Meio Ambiente

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A Prefeitura de Cuiabá intensificou nesta semana o trabalho de eliminação de bolsões de lixo ao longo do perímetro urbano da cidade. A atividade é coordenada pela Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos (Limpurb) e durante esta semana está contemplando cinco comunidades, sendo quatro da região Sul e uma da Leste.

Durante a segunda-feira (14) e terça-feira (15), as equipes atuaram em áreas localizadas no Residencial Brasil 21 e também no bairro São José. Agora, desde a quarta-feira (16) até o próximo sábado (19), os trabalhos estão concentrados nos bairros Jardim Presidente II, Recanto do Sol e Planalto.

A atividade de limpeza das áreas utilizadas como pontos de descarte irregular de resíduos é realizada de forma contínua e conta com apoio de maquinários como pás carregadeiras e caminhões. Todo material recolhido por meio das ações da Limpurb é encaminhado para o aterro sanitário da Capital.

“O prefeito Emanuel Pinheiro nos deu a missão de não só dar continuidade, mas também de intensificar nossas ações de zeladoria. A eliminação de bolsões de lixo é fundamental para os moradores vizinhos dessas áreas, para o meio ambiente e para a saúde pública”, comenta o diretor-presidente da Limpurb, Vanderlúcio Rodrigues.

De acordo com a Limpurb, Cuiabá chegou a ter mais de 300 áreas identificadas como locais de despejo ilegal de lixo. Atualmente, apesar de ainda não ser considerado o ideal, o número foi reduzido para cerca de 38. Ainda conforme o órgão municipal, todas essas áreas são monitoradas com o apoio da população e recebem constantes intervenções de limpeza.

Além disso, para potencializar o combate dessa prática irregular, a Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos, criou o programa Mutirão Contra Bolsões de Lixo, executado todos os sábados. No entanto, Vanderlúcio destaca que para acabar com esse tipo de problema é necessário que a população também colabore com o trabalho executado.

“O primeiro passo para o cidadão nos ajudar a cuidar da cidade é também o mais eficaz, que é não jogar lixo em locais que não são apropriados para isso. Àqueles que seguem esse bom caminho da preservação, podem atuar como fiscalizadores e denunciar os infratores para a Secretaria de Ordem Pública pelo telefone (65) 3616–9614 ou até mesmo utilizar o 190 da Polícia Militar”, completa o diretor-presidente.

 

 

Segunda, 07 Junho 2021 05:00

Alerta Vermelho: Há apenas uma Terra

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Um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Fazendo as pazes com a Natureza (2021), destaca a “gravidade das triplas emergências ambientais da Terra: clima, perda de biodiversidade e poluição”. Essas três “crises planetárias autoinfligidas”, afirma o Pnuma, colocam “o bem-estar das gerações atuais e futuras em um risco inaceitável”. Esse Alerta Vermelho, lançado para o Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), é produzido com a Semana Internacional de Luta Antiimperialista.

A reportagem é publicada por Tricontinental, 02-06-2021.

 Qual a escala da destruição?

 Os ecossistemas se degradaram a um nível alarmante. O relatório da Plataforma de Política Científica Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos de 2019 fornece exemplos impressionantes da escala da destruição:

Um milhão das cerca de oito milhões de espécies de plantas e animais estão ameaçadas de extinção.

As ações humanas levaram pelo menos 680 espécies de vertebrados à extinção desde 1500, com as populações globais de espécies de vertebrados caindo 68% nos últimos 50 anos.

Mais de 9% de todas as raças de mamíferos domesticados usados para alimentação e agricultura foram extintas em 2016, com outras mil raças em extinção.

A degradação do ecossistema é acelerada pelo capitalismo, que intensifica a poluição e o desperdício, o desmatamento, a mudança e exploração do uso da terra e os sistemas de energia movidos pelo carbono. Por exemplo, o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), Mudanças Climáticas e Terra, (janeiro de 2020) aponta que apenas 15% das zonas úmidas conhecidas permanecem, a maioria tendo sido degradada além da possibilidade de recuperação. Em 2020, o Pnuma documentou que, de 2014 a 2017, os recifes de coral sofreram o mais longo evento de branqueamento grave já registrado. Prevê-se que os recifes de coral diminuam drasticamente com o aumento das temperaturas; se o aquecimento global aumentar para 1,5°C, apenas 10-30% dos recifes permanecerão; e se o aquecimento global aumentar para 2°C, então menos de 1% dos recifes irão sobreviver.

Do jeito que as coisas estão, há uma boa chance de que o oceano Ártico esteja sem gelo em 2035, o que afetará tanto o ecossistema ártico quanto a circulação das correntes oceânicas, possivelmente transformando o clima global e regional. Essas mudanças na cobertura de gelo do Ártico já desencadearam uma corrida entre as principais potências pelo domínio militar na região por conta de seus valiosos recursos energéticos e minerais, abrindo ainda mais a porta para uma devastadora destruição ecológica; em janeiro de 2021, em um artigo intitulado Regaining Arctic Dominance [Recuperando o domínio do Ártico], os militares dos EUA caracterizaram a região como “simultaneamente uma arena de competição, uma linha de ataque em conflito, uma área vital que contém muitos dos recursos naturais de nossa nação e uma plataforma de projeção de poder global”.

O aquecimento do oceano vem junto com o despejo anual de até 400 milhões de toneladas de metais pesados, solventes e lodo tóxico (entre outros resíduos industriais) – sem contar os resíduos radioativos. Este é o lixo mais perigoso, mas é apenas uma pequena proporção do lixo total lançado no oceano, incluindo milhões de toneladas de plástico. Um estudo de 2016 descobriu que, em 2050, é provável que haja mais plástico no oceano do que peixes em termos de peso. No oceano, o plástico se acumula em redemoinhos, um dos quais é a Grande Mancha de Lixo do Pacífico, uma massa estimada de 79 mil toneladas de plástico oceânico flutuando dentro de uma área concentrada de 1,6 milhão de km² (aproximadamente o tamanho do Irã). A luz ultravioleta do sol degrada os detritos em “microplásticos”, que não podem ser limpos e que perturbam as cadeias alimentares e destrói habitats. O despejo de resíduos industriais nas águas, inclusive em rios e outros corpos de água doce, gera pelo menos 1,4 milhão de mortes anualmente por doenças evitáveis ​​que estão associadas à água potável poluída por patógenos.

Os resíduos nas águas são apenas uma fração do que é produzido pelos seres humanos, estimado em 2,01 bilhões de toneladas por ano. Apenas 13,5% desses resíduos são reciclados, enquanto apenas 5,5% são compostados; os 81% restantes são descartados em aterros sanitários, incinerados (o que libera gases do efeito estufa e outros gases tóxicos) ou vão para o oceano. Com a taxa atual de produção de resíduos, estima-se que esse número aumentará 70%, chegando a 3,4 bilhões de toneladas em 2050.

Nenhum estudo mostra uma diminuição da poluição, incluindo a geração de resíduos, ou uma desaceleração do aumento da temperatura. Por exemplo, o Relatório da Lacuna de Emissões do Pnuma (dezembro de 2020) mostra que, até 2100 e mantendo a atual taxa de emissões, o mundo está a caminho de um aquecimento de pelo menos 3,2°C acima dos níveis pré-industriais. Isso é muito maior do que os limites estabelecidos pelo Acordo de Paris de 1,5° – 2,0°C. O aquecimento planetário e a degradação ambiental se alimentam mutuamente: entre 2010 e 2019, a degradação e a transformação da terra – incluindo o desmatamento e a perda de carbono do solo em terras cultivadas – contribuíram com um quarto das emissões de gases de efeito estufa, com as mudanças climáticas agravando ainda mais a desertificação e o rompimento de ciclos de nutrição do solo.

 Quais são as responsabilidades comuns e diferenciadas?

Na declaração da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992, o sétimo princípio de “responsabilidades comuns, mas diferenciadas” – acordado pela comunidade internacional – estabelece que todas as nações precisam assumir algumas responsabilidades “comuns” para reduzir as emissões, mas que os países desenvolvidos têm maior responsabilidade “diferenciada”, por historicamente ter maior contribuição nas emissões globais cumulativas que causam as mudanças climáticas. Uma olhada nos dados do Projeto de Carbono Global do Centro de Análise de Informações de Dióxido de Carbono mostra que os Estados Unidos da América – por si só – têm sido a maior fonte de emissões de dióxido de carbono desde 1750. Os principais emissores de carbono ao longo da História foram todas as potências industriais e coloniais, principalmente Estados europeus e os EUA. A partir do século 18, esses países não apenas emitiram a maior parte do carbono na atmosfera, mas também continuam a exceder sua parcela justa do Orçamento Global de Carbono em proporção às suas populações. Os países com menos responsabilidade pela criação da catástrofe climática – como pequenos Estados insulares – são os mais afetados por suas desastrosas consequências.

A energia barata baseada no carvão e nos hidrocarbonetos, junto com a pilhagem dos recursos naturais pelas potências coloniais, permitiu aos países da Europa e da América do Norte aumentar o bem-estar de suas populações à custa do mundo colonizado. Hoje, a extrema desigualdade entre o padrão de vida do europeu médio (747 milhões de pessoas) e do indiano (1,38 bilhão de pessoas) é tão gritante quanto há um século. A dependência da China, Índia e outros países em desenvolvimento do carbono – particularmente do carvão – é de fato alta; mas mesmo esse uso recente de carbono pela China e Índia está bem abaixo do dos Estados Unidos. Os números de 2019 para as emissões de carbono per capita da Austrália (16,3 toneladas) e dos EUA (16 toneladas) são mais do que o dobro da China (7,1 toneladas) e da Índia (1,9 toneladas).

Todos os países do mundo precisam fazer avanços para deixar de depender de energia baseada em carbono e evitar a degradação do meio ambiente em grande escala, mas os países desenvolvidos devem ser responsabilizados por duas ações urgentes principais:

Reduzir as emissões prejudiciais. Os países desenvolvidos devem fazer cortes drásticos nas emissões de pelo menos 70-80% dos níveis de 1990 até 2030 e se comprometer com um caminho para aprofundar ainda mais esses cortes até 2050.

Mitigação e adaptação capacitante. Os países desenvolvidos devem ajudar os países em desenvolvimento transferindo tecnologia para fontes de energia renováveis, bem como fornecendo financiamento para se mitigar e se adaptar aos impactos das mudanças climáticas. A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima de 1992 reconheceu a importância da divisão geográfica do capitalismo industrial entre o Norte e o Sul Global e seu impacto nas respectivas participações desiguais do orçamento mundial de carbono.

É por isso que todos os países nas inúmeras Conferências do Clima concordaram em criar um Fundo Verde para o Clima na Conferência de Cancún, em 2016. A meta atual é de 100 bilhões de dólares anuais até 2020. Os Estados Unidos, sob a nova administração Biden, se comprometeram a dobrar seu valor internacional, financiar contribuições até 2024 e triplicar suas contribuições para adaptação. Mas, dado o patamar muito baixo, isso é altamente insuficiente. A Agência Internacional de Energia, em seu World Energy Outlook , sugere que o número real para o financiamento climático internacional deve estar na casa dos trilhões a cada ano. Nenhuma das potências ocidentais sugeriu algo parecido com um compromisso dessa escala com o Fundo.

 O que pode ser feito?

Mudança para emissões zero de carbono. As nações do mundo como um todo, lideradas pelo G20 (que responde por 78% de todas as emissões globais de carbono), devem adotar planos realistas para chegarmos a zero emissões líquidas de carbono. Na prática, isso significa zerar a emissão de carbono até 2050.

Reduzir a pegada militar dos EUA. Atualmente, as Forças Armadas dos EUA são o maior emissor institucional de gases de efeito estufa. A redução da pegada militar dos EUA reduziria consideravelmente os problemas políticos e ambientais.

Fornecer compensação climática para países em desenvolvimento. Garantir que os países desenvolvidos forneçam compensação climática por perdas e danos causados por suas emissões climáticas. Exigir que os países que poluíram as águas, o solo e o ar com resíduos tóxicos e perigosos – incluindo resíduos nucleares – arquem com os custos da limpeza; exigir o fim da produção e utilização de resíduos tóxicos.

Fornecer financiamento e tecnologia aos países em desenvolvimento para mitigação e adaptação. Além disso, os países desenvolvidos devem fornecer 100 bilhões de dólares por ano para atender às necessidades dos países em desenvolvimento, inclusive para adaptação e resiliência ao impacto real e desastroso da mudança climática. Esses impactos já são suportados pelos países em desenvolvimento (particularmente os países de baixa altitude e pequenos Estados insulares). A tecnologia também deve ser transferida para os países em desenvolvimento para mitigação e adaptação.

 

 

Para celebrar o Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, o projeto Verde Novo do Poder Judiciário de Mato Grosso promoverá uma série de ações de distribuição e plantio de mudas de árvores frutíferas e nativas do cerrado na capital mato-grossense. Ao todo serão disponibilizadas gratuitamente à população cerca de 5 mil mudas, ao longo do mês de junho.

 Nesse sábado (5 de junho) pela manhã, a equipe do Verde Novo entregará o plantio de 1.000 mudas no Parque das Águas, situado no Centro Político e Administrativo de Cuiabá. O trabalho de preparação dos berços, para colocara as mudas, iniciou nessa semana e contou com a parceria do Unicred que doou a mão de obra para a realização do plantio. As mudas serão disponibilizadas pelo Grupo Petrópolis parceiro do Projeto desde 2017.

 No período da tarde, outras 2,5 mil mudas serão entregues no Shopping Pantanal. A entrega das árvores contará com uma unidade volante, por meio de um carrinho de mudas, dentro do estabelecimento comercial que também entregará um saquinho de adubo orgânico produzido pelo shopping.

 Conforme o assessor do Juvam, Sergio Saviolli, as ações são homenagens ao Dia do Meio Ambiente e serão encerradas com o plantio de várias espécies na MT-251 (saída para Chapada dos Guimarães) no dia 12 de junho. "Todas as ações estão sendo pensadas nesse contexto da pandemia e com todas as precauções necessárias. Por isso, pensamos em um ponto móvel de distribuição no shopping, nos 'deliverys' que estamos promovendo nos bairros com a van do Juvam", pontuou Sérgio.

 O gerente de Sustentabilidade do Grupo Petrópolis, Alaercio Nicoletti Junior, frisa que os benefícios do plantio de árvores para a comunidade cuiabana são significativos. Ele exemplifica dizendo que as 300 mil mudas compensará, ao longo de 20 anos, o equivalente à quantidade de CO2 geradas em 1 ano por mais de 6 mil veículos de médio porte, rodando 500 km por semana. "Além disso, a cobertura de árvores torna mais bela a capital mato-grossense, e ainda reduz a sensação térmica com suas sombras", disse.

 Este ano, além da doação de mudas, o Grupo Petrópolis anunciou a destinação de 2.400 'berços' para o plantio de mudas de árvores do Projeto Verde Novo. Esses berços são cavidades feitas em locais apropriados com tratamento necessário para o bom desenvolvimento das árvores.

 Verde Novo 

 Um projeto do Poder Judiciário de Mato Grosso, idealizado pelo Juvam de Cuiabá, desenvolvido em cooperação técnica com o Município de Cuiabá e o Instituto Ação Verde e patrocinado pelo Grupo Petrópolis, responsável pela doação das mudas de árvores nativas e frutíferas.

 Até hoje o Verde Novo realizou quase 400 ações e foram distribuídas e plantadas cerca de 100 mil mudas em diversos pontos de Cuiabá.

 

 

Sábado, 01 Mai 2021 05:00

Os Guardiões do Pantanal

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Os Guardiões do Pantanal

Brasil fecha 2020 entre os maiores recicladores de latas de alumínio. Segundo associação do setor, país reciclou 97% das latas vendidas.

 O Brasil fechou 2020 como um dos principais líderes mundiais em reciclagem de latas de alumínio. De acordo com levantamento da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas), o país obteve um índice de reciclagem de 97,4%.

De 402,2 mil toneladas de latas vendidas, foram recicladas 391,5 mil, ou, aproximadamente 31 bilhões de unidades. Em 2019, o número de latas vendidas e recicladas foi menor. Na ocasião, foram 375,7 mil toneladas vendidas e 366,8 mil toneladas recicladas.

“Os dados mostram como a estrutura de reciclagem de latas no Brasil é sólida. O setor manteve suas operações dentro de padrões seguros, contribuindo para a preservação do meio ambiente e a geração de emprego e renda para milhares de famílias”, afirmou Alfredo Veiga, diretor de Metais da Novelis e coordenador do Comitê de Reciclagem da Associação Brasileira do Alumínio (Abal).

O desempenho do setor em 2020 manteve-se satisfatório, mesmo em um cenário de pandemia, com a interrupção de atividades de coleta seletiva em diversos municípios e a suspensão do trabalho de cooperativas e catadores. A reciclagem de produtos é uma referência de economia circular no Brasil e no mundo, com a renovação infinita da embalagem.

De acordo com a Abralatas, o Brasil é o terceiro maior mercado mundial de latas de alumínio. Em 2020 foram quase 32 bilhões de latas consumidas no Brasil.

Em novembro do ano passado, a Abralatas e a Abal firmaram um Termo de Compromisso com o Ministério do Meio Ambiente para ampliar a gestão de coleta e reciclagem de latinhas de alumínio para bebidas.

No termo, as associações garantiram a manutenção do índice de reciclagem das latinhas no patamar de 95%, em cumprimento à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

O fortalecimento da cadeia de reciclagem gera benefícios econômicos e ambientais para todo o Brasil. O aumento na produtividade gera renda para milhares de famílias de catadores envolvidos, além de promover a conservação do meio ambiente pela reutilização das latas em circulação.

 

A tendência a abandonar o meio rural para se instalar na cidade perdura pelos séculos e, segundo todos os estudos, se intensificará no futuro. A população se aglomerará ainda mais em gigantescos núcleos urbanos, de costas para a natureza. Esta concentração afetará a nossa saúde, tanto física como mental.

Há uma infinidade de artigos científicos que falam do impacto que uma má qualidade do ar tem sobre os nossos pulmões. Hoje, também sabemos que a ausência de fauna e espaços verdes pode incidir em nossa saúde mental. É o que sugere um estudo em parceria do Centro Alemão de Pesquisa Integrativa em Biodiversidade (iDiv), o Centro de Pesquisa sobre Biodiversidade e Clima de Senckenberg (SBiK-F) e a Universidade de Kiel, publicado na revista Landscape and Urban Planning.

“Uma pessoa que vive em uma região com muitas espécies diferentes de plantas e pássaros se sente melhor do que uma pessoa que vive em uma região com menor diversidade de espécies”, explica Joel Methorst, principal responsável pelo estudo.

Durante os momentos mais duros da pandemia de Covid-19, muitas pessoas chegaram a uma conclusão semelhante. Como explicar os sinais de assombro e alegria que brotaram, durante o confinamento de 2020, com as imagens (algumas reais e outras não) de animais que invadiam o ambiente urbano? Baleias e golfinhos se aproximaram das praias. Raposas, patos e até veados se deixaram ver pelas calçadas urbanas e as praias de alguns povoados. E essa visão, além da oportuna reflexão sobre a forma de viver dos seres humanos, difundiu uma inegável sensação de felicidade.

Graças a este estudo, o que era uma suspeita plausível possui, hoje, um fundamento mais científico. A pesquisa alemã foi realizada com uma amostra de 3.000 pessoas. Foram analisados seus dados de saúde física e mental, assim como a diversidade de espécies animais e vegetais de seus ambientes.

“Nossos resultados mostram que a conservação da natureza pode, de fato, ser entendida como um meio para promover a saúde humana”, afirma a professora de economia ambiental Katrin Rehdanz, da Universidade de Kiel. Os cientistas destacam uma tendência (um efeito positivo na abundância de flora e fauna), ainda que não possam estabelecer uma relação direta de causalidade com a saúde física.

Indiretamente, sim, haveria um vínculo: viver perto de espaços verdes predispõe mais a caminhadas e exercícios. E também se estudou seu efeito em relação ao surgimento de doenças. Hoje, já sabemos que a destruição de biodiversidade fomenta as epidemias. Frear esta devastação, além disso, seria cem vezes mais barato do que enfrentar surtos como o da Covid-19.

Os pássaros são importantes para a saúde mental?

Um estudo recente realizado no Reino Unido demonstrou o efeito relaxante que olhar pássaros produz. Esta atividade, aparentemente neutra, pode aliviar a ansiedade e a depressão e atuar positivamente sobre a nossa saúde. Os resultados, publicados na revista Bioscience, apontaram que mesmo sem que se viva no campo, o fato de olhar aves proporciona bem-estar mental. Esta descoberta contrasta com um declínio radical em todos os âmbitos, tanto no rural como no urbano.

Na pesquisa realizada na Alemanha, dão mais destaque à diversidade de aves do que para a sua abundância. Ver pássaros, concluem, não é benéfico em si. O bom é ver muitos e de muitas variedades. “Isto pode se dar pelo fato de que as espécies mais abundantes são os pombos, as gaivotas e os corvos. E não são espécies muito populares”, sugere Joel Methorst.

Um caso de sucesso em ambientes urbanos foi a recuperação do Rio Manzanares, realizada por Madrid durante a administração de Manuela Carmena. A abertura das eclusas converteu um canal morto e estancado em algo parecido a um pântano vivo. O fluxo diminuiu, as águas começaram a se movimentar e surgiram pequenas ilhas de vegetação no leito do rio. Isso trouxe espécies de aves, répteis e peixes desaparecidas por décadas na capital.

Esperanza Aguirre, que então liderava a oposição, criticou duramente esta aposta na biodiversidade. Acusou Carmena de querer tornar o Manzanares em um “charco imundo”. Seu sucessor e agora prefeito, José Luis Martínez-Almeida, descumpriu suas promessas eleitorais e, por fim, decidiu não reverter as mudanças da administração anterior, nem no que concerne ao rio, nem no centro de Madrid, com o plano que restringe a circulação de carros pelo local.

Os pássaros, seja por seu número ou por sua classe, são um claro sintoma de saúde ambiental: indicam uma menor poluição aérea e acústica e, por isso, são escassos em torno das rodovias e em núcleos urbanos com tráfego intenso. Respeitar seus ambientes é benéfico para os seres humanos. “A gestão dos espaços verdes é particularmente relevante no planejamento das cidades. Investindo em biodiversidade podemos promover a saúde da população urbana”, conclui Katrin Rehdanz.

A reportagem é de Manuel Ligero, publicada por La Marea, 06-04-2021. A tradução é do Cepat.

 

 

 

As artistas Vera Baggetti e Zuleika Arruda, mais conhecidas como Vera-Zuleika, abrem nesta terça-feira (23.03), às 16h, a exposição “Pantanal Proteção”, no Cine Teatro Cuiabá. A mostra segue até o dia 30 de março. Como medida de biossegurança, será permitida a permanência de até 30 pessoas no local, sendo obrigatório o uso de máscara. O projeto foi contemplado no Edital MT Nascentes da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT).

A exposição conta com 10 obras em acrílica sobre tela que tem como proposta evocar os poderes das crenças universais, símbolos, imagens, traços, cores e formas, ligando-os à magia da inspiração. A exposição visa transmitir, por meio das pinturas, uma consciência de responsabilidade com o Pantanal, tão importante e de valor indiscutível por sua rica biodiversidade de flora e fauna.

Desde 1971, as artistas Vera-Zuleika tem por objetivo sociocultural, pesquisar, divulgar, sensibilizar e estimular a preservação do Pantanal, Cerrado e Amazônia, biomas presentes em Mato Grosso. E tentar despertar nas pessoas, a busca pelo autoconhecimento, para os reais valores espirituais, da formação como ser humano.

Para as artistas, diante do cenário enfrentado em 2020 com as queimadas no Pantanal, o tema não poderia deixar de ser discutido. “Diante de tantas agressões que presenciamos, no ano passado, a essa reserva cultural, paraíso ambiental e sua gente, tão rica de conhecimentos e harmoniosa relação com a natureza, não poderíamos silenciar perante a essa brutal criminalidade, que nos angustia e ao mundo todo”, destacam Vera-Zuleika.

Além da preservação da natureza, as artistas propõem a conexão com a luz dos ancestrais. “Propomos conectarmos com a sabedoria dos xamãs, orixás, santos, anjos e arcanjos, e a união de todos que estão sintonizados com a força da vibração positiva, para formarmos uma egrégora de luz, e trazermos de volta o afeto, a gratidão, o amor, e a proteção para o nosso Pantanal”.

Zuleika Arruda é cuiabana, arte-educadora, bacharel em direito, professora universitária, cantora, compositora e artista plástica.

Vera Baggetti é carioca (radicada em Mato Grosso há mais de 30 anos), arquiteta, mestra em educação patrimonial, professora universitária, cantora, compositora e artista plástica.

Serviço

Exposição Pantanal Proteção

Abertura: 23 de março de 2021 (terça-feira), às 16h

Local: Cine Teatro Cuiabá, localizado na Av. Getúlio Vargas, nº 247 – Centro/Cuiabá-MT

Data: de 23 a 30 de março de 2021 (terça à sexta-feira, das 08 às 17h - sábado e domingo, das 08 às 12h)

 

 

CNA e Empraba lançam programa com opções de uso sustentável de biomas. Projeto é destinado a produtores rurais.

 A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) lançaram, no último dia 10, em parceria com outras entidades, o Projeto Pravaler. A iniciativa é um desdobramento do Projeto Biomas, criado em 2010 para oferecer, aos produtores rurais, soluções de proteção, recuperação e uso econômico sustentável de propriedades existentes nos seis biomas brasileiros (Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pampa, Amazônia e Pantanal).

Segundo a CNA, o objetivo do Pravaler é levar para o campo e ver colocados em prática os resultados das pesquisas desenvolvidas pelo Projeto Biomas, bem como outros conhecimentos.

De acordo com a confederação, as experiências e estudos realizados ao longo dos últimos dez anos indicam como os produtores rurais podem conciliar sustentabilidade e produção adequando suas propriedades às exigências da legislação ambiental, incluindo às regras específicas das Áreas de Preservação Permanente (APPs), Áreas de Reserva Legal (ARLs) e Áreas de Uso Alternativo (AUAs).

“Todo este conhecimento, este pacote de tecnologias de recuperação de passivos ambientais, precisa ser entregue ao produtor rural de alguma forma. Neste sentido, aproveitaremos os modelos de recuperação legal e produtiva, o que inclui calendários que indicam as melhores épocas para a coleta de sementes para fins de recomposição de áreas degradadas, entre outras informações”, explicou o coordenador de Sustentabilidade da CNA, Nelson Ananias, garantindo que todo o conteúdo será disponibilizada na plataforma Webambiente, da Embrapa.

Em um vídeo institucional, a CNA destaca que conhecer as características dos biomas brasileiros rende bons resultados não só para os produtores rurais, mas para toda a sociedade. Ainda de acordo com a entidade, para cumprir a legislação ambiental “mais completa do mundo” o produtor precisa de conhecimento, como, por exemplo, saber selecionar as espécies vegetais mais apropriadas para a recomposição ambiental e onde e como plantá-las, respeitando as especificidades de cada região.

Marco

Durante a cerimônia de apresentação do projeto, o presidente da CNA, João Martins, disse que, com o projeto, a entidade que demonstrar aos produtores rurais que a implementação dos Programas de Regularização Ambiental (PRAs) não deve afetar a produtividade ou os ganhos econômicos. São os PRAs que vão ditar as regras de adequação dos passivos ambientais dos produtores em cada estado.

Também durante o evento, a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, afirmou que o lançamento do projeto Pravaler é um marco para a promoção da integração entre a produção agropecuária com a conservação dos recursos naturais. A ministra destacou a importância do Projeto Biomas, lembrando que a iniciativa foi possível graças à parceria entre o ministério, a CNA e a Embrapa.

“Investimos esforços para desenvolver modelos produtivos florestais que vão contribuir para a regularização ambiental das propriedades e gerar renda e desenvolvimento socioeconômico. A experiência deste projeto, baseado na ciência, nos ajuda a desenhar pontes para o futuro, no qual a regularização ambiental das propriedades deve ser um fator de geração e agregação de valor”, disse a ministra.

O lançamento do Pravaler encerra o ciclo de estudos do Projeto Biomas. Segundo a CNA, ao longo de dez anos, o programa permitiu o plantio de 1 milhão de sementes e de 100 mil mudas, além de beneficiar cerca de 2 mil participantes de cursos presenciais que foram realizados no período. Aproximadamente R$ 23 milhões foram investidos, o que, entre outras coisas, beneficiou a 400 pesquisadores de 100 instituições de pesquisa espalhadas por 21 das 27 unidades da federação.

 

Projetos de conservação podem receber até US$ 30 mil.

Associações e cooperativas que atuam no Cerrado podem receber até US$ 30 mil (cerca de R$ 160 mil) para desenvolver projetos de fortalecimento da governança e minimização dos impactos negativos da pandemia de covid-19 nesses territórios. A 30ª edição do edital do Fundo PPP-ECOS está com inscrições abertas até a próxima segunda-feira (8). As propostas devem ser encaminhadas por meio do sistema de inscrição do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), entidade que coordena a iniciativa, em parceria com Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). 

São elegíveis para o programa entidades que se enquadram no conceito de Territórios e Áreas Conservadas por Comunidades Indígenas e Locais (TICCA). O título global pode ser atribuído a territórios comunitários e tradicionais conservados nos quais a comunidade tem profunda conexão com o lugar que habita, processos internos de gestão e governança e resultados positivos na preservação da natureza.

Os recursos do edital, que totalizam US$ 300 mil, são do Ministério do Meio Ambiente, Proteção da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha (BMU) e da Iniciativa Internacional do Clima (IKI). Com limite máximo de US$ 30 mil por projeto, a iniciativa deve contemplar pelo menos 10 propostas.

O edital define seis eixos temáticos em que os projetos poderão se englobados, incluindo comunicação e compartilhamento de informações por meios culturais; sistemas de produção de alimentos, com foco em agroecologia e agrossilvicultura; prevenção de zoonoses e futuras pandemias; transmissão de conhecimento medicinal tradicional; mapeamento territorial e demarcação para auto isolamento e conservação; e implementação de conhecimento tradicional no controle e manejo do fogo

Todas as propostas submetidas no âmbito do edital deverão apresentar recursos de contrapartida em um montante mínimo de 20% sobre o valor solicitado ao PPP-ECOS. O horário limite para apresentação de projetos é às 23h59 (horário de Brasília) do dia 8 de março. Não deverá haver prorrogação do prazo, informou o ISPN.

Programa 

O PPP-ECOS concede doações a associações sem fins lucrativos e cooperativas constituídas que tenham caráter não governamental ou de base comunitária para a implementação de ações que gerem benefícios socioambientais. De acordo com o ISPN, o edital foca nas inter-relações entre comunidades tradicionais, agricultores familiares e populações indígenas e o meio ambiente, com ênfase na promoção de modos de vida sustentáveis que contribuam com benefícios sociais e ambientais, conforme os acordos internacionais e políticas nacionais.

Nos últimos 25 anos de execução do programa foram apoiados mais de 800 projetos, totalizando 27 editais, que resultaram em investimento de aproximadamente R$ 50 milhões diretamente em organizações comunitárias e organizações não governamentais que atuam no Distrito Federal e em 26 estados brasileiros. Apenas nos últimos oito anos, cerca de 15 mil famílias foram capacitadas em ações promovidas pelos projetos, que fomentaram o uso sustentável de mais de 1 milhão de hectares no Cerrado, na Caatinga e na Amazônia.

Sábado, 20 Fevereiro 2021 05:00

Da sustentabilidade à nova era regenerativa

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Além da sustentabilidade, há um conceito que está ganhando impulso nos últimos anos: o desenvolvimento “regenerativo”. Da agricultura à economia, do projeto ao urbanismo, a ideia é criar “as condições propícias para a vida”, uma receita tirada da própria natureza e de sua capacidade para desenvolver ecossistemas cada vez mais complexos e diversos.

A reportagem é de Carlos Fresneda, publicada por El Mundo, 15-02-2021. A tradução é do Cepat.

“A sustentabilidade em si não basta”, aponta o biólogo, pensador e divulgador ambiental Daniel Wahl, nascido em Munique (1971) e fixado em Mallorca [Espanha], autor de um livro à frente de seu tempo que, enfim, é publicado em espanhol: “Diseñando culturas regenerativas” (Ecohabitar).

“A palavra sustentabilidade pode resultar inadequada, se nos perguntarmos: o que realmente devemos sustentar?”, aponta Wahl. “Após trabalhar por anos e de inclusive terminar minha tese sobre o projeto sustentável, percebi que temos que dar um passo além. Precisamos avançar para uma cultura regenerativa, resiliente e adaptável, que sirva para criar um futuro próspero para o planeta e para a humanidade”.

A cultura, o quarto pé da equação

Daniel enfatiza a palavra “cultura”, porque em seu entendimento é também o quarto pé que até agora faltava na equação: “A economia, a ecologia e a sociedade foram consideradas como os três pés da sustentabilidade. Mas a mudança mais profunda talvez seja o que deve ser produzido em nível cultural, porque é aí que está a chave de nossa visão do mundo. A cultura é a que marca nossos padrões de conduta e de pensamento, e a que nos permitirá deixar para trás essas ideias “imediatistas” que nos levaram a este ponto crítico”.

“Diseñando culturas regenerativas” foi escrito originalmente e publicado em inglês quatro anos antes da pandemia. Mas sua mensagem de “saúde e resiliência” é de uma palpitante atualidade, unida a seu valor como resposta à emergência climática, a perda de biodiversidade e o esgotamento dos recursos, entre outras crises ambientais que se acumulavam sob o tapete.

“Estamos assistindo à queda de um sistema que já não nos serve”, alerta Wahl. “O importante é admitir que isso faz parte do processo da própria vida. É assim que a vida na Terra evoluiu por 3,8 bilhões de anos e é assim que continuará funcionando”.

Daniel Wahl se sente devedor, entre outros, de Fritjof Capra, autor de “A teia da vida”, e do professor de Estudos Ambientais David Orr. Também não pode esquecer o que aprendeu com John Todd (o inventor das ecomáquinas) e com Janine Benyus, a autora de “Biomimética”, de quem recebeu uma das lições mais valiosas.

“A vida tende a criar as condições conducentes à vida. A natureza tem essa capacidade prodigiosa de se regenerar, se adaptar e funcionar em um novo contexto. Cabe a nós decifrar como isso acontece e aplicar à economia, à produção de alimentos e ao planejamento das cidades, que deveriam funcionar como autênticos ecossistemas. Também corresponde a nós encontrar o nosso próprio lugar, junto a resto dos seres vivos, e deixar de acreditar que estamos acima da natureza ou que podemos controlá-la.

Sem resíduos

Na natureza não existe, por exemplo, o conceito de resíduo: tudo se reaproveita fechando ciclos, em um sistema que aspira acompanhar o que já conhecemos como economia circular. O desenvolvimento “regenerativo” vai ainda além e pretende imitar os fluxos enriquecedores dos sistemas vivos, com sua capacidade de restaurar o dano e se adaptar às mudanças.

Com os pés no chão, após atuar como diretor do Findhorn College, na Escócia, e o combinar com o seu trabalho na Gaia Education e no International Futures Forum, Wahl está há uma década tentando aplicar a teoria em Mallorca: “Instalei-me aqui porque estava convencido de que o melhor laboratório de provas é uma ilha, com os limites bem definidos. E neste caso, quatro ilhas com tamanhos bem diferentes e unidas pelo mar, com todo o seu poder regenerador”.

Muito antes que a pandemia batesse, Daniel Wahl oferecia seminários falando do “turismo regenerativo” e introduzindo a ideia de economia circular “em um setor que até então havia funcionado com um sistema extrativo e degenerativo”. O coronavírus foi como um tsunami para as ilhas, que logo descobriram que não é possível depender exclusivamente do “monocultivo” do turismo.

O caso de Mallorca

“É preciso diversificar a economia nas ilhas e criar, antes de mais nada, uma conexão regeneradora terrestre e marinha”, adverte Wahl, que foi biólogo marinho e instrutor de mergulho em sua juventude. “Cedo ou tarde, o turismo voltará à ilha, mas será em escala menor e com um novo modelo que já não será “extrativo”, mas que deixará riqueza na ilha e impulsionará o cultivo ecológico de alimentos, as redes locais de abastecimento e a nova mobilidade elétrica. As ilhas poderão ser também um “hub” de novas tecnologias verdes para a indústria naval. E, claro, precisarão preservar o mar como fonte extraordinária de riqueza, com uma pesca sustentável e uma proteção das costas”.

Nas ilhas, atesta Wahl, já existe uma força pulsante de mudança que vinha de antes, mas que está aparecendo justamente agora. “Há muitas iniciativas em andamento, mas acredito que chegou o momento de criar sinergias. É necessário um catalizador que sirva de ponto de encontro entre as iniciativas impulsionadas por gente local e por quem vem de fora”.

Wahl almeja nem mais e nem menos do que a criação de um Centro de Aprendizagem para a Regeneração Biorregional que converta as Baleares em referência mundial, não mais de “recuperação verde”, mas de “autêntica transformação diante das grandes perguntas que teremos que responder nesta crise”.

Tudo girará, em um futuro inadiável, em torno do conceito de “biorregião”, vaticina Wahl: “Uma economia resiliente à crise terá que se reorganizar em função da proximidade, com as bacias de água como referência, e em nível de comunidades e regiões. Isso, sim, com uma visão de saúde planetária e de colaboração e solidariedade em escala global”.

Na opinião de Wahl, foi curioso comprovar como sob a pandemia, e apesar das restrições de movimento, estas redes de ativismo se potencializaram e acabou emergindo com mais força do que nunca a poderosa ideia. “2020 foi um ano trágico para muitos, mas, ao final, pode ser o ponto de inflexão. Acredito que é agora que as pessoas abriram os olhos e, enfim, tomaram consciência. O século XXI pode ser, ao final, o século da regeneração”.

Funcionar como ‘sistemas vivos’

Dezenas de organizações em todo o mundo já estão trabalhando com o conceito de “desenvolvimento regenerativo”, aplicado fundamentalmente à economia, à agricultura e ao plano de comunidades locais. Em outubro de 2019, foi realizado o primeiro encontro mundial em Boulder (Colorado, Estados Unidos): a Regenerative Earth Summit. Sintetizamos, aqui, alguns dos exemplos mais reconhecidos.

Regeneration International’: Movimento criado em 2015 e impulsionado pela ecofeminista indiana Vandana Shiva para estimular a transição para uma agricultura “regenerativa”, frente ao desafio da mudança climática e da fome no mundo.

Regenesis (Novo México, Estados Unidos): Cocriado em 1995 por Pamela Mang, Tim Murphy e Ben Haggard, é um dos grupos pioneiros da ideia, reunindo o trabalho de educadores dos campos da permacultura e do planejamento ecológico no sudoeste dos Estados Unidos.

Capital Institute (Nova York, Estados Unidos): Voltado à aplicação dos princípios “regenerativos” no campo da economia e das finanças, e no funcionamento das comunidades como “sistemas vivos”. Seu impulso serviu para criar a Rede de Comunidades Regenerativas, estendida para oito países.

Costa Rica Regenerativa: Referência mundial na preservação da natureza, Costa Rica foi eleita o primeiro “hub” de desenvolvimento regenerativo, com uma divisão do país em “biorregiões” e planos de relocalização econômica que levem em conta “os papéis de todos os componentes da rede da vida”.

Regenerate Australia: Projeto patrocinado pela WWF, com a destinação de 270 milhões de euros para restaurar os habitats e revitalizar as comunidades atingidas pelos devastadores incêndios que assolaram o sudeste do país, entre 2019 e 2020.

Comunidade das Nações: Sob os auspícios de Patricia Scotland, a Commonwealth (que abarca 53 nações e 2,4 bilhões de habitantes) lançou a iniciativa global “Desenvolvimento Regenerativo para Reverter a Mudança Climática”. O trabalho da economista britânica Kate Raworth (Economia Donut) serve de referência obrigatória para buscar um ponto de encontro entre o bem-estar e os limites planetários.

 

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