Blog da Condessa

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Muitas notícias falsas têm circulado pela internet, disseminando informações perigosas e deixando a população confusa.

O novo coronavírus mudou a vida e a rotina de todos. A epidemia que teve início na China, em dezembro, se espalhou rapidamente pelo mundo, transformando-se em uma pandemia. Mesmo depois de cerca de três meses dos primeiros casos identificados no Brasil, muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre essas questões, somam-se as inúmeras notícias falsas (fake news) que circulam pela internet, sobretudo nas redes sociais.

Para falar sobre isso, o Serviço Social da Indústria (Sesi MT) convidou a médica infectologista Giovana Volpato Pazin Feuse para falar sobre os mitos e verdades sobre a doença. A transmissão ao vivo será na terça-feira (09/06), às 17h, pelo canal oficial do Sesi MT no You Tube.

A live contará com a mediação do gerente de Saúde e Segurança do Trabalho do Sesi MT, Valdir Souza Júnior.

“Informações sem suporte científico acabam causando ainda mais confusão e, até mesmo, representando um risco a mais para a saúde da população”, aponta.

A especialista irá abordar também a programação da rotina de trabalho, o retorno para casa e os cuidados que devem ser tomados fora do ambiente de trabalho. “Muitas pessoas acabam se esquecendo que ao deixar a empresa, a indústria, o ambiente laboral, precisam se cuidar ainda mais”.

Para a superintendente do Sesi MT, Lélia Brun, a instituição reforça seu papel de informar a população sobre os riscos à saúde apresentados pela Covid-19. “Tão importante quanto outras medidas de proteção, as informações corretas e confiáveis permitem que pessoas tomem decisões conscientes e adotem comportamentos positivos para proteger a si e à sua família. Além disso, orientamos e incentivamos às indústrias e empresas a promover um ambiente de trabalho seguro a todos os trabalhadores”.

Ela ressalta que informações baseadas em evidências são a melhor vacina contra os boatos e a desinformação.

Sobre a palestrante

Giovanna Fause possui graduação em Medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), residência médica em Infectologia no Hospital Universitário Julio Muller. Tem título de especialista pela Sociedade Brasileira de Infectologia. Atuou como médica infectologista na CCIH do Hospital Santa Rosa em Cuiabá e também como coordenadora da Comissão de Revisão de Óbitos e Prontuários e gestora do Núcleo de Epidemiologia Hospitalar.

Além disso, trabalhou no serviço de controle de infecção relacionada na docência do ensino do ensino superior, sendo docente na faculdade de medicina da UFMT desde 2013 e no Centro Universitário desde 2015.

 

Domingo, 07 Junho 2020 05:00

Doe leite materno e proteja uma vida

Leite materno: o nosso primeiro alimento e essencial à saúde. Doar leite materno pode salvar vidas. Até os seis meses de vida do bebê, ele é capaz de suprir todas as necessidades nutricionais da criança, sem ter necessidade de oferecer chás, sucos, outros leites ou qualquer outro tipo de alimento. Ele nutre, hidrata e melhora a saúde

De acordo com o diretor do Hospital Santa Helena, em Cuiabá, Marcelo Sandrin, em tempos de pandemia o estoque de leite materno tem diminuído. Há registro de redução no número de mães doadoras. “Mas nada, por enquanto, que prejudique alimento dos recém-nascidos, principalmente para os prematuros e/ou de baixo peso. Contamos com a boa vontade e o espírito de solidariedade das mães”, disse o médico.

Conforme ele, o número de partos é bem significativo. “Aumentou muito. Na sequência, serão mil partos. Mês passado foram realizados 980 entre parto normal e cesária. Consequentemente aumenta o número de doadoras em potencial”, comentou Sandrin.  Observou ainda que até o momento não há indicativo da transmissão do vírus pelo leite. “Obviamente que se isso ocorrer todo o leite deverá ser certificado. No entanto, as pessoas estão mais retraídas”.

O Drive Thru de Leite Materno, em anexo ao Hospital Santa Helena, é ponto de informação para gestantes e lactantes e, especialmente, de acolhimento de doações de leite materno. Todas as mães saudáveis que estejam amamentando podem doar. “Continua operando . Temos uma sala destinada à coleta individualizada com todos os cuidados que o momento requer. Um ritual de proteção para todas e todos para que não haja contaminação. As doutoras do peito explicam todos os procedimentos assépticos”, destacou o diretor do hospital.

Leite materno durante a pandemia

O número de mães doadoras de leite materno em Mato Grosso registrou queda, durante a pandemia do novo coronavírus. Nos primeiros cinco meses de 2020, cerca de 690 doadoras se apresentaram aos Bancos de Leite Humano para ajudar bebês prematuros e/ou de baixo peso internados em UTI Neonatal. O número de doadoras de leite materno sofreu queda de 5% em relação ao ano passado. O Ministério da Saúde informou que de janeiro a abril de 2020 o número de mulheres que se dispuseram a contribuir caiu de 61 mil para 58 mil. Estados como São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro apresentaram taxas de queda no banco de leite humano entre 25% e 50%.

O Brasil é referência mundial em doação de leite materno. Conta com a maior e mais complexa Rede de Bancos de Leite Humano (rBLH) do mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) – fato que posiciona o país como referência internacional no processamento e doação de leite materno.

 

 

 

 

 

 

São 4,1 milhões de adultos e 900 mil crianças. 34% dos domicílios brasileiros dependem de 70% da renda dos idosos.

Se antes da promulgação da Constituição de 88 os idosos dependiam financeiramente das suas famílias, nos últimos 30 anos esta realidade se inverteu completamente, de tal modo que hoje os idosos se tornaram os provedores de uma parte significativa dos lares brasileiros. Atualmente, segundo pesquisa que está sendo realizada pela doutora em estudos populacionais Ana Amélia Camarano, eles contribuem com 70% da renda em 34% dos domicílios brasileiros e, em 21% deles, a renda dos idosos é responsável por “90% da renda familiar”. “Isso tem ocorrido desde a promulgação da Constituição de 1988, mais precisamente a partir de 1991, com a regulamentação dos preceitos constitucionais. Antes, os idosos é que dependiam mais das suas famílias, mas a Constituição expandiu a cobertura da seguridade social. Então, os idosos que eram dependentes das famílias passaram a ser provedores das famílias”, explica na entrevista a seguir, concedida por WhatsApp à IHU On-Line.

A mudança constitucional representou um ganho significativo para os idosos, mas, de outro lado, a alta dependência das famílias da renda deles indica que “a situação, do ponto de vista econômico, da população adulta está difícil e, dentro dos domicílios onde vivem os idosos, existe uma parcela significativa de adultos que não trabalha”, afirma a pesquisadora. Hoje, 16,6 milhões de brasileiros adultos formam esse contingente e dependem da renda dos idosos da família para sobreviver. Entre eles, “75% têm menos de quatro anos de estudo” e a baixa escolaridade é um dos fenômenos que dificultam o acesso ao mercado de trabalho. 

Doutora em estudos populacionais, Ana Amélia estuda o envelhecimento populacional e arranjos familiares no Brasil há mais de duas décadas e assinala que nos últimos dez anos “houve uma perda relativa de renda entre os idosos, mas eles ainda perderam menos renda do que os não idosos”. De acordo com ela, “os idosos que recebem um salário mínimo estão relativamente bem em relação aos não idosos”. Com o crescimento do desemprego e da morte de muitos idosos por causa da pandemia de covid-19, as projeções não são nada animadoras para alterar a alta dependência financeira das famílias. “Provavelmente a pobreza e a desigualdade vão aumentar. Essa é uma coisa que já está dada”, conclui.

Ana Amélia Camarano é graduada em Economia pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, mestra em Demografia pela UFMG e doutora em Estudos Populacionais pela London School of Economics. É pesquisadora da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais - Disoc, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - Ipea, e professora, em tempo parcial, da Fundação Getulio Vargas - FGV.

 Confira a entrevista.

 IHU On-Line – Recentemente, a senhora declarou que a cada idoso que morre, mais uma família entra na pobreza. O que a dependência das famílias da renda dos idosos revela sobre a situação do Brasil, de modo mais abrangente?

Ana Amélia Camarano – Revela que a situação, do ponto de vista econômico, da população adulta está difícil e, dentro dos domicílios onde vivem os idosos, existe uma parcela significativa de adultos que não trabalha. O que se observa é a dificuldade dessa população de se inserir no mercado de trabalho e isso já vem acontecendo há algum tempo; não é de agora. Inclusive, têm crescido os “nem-nem-nem” maduros, que são homens entre 50 e 64 anos que não trabalham nem são aposentados. Observo esse cenário há algum tempo.

IHU On-Line – É possível identificar quais são as causas desse fenômeno dos “nem-nem-nem adultos”?

Ana Amélia Camarano – É a dificuldade de se inserir no mercado de trabalho, pois dentre eles predominam os de escolaridade muito baixa; 75% têm menos de quatro anos de estudo. Soma-se a isto a dificuldade destes indivíduos de conseguirem um histórico de contribuição que lhes permita se aposentar.

IHU On-Line – Alguns dizem que a pobreza no Brasil é jovem e não é idosa, porque os idosos, de algum modo, recebem aposentadoria ou algum benefício e muitos adultos não recebem benefícios quando vivem nesta situação. Como a senhora vê esse quadro?

Ana Amélia Camarano – É uma situação complicada, porque parte dos adultos que estão em situação de dificuldade recebem o auxílio do Bolsa Família, mas parte desses que moram com idosos não recebem, porque a renda dos domicílios acaba sendo relativamente alta. Assim, eles não se enquadram nos requisitos do Bolsa Família.

IHU On-Line – Em que percentual dos domicílios em que existem idosos, as famílias são dependentes majoritariamente da renda deles?

Ana Amélia Camarano - Em 1/3 dos domicílios brasileiros existe pelo menos um idoso residindo, ou seja, há um idoso em quase 34% dos domicílios brasileiros. Nesses domicílios moram 63 milhões de pessoas, das quais quase a metade, 30 milhões, não é idosa, ou seja, são adultos e crianças. Desses adultos, 16,6 milhões não trabalham, isto é, não têm renda, dependendo, portanto, da renda dos idosos. Então, como os idosos são o maior grupo de risco, no caso de morrerem, a renda vai embora e isso dificultará a situação das famílias.

renda dos idosos contribui com 70% da renda de 34% dos domicílios brasileiros e, em 21% dos domicílios, a renda dos idosos é responsável por 90% da renda familiar, portanto, a dependência é muito alta.

No total, cinco milhões de pessoas dependem da renda dos idosos: 4,1 milhões de adultos e 900 mil crianças.

IHU On-Line - Qual é o perfil dessas famílias?

Ana Amélia Camarano – Estou fazendo este estudo agora e ainda não tenho esses dados.

IHU On-Line - A situação de dependência das famílias da renda dos idosos é algo histórico no Brasil ou é algo mais recente?

Ana Amélia Camarano – Isso tem ocorrido desde a promulgação da Constituição de 1988, mais precisamente a partir de 1991, com a regulamentação dos preceitos constitucionais. Antes, os idosos é que dependiam mais das suas famílias, mas a Constituição expandiu a cobertura da seguridade social. Então, os idosos que eram dependentes das famílias passaram a ser provedores das famílias. A aposentadoria rural, por exemplo, que era de meio salário mínimo para apenas o chefe do domicílio, se expandiu para um salário mínimo e para todos os membros do domicílio que tivessem as condições de recebê-la: mulheres com 55 anos e homens com 60 anos de idade. Então, um domicílio que tinha uma renda de meio salário mínimo passou a ter uma renda aumentada até para dois salários.

Depois, veio a crise dos jovens, a dificuldade de eles se inserirem no mercado de trabalho, o fenômeno dos “nem-nem-nem” entre os jovens, os quais se tornaram adultos e continuaram enfrentando dificuldades.

IHU On-Line - Qual é a centralidade dos idosos na vida das famílias, para além das questões financeiras?

Ana Amélia Camarano – A centralidade é enorme. É muito comum os idosos cuidarem dos netos para os filhos trabalharem. Precisamos considerar também que, nas últimas décadas, houve uma melhoria da qualidade de vida dos idosos, e isso permitiu que eles pudessem trabalhar por mais tempo e acumular a renda do trabalho com a renda da aposentadoria.

IHU On-Line - A senhora tem estudado e acompanhado a situação dos idosos há muitos anos no país. Qual diria que é a situação deles e como ela foi se modificando ao longo dos anos, especialmente em relação à renda?

Ana Amélia Camarano – De uma maneira geral, nesta última década, houve uma perda relativa de renda entre os idosos, mas eles ainda perderam menos renda do que os não idosos. Além disso, os idosos que recebem um salário mínimo estão relativamente bem em relação aos não idosos. Os outros idosos, que recebem mais de um salário mínimo, estão relativamente piores do que os demais, porque o reajuste do benefício acima de um salário mínimo não acompanhou o salário mínimo.

IHU On-Line - Pode nos dar um panorama das conclusões centrais do seu estudo?

Ana Amélia Camarano – Um dos objetivos do estudo é a não discriminação do idoso quando é preciso decidir sobre vagas de UTI para idoso ou não idoso. Ou seja, chamar a atenção para a importância de se ter um cuidado com o idoso, por um lado e, por outro lado, para a necessidade de que esses não idosos sejam alvo de políticas sociais. Não sei se eles estão recebendo o auxílio emergencial, mas precisam ser alvo de políticas de inserção no mercado de trabalho pós-pandemia, precisam de capacitação para enfrentar o mercado de trabalho; estou caminhando para esta conclusão.

IHU On-Line – Que políticas públicas precisam ser adotadas para diminuir a dependência das famílias da renda dos idosos?

Ana Amélia Camarano – Políticas de inserção dessas pessoas no mercado de trabalho, capacitação e treinamento.

IHU On-Line - Como estima que essa realidade das famílias que dependem da renda dos idosos pode se alterar e se agravar a partir do desemprego, de um lado, e da morte de idosos, de outro, por causa da pandemia de covid-19?

Ana Amélia Camarano – Provavelmente a pobreza e a desigualdade vão aumentar. Essa é uma coisa que já está dada.

IHU On-Line – Para que patamares de pobreza vamos retornar?

Ana Amélia Camarano – Não sei dizer. Na minha avaliação, quem fizer qualquer previsão sobre como será o cenário pós-pandemia está chutando, porque é tudo tão novo, que é difícil fazer previsões.

 

 

Para lembrar o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado na sexta-feira (05.06), o Fort Atacadista reitera seu compromisso com as causas socioambientais. As unidades de  Cuiabá e Várzea Grande oferecem pontos de coleta de óleo vegetal usado e de materiais recicláveis à comunidade e clientes. Na loja em Várzea Grande, há mais de dois anos também funciona uma estação de coleta de resíduos, como papelão e plástico, em parceria com a Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Mato Grosso Sustentável (Asmats).

“Todos os dias, a equipe de catadores realiza a coleta dos resíduos e encaminha para a empresa que compra e faz a destinação correta desses materiais, assim, mantemos essa parceria com o Fort Atacadista e também fazemos nossa parte com o meio ambiente”, explica Maria Aparecida do Nascimento, a Cidinha, que preside a Associação e lidera 62 catadores entre homens e mulheres. A maioria atuava há décadas no aterro sanitário de Várzea Grande, incluindo sua mãe, Icleide de Jesus Basílio, a Dona Nena, de 68 anos.

“Os fundadores da Associação trabalham no lixão de Várzea Grande há 25 anos. É o sustento de nossas famílias, mas também levamos conscientização sobre sustentabilidade”, diz Cidinha, que montou um grupo de educação ambiental e ministra palestras em escolas e empresas sobre o tema. A coleta é realizada com apoio da Prefeitura Municipal de Várzea Grande, que cede o caminhão.

Dona Nena preside o Conselho da Asmats e relembra os tempos difíceis no lixão, afirmando que hoje a realidade melhorou. “Tenho 26 anos nesse trabalho, passei por muitas dificuldades, às vezes pegava carona, ia andando ou de charrete para o lixão todos os dias, porque fica distante, mais mesmo assim tenho orgulho desse trabalho”, relata.

Outra integrante, a tesoureira Raiany Júlia Nascimento Curvo, de 24 anos, começou cedo a trabalhar no aterro sanitário de Várzea Grande, com apenas 10 anos. Hoje, além de atuar na coleta, ela participa do grupo que ministra palestras sobre educação ambiental. “Quando trabalhava no lixão o ambiente era insalubre e com a fundação da Associação conseguimos trabalhar em melhores condições”, relembra.

Por dia, a Asmats recolhe cerca de 600 kg de papelão da unidade Fort Atacadista em Várzea Grande e aproximadamente 150 kg de material plástico, que são enviados para a empresa de reciclagem. “Nós somos catadores e limpamos o meio ambiente. Também exercemos nosso trabalho em outros estabelecimentos, como condomínios, igrejas, restaurantes, hotéis, Secretarias no Centro Político Administrativo de Cuiabá, coletas em eventos, e no projeto Cidadão Ribeirinho do Tribunal de Justiça para recolher o lixo do Pantanal”, conta Cidinha, ao ressaltar que no Pantanal a equipe recolhe até geladeiras.

Educação Ambiental

Além do trabalho segmentado, a Associação de Catadores demonstra preocupação com o descarte sustentável dos resíduos. “As pessoas que não entendem sobre reciclagem deveriam buscar orientação. Nós temos palestras onde ensinamos a destinar corretamente o lixo, somos educadoras ambientais”, cita Taiara Andressa Nascimento, da equipe de educação ambiental da Asmats.

Segundo Taiara, materiais recicláveis, por exemplo, não podem ser misturados com orgânicos, como as sobras de alimentos, cascas de frutas e legumes, sendo fundamental a separação. “Ensinamos o que é reciclagem e como fazer todo tipo de reaproveitamento”.

A Associação de Catadores foi fundada em 2016 e atua em conformidade com a lei específica que trata da destinação dos resíduos sólidos (Lei nº 12.305/10) e, através de parcerias com o Poder Público e empresas privadas como o Fort, conseguiu tirar os catadores do local insalubre no aterro sanitário. A Asmats recebeu um terreno para construção da sede, na região do Trevo do Lagarto.

A presidente Maria Aparecida do Nascimento possui formação pela Rede CFES-CO, pelo Ministério Público, Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) e pela Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental (CIEA). (Fonte: Assessoria)

 

Sexta, 05 Junho 2020 05:00

“Trabalho invisível"

Levantamento abrange afazeres domésticos, cuidados de pessoas, trabalho voluntário e produção para consumo próprio

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) sobre Outras Formas de Trabalho 2019 revela que a mulher tem peso importante no Brasil, sobretudo no que se refere a afazeres domésticos, enquanto a produção para consumo próprio é atividade mais masculina.

Divulgado no último dia 4 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o levantamento abrange afazeres domésticos, cuidados de pessoas, trabalho voluntário e produção para consumo próprio. De acordo com a pesquisa, esse “trabalho invisível” não remunerado, que não se precifica nem conta como ocupação, pesa muito sobre as mulheres, que se dedicam cerca de 20 horas semanais a esse tipo de atividade.

Em entrevista à Agência Brasil, a economista Alessandra Brito, responsável pelo levantamento, disse que desde 2016 - quando o estudo sobre outras formas de trabalho começou a ser feito - embora o nível de realização desses serviços pelos homens tenha aumentado, os cuidados e afazeres pelos representantes do sexo masculino continuam desiguais em relação às mulheres.

Afazeres domésticos

No ano passado, 146,7 milhões de pessoas, ou o correspondente a 85,7% da população, realizaram afazeres domésticos no Brasil, com significativa participação das mulheres (92,1%), contra 78,6% de homens. Em relação ao ano anterior, entretanto, houve expansão para os homens de 0,4 ponto percentual (pp) - a taxa era 78,2% em 2018 -, enquanto as mulheres permaneceram estáveis (92,2% em 2018). O total de pessoas que se dedicavam a afazeres domésticos no país aumentou em 1,6 milhão de um ano para outro.

De acordo com a pesquisa, a maior diferença da taxa de realização de afazeres domésticos entre homens e mulheres, de 21 pp, foi encontrada na Região Nordeste: 69,2% para homens, contra 90,2% para as mulheres. Também no Norte  foi observada grande diferença por sexo: homens com 76,9%, contra 91,4% de mulheres. A Região Sul apresenta maior percentual de homens fazendo serviços domésticos: 84%, contra 93,6% de mulheres.

Alessandra Brito afirmou que além da questão regional, a prática de afazeres domésticos por homens no Norte e Nordeste tem a ver com a questão da escolaridade. “A gente vê que pessoas com menos escolaridade tendem a fazer menos afazeres do que pessoas de mais alto nível de instrução. Nessas regiões, o nível de instrução é um pouco menor. Isso pode estar influenciando”.

A economista avaliou que a mentalidade do homem, em especial, vai mudando com a escolarização. A taxa de realização de afazeres domésticos pelos homens, que alcança 74,1% para os sem instrução ou com nível fundamental incompleto, sobe para 85,7% no caso dos que têm ensino superior completo. No mesmo comparativo, as mulheres ascendem de um patamar de 89,6% para 93,4%.

Faixa etária

Por grupos de idade, mulheres e homens acima de 25 anos e maiores de 50 anos praticam mais afazeres domésticos do que os mais jovens, com 89,2% e 86,4%, respectivamente. Em termos de cor ou raça, a pesquisa revela relativa estabilidade entre as mulheres brancas (91,5%), pretas (94,1%) e pardas (92,3%), e entre os homens brancos (80,4%) e pretos (80,9%), com redução entre os pardos (76,5%). “A pessoa parda faz menos. É mais o caráter regional”, disse a analista.

De acordo com a condição no domicílio, a maior diferença por sexo de realização de afazeres em casa é encontrada entre filhos e enteados (18,3 pontos percentuais), do que entre responsáveis (8,7 pp) e cônjuges e companheiros (14,8 pp). “Os filhos ajudam menos”, comentou Alessandra.

A análise por tipo de afazer doméstico mostra que as principais diferenças por sexo são encontradas em cozinhar (33,5 pp), lavar roupas e calçados (36,6 pp) e fazer pequenos reparos (27,5 pp). Preparar alimentos é a atividade mais realizada pelas mulheres brasileiras,com 95,5%, enquanto os homens fazem mais compras e pesquisam preços para o domicílio (73,5%). Os homens representam quase o dobro das mulheres na realização de pequenos reparos: 58,1%, contra 30,6%. “Mas as mulheres fazem mais quase todas as atividades”, disse a economista.

Quando mora sozinho, o homem tende a preparar seu próprio alimento (92,6%), cuidar da limpeza e manutenção de roupas e sapatos (88,7%) e limpar e arrumar a casa (86,9%). Alessandra comentou que pesquisa do IBGE divulgada no mês passado já mostrou que em domicílio com um só morador, em geral homens e mulheres fazem afazeres de forma equiparada. Se o homem estiver em coabitação ou for o cônjuge, as taxas diminuem bastante, exceto no que se refere a pequenos reparos, que os homens fazem mais.

Cuidado de pessoas

No item referente ao cuidado de parentes moradores no domicílio, que envolve crianças, idosos, pessoas enfermas ou com deficiência, o Brasil contabilizou 54,1 milhões de pessoas (31,6% da população) em 2019, indicando queda em comparação ao ano anterior (31,8%). As mulheres predominam, com 36,8%, contra 25,9% de homens.

Por regiões, o Nordeste e o Norte apresentaram as maiores diferenças de taxa entre homens e mulheres, de 13,7 pp e 13,5 pp, respectivamente. “O Nordeste mostra a menor taxa de realização entre os homens (24,1%)”, destacou a economista. Já no Norte, a taxa de realização das mulheres é a mais alta do país (41,2%) porque há maior cuidado com crianças na faixa etária de zero a 14 anos de idade. “O Norte é a região que tem mais crianças até uma faixa mais jovem. Esse cuidado é esperado”.

Por grupos de idade, a pesquisa destaca que a realização de cuidados é maior entre 25 e 49 anos (43,4%), possivelmente ligada à presença de filhos. As mulheres são maioria nesse tipo de ocupação, com 49,3%, contra 36,9% dos homens. Por cor ou raça, observa-se que esse tipo de cuidado é feito mais por mulheres negras (39,6%) e pardas (39,3%), do que por brancas (33,5%).

Entre os homens, no entanto, a proporção é considerada equilibrada. Por nível de instrução, a pesquisa mostra que, em geral, quanto maior é o grau de escolaridade, maior o cuidado dispensado a outras pessoas no domicílio (33,4%). O mesmo se aplica aos homens com ensino superior completo (30,3%). Entre as mulheres, a maior taxa de realização ocorre entre aquelas com ensino fundamental completo e médio incompleto (41,1% e 40,9%, respectivamente).

Segundo o levantamento do IBGE sobre outras formas de trabalho não remunerado, diminuiu em 2019 o cuidado de crianças de até 5 anos de idade em relação a 2018 (de 50,7% para 49,2%). Em contrapartida, aumentou a taxa de realização de cuidados com crianças e adolescentes de 6 a 14 anos de idade (de 51,1% para 52%) e também de pessoas de 15 a 59 anos de idade (de 11,9% para 13,3%) e maiores de 60 anos de idade (de 9,7% para 10,5%).

Por sexo, a prática de cuidados foi maior em 2019 tanto para homens (87,6%) quanto para mulheres (91,6%), na tarefa de monitorar ou fazer companhia dentro do domicilio. Nos demais tipos de cuidados, nota-se maior diferença entre mulheres e homens, com destaque para o auxílio de mulheres nos cuidados pessoais e nas atividades educacionais. “Pesa mais para a mulher”.

Cuidados e afazeres

Quando se alia os cuidados aos afazeres domésticos, descobre-se que a taxa de realização é maior entre as pessoas ocupadas (89,6%) do que entre as não ocupadas (84,1%). As regiões Centro-Oeste e Sul tiveram as maiores taxas de realização no ano passado (90,1% e 89,9%, respectivamente), enquanto o Nordeste teve a menor taxa (82,2%). Analisando a média de horas dedicadas aos afazeres domésticos e/ou cuidados de pessoas, que muitas vezes podem ser feitos simultaneamente, como cozinhar e monitorar o filho, por exemplo, o que se percebe é que os homens dedicam 11 horas semanais, contra 21 horas, em média, das mulheres. “Essa diferença persiste desde o ano passado”.

Alessandra Brito acrescenta que, considerando homens e mulheres ocupados, a diferença de horas é de 8,1 a mais para as mulheres; entre os não ocupados, a diferença alcança 11,9 horas. “A diferença está se mantendo e é mais difícil mudar a intensidade de horas na realização ou não de cuidados e afazeres pelos homens”.

A pesquisa indica ainda que a diferença de horas no mercado de trabalho entre mulheres que fazem ou não afazeres e cuidados foi maior na Região Norte, com três horas a mais para as que não fazem. “A mulher trabalha três horas a menos no mercado de trabalho do que aquela que não realiza”, explicou a analista do IBGE. No Brasil, a diferença é, em média, de uma hora a mais para aquela que não está no mercado de trabalho.

Produção para consumo

No item relativo à produção de bens para consumo próprio, a pesquisa indica que houve queda tanto em termos nacionais quanto regionais. Em 2019, 12,8 milhões de pessoas realizavam produção para próprio consumo das pessoas de 14 anos ou mais de idade, o que correspondia a 7,5% da população do país. Em 2018, essa taxa atingia 7,7%. A maior retração em relação ao ano anterior foi observada no Norte brasileiro, onde caiu de 10,2% para 9,8%. A menor ficou com o Sudeste: de 4,7% para 4,5%.

A taxa de realização de produção para o próprio consumo é maior entre homens (8%), do que entre mulheres (7%) e cresce com a idade (10,6%) para os maiores de 50 anos ou mais. A taxa é mais alta também entre pessoas pretas (7,5%) e pardas (8,6%) e entre as não ocupadas (8,6%) - pessoas fora da força de trabalho ou desocupadas. A taxa de realização cai com o nível de instrução. Esse tipo de produção para consumo próprio é mais observado nas regiões Norte e Nordeste, sobretudo para cultivo, pesca, caça e criação de animais. Essas atividades incluíram um total de 77,9% de pessoas no ano passado, com taxa de 81,4% entre os homens e de 74,3% entre as mulheres.

Voluntariado

O trabalho voluntário envolveu 6,9 milhões de pessoas no Brasil em 2019, correspondendo a 4% da população. Alessandra observou, porém, que a taxa de realização vem caindo desde 2017. O Centro-Oeste apresentou a maior redução, de 4,6% em 2018 para 3,9% no ano passado.

Do total de voluntários, a mulher predomina, com 4,8%, contra 3,2% dos homens. Por grupos de idade, destacam-se os que se encontram na faixa de 25 a 49 anos (4,2%) e de 50 anos ou mais (4,7%). O trabalho voluntário é menor entre pessoas de cor parda (3,5%) do que entre pretos (4,8%) e brancos (4,5%). Do mesmo modo, a taxa de realização é maior entre os ocupados (4,5%) do que entre os não ocupados (3,5%), ampliando-se com o nível de escolaridade. Entre as pessoas com ensino superior completo, a taxa de realização do trabalho voluntário alcança 7,6%. “Em geral, pessoas mais escolarizadas tendem a realizar esses trabalhos voluntários”, afirmou a economista.

Do total dos voluntários, 90,7% realizaram trabalhos por meio de organizações não governamentais, congregações religiosas, partidos, sindicatos, entre outros tipos de instituições ou entidades. A média de horas dedicadas ao trabalho voluntário cresceu no Brasil de 2018 para 2019, de 6,5 horas semanais para 6,6 horas/semana, exceto no Sudeste, onde caiu de 6,7 horas semanais para 6,4 horas/semana. (Fonte: Agência Brasil)

 

Sexta, 05 Junho 2020 05:00

Cartilha da Turma da Mônica

Material explica a importância do uso de máscaras

 Uma cartilha dos responsáveis pelas publicações da Turma da Mônica foi desenvolvida para ajudar na conscientização sobre o uso de máscaras como forma de prevenção na pandemia do novo coronavírus (covid-19).

O material traz orientações sobre o tema divulgados por autoridades de saúde em âmbito nacional durante a pandemia, como o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A publicação foi divulgada no perfil do Instagram da Turma da Mônica, que conta com mais de 800 mil seguidores. O material explica porque a máscara é importante, abordando a forma de transmissão do vírus e indicando o objeto como um item a mais de proteção, que não substitui as atitudes de higiene já recorrentemente divulgadas, como a higienização das mãos e superfícies.

O texto traz o número sugerido do uso de máscaras por dia (cinco) e o tempo indicado para a troca (a cada três horas). Além disso, ensina como colocar o item de proteção e como tirá-lo, listando cuidados como não tocar na parte da frente, lavar as mãos após a retirada e como descartá-lo.

Outra orientação é a de o que fazer ao lavar a máscara, como deixar de molho por até 30 minutos em uma mistura de água e água sanitária. Traz também outros cuidados, como não torcer demais e buscar passar o pano com ferro quente.

A cartilha tem informações específicas para crianças, como as orientações de autoridades de saúde para que não seja utilizada por pessoas com menos de dois anos e a necessidade de supervisão dos pais para pessoas de até 10 anos. O caderno pode ser encontrado no site do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), e é de distribuição gratuita. (Fonte: Agência Brasil)

 

 

Sexta, 05 Junho 2020 05:00

Aplicativo vai renovar CNH

Pedidos de Carteira Nacional de Habilitação definitiva, segunda via e permissões internacionais também podem ser realizados pelo MT Cidadão

A partir de agora, cidadãos de Mato Grosso podem iniciar o processo de renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) pela internet, por meio do aplicativo MT Cidadão. Outros serviços do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT) também foram incluídos na nova atualização do aplicativo.

Seguindo a recomendação dos órgãos de Saúde para manter o distanciamento social durante o enfrentamento da Pandemia do Coronovírus (Covid-19), o Governo do Estado tem aumentado o número de serviços realizados pela internet (e-services).

Com o início do processo pelo aplicativo, fica dispensado o requerimento em papel, diminuindo o número de atendimentos presenciais e gerando economia nos recursos.

Para pedir renovação da habilitação, o cidadão deve baixar o aplicativo MT Cidadão, fazer o cadastro. Após fazer o pedido, será emitida a guia de pagamento. Após esse processo, o condutor deverá ir até a unidade do Detran escolhida para tirar foto e coletar dados biométricos. Depois, é preciso comparecer na clínica médica indicada para fazer os exames necessários. O andamento do processo poderá ser conferido pelo aplicativo.

Além do pedido de renovação, a última atualização do MT Cidadão tornou possível solicitar a segunda via da CNH, pedir a Permissão Internacional para Dirigir e no caso dos condutores utilizam CNH provisória, a CNH definitiva.

Por meio do app ainda é possível verificar Taxas de Veículos, Taxas de Habilitação e Solicitação de PID. Quanto aos demais serviços disponibilizados pelo DETRAN, o usuário conta com opções de consulta do resultado de recurso de infração; emissão de certidão negativa de multa; consulta de dados, geração e impressão de certidão de condutor; validação das informações e pagamento das taxas.

MT Cidadão

MT CIDADÃO  é uma iniciativa do Governo do Estado de Mato Grosso que visa ampliar a transparência e prestação de serviços ao cidadão. Desenvolvido e mantido pela Empresa Mato-Grossense de Tecnologia da Informação (MTI), é uma plataforma que disponibiliza em um só lugar vários serviços digitais essenciais e relevantes para o cidadão.

Conforme o diretor-presidente da MTI, Antônio Marcos, esse é mais um serviço que visa facilitar a vida dos cidadãos. “Já temos mais de 50 e-serviços disponíveis e que podem ser realizados sem sair de casa. O nosso objetivo com o MT Cidadão é agilizar ainda mais os processos e contribuir para as medidas de isolamento social que o Estado adotou”.

A atualização já está disponível para Android na loja Google Play e para o sistema IOS na App Store.

 

Menos de 25% têm potencial de home office no Brasil. Desigualdades regionais também se refletem no trabalho remoto

 O teletrabalho, também chamado de home office, é possível para 22,7% das ocupações no Brasil, estima um estudo que reuniu pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado consta na nota técnica  “Potencial de Teletrabalho na Pandemia: Um Retrato no Brasil e no Mundo”, divulgada pelo Ipea. 
Uma pesquisa internacional aponta Luxemburgo, na Europa, como o país com maior potencial de trabalho remoto, que poderia se aplicar a 53,4% das ocupações. O patamar é muito superior ao de economias menos desenvolvidas, como as da América Latina. Na região, o maior percentual é o do Chile, com 25,7%, e o do Brasil, calculado por pesquisadores brasileiros, é o segundo maior. O menor potencial de teletrabalho entre os 86 países pesquisados está em Moçambique, na África, com apenas 5,24%. 

O estudo brasileiro é assinado pelos pesquisadores Felipe Martins e Geraldo Góes, do Ipea, e José Antônio Sena, do IBGE, que usaram metodologia internacional adotada por pesquisadores da Universidade de Chicago.
As desigualdades regionais do Brasil também se refletem no potencial de teletrabalho de cada estado. No Distrito Federal, estado com a maior renda média, o percentual chega a 31,6%. São Paulo e Rio de Janeiro também ficam acima do potencial nacional, com 27,7% e 26,7%, assim como os três estados da Região Sul. O restante do país tem percentuais menores que a média de 22,7%, sendo os menores no Piauí, com 15,6%, Pará, com 16%, e Rondônia, com 16,7%.

Ocupações 

As ocupações analisadas foram agrupadas seguindo critérios internacionais, e os maiores percentuais de probabilidade de teletrabalho estão nos grupos profissionais das ciências e intelectuais (65%), diretores e gerentes (61%) e trabalhadores de apoio administrativo (41%). Já para membros das Forças Armadas, policiais e bombeiros militares, a probabilidade de teletrabalho foi estimada em 0%, assim como para operadores de instalações e máquinas e montadores, para ocupações elementares e para trabalhadores qualificados da agropecuária, florestais, da caça e pesca.  
Outros grupos que têm um baixo potencial de teletrabalho são os trabalhadores dos serviços, vendedores dos comércios e mercados, com 12%, e os trabalhadores qualificados, operários e artesãos da construção, das artes mecânicas e outros ofícios, com 8%.
Nas conclusões do estudo, os pesquisadores destacam que a nota técnica "revela as desigualdades regionais e as diferenças no acesso a essa modalidade no território nacional". O texto também destaca que a incorporação de tecnologias relacionadas ao mercado de trabalho depende, em grande parte, da renda e dos investimentos no processo produtivo.
"As perspectivas da retomada das atividades econômicas após a pandemia devem levar em conta as novas modalidades de trabalho que emergiram e foram marcantes no período de isolamento e que, muito provavelmente, serão mais utilizadas", afirmam. (Fonte: Agência Brasil)

 

Em meio à pandemia do novo coronavírus,  o ano de 2020 também tem uma pauta que torna-se o centro das atenções do país: as eleições municipais. Mas com tantos desdobramentos por causa da pandemia, várias questões estão em discussão e a principal delas é: a disputa nas urnas vai acontecer em outubro? Em entrevista ao blog, o juiz de Direito em Cuiabá e juiz auxiliar da presidência do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso  (TRE-MT), Lídio Modesto da Silva Filho comenta sobre esse e outros assuntos. Mestre em Direito pela UFMT, doutorando em Filosofia Social e Política pela Unisinos (RS) é também autor do livro: “Propaganda Eleitoral”, pela Editora Juruá – segunda edição.

Blog da Condessa - Por favor, comente sobre as fake news e suas consequências na política, bem como no momento atual.

Lídio Modesto - As fake news ocorrem sobretudo em mídias eletrônicas, e, em razão do princípio constitucional da liberdade, a manifestação por cidadãos nesta modalidade é praticamente livre, sendo restrita apenas quando houver ofensa a terceiros e contiver fatos sabidamente inverídicos. Não somente quem contrata para criar a mídia fake, mas também o contratado pode ser apenado com penas restritivas de liberdade e multa, sem prejuízo de ajuizamento de indenização no cível, caso cabível. Hoje o TSE trata o caso como desinformação, sendo que tanto os partidos como os candidatos devem fazer a verificação de conteúdos veiculados. As fake news causam abalo ao processo eleitoral. Ao mesmo tempo que enaltecem alguns, destroem outros. O estrago que causa pode ser observado pelos cidadãos em razão do que todos os dias é publicado na mídia em relação à pandemia, quando pode ser observado o desencontro de informações nos veículos de comunicação, causando confusão na cabeça das pessoas. Essa confusão pode acontecer na eleição. Combater fatos inverídicos publicados durante a propaganda eleitoral é o grande desafio da Justiça Eleitoral.

 Blog da Condessa - O senhor é a favor ou contra o adiamento das eleições em outubro? É possível conciliar a crise sanitária global com a preservação do processo democrático para a realização das Eleições 2020?

Lídio Modesto - Sou contra o adiamento por conta das dificuldades legais e burocráticas, assim como sou contra a prorrogação dos mandados dos atuais ocupantes dos cargos públicos. Para se ter uma ideia, a data da eleição é prevista constitucionalmente de modo que mudá-la significa termos uma emenda constitucional a ser tramitada em caráter excepcional e muito célere no Congresso Nacional.

 Blog da Condessa - Na sua opinião, o que deve pautar as discussões sobre o tema?

Lídio Modesto - A decisão de se adiar as Eleições de 2020 deve ser pautada em questões sanitárias e não políticas. Caso haja necessidade de prorrogação acredito que sejam realizadas em novembro e/ou dezembro. Creio ser possível criar um protocolo de atendimento dos eleitores para a realização da eleição mesmo em tempos desta pandemia. A cada eleitor a cabine de votação teria que ser higienizada.

Blog da Condessa -  Qual a sua percepção/avaliação da conjuntura política, econômica e social em tempos de pandemia?

Lídio Modesto - Todas as crises da história, inclusive as sanitárias, causam trágicos impactos nas políticas e economias dos Estados, bem como seus efeitos espargem para o campo social, porque a economia está em crise e isso é, consequentemente, lógico.

Blog da Condessa - O que o leitor pode esperar de seu livro?

Lídio Modesto -A obra que ora apresento à sociedade foi pensada para ser acessível a todos os leitores. A população tem estado atenta às questões políticas e tem participado do processo democrático, de maneira que busquei ser o mais claro possível na construção dos textos. O fato de a obra estar em sua segunda edição demonstra que o conteúdo é de interesse dos leitores, tanto que não somente operadores do direito de Mato Grosso a utiliza e a cita, mas do Acre, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, apenas para citar alguns Estados que lembro agora, mas também o fato de ter sido citada em duas oportunidades pelo ministro Luiz Fux em sua paradigmática decisão que norteou a pré-campanha eleitoral no Brasil. O livro não é de interesse apenas dos operadores do direito como advogados, promotores ou juízes, mas também atende as expectativas de jornalistas, políticos, estudantes e da população em geral. Conhecer é evitar praticar erros!

Blog da Condessa - Pandemia. Nada será como antes. E a propaganda eleitoral? E o papel da Justiça diante da efervescência política?

Lídio Modesto - Creio que o comportamento humano será outro após passarmos por esta fase. E, é evidente que esse momento irá impactar o cenário eleitoral. À Justiça Eleitoral cabe o papel de total controle e de equalizar as diferenças para conduzir o processo eleitoral com a manutenção do equilíbrio entre os participantes, trazendo ao eleitor o dia da eleição da forma mais serena possível, para que possa desempenhar sua nobre função de escolher os seus representantes e governantes.

Blog da Condessa - O elo entre a Justiça Eleitoral, o candidato, e o eleitor, é uma preocupação constante?

Lídio Modesto - A Justiça Eleitoral, sobretudo nosso TRE-MT, é muito qualificado e tem, ao longo dos anos, realizado os trabalhos afetos às eleições com maestria. Mas, claro, deve ser constante o contato com candidatos e eleitores, para que tudo transcorra de acordo com o que prescreve a lei, afinal estamos falando de uma acirrada disputa. Nestes tempos modernos os candidatos têm buscado orientação na própria Justiça Eleitoral para mitigar erros e o eleitor tem participado efetivamente do debate cívico, tendo se tornado verdadeiro fiscal da Justiça Eleitoral, com o uso dos sistemas eletrônicos e redes sociais.

 

Quarta, 03 Junho 2020 05:00

Como a quarentena impactou o consumo

A pandemia ocasionada pela Covid-19 trouxe consigo mudanças drásticas no cotidiano da população como, por exemplo, a nossa relação com o consumo: de vinhos ao cuidado com a pele

Para entender as mudanças no consumo da população brasileira, o banco BTG Pactual estudou as alterações de volume nos dados de busca no Google, no tráfego de sites e downloads de aplicativos. Dessa forma, a pesquisa identificou setores e produtos que apresentaram alta ou queda de interesse durante a crise do coronavírus no Brasil. 

Confira algumas categorias em crescimento:

Cuidados com a pele

Uma das constatações é de que, na quarentena, as pessoas se mostraram mais interessadas com o cuidado com a pele. Tanto que as buscas pelo tópico "skin care" no Google subiram 66% entre fevereiro e abril. Os quatro termos mais procurados foram: como fazer skin care; skin care caseira; skin care rotina e produtos para skin care.

Alimentos

O isolamento social mudou a forma como as pessoas se relacionam com a alimentação. Quem tinha o hábito de almoçar fora passou a cozinhar e/ou pedir comida por delivery. Houve um verdadeiro boom nas buscas por receitas, sobretudo de bolos, pães e preparações com frango, tortas, pudim e panqueca. Mas as receitas com toque gourmet também têm interessado aos brasileiros: hambúrguer gourmet (+ 200%); pipoca gourmet (+90%) e brigadeiro gourmet (+70%).

Como consequência, subiram também as buscas por equipamentos de cozinha como lava-louças (+170%); mini forno elétrico (+150%); liquidificador (+80%); batedeira (+40%) e fogão/cooktop (+32%).

Vinhos 

No monitoramento de 5 grandes sites de venda de vinhos, foram registrados cerca de 2 milhões de acessos a essas plataformas online no mês de março, e um avanço de 15% entre fevereiro e março.

Já as pesquisas gerais sobre vinho no Google cresceram 22%, com destaque para o vinho branco, seguido de tinto, suave, seco e malbec. Outra análise das buscas indica que a categoria ganhou novos adeptos no período, já que as buscas por "como abrir vinho" subiram 60%. 

Cigarros

Com a necessidade de isolamento social, os fumantes elevaram em 450% as buscas por "cigarro delivery" e em 160% as buscar por "comprar cigarro online". 

 

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