da criatividade, entre outros sintomas”, conta Dr. Adiel Rios, Mestre em Psiquiatria pela UNIFESP, pesquisador no Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP e Membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

A privação do sono também é um forte gatilho para a Síndrome de Burnout. “Quando o profissional não dorme o suficiente para ser produtivo ou trabalha até tarde da noite, prejudica a rotina do sono, desregulando seu relógio biológico. Isso resulta em uma extrema exaustão, pois o organismo, que já está habituado com um determinado padrão de sono, sofre um forte impacto, precisando de tempo e resistência para se adequar às mudanças”, reforça Adiel Rios.

Uma consequência frequente da Síndrome é o uso de drogas (álcool, tabaco, além das drogas ilícitas) como forma de alívio. “É importante estar alerta a esta situação que agravará ainda mais a condição física e mental do indivíduo. O mesmo pode ser dito da automedicação”, frisa a psiquiatra Danielle H. Admoni.

Nos casos em que a Síndrome de Burnout já está instalada, recomenda-se buscar auxílio médico especializado para avaliação do quadro e orientação quanto ao tratamento. “Especialmente no caso das pessoas cujas características de personalidade as tornam mais propensas ao Burnout, a psicoterapia é um complemento importante, pois o problema está, muitas vezes, dentro da pessoa, e não tanto em suas condições de trabalho”, avalia Monica Machado, psicóloga pela USP, fundadora da Clínica Ame.C, pós-graduada em Psicanálise e Saúde Mental pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Albert Einstein. (A reportagem é de Flávia Ghiurghi, publicada por EcoDebate, 05-01-2021.)

 

 

 

O filósofo da internet afirma: “A autorregulamentação, como estratégia principal para resolver os problemas levantados pelo digital, acabou. Ela deve ser repensada em termos de uma ética soft”.

 Alguns dias atrás, algo mudou no Facebook. Os mais atentos podem ter notado que, ao compartilhar um artigo de qualquer jornal online, como o Huffpost, o La Repubblica ou o La Stampa, ele aparece sem uma imagem nem um resumo. O motivo é bem explicado por Claudio Giua no HuffPost. Entraram em vigor as normas que recebem a diretriz da União Europeia n. 790 de 2019, e a Meta (como o Facebook se chama agora), sem comunicar os usuários e apenas informando os editores no último minuto, mudou as modalidades de publicação dos “links de terceiros”.

 Como a diretriz também fala de direitos autorais, o Facebook ou o Google teriam que pagar uma compensação aos editores. Mas, por enquanto, eles não parecem dispostos a fazer compromissos. Veremos como a questão vai evoluir.

 A história, porém, é apenas a mais recente de uma longa série. Basta pensar na multa de 1,1 bilhão de euros [sete bilhões de reais] por abuso de posição dominante da Amazon que a autoridade antitruste europeia impôs nas últimas semanas. Ou naquilo que aconteceu há sete anos na Espanha, onde o Google, em vez de retribuir pelos conteúdos editoriais do serviço News, conforme estabelecido pela lei nacional, preferiu encerrá-lo. Os jornais recuaram. Ou na Austrália, onde o Facebook, por alguns dias, proibiu o compartilhamento de notícias e de links aos usuários. Ou em como o Facebook e o Twitter decidiram eliminar a conta de Donald Trump.

 Tudo isso nos mostra como as Big Techs, que até hoje desfrutaram do benefício da autorregulamentação em quase todo o mundo, não estão propensas a aceitar regras e leis impostas pelos Estados centrais.

 

Luciano Floridi é uma das vozes mais autorizadas da filosofia contemporânea, professor titular de Filosofia e Ética da Informação na Universidade de Oxford e de Sociologia da Cultura e da Comunicação na Universidade de Bolonha, onde dirige o Center for Digital Ethics. Ele publicou um estudo pela Universidade de Oxford no qual escreve que “a era da autorregulamentação acabou”. Ele nos explicou: “Depois da comercialização da web, a tentativa de se autorregulamentar fracassou”.

 Eis a entrevista.

 Professor Floridi, o que você acha do caso envolvendo a Meta e os editores italianos?

O atual caso italiano está em andamento e é difícil antecipar como ele vai terminar. Se o precedente da Espanha servir de indicação, poderá haver más notícias para os jornais. Mas, de modo mais geral, acho que a questão interessante é entender que novos modelos de partilha da publicidade podem ser aplicados de forma a conciliar o valor do tráfego gerado pelas plataformas online para os jornais com o valor dos conteúdos por eles fornecidos.

 Como nasceu a autorregulamentação?

O governo Clinton, nos anos 1990, optou por regulamentar a internet apenas em um segundo momento. Dizia-se: “Comecemos a jogar e depois decidimos as regras”. Apenas 30 anos depois, damo-nos conta de que quem faz as regras faz o jogo. A nossa vida transcorre onlife (nem online nem offline), aqui tudo está sempre conectado, dentro de um espaço digital e analógico que pode ser chamado de infosfera. Por isso, Facebook, Google, Apple, Amazon, Microsoft têm um impacto muito profundo. Se a nossa vida onlife se baseia na circulação das informações, quem controla as informações tem as chaves de tudo. Quem controla as perguntas dá forma às respostas. Quem dá forma às respostas controla a realidade, parafraseando o livro “1984” de Orwell. Essas grandes potências estão determinando o modo como percebemos o mundo e a nós mesmos e como podemos interagir com ele e entre nós.

 

No estudo que publicou pela Universidade de Oxford, você fala da autorregulamentação como de uma oportunidade perdida.

Se eu tivesse que escolher um ano para marcar o início da web comercial, eu sugeriria 2004, quando o Facebook foi lançado, e o Google fez a sua IPO (“initial public offering”, oferta pública inicial para cotar uma empresa no mercado). Antes de 2004, havia entusiasmo e muita autorregulamentação. Mas ninguém nunca disse: “Atenção, agora que a web é comercial, precisamos de regras”. E assim continuou sendo.

 O que aconteceu?

É como se houvesse um mau alinhamento de várias fases. Quando a internet nasceu, logo se começou com a autorregulamentação. Quando chegou também a comercialização da web, ela trouxe para a vida de todos os dias problemas éticos já presentes em contextos especializados. E as duas retas, a internet e a autorregulamentação, começaram a se ligar em uma espécie de mau entendimento. Começou a aumentar a pressão para melhorar as estratégias e as políticas empresariais, buscava-se um quadro normativo que fosse mais adequado às exigências do mercado. Mas a autorregulamentação continuou parecendo uma estratégia útil para enfrentar a crise ética. Circulava a ideia de que a indústria digital podia formular seus próprios códigos e padrões éticos, e solicitar e monitorar a adesão a eles, sem a necessidade de controles ou imposições externos. Não era uma má ideia. Eu mesmo a defendi muitas vezes.

 Quais eram as vantagens de defender a autorregulamentação?

Teoricamente, por meio da autorregulamentação, da ética soft e da soft law, as empresas poderiam adotar modelos de comportamento melhores, mais adequados eticamente às exigências comerciais, sociais e ambientais, de forma mais rápida, ágil e eficiente, sem ter que esperar uma nova legislação ou acordos internacionais. Quando desenvolvida e aplicada corretamente, a autorregulamentação pode prevenir desastres, aproveitar mais oportunidades e preparar a indústria para se adaptar a futuros quadros jurídicos.

 Mas, de oportunidade, ela se transformou em uma oportunidade perdida...

Começou um curto-circuito, e nunca chegou o momento da legislação. Só a Europa sentiu a necessidade de intervir. Basta pensar que o Oversight Board do Facebook, que deveria se ocupar com a autorregulamentação e a ética, foi instituído em 2020. Muitos anos depois do início da web comercial e do escândalo da Cambridge Analytica. Quando a legislação já tinha chegado à indústria digital: o GDPR, o regulamento europeu sobre a proteção dos dados pessoais, é de 2016.

 Em outras palavras, a Europa está à frente dos Estados Unidos e da China.

Sim. Depois do GDPR, chegou a hora do Digital Service Act e do Digital Market Act. Desse modo, a Europa reivindicou, de fato, uma liderança na adoção de leis que limitam fenômenos como a incitação ao ódio e ataques racistas online, incitação à violência, fake news e outros conteúdos ilegais. Mas o que deve ser lido com atenção é a abordagem geral que retoma um ponto fundamental do regulamento GDPR: desvincula a legislação da localização. Em outras palavras, se o usuário for europeu, aplica-se a legislação europeia. Este é o século XXI: onde quer que você esteja, se os seus dados forem europeus, aplicam-se as regras europeias.

 Depois, chegou também o AI Act.

Foi necessário. Quando a indústria reagiu aos desafios éticos impostos pela inteligência artificial, criando centenas de códigos, diretrizes, manifestos e declarações, o vácuo da autorregulamentação pareceu constrangedor. No AI Act, está escrito que a inteligência artificial deve ser cuidadosamente controlada quando se trata de uma tecnologia de alto risco. Há muitos benefícios na sua utilização, mas ela também pode aumentar a vigilância, por exemplo. Por isso, as regras são fundamentais. Já avançamos bastante com a legislação europeia.

 No estudo, você indica outra data: fala de 2014 como o ano em que a era da autorregulamentação alcança a maioridade. Por quê?

Em 2014, o Google instituiu o Advisory Council (do qual eu fui membro) para enfrentar as consequências da sentença sobre o “direito ao esquecimento” do Tribunal de Justiça da União Europeia. Foi a primeira de muitas outras iniciativas semelhantes. Mas, de modo geral, a era da autorregulamentação foi decepcionante. Nos anos seguintes, o escândalo Facebook-Cambridge Analytica em 2018 e o Advanced Technology External Advisory Council, evidentemente mal concebido e de curtíssima duração, instituído pelo Google sobre a ética da inteligência artificial em 2019 (do qual eu fui membro), mostraram como a autorregulamentação era difícil e, em última análise, falimentar.

Então, as Big Techs sempre preferiram decidir as regras do jogo sozinhas?

O Facebook sempre insistiu na oportunidade de não legislar, mas de operar de modo “soft”. Usando normas sem uma eficácia vinculante. Os códigos de conduta, por exemplo, garantiriam a presença na plataforma somente de pessoas maiores de 13 anos. Continuo convencido de que, naqueles anos, era realista e razoável acreditar que a autorregulamentação pudesse favorecer um diálogo eticamente construtivo e frutífero entre a indústria digital e a sociedade. Valia a pena tentar o caminho da autorregulamentação, pelo menos em um sentido complementar em relação à legislação em evolução. Infelizmente, não foi assim.

 Zuckerberg lançou o metaverso e mudou o nome do Facebook para Meta. E acrescentou: “Queremos ser lembrados não como uma rede social, mas como a empresa que construiu o metaverso”. Essa também é uma tentativa de desviar a atenção dos problemas da sua empresa e afastar a necessidade de se ter leis?

O metaverso corre o risco de ser o Waterloo do Facebook. É o filho de dois grandes fracassos: o Google Glass e o Second Life. No entanto, pelo que vemos, parece que Zuckerberg prefere seguir nesse caminho a fim de desviar a atenção dos analistas dos Facebook Papers e encontrar novas áreas onde ainda não existe a legislação necessária.

 

Mais um sinal de que a autorregulamentação não funciona.

A era da autorregulamentação como estratégia principal para resolver os problemas éticos levantados pelo digital acabou. Ela deixa como herança um bom trabalho de esclarecimento, em termos de análise dos problemas e das suas soluções, de conscientização cultural e social, de sensibilidade ética e também de algumas contribuições positivas para a legislação. Por exemplo, o High-Level Expert Group on Artificial Intelligence (do qual eu fui membro) instituído pela Comissão Europeia contou com a participação de parceiros industriais e forneceu o quadro ético para o AI Act. No entanto, o convite a se autorregulamentar, dirigido pela sociedade à indústria digital, tem sido amplamente ignorado. Essa também foi uma oportunidade histórica enorme, mas perdida, infelizmente de alto custo social e econômico. Hoje, a autorregulamentação deve ser repensada em termos de uma ética soft, ou seja, de uma ética que entra em cena depois da conformidade com a lei, o chamado compliance, obviamente quando a lei existe e está bem feita. Entendida como ética soft, a autorregulamentação pode oferecer uma grande vantagem competitiva, tanto em relação a outras empresas, quanto para a manutenção e o crescimento dos talentos internos.

 A reportagem é de Adele Sarno, publicada em L’HuffingtonPost.it, 22-12-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

 

Luciano Floridi, professor de Ética da Informação na Universidade de Oxford, afirma: “O mais grave que pode acontecer é que a sociedade civil se deixe dominar pela política ou pelos negócios. No fim, será uma responsabilidade inteiramente humana que levará a algo de bom ou a um desastre completo”.

 A reportagem é de Francesca Spasiano, publicada em Il Dubbio, 20-12-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 A vantagem da inteligência artificial é garantir o sucesso “a custo zero”. Ou seja, sem que ela precise ser realmente inteligente. Tomemos a máquina de lavar louça: para enfrentar uma montanha de pratos sujos, precisaríamos de pelo menos um pouco de engenhosidade (e esforço). Para ela, basta um simples “clique”. Isso a torna, talvez, mais inteligente do que o ser humano?

A pergunta também é uma provocação nas palavras de Luciano Floridi, professor de Ética da Informação na Universidade de Oxford. Que, para neutralizar o medo do futuro, recorre ao passado. À Idade Média, em particular: “Culpar a inteligência artificial por todos os males – explica – é como culpar o demônio ou as bruxas”. Como que dizendo: não tenham medo dos robôs, mas sim de quem os governa.

 Eis a entrevista.

 Então, professor, comecemos esclarecendo um pouco as coisas. O que se entende por inteligência artificial?

Quase sempre se entende um software e não um hardware. É natural que a publicidade recorra aos robôs para ilustrar a inteligência artificial. Mas a robótica é um ângulo muito limitado da inteligência artificial que temos ao nosso redor. Para se dar conta disso, basta lembrar as sugestões que recebemos na Netflix ou na Amazon: são um pequeno pedaço de inteligência artificial.

 E um algoritmo?

Trata-se de softwares que resolvem problemas com sucesso e de modo eficiente. A tal ponto que, se nós tivéssemos que fazer isso – como se diz no jargão – “teríamos que ser inteligentes”. Uma lógica contrafactual, que serve para explicar que, na realidade, os softwares não são inteligentes.

 Explique-nos.

O exemplo mais banal é o do xadrez: se eu jogo com o meu celular, ele sempre ganha. Não porque seja inteligente. Mas porque, se eu tivesse que fazer isso, teria que usar muita inteligência, da qual o software não precisa. É um pouco como a água que desce da montanha: ela encontra o caminho mais curto. Portanto, de acordo com a definição dada desde os anos 1950, a inteligência artificial é um sistema de engenharia qualquer que resolve problemas com sucesso, de tal forma que, se nós tivéssemos que fazer isso, teríamos que ser inteligentes. E isso gera muita confusão.

 Os exemplos ajudam.

Tomemos a máquina de lavar louça: ela tem sucesso porque constrói um mundo em torno das capacidades elementares do robô que tem em seu interior. É isso que acontece com a nossa inteligência artificial. Somos nós que construímos um mundo ao redor do software, que, portanto, se encontra “em casa”: quando a Netflix nos sugere um filme, é porque coletou muitíssimas informações. E ela é ainda melhor para adivinhar o próximo filme quanto mais usarmos a plataforma. Sem dados para “moer”, a inteligência artificial não sabe o que dizer.

 Quando se fala de inteligência artificial, fala-se principalmente dos riscos. Por que temos tanto medo?

Por duas razões principalmente: a primeira está ligada à natureza nova desses sistemas, uma capacidade de ação nunca antes vista na história humana. É o medo do desconhecido. É como se tivéssemos introduzido uma peça nova no tabuleiro. Isso nos causa impressão e, assim, começamos a fantasiar.

 A segunda?

Como dependemos cada vez mais desses sistemas, surgem cada vez mais situações de alto risco. Em suma, se tivermos que confiar em um carro que dirige sozinho, o temor se justifica.

 Voltemos à coleta massiva de dados. Quais são os riscos?

Como os dados são a força vital da inteligência artificial, se tivermos dados sujos, parciais ou incorretos, o sistema os usará, e o resultado só poderá ser negativo. Faz parte das limitações do sistema: recorre-se ao passado e, se o passado estiver “distorcido”, o futuro também estará. Assim, boa parte dos problemas que vemos, em termos de injustiça e de vieses (“preconceitos” que um algoritmo tende a reforçar), não são do software, mas dos dados que acumulamos e sobre os quais o software foi “exercitado”. O que denota que a sociedade não ia bem desde antes, e certamente não é culpa do software, que, no máximo, automatiza e amplia o erro. Vemos isso muito bem nos contextos de alta sensibilidade humana, desde o judiciário ao médico, ou nos serviços sociais e financeiros. Mas há um aspecto positivo.

 Qual?

A inteligência artificial pode servir de lupa: não para repetir o passado, mas para entender se o passado já era discriminador.

 A sensação é que tentamos humanizar a máquina a ponto de ficarmos aterrorizados que ela nos substitua.

Há alguma verdade nisso. Mas não é a humanidade que dá um tiro no próprio pé. Quem decide substituir os operários por robôs não são os operários. Devemos começar a pensar a humanidade como grupos de pessoas que tomam decisões que, às vezes, fazem mal a outros grupos. É preciso prestar atenção: a inteligência artificial não tira empregos, ela move a barra do que significa realizar atividades lucrativas. Mas há outro problema.

 Qual?

Essa transição que deslocou o mundo do trabalho é enormemente acelerada pelo digital e, por ser muito veloz, a sociedade não está no mesmo ritmo. A única solução possível é arcar com o custo da transição com mais investimentos em bem-estar e na formação. Se entrarmos em pânico, então a única solução será desligar a tomada.

 É a transformação que você chama de “quarta revolução”.

É uma revolução de tipo epistemológico. De autocompreensão: quem somos nós? E por que somos especiais? Especiais porque estamos no centro da festa, e a festa é o universo. Depois que Freud nos disse que sequer estamos no centro do “mundo mental”, nos entrincheiramos atrás de outra centralidade: a da informação. Mas, a partir dos anos 1950, não estamos mais nem mesmo no centro da infosfera. Essa é a “quarta revolução”, uma mudança de paradigma que envolve uma necessária reavaliação da nossa excepcionalidade. E a nossa excepcionalidade não é a de quem desfruta da festa, mas de quem pode organizá-la. Não podemos estender o cobertor do século XX. Temos que escrever um novo capítulo.

 E que festa devemos organizar?

Salvar o planeta e as gerações futuras. O projeto humano do século XXI é o casamento entre o “azul e o verde”. Entender o presente para projetar o futuro é tarefa do intelectual hoje. Não vejo outras. É o chamado político, o nosso ser político: entender para mudar para melhor.

 Do ponto de vista da legislação, o caminho europeu parece ficar no meio caminho entre a estratégia estadunidense e a chinesa. O que você acha do regulamento da União Europeia? Compartilha os temores de juristas e especialistas?

Os riscos existem, e o caminho europeu é bom. Para levar a termo o projeto de lei sobre a inteligência artificial da União Europeia, o “AI Act”, será preciso tempo, e teremos que ser pacientes. Como ocorreu com o GDPR [Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados], que fez um ótimo trabalho.

Qual é a abordagem?

Ela tende a minimizar o risco e a deixar livre o campo da inovação e da indústria, desde que toda a parte do risco seja levada em consideração com os instrumentos do legislador. O mais grave que pode ocorrer aqui é que a sociedade civil se deixe dominar ou pelos negócios ou pela política. Quando os negócios e a política competem em benefício da sociedade civil, temos um bom sistema de democracia.

 Nada a ver com a “algocracia”.

Isso absolutamente não.

 E não serão as máquinas que levarão a melhor?

Esse é um péssimo filme de Hollywood. Uma tentativa de fuga, por meio de uma tecnofantasia, da responsabilidade que a história tem sobre si mesma. É preciso indagar quais são as decisões industriais e políticas da sociedade. Porque, no fim, será uma responsabilidade inteiramente humana que levará a algo de bom ou a um desastre completo.

 

 

Quarta, 24 Novembro 2021 05:00

‘Jovens Embaixadores’

Abertas inscrições para programa de intercâmbio gratuito nos Estados Unidos.

Estão abertas as inscrições para a edição 2022 do Programa Jovens Embaixadores, que disponibiliza aos alunos da rede pública de ensino a oportunidade de fazer um intercâmbio gratuito de 3 semanas nos Estados Unidos. As inscrições podem ser feitas até o dia 9 de fevereiro de 2022 pelo site www.jovensembaixadores.org.br

O programa é uma iniciativa oficial do Departamento de Estado norte-americano e, no Brasil, é coordenado pela Embaixada dos Estados Unidos da América e atua em parceria com as Secretarias Estaduais de Educação do Brasil.

Para participar, o aluno deve ter nacionalidade brasileira, idade entre 15 e 18 anos, ser aluno do ensino médio na rede pública brasileira, ter boa fluência oral e escrita em inglês, ter pouca ou nenhuma experiência anterior no exterior, jamais ter viajado aos Estados Unidos, pertencer à camada sócioeconômica menos favorecida, ter excelente desempenho escolar e ter perfil de liderança e iniciativa. Com um viés para o empreendedorismo social, o programa busca jovens que estão impactando positivamente o dia a dia das suas comunidades.

Nesta edição, serão selecionados 50 estudantes de todo o País. A viagem está prevista para julho de 2022.

Criado em 2002, o Jovens Embaixadores é um intercâmbio de três semanas nos Estados Unidos e tem como foco estudantes brasileiros do ensino médio na rede pública. O programa é voltado para o desenvolvimento de habilidades para o ambiente em constante transformação do Século XXI e oferecerá uma oportunidade de intercâmbio para jovens protagonistas que buscam resolver um problema em suas respectivas comunidades por meio de ações criativas e inovadoras.

 

Otimismo do jovem brasileiro é o segundo mais baixo.

 Adolescentes e jovens brasileiros (de 15 a 24 anos) estão menos otimistas sobre o futuro do que as pessoas da mesma faixa etária de outros 20 países pesquisados - o otimismo dos adolescentes e jovens brasileiros é o segundo mais baixo, atrás apenas de Mali, país da África. No entanto, o grupo brasileiro acredita mais no poder da educação para mudar a realidade. Os dados, divulgados no último dia 17, são da pesquisa The Changing Childhood Project, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da Gallup.

Nos 21 países analisados (incluindo o Brasil), adolescentes e jovens, na média, mostraram-se mais propensos do que os adultos a acreditar em um futuro melhor. Ao serem perguntados se o mundo está se tornando um lugar melhor para cada nova geração, 57% deles disseram que sim, ante 39% dos adultos. 

Já no Brasil, o índice de otimismo foi o segundo mais baixo, atrás apenas do Mali. Somente 31% dos adolescentes e jovens brasileiros e 19% dos adultos disseram acreditar que o mundo está melhorando. 

De acordo com o Unicef, todas as entrevistas foram realizadas de fevereiro a junho de 2021, durante a pandemia de covid-19. No Brasil, a pesquisa ocorreu de 23 de fevereiro a 17 de abril, no período mais grave da pandemia no país.

“Não faltam motivos para o pessimismo no mundo de hoje: mudança climática, pandemia, pobreza e desigualdade, aumento da desconfiança e crescimento do nacionalismo”, disse a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore. “Em comparação com as gerações mais velhas, adolescentes e jovens do mundo permanecem esperançosos, com uma mentalidade muito mais global e determinados a tornar o mundo um lugar melhor”.

Educação

A pesquisa mostra que os adolescentes e jovens, na média dos países analisados, acreditam que a própria infância foi melhor do que a de seus pais. Eles afirmaram na pesquisa que as crianças e adolescentes de hoje têm mais acesso a saúde, educação e proteção contra a violência do que as gerações anteriores.

De acordo com o Unicef, os brasileiros estão entre os que mais acreditam que a qualidade da educação melhorou na última geração. O Brasil é, também, o segundo país que mais acredita no poder da educação para a transformação social. Mais da metade dos adolescentes e jovens brasileiros (59%) e dois terços dos adultos (74%) citam a educação como o principal fator para o sucesso – versus 36% e 34%, respectivamente, na média dos 21 países. 

Saúde mental

Nos países pesquisados, adolescentes e jovens relataram uma maior incidência de problemas de saúde mental em comparação aos adultos: 36% disseram se sentir frequentemente nervosos, preocupados ou ansiosos; e 19%, deprimidos ou com pouca vontade de realizar atividades cotidianas. Já os adultos, os resultados foram 30% e 15%, respectivamente.

No Brasil, esses indicadores são significativamente mais altos: 48% dos adolescentes e jovens declararam se sentir frequentemente nervosos, preocupados ou ansiosos, e 22% disseram se sentir muitas vezes deprimidos ou com pouca vontade de realizar atividades cotidianas, ante 39% e 11% respectivamente dos adultos.

Participação na política

Na média dos 21 países, 58% dos adolescentes e jovens disseram ser muito importante os políticos escutarem adolescentes e jovens para tomar decisões. O resultado do Brasil ficou acima da média, com 61% dos adolescentes e jovens respondendo positivamente a essa questão. 

“Depois da ruptura mais longa da educação presencial nas escolas devido à covid-19, e considerando o aumento do trabalho infantil, da violência doméstica e da pobreza, é encorajante ver que os adolescentes e jovens do Brasil querem se engajar por um futuro melhor”, ressaltou a representante do Unicef no Brasil, Florence Bauer.

Confiança na ciência e nos governos 

A pesquisa mostra também que adolescentes e jovens confiam mais do que os adultos nos cientistas (56% versus 50%), e nos governos (33% versus 27%) como fontes de informação segura. No Brasil, esses resultados foram (58% versus 51%) e (14% versus 23%), respectivamente.

A pesquisa foi feita com aproximadamente 21 mil adolescentes, jovens e adultos nos 21 países. Os países pesquisados foram Alemanha, Argentina, Bangladesh, Brasil, Camarões, Espanha, Etiópia, EUA, França, Índia, Indonésia, Japão, Líbano, Mali, Marrocos, Nigéria, Peru, Quênia, Reino Unido, Ucrânia e Zimbábue. 

O conteúdo completo da pesquisa pode ser acessado em https://changingchildhood.unicef.org

 

Chef brasileira serviu caldo de tambaqui com mandioca. Os pratos foram colocados à prova de fogo quando dois ou três integrantes do público revelaram ser de Mato Grosso.

 A culinária do Pantanal foi um dos destaques no Pavilhão Brasil da Expo 2020, em Dubai. Sob o comando da chef Luciana Berry, vencedora do Top Chef Brasil 2020, foram servidos pratos como caldo de tambaqui com mandioca, vitela com purê de banana e pudim de tapioca com farofa de nozes.

Como aperitivo, o público também pôde degustar uma dose de caipirinha de caju. Durante todo o preparo dos alimentos, a chef demonstrou desenvoltura e bastante conhecimento – não apenas da culinária pantaneira, mas do bioma como um todo.

Os pratos foram colocados à prova de fogo quando dois ou três integrantes do público revelaram ser de Mato Grosso. Luciana explicou que a proposta original era servir caldo de piranha, mas não houve liberação para a entrada da iguaria no país árabe. Ainda assim, os três pratos foram aprovados.

Gastronomia e biomas

A convite da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), chefs brasileiros apresentam, até março de 2022, no Pavilhão Brasil da Expo 2020, pratos preparados com ingredientes de cinco biomas: Pantanal, Caatinga, Cerrado, Amazônico e Pampa.

A proposta é representar o potencial da culinária brasileira por meio de apresentações culinárias (cooking shows), em que o preparo é demonstrado na hora e o público pode saborear mini porções servidas pela cozinha do pavilhão. Os talheres utilizados são de madeira sustentável, em conformidade com uma das principais bandeiras do evento. (Fonte: Agência Brasil)

Cronograma

Confira o cronograma dos cooking shows a serem executados ao longo dos próximos meses no Pavilhão Brasil e seus respectivos biomas:

- 7 de dezembro: Cerrado
- 31 de janeiro: Caatinga
- 16 de fevereiro: cooking show especial sobre a mandioca
- 17 de fevereiro: Pampa
- 23 de fevereiro: Amazônico

 

Anúncio foi feito por Zuckerberg em conferência transmitida ao vivo.

 O Facebook anunciou nesta quinta-feira (28) que mudará a marca para Meta, uma mudança de nome que ocorre enquanto a empresa enfrenta críticas de legisladores e reguladores sobre seu poder de mercado, suas decisões algorítmicas e o policiamento de abusos em suas plataformas.

O presidente-executivo da companhia, Mark Zuckerberg, falando na conferência de realidade aumentada e virtual transmitida ao vivo da empresa, disse que o novo nome reflete seu foco na construção do metaverso.

"No momento, nossa marca está tão intimamente ligada a um produto que não pode representar tudo o que estamos fazendo hoje, muito menos no futuro", disse.

A gigante da tecnologia disse que a mudança reunirá seus diferentes aplicativos e tecnologias sob uma nova marca. Informou que não mudaria sua estrutura corporativa.

O metaverso, um termo cunhado pela primeira vez em um romance distópico três décadas atrás e agora ocupando os holofotes no Vale do Silício, refere-se amplamente à ideia de um ambiente virtual compartilhado que pode ser acessado por pessoas usando dispositivos diferentes.

A empresa revelou uma nova placa em sua sede em Menlo Park, Califórnia, na quinta-feira, substituindo seu logotipo Like com o polegar para cima por uma forma azul infinita.

Carla Machado representará o Brasil em evento internacional de cooperativismo.

Com o artigo intitulado “As relações do indivíduo com a comunidade como impulso para o desenvolvimento do perfil da pessoa cooperativa”, a professora Carla Machado foi selecionada para representar o Brasil no Congresso Mundial de Cooperativas, em evento prévio (Conferência de Pesquisa Cooperativa da Aliança Cooperativa Internacional), que ocorre entre 28 e 30 de novembro, antecipando o Congresso que será realizado de 1º a 3 de dezembro próximo em Seul, na Coreia do Sul.

A professora da graduação e coordenadora da pós-graduação e extensão da Faculdade de Cooperativismo (Icoop) em Mato Grosso passou por uma seleção que envolveu artigos vindos de diversos países. Do total, 180 foram selecionados para apresentação no evento e, neste rol de vencedores, há apenas 19 textos de pesquisadores brasileiros.

Os materiais serão apresentados durante três dias em Seul e Carla, como autora de uma das obras eleitas, prepara-se para este momento. A expectativa dela é grande, tendo em vista que a professora terá a importante tarefa de mostrar aos pares, que também pesquisam sobre o cooperativismo, que Mato Grosso é produtor qualificado de conhecimento.

“Estou muito feliz em ter a oportunidade de trocar conhecimentos com pessoas que também foram picadas pelo bichinho do cooperativismo e passaram a ter o sangue verde (risos). O cooperativismo é diferente. É uma forma de trabalhar com mais humanismo e com objetivo de construir uma vida com mais oportunidade para todos”, afirma.

No artigo, Carla faz uma revisão bibliográfica sobre o tema com autores estrangeiros e, principalmente, com o pesquisador brasileiro José Eduardo de Miranda, que contribuiu com duas produções entre as referências bibliográficas. Ele é um dos docentes da pós-graduação em Direito Corporativo no Icoop e é reconhecido pela atuação nesta área e também pelas colaborações que faz em relação à identidade cooperativista.

Construção da ideia 

 Como é graduada em psicologia e pós-graduada em cooperativismo, Carla Machado conseguiu convergir os dois olhares sobre o tema, trazendo investigações da área psicossocial, neurociência e sociobiológicas. “A ideia é conhecer os motivos que fazem uma pessoa ser cooperativa e outra não, perpassando sempre a educação, área que atuo hoje”, explica.
E, depois do evento em Seul, esta pesquisa será aproveitada pela professora, que hoje é mestranda na Universidade de Mondragón, no País Basco, na Espanha – cidade referência para cooperativismo no mundo, com ênfase nos setores de trabalho e industrial.

No trabalho de conclusão de mestrado, Carla pretende apresentar uma ferramenta para identificar o quão cooperativista é uma pessoa ou quais competências cooperativistas ela tem. Mondragón tem um modelo, mas ele está focado em um público diferente e com particularidades daquela localidade, que são divergentes das do Brasil.

Usando da revisão bibliográfica, a pesquisadora pretende fazer trabalho de campo para comprovar o funcionamento da ferramenta, que poderá ajudar as cooperativas na contratação de colaboradores e na construção de políticas públicas que favoreçam o fortalecimento e até mesmo a construção do perfil cooperativo.

A escolha –

A seleção dos artigos foi realizada pela Aliança Cooperativa Internacional. O objetivo comum a todos era identificar como a identidade cooperativa auxilia a reconstruir melhor juntos e superar crises com solidariedade e resiliência.
 
Os jovens também terão vez e voz
 
Guilherme Gimenez, 21 anos, formou-se no final do mês de outubro. Ele é um dos integrantes da primeira turma de tecnólogo em Gestão Cooperativa do Icoop e foi selecionado para ser uma das 25 vozes jovens do cooperativismo do mundo.

O jovem, que trabalha em uma cooperativa de crédito, já está arrumando as malas e treinando o inglês para não fazer feio em sua primeira aparição pública, que será em Seul, no mesmo congresso.

Desde que foi selecionado, após a avaliação de um vídeo e, em seguida, por entrevistas realizadas pela Aliança Cooperativa Internacional (ACI), Guilherme participa de reuniões constantes com pessoas de outros países e disse que já despertou o interesse por algumas estratégias, diferentes das praticadas no Brasil.

Uma delas é das cooperativas de crédito dos Estados Unidos, que são responsáveis por 15% de todo mercado financeiro. Naquele país, explica Guilherme, as atuações não são divididas em setores como aqui. Lá, o que faz um negócio receber investimento da cooperativa ou se transformar em uma cooperativa é a viabilidade. Então, como tudo pode ser avaliado, existe uma criatividade maior nos tipos de negócios.

No grupo de 25 vozes, existem 4 brasileiros, sendo dois de Mato Grosso. Além de Guilherme, a aluna Camille Frozza, de Campo Verde, também compõe o grupo. Segundo a professora Sandra Regina, coordenadora do curso de graduação do Icoob, “esse resultado nos encheu de orgulho e alegria. É a contemplação do esforço de todos os envolvidos nesse processo. E a escolha do Guilherme e da Camila apenas ressaltou que o grande segredo do sucesso é se dedicar ao que se gosta”.

Esta é a primeira participação dos nossos alunos em um evento internacional. Com muitas expectativas em torno do evento, para a Professora Sandra Cristina: “Será a primeira de muitas, com certeza. Está sendo um caminho de aprendizado, pois existem barreiras como a cultura, a língua e a distância. Mas estamos unidos por um propósito maior que é a disseminação do cooperativismo. Então sempre, as dificuldades tornam-se desafios e viram oportunidades. E desse modo, vamos conseguindo agregar pessoas nessa jornada encantadora”.
 

Festival inovador fomenta experiências criativas e seduz brasileiros.

Um evento multidisciplinar inovador, que surgiu em 2016 na Romênia e rapidamente ganhou adeptos em diversos lugares do mundo, vem se tornando um atrativo entre artistas e intelectuais brasileiros interessados na troca de experiências com pessoas de outros países e no desenvolvimento de projetos criativos. Apoiado pelo Parlamento Europeu, o Festival Unfinished  [Inacabado, em tradução livre] iniciou no último dia 22, em formato totalmente online, a sua sexta edição.

O evento, que ocorre anualmente, coloca em questão modelos de festivais de arte e cultura onde os participantes são meros espectadores. Sua proposta é promover uma interação criativa, trocas de experiências e conexões por meio da música, da poesia, da arte e da exploração de conhecimentos. A programação de oito dias inclui momentos de bate-papo, de apresentações e de performances, de práticas como ioga e meditação e até mesmo de almoço, de jantar e de café, quando os presentes se reúnem em pequenos grupos e se sentam juntos em mesas virtuais onde podem conversar.

A participação é gratuita, mas exige-se inscrição prévia: é necessário preencher um questionário, cujas reflexões são a porta de entrada para o evento. Mais de 4 mil pessoas de 64 países participaram da última edição e a expectativa dos organizadores é que esse número possa dobrar neste ano. A plataforma criada exclusivamente para o evento oferece a possibilidade tanto de atividades realizadas ao vivo como de atrações que podem ser adaptadas conforme o fuso horário e a rotina de cada participante. Entre os convidados para compor a programação, estão pessoas criativas de diversos países abertas à inovação e à reinvenção de práticas artísticas e sociais.

Participantes famosos

A sensação do festival entre a comunidade artística e intelectual europeia e mundial já fez com que diversas figuras de fama internacional desembarcassem na sua programação. Edições anteriores receberam, por exemplo, a artista performática Marina Abramović e o pioneiro da computação gráfica Alvy Ray Smith, cofundador do estúdio de animação Pixar.

Nos últimos anos, o crescente interesse de brasileiros chamou atenção dos romenos. Eles convidaram a designer de experiências Isabella Nardini para participar da curadoria. Como consequência, esta será a edição que tem a maior participação de brasileiros convidados. São pessoas dos mais variados perfis, entre elas a psicanalista Maria Homem, a jornalista e antropóloga Néli Pereira e a ilustradora Ing Lee. Na música, os brasileiros estarão representados pelo cantor Macul, pela banda Francisco El Hombre e pelas duplas Duo Àvuà e Baby.

"Quando falamos da indústria criativa, há grandes festivais globais conhecidos, mas uma coisa que existe no Unfinished que é diferente é o senso da comunidade. Todos os dias, o festival começa com uma sessão de bem-estar: ioga, meditação, pilates. E, neste ano, nós não vamos fazer palestras em que as pessoas vão no palco. São conversas íntimas entre as pessoas. Gravamos com elas no mundo inteiro. Por exemplo, pessoas conversando enquanto caminhavam no High Line Park de Nova York ou sentados na beira de um lago. Buscamos tirar esse formato entre o palestrante e o espectador. A ideia era criar um ambiente para a entrega de um conteúdo mais intimista", explica Isabella Nardini, que integra a curadoria pelo segundo ano seguido.

Segundo Isabella, não é um festival só para artistas criativos. "Abrange tudo. Há, por exemplo, cientistas e pessoas da área da saúde. E nem só grandes nomes, mas pessoas que estão explorando outras perspectivas de vida, de mundo", acrescenta. Ela conta como funcionam as salas virtuais para as refeições, que poderão reunir até quatro participantes. Uma pergunta introdutória proposta pela organização do festival fomenta o início do bate-papo.

A experiência vivida pelo músico brasileiro Macul é um exemplo bem-sucedido desse formato. Na edição do ano passado, ele era um dos participantes que ouvia e interagia com os convidados do festival. Em uma pausa para um café online, ele conheceu a cantora paulista Sarah Roston, que era uma das artistas convidadas. Desse encontro virtual, surgiram propostas de parceria: de participante, Macul passou ao posto de convidado na edição deste ano. Radicado em Munique, na Alemanha, ele vai se apresentar com sua banda em uma exibição na qual cada música é gravada em um cômodo de sua casa.

Outra forma de sociabilizar é por meio de um botão em que o participante informa sua disposição para conversar. Ele pode sinalizar interesse por um bate-papo com pessoas de perfil mais parecido ao seu ou com outras que apresentem perspectivas completamente distintas. 

Presencial e virtual

O evento, que surgiu em 2016 de forma totalmente presencial, foi idealizado pela Fundação Eidos, sediada em Bucareste, capital da Romênia. Trata-se de uma organização sem fins lucrativos voltada para apoiar novas formas culturais em nível internacional. Até 2019, a programação se desenrolava no Museu de Arte Nacional da Romênia.

"Tudo é inacabado. Existe alguma coisa no mundo que não está em movimento? Do cosmos aos átomos, dos humanos às opiniões, somos apenas minúsculas especificações em longas linhas pontilhadas, infinitas e incompletas", diz o manifesto do festival. Embora toda edição seja plural e multidisciplinar, a cada ano um tema principal dá o tom do evento. Em 2021, a temática proposta é “meia-noite”, palavra que carregaria uma atmosfera ambivalente: representa a passagem de um dia para o outro, a mescla entre os medos da noite e as esperanças dos contos de fadas.

"Também trazemos a meia-noite como emergência", pontua Isabella Nardini. Sua entrada na curadoria ocorre justamente na transição para o modelo 100% online, o que era inevitável diante da pandemia de covid-19. A brasileira, que participou do desenvolvimento da startup brasileira Mesa e é criadora da plataforma de relacionamentos Love is in the Cloud, já havia sido palestrante na última edição presencial do festival, em 2019.

No ano seguinte, quando os fundadores começaram a pensar no evento a partir de uma plataforma virtual de experiência, apostaram nos conhecimentos de Isabella e a convidaram para assumir o design de experiência. "Meu trabalho é criar experiências que transformem as pessoas, que ativem o novo dentro na gente. Me interesso pelo fator humano, pelos detalhes, pelos rituais, pelas dinâmicas, em como as pessoas vão experimentar o evento. Buscamos fazer com que seja um lugar de aventura, de descoberta e de exploração", diz Isabella.

A expectativa, no entanto, é de que seja novamente possível realizar o evento de forma presencial em 2022. A experiência online, no entanto, não deve ser abandonada, embora Isabella considere que ainda será preciso avaliar mais profundamente como ela será aproveitada. "Na última edição, nos momentos de café, tinha uma pessoa da Malásia, falando com outra da Alemanha e outra da África do Sul. São pessoas que talvez não iriam nunca pra Romênia. E a ideia é que a plataforma vire uma comunidade. Ainda não sabemos como vamos linkar o evento físico com a plataforma. Mas essa plataforma seguirá existindo", pontua. (Fonte: Agência Brasil)

 

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