Meio Ambiente

Meio Ambiente (60)

Sexta, 14 Janeiro 2022 05:00

"Frutas comestíveis na Amazônia"

Os superalimentos desprezados que poderiam ajudar a reduzir a fome no Brasil.

A cada ano, entre 60 e 70 milhões de toneladas do fruto mais rico em carotenoides do mundo amadurecem no Brasil, mas só uma ínfima parcela é aproveitada por humanos. A informação está em "Frutas comestíveis na Amazônia", livro do botânico Paulo Bezerra Cavalcante, lançado em 2010.

A estimativa trata do buriti, fruto de uma palmeira abundante na Amazônia e no Cerrado, mas desprezado pela indústria alimentícia.

As propriedades antioxidantes do buriti ajudam a prevenir câncer e outras doenças. Versátil, ele pode ser consumido in natura ou transformado em farinha, doces e pães.

Ainda assim, o fruto é uma das várias espécies alimentícias nativas do Brasil que têm perdido espaço em lares, restaurantes e mercados ao mesmo tempo em que a fome cresce e a comida encarece no país.

Muitas dessas espécies produzem frutos comestíveis. Outras são hortaliças que nascem espontaneamente em campos agrícolas e canteiros, mas são vistas como ervas "daninhas".

Em comum, muitas delas são considerados superalimentos por terem grande quantidade de nutrientes - como minerais, vitaminas e antioxidantes.

'Matos' comestíveis

Resistentes, várias hortaliças espontâneas comestíveis toleram grandes variações climáticas e dispensam cuidados especiais. Um exemplo é o caruru, que tem folhas com propriedades semelhantes às do espinafre e sementes com 17,2% de proteínas.

Outra planta é a beldroega, rica em ômega-3 e nas vitamina B e C, além de ter propriedades antioxidantes.

Todos os anos, porém, muitos agricultores recorrem a herbicidas para destruir grandes quantidades de caruru e beldroega antes de substituí-las por espécies exóticas. E, em muitos casos, as novas espécies plantadas têm menos nutrientes que as anteriores, são mais sujeitas a pragas e são dependentes de fertilizantes, cujos preços também estão em alta.

Pesquisador do ramo da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) dedicado a hortaliças, o agrônomo Nuno Rodrigo Madeira diz à BBC News Brasil que hortaliças como o caruru e a beldroega têm mais nutrientes que várias verduras convencionais justamente por serem mais resistentes.

"Como elas não são adubadas, elas disparam processos metabólicos para conseguir viver na adversidade e aguentar calor e seca, e isso faz com que fiquem mais nutritivas para a gente", afirma.

Para Madeira, o desprezo por essas espécies se deve ao "afastamento entre a sociedade e a origem do alimento".

"Nós nos distanciamos da produção, só entendemos mercados, e o ente mercado quer que a gente gaste mais, senão o PIB reduz", afirma.

Vender nos supermercados hortaliças que crescem sozinhas como "matos", diz ele, não seria tão lucrativo quanto vender as verduras convencionais - daí a resistência do setor em incorporar esses itens.

Só a lógica comercial, segundo Madeira, explica que em uma cidade quente como Manaus agricultores recorram a pedras de gelo para conseguir cultivar hortaliças como a alface, enquanto tantas espécies nativas adaptadas ao calor são deixadas de lado.

E isso não ocorre só no Brasil.

Professor do Instituto Federal do Amazonas (Ifam) em Manaus, o botânico Valdely Kinupp diz à BBC que 90% do alimento mundial hoje vem de 20 tipos de plantas - embora se estime que até 30 mil espécies vegetais tenham partes comestíveis.

Os números soam ainda mais paradoxais no Brasil, país que abriga entre 15% e 20% das espécies vegetais do planeta, mas alimenta a maior parte de sua população com o mesmo cardápio limitado - e majoritariamente estrangeiro.

São estrangeiros quase todos os principais produtos agrícolas do país, como a soja (China), o milho (México), a cana-de-açúcar (Nova Guiné), o café (Etiópia), a laranja (China), o arroz (Filipinas) e a batata (Andes).

Entre as raras plantas que fizeram o caminho inverso, saindo do Brasil para ganhar outras partes do mundo, estão a mandioca, o cacau e o amendoim.

"É muito pouco", diz Kinupp. "Vivemos um imperialismo agroalimentar."

No livro "Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil", que Kinupp lançou com o colega botânico Harri Lorenzi em 2014, são listadas 351 espécies alimentícias "subutilizadas, mal conhecidas e negligenciadas" pela população brasileira.

Muitas delas são nativas; outras, espécies exóticas já naturalizadas e aclimatadas ao país. Várias são conhecidas por uma série de nomes populares distintos (para evitar confusão, listamos no fim desta reportagem os nomes científicos das principais espécies citadas nesta reportagem).

Kinupp é um dos principais líderes no Brasil de um movimento pela valorização das PANC, o acrônimo que batiza seu livro.

Nos últimos anos, embalados pelo movimento, alguns mercados e feiras ampliaram a oferta de PANC, chefs as incorporaram em restaurantes, e cozinheiros criaram contas no Instagram e YouTube para compartilhar receitas.

Mas ele afirma que ainda falta muito para que essas plantas deixem de ser consideradas "não convencionais".

No caso das espécies silvestres presentes na lista, por exemplo, é preciso que agricultores e instituições de pesquisa se dediquem a estudá-las - assim como fazem há milênios com plantas como o arroz e o trigo.

E quando a planta só existe em ambientes naturais, como o buriti, deve-se trabalhar com comunidades tradicionais e pequenos agricultores para apoiar redes de coleta, beneficiamento e comercialização com preço justo.

O que é PANC

Kinupp esclarece que algumas plantas do livro são consumidas em partes do país, mas ignoradas em outras.

Uma das espécies que mais o entusiasmam é o cará-de-espinho, uma trepadeira nativa das regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste que produz tubérculos comestíveis que podem ultrapassar 180 kg.

"Essa planta é a solução para a agricultura no trópico úmido", afirma. Segundo o pesquisador, os tubérculos podem ficar armazenados por até 120 dias fora da geladeira sem apodrecer e podem ser consumidos como a batata (frita, cozida, em purê) ou virar farinha.

Hoje, no entanto, ele afirma que a espécie só é consumida em aldeias indígenas e em comunidades rurais no Baixo Amazonas.

Outras espécies citadas no livro têm mais penetração popular ou já foram mais consumidas - caso da ora-pro-nóbis, um arbusto com frutos, flores e folhas comestíveis originário do Sul, Sudeste e Nordeste do Brasil, e que pertence à culinária típica de Minas Gerais.

Seus frutos são ricos em carotenoides e vitamina C, e as folhas, quando desconsiderada a água, têm até 35% de proteína.

Outro exemplo é o babaçu, palmeira nativa do Mato Grosso e de vários Estados do Nordeste, cuja castanha pode ser consumida cru ou torrada, além de processada para extração de leite ou transformada em farinha para pães e mingaus.

Essa castanha contém de 60% a 70% de óleo rico em ácido láurico, similar ao presente no óleo de coco e no azeite de dendê.

Em 1984, a Embrapa identificou a existência de 12 a 18 milhões de hectares de babaçuzais no Brasil. Na página de seu livro dedicada à espécie, Lorenzi e Kinupp afirmam que o babaçu tem "grande potencial alimentício" e "deveria estar no mercado".

E houve uma época em que o fruto de fato esteve nas prateleiras.

Na década de 1990, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 300 mil famílias trabalhavam com o fruto.

Em 2017, no entanto, o número havia despencado para 15 mil famílias.

Pesquisadora em agricultura familiar e desenvolvimento sustentável da Embrapa Cocais, no Maranhão, a agrônoma Guilhermina Cayres diz que hoje quase toda a extração atual é destinada à indústria de cosméticos e materiais de limpeza.

Ela afirma à BBC que o Maranhão chegou a ter várias indústrias dedicadas à produção de óleo de cozinha de babaçu. Porém, o setor não foi capaz de competir com o óleo de soja, mais barato, e tem sofrido com a expansão da pecuária sobre os babaçuzais.

Além disso, Cayres afirma que muitos trabalhadores deixaram o babaçu por associá-lo à pobreza e por considerar a atividade extenuante.

Grande parte do serviço das famílias consiste em quebrar artesanalmente o coco que abriga as castanhas, função desgastante e normalmente assumida por mulheres.

A pesquisadora diz esperar que o cenário mude com o desenvolvimento pela Embrapa de uma ferramenta que facilita a quebra do coco.

A invenção, que já está sendo fabricada por uma pequena empresa local, foi finalista de um prêmio sobre tecnologias sociais da Fundação Banco do Brasil em 2021.

Cayres também aposta no desenvolvimento de produtos com maior valor agregado à base de babaçu, como biscoitos e sorvetes.

Comida que vai para o lixo

Também são consideradas PANC espécies que são consumidas nacionalmente, mas têm partes comestíveis descartadas pela maioria.

Um exemplo é o miolo do mamoeiro, que pode ser transformado em doces e farinha. Outro, o mangará ("coração") da bananeira, que pode ser servido refogado ou como recheio de pastéis.

Hoje, porém, quase todas as plantações comerciais de mamão e banana do país desprezam os itens.

Até mesmo a polpa de um fruto bastante popular, o caju, é descartada às toneladas no Nordeste por indústrias que processam a castanha da fruta, diz o sociólogo Carlos Alberto Dória, autor de vários livros sobre gastronomia.

"Os galhos (dos cajueiros) são usados como lenha, e a castanha é torrada e exportada", ele diz. "O resto, a polpa, vai para o lixo em quantidade expressiva", afirma.

Um dos sócios do Lobozó, restaurante em São Paulo inspirado nas antigas culinárias caipira e caiçara do Estado, Dória diz que o movimento pela valorização das PANC tem alcance limitado.

"É uma coisa de classe média que quer experimentar novidade e que se angustia com o desprezo pela diversidade", afirma.

Diz ainda que ingredientes regionais, que só sejam produzidos ou consumidos em partes do país, tendem a desaparecer das prateleiras porque a indústria privilegia produtos de alcance nacional.

"A exceção talvez seja o açaí, um produto regional que virou uma commodity, mas isso é muito raro", afirma.

Agricultura urbana

Que meios então haveria para não só preservar mas também ampliar o acesso a alimentos tão ricos, que exigem tão pouco e ocorrem em abundância no Brasil?

O pesquisador Nuno Rodrigo Madeira, da Embrapa Hortaliças, sugere três caminhos.

O primeiro seria incentivar o cultivo de plantas alimentícias não convencionais, oferecendo apoio técnico aos agricultores, criando feiras para a venda desses itens e espaços para a troca de conhecimentos.

O segundo seria aprofundar o debate sobre a comida nas escolas; ensinar às crianças desde cedo a importância de consumir produtos frescos e nutritivos, fazê-las se questionarem sobre a origem dos alimentos e entenderem como a comida é feita.

Ele diz que o movimento em torno das PANC não é só sobre alimentação, mas também sobre aprender a observar a natureza, conseguir identificar as espécies que nos rodeiam, sentir-se parte de um sistema vivo e integrado.

O terceiro caminho para diversificar e baratear a comida, segundo o pesquisador, seria reaproximar a produção de alimentos da população - especialmente a população que vive nas cidades.

Pessoas que morem em casas com quintais poderiam se tornar quase autossuficientes em hortaliças, diz ele, se cultivassem alguns pés de espécies como ora-pro-nóbis, chaya ou moringa - todas elas árvores ou arbustos perenes que produzem folhas comestíveis em abundância o ano todo.

Mas como nem todos têm espaço em casa para produzir, o pesquisador defende que as cidades destinem espaços para a criação de hortas urbanas.

Ele afirma que é possível cultivar hortaliças para todos os habitantes de uma cidade em 10% de sua área - iniciativa que já vem sendo adotada com sucesso, segundo Madeira, em cidades como Detroit (EUA), Havana (Cuba) ou mesmo em Sete Lagoas, em Minas Gerais.

A escolha das espécies levaria em conta as aptidões de cada local, mesclando plantas convencionais e não convencionais.

Ele diz que a produção de alimentos dentro das cidades reduziria os custos deles, pois se economizaria com o transporte dos itens até os mercados, e poderia ocupar moradores de rua e outros grupos marginalizados.

"Não faz sentido gastar um mundaréu de combustível para levar cenouras de um Estado para o outro, como é feito hoje no Brasil", diz.

Madeira diz que o cultivo de alimentos foi justamente o que propiciou o surgimento dos primeiros núcleos urbanos da história, conforme famílias se agruparam em torno de plantações.

"As cidades se formaram por causa da agricultura, e a agricultura não pode estar longe das cidades", diz. ( Fonte: BBC News Brasil em São Paulo)

Principais espécies citadas na reportagem

Babaçu (Attalea speciosa)

Beldroega (Portulaca oleracea)

Buriti (Mauritia flexuosa)

Cará-de-espinho (Dioscorea chondrocarpa)

Caruru (Amaranthus deflexus)

Ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata)

 

Portaria do Ministério do Meio Ambiente em conjunto com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) institui a Plataforma de Anuência Única do Brasil - PAU Brasil, ferramenta de gestão e anuência para a importação e exportação de espécimes, produtos e subprodutos da fauna, da pesca e da flora nativas.

A plataforma, que ficará sob controle do Ibama, funcionará em conjunto com o Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) do Ministério da Economia visando à emissão de documentos como licenças, autorizações, permissões e certificados.

A portaria entrará em vigor em 25 de janeiro. Entre os espécimes que poderão ter licenças emitidas para comércio exterior estão peixes de águas continentais e marinhas. Também estão previstas licenças para a exportação de tora (madeira acima de 250 milímetro espessura e de lenha), madeiras e carvão vegetal de espécies nativas; espécimes, produtos e subprodutos da flora e da fauna silvestre brasileiras e exótica constantes nos anexos da Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites).

Os requerimentos poderão ser feitos via formulário eletrônico, no site do Ibama, junto ao Sistema de Emissão de Licença Cites (Siscites). De acordo com a portaria. “os requerentes de licenças Cites, pessoas físicas ou jurídicas, deverão efetuar sua inscrição no Cadastro Técnico Federal - CTF como Uso de Recursos Naturais, nas categorias: importação ou exportação de fauna nativa brasileira, importação ou exportação de flora nativa brasileira e importador ou exportador de fauna silvestre exótica”, e manter seus dados atualizados. (Fonte: Agência Brasil)

 

Parque Tia Nair terá 500 novas árvores nativas e frutíferas. Mudas foram plantadas pela Rota do Oeste em parceria com projeto Verde Novo - uma iniciativa do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso.

 Quem usou  a manhã do último dia 10 para passear pelo parque Tia Nair, em Cuiabá, aproveitou para plantar árvores na ação voluntária desenvolvida pela Concessionária Rota do Oeste em parceria com o projeto Verde Novo, uma iniciativa do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso. Foi o caso dos pequenos João e Enzo, que estavam com a mãe Geovana Ferreira levando seus cachorros para um passeio. Os garotos se divertiram na atividade de plantar uma árvore cada, enquanto sua mãe contava como seria bom poder passear em um parque mais arborizado com seus filhos no futuro.

 Apesar do sol forte logo cedo, a população não se intimidou ao enfrentar as altas temperaturas para participar da empreitada ambiental em prol de uma “Cidade Verde”. A cuiabana Amália Atala e sua companheira canina Luma também não ficaram de fora: “Nós fazemos caminhada no parque todos os dias, é muito boa uma ação que vai trazer sombra para a cidade”, conta Amália. Ao todo, a Concessionária Rota do Oeste plantou 500 mudas de árvores nativas e frutíferas no local. As espécies variam entre ipês de todas as cores e árvores frutíferas como acerola, goiaba, tamarindo, amora e ingá.

 Durante a ação a representante do projeto Verde Novo Rosiane Carnaíba explicou a forma mais adequada para o plantio, visando o crescimento saudável das mudas. Para um melhor resultado em acordo com o clima local, foi utilizado o gel de plantio, um polímero que tem a capacidade de reter umidade e nutrientes no solo, beneficiando a evolução da planta. Sobre o Verde Novo, Rosiane conta que a ideia inicial era o plantio de 300 mil mudas e já foram plantadas mais da metade. Agora o novo plano é dar seguimento ao projeto sem estipular uma quantia mínima. “É muito importante para o projeto contar com a parceria de empresas como a Rota do Oeste. Plantar árvores reduz a temperatura e neutraliza a emissão de carbono na atmosfera”, destaca.

 A missão ambiental foi uma iniciativa da Rota do Oeste pela sua responsabilidade socioambiental. A empresa buscou voluntariamente parceria com o TJMT que prontamente acionou o projeto Verde Novo, fazendo a doação das 500 mudas plantadas pela Concessionária no parque. O gerente de Sustentabilidade da Rota do Oeste, Wilmar Manzi, conta que é uma forma de contribuir com um ambiente mais apropriado para a sociedade. “É uma parceria muito gratificante. A intenção é continuar com a parceria e realizar uma ação como esta anualmente” afirma Manzi.

 A parceria foi reconhecida também pelo representante do Juizado Volante Ambiental de Cuiabá (JUVAM), Sérgio Saviolli. “A conscientização ambiental é uma pauta mundial que envolve a todos nós. A Rota do Oeste firmou esta parceria com o Projeto Verde Novo para prestar sua contribuição ambiental ao plantar 500 novas árvores neste parque, que contribuirão para o microclima da nossa região, combatendo o aumento de temperatura e a baixa umidade relativa do ar. A participação da iniciativa privada em ações como esta é de suma importância, pois o equilíbrio do meio ambiente é responsabilidade de todos”, registra o Saviolli. O JUVAM é o departamento idealizador do projeto Verde Novo.

 Para Eder Lemes, funcionário da Concessionária que participou do plantio de mudas, essa é uma ação ‘para sempre’, já que as árvores crescerão e farão sombra para várias gerações. “Plantei as mudas pensando que um dia virei ao parque com minha família e poderei me sentar na sombra dessas árvores”. Aqueles que desejam conhecer mais sobre o projeto ou se tornar voluntários, podem acessar o site verdenovo.tjmt.jus.br

 (Fonte: Assessoria Rota do Oeste )

Cultivo de árvores nativas brasileiras permite retorno de investimento com mediana de 15,8%

Estudo analisou 40 projetos em quatro biomas brasileiros e comprovou também benefícios ambientais, como melhora dos recursos hídricos e remoção de carbono da atmosfera. O estudo constatou ainda que modelos produtivos com espécies nativas podem retirar de 6,7 a 12,5 toneladas de dióxido de carbono equivalente da atmosfera por hectare ao ano.

Um retorno de investimento com mediana de 15,8%, podendo alcançar 28,4% ao ano: esta é uma das principais conclusões da análise de 40 projetos de plantio de árvores nativas brasileiras em quatro dos seis biomas brasileiros. O estudo constatou ainda que modelos produtivos com espécies nativas podem retirar de 6,7 a 12,5 toneladas de dióxido de carbono equivalente da atmosfera por hectare ao ano. Eles também reduzem a erosão do solo, melhorando a qualidade da água que chega aos rios e reservatórios.

Liderado pelo Força-Tarefa Silvicultura de Espécies Nativas da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, com apoio e coordenação do WRI Brasil, o estudo avaliou 40 casos implementados ou apoiados por 30 diferentes agentes econômicos – desde agricultores familiares a parcerias com finalidade experimental, bem como empresas rurais. Juntos, eles ocupam mais de 12 mil hectares em oito estados, com predominância nos dois principais biomas florestais do Brasil, Amazônia e Mata Atlântica.

A análise se concentrou em três diferentes modelos que possibilitam o cultivo de árvores nativas brasileiras: a silvicultura de espécies nativas, os sistemas agroflorestais (SAF) e o sistema integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Ao todo, os 40 casos avaliados cultivam mais de 100 espécies florestais e agrícolas, entre nativas e exóticas.

A avaliação econômica desses projetos mostrou que as taxas internas de retorno (TIR) dos investimentos variam de 2,5% a 28,4% ao ano, com mediana de 15,8%. Com exceção de dois casos, todos os resultados mostram TIR superior a 9% – percentual competitivo na comparação com outras atividades agropecuárias. A rentabilidade para o produtor é também um indicativo de que o Brasil tem uma grande oportunidade de gerar emprego e renda se aumentar e der escala a atividades de silvicultura de espécies nativas na produção de madeira, óleos vegetais, alimentos como castanhas, frutas e diversos outros produtos florestais.

“Há um enorme potencial para os produtos florestais brasileiros nas cadeias produtivas nacionais e globais. No caso do mercado de madeira tropical, por exemplo, menos de 10% da produção mundial tem origem no Brasil”, explica Miguel Calmon, líder da Força-Tarefa Silvicultura de Espécies Nativas da Coalizão Brasil.

“O Brasil tem mais de 90 milhões de hectares de pastagem com algum nível de degradação. Desse total, mais de 40 milhões encontram-se em estado severo. O que este estudo mostra é que essa imensa fronteira que exige restauração pode ser uma oportunidade rentável de investimento para o produtor”, destaca Daniel Soares, analista de investimento do WRI Brasil e um dos autores do estudo.

Impulso mundial

Além da taxa de retorno do investimento, o produtor ainda se beneficia dos serviços ambientais oferecidos pelas espécies nativas, tais como melhora dos recursos hídricos e aumento da resiliência e produtividade de outras atividades que podem ser consorciadas com as árvores. A remoção de carbono da atmosfera, por sua vez, é um benefício para todo o planeta, mas também pode contribuir com o fluxo de caixa do produtor, já que oportunidades no mercado de carbono vêm ganhando impulso mundialmente.

A análise dos 40 casos de produção envolvendo árvores nativas brasileiras foi feita com a Ferramenta de Investimento Verena, do WRI Brasil, com base em um modelo financeiro de fluxo de caixa descontado. As informações para compor os modelos financeiros foram fornecidas pelos executores e parceiros dos casos. As principais informações para fazer a análise econômica e financeira foram a produtividade esperada para cada espécie, os custos de implementação e manutenção e as despesas administrativas. O custo de oportunidade da terra foi baseado no valor da terra, em reais por hectare, referente ao uso e ao município mais próximos ao caso.

A avaliação um a um dos casos mostrou que o investimento necessário e o retorno variam entre os modelos. A silvicultura de nativas, em geral, requer maior exposição de caixa e um período maior para que o investimento cumpra o retorno esperado. Os SAFs e sistemas ILPF, os quais incluem culturas agrícolas ou pecuária, permitem antecipar a entrada de caixa.

Para a análise de carbono, utilizou-se o GHG Protocol Florestas e Sistemas Agroflorestais. A silvicultura de nativas mostrou potencial para retirar 12,5 toneladas de dióxido de carbono equivalente da atmosfera por hectare ao ano (tCO2eq/ha/ano). Os sistemas agroflorestais, por sua vez, mostraram potencial de remover 6,7 tCO2eq/ha/ano. O estudo não quantificou a remoção de carbono dos sistemas ILPF. ( Fonte:  EcoDebate)

 

 

 

Domingo, 05 Dezembro 2021 05:00

“A natureza não tem castas”

Filha de agricultores tradicionais do Vale do Guaporé e hoje coordenadora do programa de direitos socioambientais do Instituto Centro de Vida, Deroní Mendes fala sobre conexões naturais e divisões sociais.

Quem é Deroni de Fátima Leite Mendes?

 Sou filha do seu Germano e da Dona Benedita, agricultores tradicionais do Vale do Guaporé, cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade, no Mato Grosso. Vila Bela é a primeira capital de Mato Grosso e a primeira cidade planejada do Brasil, fundada pela coroa portuguesa para assegurar que os espanhóis não povoassem o local. A minha cidade fica na fronteira com a Bolívia e é muito pequena, com cerca de 17 mil habitantes. Por um lado, tem uma grande pobreza, por outro também tem um enorme rebanho bovino. Em 2020, tinha o sexto rebanho do Brasil e o primeiro do Mato Grosso, o que indica a desigualdade na distribuição de renda. Sou da cidade de Tereza de Benguela, e quem nasceu em Vila Bela, se é negra, se é mulher, é uma herdeira de Tereza de Benguela. Aos 11 anos fui para cidade para estudar e aos 23 anos mudei de cidade para fazer faculdade. Entrei nesse meio socioambiental, e em 2006 me mudei para Cuiabá, onde estou até hoje. Sou uma mulher que sempre quis conhecer como é que funciona esse sistema da estrutura social e que nunca desistiu de lutar para trazer um pouco de benefício, de melhoria de qualidade de vida, para minha família principalmente. Eu nunca deixei de olhar qual é o papel da população negra na cidade de Vila Bela, qual o ramo que elas ocupam e principalmente qual é o papel da mulher negra nessa sociedade.

O que  fez você despertar para esse mundo socioambiental, a sua formação foi relacionada ao meio ambiente?

 Eu fiz geografia, hoje eu falo que foi a melhor escolha, mas não foi a minha escolha, foi o que sobrou, o que deu se eu tivesse escolha naquela época eu faria direito, mas as minhas condições sociais e econômicas não permitiam. Eu sempre quis fazer direito para defender as coisas com base no que estava escrito e que ninguém poderia descontruir. Mas Vila Bela é muito pequena e não tem faculdade. O lugar mais perto é Cáceres, que fica a cerca de 300 km. Lá tinha faculdade de direito, mas o curso era no período da manhã e eu precisava trabalhar. A gente é de família muito pobre, então eu tinha que ir para lá, arrumar um lugar para ficar e trabalhar. Pude fazer geografia, porque era a noite. Eu gosto da geografia humana e da geografia agrária, porque eu sou da zona rural e porque eu vejo que questões como o uso da terra é o que move o mundo nas relações sociais, culturais e econômicas. Eu fui para esse meio socioambiental quando eu comecei a trabalhar, durante a faculdade, na Fase – Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional. Eu estava em uma loja, em um trabalho análogo a escravidão, quando o coordenador da Fase me tirou de lá para trabalhar na biblioteca da ONG e foi lá que eu fui cada vez mais compreendendo o contexto das populações rurais, o contexto em que eu vivia e em que a minha família vive.

 Você sempre viveu num meio rural, só que você não tinha essa perspectiva que a geografia te deu. Hoje, qual a sua visão, enquanto mulher afro-latina-americana, sobre a proteção florestal?

 Eu estava pensando hoje sobre isso, sobre o papel das mulheres em todo e qualquer sistema, em toda e qualquer cultura. Eu costumo dizer que as mulheres são as guardiãs do clima e das florestas. Embora sejam os homens que pescam, que caçam e que fazem a roça, são as mulheres que observam os comportamentos e que fazem a comida. As comunidades afro têm um misticismo muito próximo das comunidades indígenas, tudo tem um por quê. A geografia me trouxe um novo olhar, mas eu sempre defendo que o conhecimento científico que a gente aprende na academia, não é melhor nem pior do que o que a gente aprende na vivência, ele pode ser complementar. Às vezes, difícil é conciliar. Nem quem está no sítio ou nem quem está na academia, quer esvaziar sua xícara. Todo mundo está cheio da sua opinião, do seu conhecimento, da sua expertise. E às vezes, isso não traz bons frutos.

 Você agora trabalha no Instituto Centro de Vida (ICV). O que você está fazendo lá?

 Eu trabalhei no ICV de 2007 a 2009 e depois retornei em 2012. Eu concorri a um edital de assistente de projetos lá e eu fui chamada para uma entrevista. Minha filha estava com 3 meses de idade. Nem as creches aceitavam crianças desta idade e eles me contrataram mesmo assim. Eu iniciei o trabalho em uma área administrativa, mas no final de 2019 eu assumi a coordenação compartilhada do programa de direitos socioambientais. Esse programa nasce das emergências que assola os grupos em situação de vulnerabilidade social econômica, ambiental, que é uma vulnerabilidade estrutural e histórica. O objetivo do programa e fortalecer esses grupos do ponto de vista social, político, cultural e econômico. Não é falar por eles, mas é entender qual é a prioridade e como que faz a voz deles ir mais longe. Como é que a gente contribui para que eles consigam dialogar de forma mais efetiva, nos diferentes espaços, para que os produtos deles cheguem mais longe, enfim, como é que a gente constrói soluções compartilhadas com esses grupos. Nosso foco é o estado de Mato Grosso, onde as vulnerabilidades já são gigantescas.

 Vocês estão acompanhando a implementação do Código Florestal nos territórios dos Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs)?

 No caso da implementação do Código Florestal para povos e comunidades tradicionais, a gente começou a acompanhar ainda na época do governo anterior (governo Dilma), quando ainda estavam sendo discutidas as premissas da regularização ambiental para os territórios deles, tendo em vista que são em sua maioria coletiva e têm também as suas especificidades. Como fazer a regularização ambiental dos pescadores, dos geraizeiros, das quebradeiras de cocos? São diferentes desafios dessa implementação que é muito complexa. Acho que vai demandar um grande esforço da sociedade civil, desses grupos e dos governos.

 Você vê algum avanço para esses povos, após 9 anos da Lei?

 O que a gente percebe é que houve uma mobilização e hoje esse diálogo diminuiu. Esses diálogos, em função da implementação do Código Florestal, precisam ser retomados. Eu acredito que, no estado de Mato Grosso, há uma possibilidade da retomada, pois está acontecendo uma ativação do comitê estadual de povos e comunidades tradicionais. Algumas das lideranças desse comitê são pessoas que já acompanhavam a discussão sobre o CAR. Eu acredito que toda essa bagagem, que eles acumularam na discussão nacional, vai ser bem-vinda para o estado.

 Na visão das comunidades locais, com as quais você cresceu e convive, existe uma preocupação com o Código Florestal? Você acha que a nova Lei impactou essas comunidades e nas suas formas de produzir e comercializar ou nada mudou?

 Tem casos e casos. As comunidades tradicionais se enquadram nos critérios da agricultura familiar para o acesso a crédito, por exemplo. A concessão de crédito já era um impacto já apontado pelos próprios PCTS, pois eles teriam que apresentar o recibo do CAR, o que já exclui um pouco essa possibilidade do acesso a crédito. Mas outra questão a se considerar é que muitos desses grupos nunca acessaram esses créditos, então eles não têm muito claro para que serve e quais os benefícios de fato de se ter o CAR. A minha família, por exemplo, nunca acessou a PRONAF, que seria o que eles precisariam de um recibo do CAR.

Então, a questão do CAR é meio que “faz porque tem que fazer”. A gente fez o CAR porque tinha um prazo, apareceu no jornal que todo mundo que tinha propriedade tinha que fazer. A minha família procurou um escritório, levou os documentos e fez a CAR. Igual a minha família, muitos fizeram a mesma coisa, porque está na lei então tem que fazer. Os pequenos pagam o ITR, todos os encargos, vacinam seus bois. Sabe que tem que fazer, vai lá e faz, paga para fazer e se precisar do documento, está na lei. Agora para que que serve de fato, se com esse documento aqui eu consigo algum outro benefício social, ou econômico, ou algum apoio de assistência técnica, isso inexiste para muitos.

 Quais são as suas principais preocupações em relação à proteção florestal e ao cumprimento do Código Florestal?

 Às vezes é complicado perceber o impacto sinérgico das coisas. Não adianta a gente respeitar a reserva legal, não desmatar e ficar ilhado. Não adianta a gente cuidar de um lado, pois se o outro não cuidar, a seca severa ou a inundação também vão chegar aqui. A natureza não tem castas. Uma outra questão que a gente precisa levar em consideração é a necessidade dessas comunidades, a vulnerabilidade social e econômica. Por exemplo, meu pai tem 84 anos e está com Alzheimer, com Parkinson, ele já não anda. A gente não faz mais roça há um bom tempo, para manter ele e com a aposentadoria da minha mãe, são muitos remédios e essas necessidades são urgentes. O que a gente vai fazer? Vamos criar boi. Porque é o imediato. Nessas comunidades a gente tem que observar as necessidades sociais, o quanto essas comunidades estão desassistidas do poder público. Essas pessoas precisam comer, tem os animais, tem a família para alimentar, tem o remédio, tem a energia, tudo custa dinheiro. Vamos criar boi, vamos construir pasto. Por que onde que a gente vai ter assistência técnica gratuita para tornar o nosso quintal produtivo? Têm todas essas questões.

 Qual a sua perspectiva de futuro? O que você vê para as comunidades nos próximos anos?

 O meu sonho é ver essas comunidades tradicionais, que eu não tenho nenhuma dúvida de que são de fato os guardiões da floresta, conseguindo produzir pelo menos o suficiente para a sua segurança alimentar e nutricional. E ver os produtos da sociobiodiversidade sendo valorizados no mercado. É ver os fazeres das comunidades tradicionais como uma verdadeira fonte de sustento. Meu sonho é que de fato o óleo de babaçu, que o meu irmão produz, que ele leva na garrafa pet para vender sob encomenda na cidade, seja vendido por um preço justo, que ele consiga colocar um rótulo no produto, que a gente consiga ter uma banquinha. Cada comunidade é um tesouro, ela é um ecossistema social, político, económico, que tem a sua forma própria de se organizar. E que essa organização se torne uma possibilidade para eles continuarem a ser o que são. Caber na caixinha do colonizador para a gente seguir em frente, ser respeitado, valorizado. O meu sonho é que a gente não precise disso. Cada um é cada um, cada cultura, cada fazer, cada forma de organizar è importante e tem o seu lugar. Eu consegui positivar quem eu sou, de onde eu vim, mas nem todo mundo consegue, inclusive da minha própria família, o ser negro, ser da zona rural. É legal também para eles verem que a gente tem a nossa importância. Para quem está 365 dias por ano aqui, não é fácil. Não é fácil quando você chega a            o mercado, quando você vai no posto, quando você vai na prefeitura. É muito diferente do que eu, que moro em Cuiabá e chego aqui, é outro tratamento. O meu sonho é que não precise ser assim. Essas coisas mostram como essas comunidades são negligenciadas e invisibilizadas intencionalmente. Quanto menos se souber quem somos, onde estamos e como fazemos, melhor. Melhor para quem não nos quer igual. (Fonte:  Observatório do Código Florestal)

 

 

Bureau Veritas lança programa voltado para produtores e importadores de biocombustíveis.

O Bureau Veritas, líder mundial em Teste, Inspeção e Certificação (TIC), amplia suas soluções para o mercado nacional de biocombustíveis, com o lançamento do Programa BV Renovabio. A iniciativa inclui a Certificação Renovabio e serviços estratégicos, auxiliando empresas a alcançarem as metas nacionais de descarbonização, além de cobertura geográfica total da área de atuação e equipe do Bureau Veritas especializada em Sustentabilidade.
"O lançamento do Programa BV Renovabio é mais uma iniciativa do Bureau Veritas em contribuir para um mundo mais verde. Com nossa presença em todo o Brasil, o programa nos permite atender de maneira mais completa o mercado nacional de Biocombustível, que tem apresentado alta significativa nos últimos anos, com atendimento de excelência a todas os clientes independentemente de sua localização ", destaca José Cunha, diretor de Certificação do Bureau Veritas.
O Programa BV Renovabio integra o selo de certificação, análise de elegibilidade e serviços de georreferenciamento, além de outras soluções complementares, como construção de elegibilidade, análise de ciclo de vida do produto e desenvolvimento de pegada de carbono e Análise de Lacunas (Gap Analysis) para a comparação entre o desempenho real do cliente e o desempenho potencial, com relação às metas de descarbonização.
A Certificação Renovabio, inclui duas fases prioritárias. O processo inicia com a análise de elegibilidade do produtor de biocombustíveis a partir da verificação documental da unidade. Após esse passo, a elegibilidade da rota de produção também é verificada e são abertos os processos administrativos com a ANP. Ocorre então a análise de imagens por meio de satélites, assim como a conferência de informações e possíveis pendências. O próximo passo é a realização de uma auditoria, com vistoria presencial da unidade produtora. A partir dos dados coletados, tem início a última fase da certificação, com elaboração do relatório final e emissão do Selo Renovabio. O certificado terá validade de três anos contados a partir da aprovação pela Agência Nacional de Petróleo (ANP).
Com quase 200 anos de experiência no mercado, o Bureau Veritas já certificou mais de 100 mil empresas e possui mais de 20 mil profissionais treinados em padrões internacionais. O Grupo oferece mais de 60 treinamentos em Sistemas de Gestão da Qualidade, Formação de Auditor, Auditor Líder, Compliance e Seis Sigma.

Sobre o Grupo Bureau Veritas
Com receita global de 4,6 bilhões de euros, o Bureau Veritas é líder mundial em Teste, Inspeção e Certificação (TIC). Fundado em 1828, o Grupo está presente em 140 países, atendendo mais de 400 mil clientes. São 75 mil colaboradores localizados em mais de 1.600 escritórios e laboratórios pelo mundo, sendo 5 mil profissionais no Brasil. O Bureau Veritas oferece um portfólio completo de serviços e soluções inovadoras para garantir que ativos, produtos, infraestrutura e processos que atendam aos padrões e regulamentações de qualidade, saúde e segurança, proteção ambiental e responsabilidade social.

 

Bureau Veritas lança programa voltado para produtores e importadores de biocombustíveis.

O Bureau Veritas, líder mundial em Teste, Inspeção e Certificação (TIC), amplia suas soluções para o mercado nacional de biocombustíveis, com o lançamento do Programa BV Renovabio. A iniciativa inclui a Certificação Renovabio e serviços estratégicos, auxiliando empresas a alcançarem as metas nacionais de descarbonização, além de cobertura geográfica total da área de atuação e equipe do Bureau Veritas especializada em Sustentabilidade.
"O lançamento do Programa BV Renovabio é mais uma iniciativa do Bureau Veritas em contribuir para um mundo mais verde. Com nossa presença em todo o Brasil, o programa nos permite atender de maneira mais completa o mercado nacional de Biocombustível, que tem apresentado alta significativa nos últimos anos, com atendimento de excelência a todas os clientes independentemente de sua localização ", destaca José Cunha, diretor de Certificação do Bureau Veritas.
O Programa BV Renovabio integra o selo de certificação, análise de elegibilidade e serviços de georreferenciamento, além de outras soluções complementares, como construção de elegibilidade, análise de ciclo de vida do produto e desenvolvimento de pegada de carbono e Análise de Lacunas (Gap Analysis) para a comparação entre o desempenho real do cliente e o desempenho potencial, com relação às metas de descarbonização.
A Certificação Renovabio, inclui duas fases prioritárias. O processo inicia com a análise de elegibilidade do produtor de biocombustíveis a partir da verificação documental da unidade. Após esse passo, a elegibilidade da rota de produção também é verificada e são abertos os processos administrativos com a ANP. Ocorre então a análise de imagens por meio de satélites, assim como a conferência de informações e possíveis pendências. O próximo passo é a realização de uma auditoria, com vistoria presencial da unidade produtora. A partir dos dados coletados, tem início a última fase da certificação, com elaboração do relatório final e emissão do Selo Renovabio. O certificado terá validade de três anos contados a partir da aprovação pela Agência Nacional de Petróleo (ANP).
Com quase 200 anos de experiência no mercado, o Bureau Veritas já certificou mais de 100 mil empresas e possui mais de 20 mil profissionais treinados em padrões internacionais. O Grupo oferece mais de 60 treinamentos em Sistemas de Gestão da Qualidade, Formação de Auditor, Auditor Líder, Compliance e Seis Sigma.

Sobre o Grupo Bureau Veritas
Com receita global de 4,6 bilhões de euros, o Bureau Veritas é líder mundial em Teste, Inspeção e Certificação (TIC). Fundado em 1828, o Grupo está presente em 140 países, atendendo mais de 400 mil clientes. São 75 mil colaboradores localizados em mais de 1.600 escritórios e laboratórios pelo mundo, sendo 5 mil profissionais no Brasil. O Bureau Veritas oferece um portfólio completo de serviços e soluções inovadoras para garantir que ativos, produtos, infraestrutura e processos que atendam aos padrões e regulamentações de qualidade, saúde e segurança, proteção ambiental e responsabilidade social.

 

O curta-metragem retrata o misticismo do lugar a partir da reflexão sobre a fuga da rotina e do sistema econômico.

O misticismo na Serra do Roncador, conhecida pela forte energia espiritual e natureza exuberante, é a inspiração para o documentário "O Dedo de Deus: contatos mágicos na Serra do Roncador", que estreia no mês de dezembro em Barra do Garças, Cáceres e Cuiabá. Produzido com recursos do edital MT Nascentes, da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), terá a primeira exibição pública presencial nesta quarta-feira (1º.12), em duas sessões, para a comunidade da Escola Estadual Irmã Diva Pimentel, em Barra do Garças.

Para o público geral, o documentário estreia no dia 07 de dezembro, às 19h, em Cáceres e Barra do Garças. Em Cáceres, será no 3º Festival de Cinema Olhares do Pantanal. E em Barra do Garças, no auditório da Prefeitura Municipal. Uma semana depois, em 14 de fevereiro, a exibição pública será em Cuiabá, às 19h, no cinema do Sesc Arsenal.

O curta-metragem foi selecionado no edital MT Nascentes da Secel, viabilizado por meio da Lei Aldir Blanc, e retrata o misticismo na Serra do Roncador a partir da reflexão sobre a fuga da rotina e do sistema econômico, que valoriza os bens materiais, a busca pelo amadurecimento espiritual que intriga a razão, a cura das feridas emocionais.

A idealizadora do projeto, a jornalista Aliana Camargo, afirma que a realização do documentário é uma provocação interna para ela e para os que assistem. “Ele traz o benefício da dúvida para quem é cético, e instiga os que estão na busca de saber o que há além dos nossos cinco sentidos materiais. Além disso, mostra a riqueza exuberante da Serra do Roncador, que é um lugar com uma energia muito forte”. Aliana também assina o roteiro e a direção do filme.

 

A produção audiovisual é estruturada a partir do relato de experiências metafísicas e de evolução da consciência humana vivenciadas pelo ator cuiabano André D’Lucca, um apaixonado pela região. Do primeiro encontro com a serra, ainda na adolescência, às mais de 30 viagens ao Roncador na fase adulta, André conta sua trajetória em busca de autoconhecimento e de conexão com o divino.

O mistério que transcende a realidade material também se fortalece com os depoimentos de pesquisadores e de espiritualistas que consideram o Roncador um santuário espiritual e metafísico, um chacra da Terra. Mais do que a porta da Amazônia Legal, a Serra do Roncador seria um portal para o desconhecido.

O título do filme, O dedo de Deus, é uma menção à formação rochosa no Roncador bastante visitada por turistas e místicos do Brasil e do exterior, por ser considerado um local onde há grande concentração energética. Com 31 minutos de duração, o filme foi realizado em parceria com o Núcleo de Produção Digital da Universidade Federal de Mato Grosso (NPD/UFMT) do campus Araguaia. 

trailer do filme está disponível no youtube.

 

Segunda, 01 Novembro 2021 13:17

Uma legislação para o bioma

Conferência vai discutir legislação para o pantanal.
Evento vai contar com palestras sobre uso sustentável dos recursos naturais

Proposto pelo senador Wellington Fagundes (PL-MT), o Estatuto do Pantanal será discutido, no período de 10 a 12 de novembro, em uma conferência que vai reunir cientistas, pesquisadores e representantes do Poder Judiciário, Senado Federal e Assembleia Legislativa.

O objetivo é apresentar sugestões de aperfeiçoamento do projeto de Lei 5.482/2020, que está na Comissão de Meio Ambiente do Senado e cria uma legislação para o bioma.

A proposta de legislação levou em consideração a necessidade de exploração sustentável dos recursos naturais do pantanal e evitar que novas tragédias, como a do ano passado, se repitam, quando os incêndios consumiram 4 milhões de hectares no bioma.

Na época, o senador apresentou proposta para criação de uma Comissão Temporária Externa do Senado, que ouviu vários setores da sociedade em várias audiências. Desse trabalho, surgiu um relatório elaborado pelo senador Nelsinho Trad (MS) e a proposta de uma legislação pertinente, já que o bioma não conta com uma legislação federal, o que levou a Procuradoria Geral da República a propor a adoção da legislação da Mata Atlântica como arcabouço jurídico para o pantanal.

“Isso mostra a necessidade urgente de aprovarmos essa legislação. Mata Atlântica e pantanal são dois biomas muito diferentes. Não podemos continuar omissos”, avalia o senador.

O evento está marcado para o Teatro Zulmira Canavarros, na Assembleia Legislativa, e a programação prevê debates sobre a conservação e exploração sustentável da maior planície alagada do mundo.

Para os dois dias de debates, entre palestrantes e debatedores, foram convidados 19 especialistas em diversas áreas de formação como biólogo, juízes de direito, advogados, engenheiros (agronomia e florestal), professores e desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.  

Abertura da conferência será no dia 10 de novembro, às 19 horas, no Teatro Zulmira Canavarros. Os dias 11 e 1 estão reservados para os debates.

Terça, 26 Outubro 2021 05:00

Por um mundo mais sustentável

Ecoponto no Comper terá ações na Semana do Lixo Zero.

  A ‘Semana Lixo Zero’ será realizada em Cuiabá com diversas ações, dentre elas o curso ‘Condomínio Lixo Zero’, que ocorrerá no dia 27, às 19h, no  Ecoponto do estacionamento do Comper do Jardim Itália. O evento será presencial, gratuito e obedecerá as normas de biossegurança. A Semana Lixo Zero’ é uma realização do Instituto Lixo Zero Brasil, conta com o apoio de diversas empresas e instituições e ocorrerá até o dia 31 de outubro.

  O curso ‘Condomínio Lixo Zero’ será exclusivo para síndicos, administradores e mobilizadores ambientais de condomínios e prédios de Cuiabá e Várzea Grande. Serão abordados os processos desde a educação ambiental à destinação correta de todos os resíduos gerados e casos práticos.

 A coordenadora de Relacionamento com o Cliente da Rede Comper, Lídia Pachori contou que nos dias 30 e 31 (sábado e domingo), das 8 às 18h, as pessoas que levarem os seus recicláveis no Ecoponto ganharão uma muda de árvore frutífera ou nativa, uma parceria com o projeto Verde Novo e Arborizar Cuiabá.     

 O diretor da Teoria Verde, um dos organizadores do evento, Jean Peliciari, disse que este evento conta com uma vasta programação. “Será uma grande oportunidade para os participantes conhecerem o conceito lixo zero, casos de sucesso, diferentes metodologias, dentre outros”, disse.

 A programação completa e mais informações no site: www.teoriaverde.com.br/semanalixozero2021

  Ecoponto

Trata-se de um projeto ambiental, social e econômico de sustentabilidade que tem por objetivo receber doações de lixos recicláveis, que após serem vendidos terão o valor revertido para instituições sociais e para a compra de materiais escolares. A iniciativa nasceu da união de esforços de várias empresas, instituições e parceiros que trabalham por um mundo mais sustentável.

Os valores arrecadados com as doações recebidas pelo Ecoponto são destinados para as instituições de acordo com cada segmento:

  • Plásticos: É o Bicho MT, Cão Cuidado Cão Amor e Tampatinhas.
  • Alumínio e sucata de ferro: Abrigo Bom Jesus de Idosos.
  • Papel e Papelão: compra de kits escolares para crianças carentes da região.
  • Eletrônicos: Hospital de Câncer de Mato Grosso.
  • Óleo de Cozinha: valor dividido para as 12 escolas municipais cadastradas na campanha LEVO e que são locais de entrega voluntária.
  • Vidros: não haverá valor em dinheiro para a reciclagem, pois o valor do resíduo é baixo, mas terão destinação correta.
  • Remédios vencidos: não gera receita, mas igualmente terão a destinação correta.

 

Página 1 de 5