Blog da Condessa

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Segunda, 27 Abril 2020 15:02

“Chefs ao vivo na sua casa”

A chef estrelada Ariani Malouf, proprietária do restaurante Mahalo Cozinha Criativa- em Cuiabá, participa de conversa ao vivo via Instagram (amanhã, 28/4, às 18hs ) com a curadora gastronômica Luiza Fecarotta. Uma iniciativa do projeto Fartura - Comidas do Brasil 

Um dos principais objetivos do Fartura – Comidas do Brasil é compartilhar o vasto conhecimento sobre a gastronomia brasileira. Enquanto o público é aconselhado a ficar em casa, será possível saber mais sobre esse universo em bate-papos ao vivo nas redes sociais por meio do projeto “Chefs ao vivo na sua casa”. 

Com a temática “vida, cozinha e quarentena”, a curadora gastronômica Luiza Fecarotta conversa com diversos profissionais da gastronomia, que compartilham suas experiências, carreira e como tem sido esse período de confinamento. Para participar, basta acompanhar no Instagram do projeto às 18h do dia marcado.

Considerado um dos 50 melhores restaurantes do país, o Mahalo Cozinha Criativa chama a atenção de brasileiros e estrangeiros com sua comida contemporânea. A chef Ariani Malouf, responsável pela casa, vai compartilhar um pouco dos segredos do seu sucesso e como é sua rotina no dia 28 de abril, encerrando a programação do mês.

Sobre a chef Ariani Malouf

Ariani Malouf estudou gastronomia em Paris, na Le Cordon Bleu e é mestre em explorar temperos e combinações incomuns. A chef é proprietária do Mahalo Cozinha Criativa, restaurante pioneiro no quesito contemporaneidade em Cuiabá. O Mahalo é o único da região Centro- Oeste conceituado com duas estrelas pelo extinto Guia 4 Rodas. Além disso, o restaurante está entre os 50 melhores do país pela mesma publicação.

Sobre a plataforma Fartura – Comidas do Brasil

A Plataforma Fartura – Comidas do Brasil tem o objetivo de mapear a cadeia produtiva da gastronomia, a fim de disponibilizar conhecimento ao público – em forma de conteúdo e experiência – e criar conexões entre os integrantes dessa cadeia.

As Expedições Fartura são viagens que já percorreram quase 80 mil km em todo o território nacional levantando as histórias, personagens, ingredientes e receitas. Foram 276 cidades visitadas e cerca de 650 fontes entrevistadas. O conhecimento é transformado em conteúdo e disponibilizado no site e redes sociais (Facebook e Instagram), vídeos, livros, programas de rádio e em projetos customizados.

 A celebração do projeto são os Festivais Fartura, onde há o encontro entre produtores, chefs e estudiosos da gastronomia com o público. Nos eventos – que já acontecem em Belém, Brasília, Porto Alegre, São Paulo, Tiradentes, Belo Horizonte, Conceição do Mato Dentro, Fortaleza e também fora do Brasil, em Lisboa – é possível adquirir conhecimento, aprender receitas, conhecer histórias, comprar produtos e, claro, experimentar os pratos dos mais renomados chefs de todo o país. Até 2019, os festivais receberam mais de 850 mil pessoas, que se deliciaram com os mais de 2 milhões de pratos servidos. Além disso, foram 3.300 atividades gastronômicas e 1.265 apresentações culturais. 

 SERVIÇO:

Fartura – Comidas do Brasil

“Chefs ao vivo na sua casa”

Lives no Instagram mediadas pela curadora gastronômica Luiza Fecarotta

 

Documento enviado à imprensa na manhã desta segunda, 27, solicita a revogação dos decretos que flexibilizam a abertura do comércio em plena curva ascendente de infecção por coronavirus no Estado

O Fórum de Saúde de MT é composto por profissionais da saúde pública e privada, membros da sociedade civil, juntamente com diversas entidades entre as quais a Rede de Médicas e Médicos Populares, Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat),  SISMA e Movimentos Sociais.

A reabertura gradual inicia em Cuiabá e Várzea Grande nesta segunda-feira (27/4) .“Neste momento, o mundo registra aproximadamente 3 milhões de casos notificados e mais de 200 mil mortes, tendo como principal país atingido os EUA, com quase 1 milhão de casos e 50 mil óbitos. Neste ranking, o Brasil aparece no 11º lugar, com uma das maiores taxas de letalidade (6,8%)”, pontua o documento.

Em Mato Grosso, o maior número de casos está concentrado em nove municípios, envolvendo menos 60% da população. A capital Cuiabá lidera com mais da metade dos casos. Entre 250 casos e 10 óbitos confirmados no Estado até o domingo (26.04), cinco são de residentes em outros Estados e 245 (98%) estão concentrados em 28 dos seus 141 municípios. Cuiabá lidera os registros, com mais da metade dos casos (127), seguido por Rondonópolis (36), Sinop (20), Várzea Grande (12), e Primavera do Leste (6).

Trecho do manifesto diz ainda que foram realizados menos de 2 mil testes (quase todos em casos graves). “Apesar do baixo índice de testagem, conforme o último boletim epidemiológico, em Cuiabá os casos só aumentam: dos 354 casos, de Síndrome Respiratória Aguda Grave notificados, 38,5% foram positivos para coronavírus. Diante do atual cenário, fazemos um apelo: FIQUE EM CASA!”

De acordo com os dados do Ministério da Saúde, o país tem 63.584 casos confirmados da doença em todo o país e foram registradas 4.300 mortes provocadas pela Covid-19. A primeira morte foi confirmada em 17 de março em São Paulo.

Telemedicina no país

Com a epidemia do novo coronavírus no Brasil, o isolamento social tem sido a saída adotada na tentativa de evitar uma maior propagação do vírus. Para auxiliar nesse isolamento e, ao mesmo tempo, manter o atendimento à saúde, o Conselho Federal de Medicina (CFM) reconheceu a prática da telemedicina no país, em caráter excepcional, enquanto durar a situação de emergência em saúde pública no país.

Telemedicina é o exercício da medicina a distância, com médico e paciente se comunicando por vídeo-ligações de aplicativos como Whatsapp e Skype. De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), quem quiser ser atendido dessa forma, deve procurar a sua operadora de plano de saúde. O planto de saúde deverá oferecer uma opção para o usuário. De acordo com a ANS, os hospitais e clínicas não são obrigados a oferecer a opção da telemedicina, mas a operadora de plano de saúde deve ter alguma instituição em sua rede para oferecer essa modalidade de atendimento.

Sistema Único de Saúde

A telemedicina também pode ser usada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Por meio das consultas remotas, haverá ampliação do acesso à saúde, evitando a exposição da população nas unidades de saúde, onde há possível circulação do [novo] coronavírus”, disse o ministério, em nota.

O Ministério da Saúde orienta o cidadão que desejar o atendimento à distância a entrar em contato diretamente com o posto de saúde.

O ministério também autorizou médicos a emitir atestados e receitas médicas eletronicamente. E caso o médico determine o isolamento do paciente, ele deverá comunicar o médico sobre quem mora com ele ou assinar uma declaração contendo a relação das pessoas que residam no mesmo endereço. (Fonte: Agência Brasil)

 

 

Em uma entrevista ao Le Monde, o sociólogo e filósofo Edgar Morin considera que a corrida pela rentabilidade, assim como as carências do nosso modo de pensar, são responsáveis por inúmeros desastres humanos causados pela pandemia da Covid-19.

A reportagem é de Nicolas Truong, publicada pelo Le Monde, 20-04-2020. A tradução da versão italiana publicada por finesettimana, é de Moisés Sbardelotto.

Nascido em 1921, ex-combatente da resistência, sociólogo e filósofo, pensador transdisciplinar e indisciplinado, doutor honoris causa de 34 universidades em todo o mundo, Edgar Morin, desde o dia 17 de março, está confinado no seu apartamento em Montpellier, na companhia da sua esposa, a socióloga Sabah Abouessalam.

É da Rua Jean-Jacques Rousseau, onde reside, que o autor de “La Voie” (2011) e de “Terra-Pátria” (1933), que publicou recentemente “Les souvenirs viennent à ma rencontre” (Ed. Fayard, 2019), obra de mais de 700 páginas nas quais o intelectual recorda, profundamente, as histórias, os encontros e os “magnetismos” mais fortes da sua existência, redefine um novo contrato social, entrega-se algumas confissões e analisa uma crise global que o “estimula enormemente”.

 

Eis a entrevista.

 

A pandemia devido a essa forma de coronavírus era previsível?

Todas as futurologias do século XX que previram o futuro ao transportar para o futuro as correntes que atravessam o presente entraram em colapso. No entanto, continuamos prevendo 2025 e 2050, enquanto somos incapazes de compreender 2020. A experiência das irrupções do imprevisto na história ainda não penetrou nas consciências. Ora, a chega de um imprevisível era previsível, mas não sua natureza. Daí a minha máxima permanente: “Espere o inesperado”.

Além disso, eu era daquela minoria que previu catástrofes em cadeia provocadas pelo desencadeamento descontrolado da mundialização tecnoeconômica, incluindo as decorrentes da degradação da biosfera e da degradação das sociedades. Mas eu absolutamente nunca previ a catástrofe viral.

Houve, no entanto, um profeta dessa catástrofe: Bill Gates, em uma conferência de abril de 2012, anunciando que o perigo imediato para a humanidade não era nuclear, mas sim sanitário. Ele havia visto na epidemia do Ebola, que pôde ser rapidamente controlada por acaso, o anúncio do perigo global de um possível vírus com forte poder de contaminação, expôs as medidas de prevenção necessárias, incluindo um equipamento hospitalar adequado. Mas, apesar dessa advertência pública, nada foi feito nos Estados Unidos nem alhures. Pois o conforto intelectual e o hábito têm horror das mensagens que os incomodam.

Como explicar o despreparo francês?

Em muitos países, incluindo a França, a estratégia econômica just-in-time, substituindo a da estocagem, deixou nosso sistema de saúde desprovido de máscaras, de instrumentos de testes, de aparelhos respiratórios; isso, junto com a doutrina liberal que comercializa os hospitais e reduz seus recursos, contribuiu para o curso catastrófico da epidemia.

Em que tipo de imprevisto essa crise nos coloca?

Essa epidemia nos traz um festival de incertezas. Nós não temos certeza sobre a origem do vírus: mercado insalubre de Wuhan ou laboratório vizinho, ainda não sabemos as mutações que o vírus sofre ou poderá sofrer durante a sua propagação. Não sabemos quando a epidemia regredirá e se o vírus permanecerá endêmico. Não sabemos até quando e até que ponto o confinamento nos fará sofrer impedimentos, restrições, racionamentos. Não sabemos quais serão as consequências políticas, econômicas, nacionais e planetárias das restrições trazidas pelos confinamentos. Não sabemos se devemos esperar o pior, o melhor, uma mistura dos dois: estamos indo rumo a novas incertezas.

Essa crise sanitária planetária é uma crise da complexidade?

Os conhecimentos se multiplicam exponencialmente, de repente, transbordam a nossa capacidade de nos apropriarmos deles e, acima de tudo, lançam o desafio da complexidade: como confrontar, selecionar, organizar adequadamente esses conhecimentos, conectando-os e integrando a incerteza. Para mim, isso revela mais uma vez a carência do modo de conhecimento que nos foi inculcado, que nos faz separar aquilo que é inseparável e reduzir a um único elemento aquilo que forma um todo ao mesmo tempo uno e diverso. Com efeito, a revelação fulgurante das convulsões que sofremos é que tudo o que parecia separado está ligado, pois uma catástrofe sanitária catastrofiza em cadeia a totalidade de tudo o que é humano.

É trágico que o pensamento disjuntivo e redutivo reine supremo em nossa civilização e detenha o comando da política e da economia. Essa formidável carência conduziu a erros de diagnóstico, de prevenção, assim como a decisões aberrantes. Eu acrescento que a obsessão pela lucratividade entre nossos dominantes e dirigentes levou a economias culpadas, como nos hospitais, e ao abandono da produção de máscaras na França. Na minha opinião, as carências no modo de pensar, combinadas com o domínio incontestável de uma sede frenética de lucro, são responsáveis por inúmeros desastres humanos, incluindo aqueles ocorridos desde fevereiro de 2020.

Tínhamos uma visão unitária da ciência. No entanto, multiplicam-se em seu interior os debates epidemiológicos e as controvérsias terapêuticas. A ciência biomédica se tornou um novo campo de batalha?

É mais do que legítimo que a ciência seja convocada pelo poder para lutar contra a epidemia. Porém, os cidadãos, inicialmente tranquilizados, sobretudo por ocasião do remédio do professor Raoult, descobrem em seguida opiniões diferentes e até contrárias. Cidadãos mais bem informados descobrem que certos grandes cientistas têm relações de interesse com a indústria farmacêutica, cujos lobbies são poderosos junto a ministérios e à mídia, capazes de inspirar campanhas para ridicularizar as ideias não conformes.

Lembremo-nos do professor Montagnier, que, contra pontífices e mandarins da ciência, foi, com alguns outros, o descobridor do HIV, o vírus da Aids. Essa é a oportunidade para compreender que a ciência não é um repertório de verdades absolutas (ao contrário da religião), mas que as suas teorias são biodegradáveis sob o efeito de novas descobertas. As teorias aceitas tendem a se tornar dogmáticas nas cúpulas acadêmicas, e os desviantes, de Pasteur a Einstein, passando por Darwin, e Crick e Watson, os descobridores da dupla hélice do DNA, são os que fazem as ciências progredirem. É que as controvérsias, longe de serem anomalias, são necessárias para esse progresso. Mais uma vez, no desconhecido, tudo progride por tentativa e erro, assim como por inovações desviantes inicialmente incompreendidas e rejeitadas. Essa é a aventura terapêutica contra os vírus. Os remédios podem aparecer onde menos eram esperados.

A ciência é devastada pela hiperespecialização, que é o fechamento e a compartimentalização dos saberes especializados, em vez da sua comunicação. E são sobretudo pesquisadores independentes que estabeleceram desde o início da epidemia uma cooperação, que agora se alarga entre infectologistas e médicos do planeta. A ciência vive de comunicações, toda censura a bloqueia. Portanto, devemos ver as grandezas da ciência contemporânea ao mesmo tempo que as suas fraquezas.

Em que medida podemos tirar proveito da crise?

Em meu ensaio “Sur la crise” (Ed. Flammarion), tentei mostrar que uma crise, além da desestabilização e da incerteza que traz, se manifesta pelo fracasso das regulações de um sistema que, para manter sua estabilidade, inibe ou reprime os desvios (feedback negativo). Deixando de ser reprimidos, esses desvios (feedback positivo) tornam-se tendências ativas que, se se desenvolverem, ameaçam cada vez mais desregular e bloquear o sistema em crise. Nos sistemas vivos e especialmente sociais, o desenvolvimento vitorioso dos desvios que se tornaram tendências levará a transformações, regressivas ou progressivas, até mesmo a uma revolução.

A crise em uma sociedade suscita dois processos contraditórios. O primeiro estimula a imaginação e a criatividade na busca de soluções novas. O segundo é a busca de um retorno a uma estabilidade passada ou a adesão a uma salvação providencial, assim como a denúncia ou a imolação de um culpado. Esse culpado pode ter cometido os erros que provocaram a crise ou pode ser um culpado imaginário, bode expiatório que deve ser eliminado.

Com efeito, ideias desviantes e marginalizadas estão se espalhando confusamente: retorno à soberania, Estado de bem-estar social, defesa dos serviços públicos contra as privatizações, relocalizações, desmundialização, antineoliberalismo, necessidade de uma nova política. Personalidades e ideologias são identificadas como culpadas.

E também vemos, na carência dos poderes públicos, uma profusão de imaginações solidárias: produção alternativa à falta de máscaras por empresas reconvertidas ou confecção artesanal, reagrupamento de produtores locais, entregas gratuitas em domicílio, ajuda mútua entre vizinhos, refeições gratuitas para sem-teto, creches; além disso, o confinamento estimula as capacidades auto-organizadoras para remediar através da leitura, da música, dos filmes a perda de liberdade de movimento. Assim, autonomia e inventividade são estimuladas pela crise.

Estamos assistindo a uma verdadeira tomada de consciência da era planetária?

Espero que a excepcional e mortífera epidemia que estamos vivendo nos dê a consciência não apenas de que somos conduzidos para o interior da incrível aventura da Humanidade, mas também de que vivemos em um mundo ao mesmo tempo incerto e trágico. A convicção de que a livre concorrência e o crescimento econômico são panaceias sociais universais escamoteia a tragédia da história humana que essa convicção agrava.

A loucura eufórica do trans-humanismo leva ao paroxismo o mito da necessidade histórica do progresso e do domínio do homem não apenas sobre a natureza, mas também sobre o seu destino, ao prever que o homem terá acesso à imortalidade e controlará tudo pela inteligência artificial. Ora, nós somos jogadores/jogados, possuidores/possuídos, poderosos/fracos. Se podemos atrasar a morte por envelhecimento, jamais poderemos eliminar os acidentes fatais em que nossos corpos serão esmagados, jamais poderemos nos livrar das bactérias e dos vírus que se automodificam sem cessar para resistir aos remédios, antibióticos, antivirais, vacinas.

A pandemia não acentuou a reclusão doméstica e o fechamento geopolítico?

A epidemia global do vírus desencadeou e, entre nós, agravou terrivelmente uma crise sanitária que provocou os confinamentos que sufocam a economia, transformando um modo de vida extrovertido em uma introversão para dentro de casa e colocando em uma crise violenta a mundialização. Esta havia criado uma interdependência, mas sem que ela fosse acompanhada de solidariedade. Pior, ela provocou, em reação, confinamentos étnicos, nacionais, religiosos que se agravaram nas primeiras décadas deste século.

Desde então, na ausência de instituições internacionais e até europeias capazes de reagir com uma solidariedade de ação, os Estados nacionais se voltaram para si mesmos. A República Tcheca até reteve máscaras destinadas à Itália, e os Estados Unidos conseguiram desviar para si mesmos um estoque de máscaras chinesas inicialmente destinadas à França. A crise da saúde, portanto, desencadeou uma engrenagem de crises que se concatenaram. Essa policrise ou megacrise se estende do existencial ao político, passando pela economia, do individual ao planetário, passando pelas famílias, regiões, Estados. Em suma, um minúsculo vírus em um vilarejo ignorado na China desencadeou a perturbação de um mundo.

Quais são os contornos dessa deflagração mundial?

Como crise planetária, ela coloca em destaque a comunidade de destino de todos os humanos, ligada inseparavelmente com o destino bioecológico do planeta Terra. Ela intensifica simultaneamente a crise de humanidade que não consegue se constituir em humanidade. Como crise econômica, ela abala todos os dogmas que governam a economia e ameaça se agravar em caos e penúrias no nosso futuro. Como crise nacional, ela revela as carências de uma política que favoreceu o capital em detrimento do trabalho, sacrificando a prevenção e a precaução para aumentar a rentabilidade e a competitividade. Como crise social, ela traz à tona cruamente as desigualdades entre aqueles que vivem em pequenas habitações povoadas de crianças e pais, e aqueles que puderam fugir para a sua segunda residência no campo.

Como crise civilizacional, ela nos leva a perceber as carências em termos de solidariedade e a intoxicação consumista que a nossa civilização desenvolveu; e nos pede que reflitamos sobre uma política de civilização (“Une politique de civilisation”, com Sami Naïr, Ed. Arléa, 1997). Como crise intelectual, ela deveria nos revelar o enorme buraco negro na nossa inteligência, que torna invisíveis para nós as evidentes complexidades do real.

Como crise existencial, ela nos leva a nos interrogar sobre o nosso modo de vida, sobre as nossas verdadeiras necessidades, sobre as nossas verdadeiras aspirações mascaradas nas alienações da vida cotidiana, a diferenciar entre a diversão pascaliana que nos desvia das nossas verdades e a felicidade que encontramos na leitura, na escuta ou na visão de obras-primas que nos fazem encarar de frente o nosso destino humano. E, acima de tudo, ela deveria abrir os nossos espíritos, há muito tempo confinados ao imediato, ao secundário e ao frívolo, para o essencial: o amor e a amizade pela nossa realização individual, a comunidade e a solidariedade dos nossos “eu” convertidos em “nós”, o destino da Humanidade da qual cada um de nós é uma partícula. Em suma, o confinamento físico deveria favorecer o desconfinamento dos espíritos.

O que é o confinamento? E como o senhor o vive?

A experiência do confinamento domiciliar duradouro imposto a uma nação é uma experiência inédita. O confinamento do gueto de Varsóvia permitia que seus habitantes lá circulassem. Mas o confinamento do gueto preparava para a morte, e o nosso confinamento é uma defesa da vida.

Eu o suporto em condições privilegiadas, apartamento térreo com jardim, onde eu posso me alegrar ao sol com a chegada da primavera, muito protegido por Sabah, minha esposa, com vizinhos gentis que fazem as nossas compras, comunicando-me com meus próximos, meus afetos, meus amigos, solicitado pela imprensa, rádio ou televisão para dar o meu diagnóstico, o que pude fazer pelo Skype. Mas eu sei que, desde o início, as inumeráveis pessoas em moradias apertadas suportam mal a superlotação, que os solitários e principalmente os sem-teto são vítimas do confinamento.

Quais podem ser os efeitos do confinamento prolongado?

Eu sei que um confinamento prolongado será cada vez mais vivido como um impedimento. Os vídeos não podem substituir permanentemente as idas ao cinema, os tablets não podem substituir permanentemente as visitas às livrarias. Skype e Zoom não permitem o contato carnal, o tilintar do copo quando brindamos. A comida doméstica, mesmo excelente, não suprime o desejo de um restaurante. Os documentários não suprimem o desejo de ir aos lugares para ver as paisagens, as cidades e os museus, eles não tirarão o meu desejo de reencontrar a Itália e a Espanha. A redução ao indispensável também dá a sede do supérfluo.

Eu espero que a experiência do confinamento modere a inquietação compulsiva, a fuga para Bangcoc para trazer recordações para contá-las aos amigos. Eu espero que contribua para reduzir o consumismo, ou seja, a intoxicação consumista e a obediência à incitação publicitária, em prol de alimentos saudáveis e saborosos, de produtos duradouros e não descartáveis. Mas serão necessárias outras incitações e novas tomadas de consciência para que ocorra uma revolução nesse âmbito. No entanto, há a esperança de que a lenta evolução iniciada se acelere.

Na sua opinião, o que será aquilo que chamamos de “mundo do depois”?

Em primeiro lugar, o que guardaremos nós, cidadãos, o que guardarão os poderes públicos da experiência do confinamento? Apenas uma parte? Tudo será esquecido, anestesiado ou folclorizado? O que parece muito provável é que a propagação do digital, amplificado pelo confinamento (teletrabalho, teleconferências, Skype, usos intensivos da internet), continuará com seus aspectos ao mesmo tempo negativos e positivos, que não são o tema desta entrevista.

Vamos ao essencial. A saída do confinamento será o começo da saída da megacrise ou o seu agravamento? Boom ou depressão? Crise econômica enorme? Crise alimentar mundial? Continuação da mundialização ou recuo autárquico?

Qual será o futuro da mundialização? O neoliberalismo abalado retomará o controle? As nações gigantes se oporão mais do que no passado? Os conflitos armados, mais ou menos atenuados pela crise, se exacerbarão? Haverá um ímpeto internacional para salvar a cooperação? Haverá algum progresso político, econômico, social, como ocorreu logo após a Segunda Guerra Mundial? O despertar da solidariedade provocado durante o confinamento se prolongará e se intensificará, não apenas para médicos e enfermeiras, mas também para os últimos da fila, os coletores de lixo, os estoquistas, os entregadores, os caixas, sem os quais não teríamos sido capazes de sobreviver, enquanto conseguimos sobreviver sem o Medef (Movimento das Empresas da França, na sigla em francês) e o CAC 40 (índice da Bolsa que reúne as 40 maiores empresas da França)?

As inúmeras e dispersas práticas de solidariedade de antes da epidemia serão amplificadas? As pessoas que saírem do confinamento retomarão o ciclo cronometrado, acelerado, egoísta, consumista? Ou haverá um novo apogeu da vida convivial e amorosa rumo a uma civilização em que a poesia da vida se desdobra, em que o “eu” desabrocha em um “nós”?

Não podemos saber se, após o confinamento, o comportamento e as ideias inovadoras retomarão o seu impulso, se revolucionarão a política e a economia, ou se a ordem abalada se reestabelecerá.

Nós podemos temer fortemente a regressão geral que já estava em curso durante os primeiros 20 anos deste século (crise da democracia, corrupção e demagogia triunfantes, regimes neoautoritários, impulsos nacionalistas, xenófobos, racistas).

Todas essas regressões (e, na melhor das hipóteses, estagnações) são prováveis enquanto não aparecer a nova via político-ecológico-econômico-social guiada por um humanismo regenerado. Esta multiplicaria as verdadeiras reformas, que não são cortes no orçamento, mas sim reformas de civilização, de sociedade, ligadas a reformas de vida.

Ela associaria (como indiquei em “La Voie”) os termos contraditórios: “mundialização” (para tudo o que é cooperação) e “desmundialização” (para estabelecer uma autonomia alimentar e sanitária, e salvar os territórios da desertificação); “crescimento” (da economia dos bens essenciais, do durável, da agricultura familiar ou orgânica) e “decrescimento” (da economia do frívolo, do ilusório, do descartável); “desenvolvimento” (de tudo o que produz bem-estar, saúde, liberdade) e “envolvimento” (nas solidariedades comunitárias).

O senhor conhece as perguntas kantianas – O que posso saber? O que devo fazer? O que me é permitido esperar? O que é o homem? –, que foram e continuam sendo as da sua vida. Que atitude ética devemos adotar diante do imprevisto?

O pós-epidemia será uma aventura incerta, em que se desenvolverão as forças do pior e as do melhor, sendo estas últimas ainda fracas e dispersas. Saibamos, enfim, que o pior não é certo, que o improvável pode advir, e que, no combate titânico e inextinguível entre os inimigos inseparáveis que são Eros e Thanatos, é saudável e enérgico ficar do lado de Eros.

Sua mãe, Luna, foi acometida da gripe espanhola. E o trauma pré-natal que abre o seu último livro tende a mostrar que isso lhe deu uma força vital, uma extraordinária capacidade de resistir à morte. O senhor ainda sente esse impulso vital no coração mesmo desta crise mundial?

A gripe espanhola deu à minha mãe uma lesão no coração e o conselho médico de não ter filhos. Ela tentou dois abortos, o segundo falhou, mas a criança nasceu quase asfixiada, estrangulada pelo cordão umbilical. Posso ter adquirido no útero as forças de resistência que permaneceram comigo a minha vida toda, mas só pude sobreviver com a ajuda de outros, o ginecologista que me deu tapas durante uma meia hora antes que eu lançasse o meu primeiro grito, depois a sorte durante a Resistência, o hospital (hepatite, tuberculose), Sabah, minha companheira e esposa. É verdade que o “impulso vital” não me abandonou; até aumentou durante a crise mundial. Toda crise me estimula, e esta, enorme, me estimula enormemente.

 

Domingo, 26 Abril 2020 05:00

Iniciativa de cultura e arte online

Instituição disponibiliza conteúdo cultural gratuito online. Estão incluídos apresentações e concertos da Orquestra Sinfônica

  A Universidade de São Paulo (USP) está disponibilizando de forma online diversos conteúdos culturais em um site unificado, chamado USP Cultura em Casa. O visitante poderá escolher entre quatro diferentes editorias: arte, patrimônio cultural, ciências e comunidade.

Na plataforma, estão mais de 30 institutos da universidade, entre unidades de ensino, órgãos culturais, museus e laboratórios. Um dos destaques é a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, cujo acervo virtual e o projeto interativo Atlas dos Viajantes do Brasil podem ser conhecidos por meio da plataforma.

Também estão disponíveis conteúdos musicais, oferecidos pela Orquestra Sinfônica da USP (Osusp) e pelo Coral da USP (Coralusp), que incluem apresentações e concertos, assim como videoaulas, exercícios de técnica vocal, textos e vídeos sobre música.

O Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG/USP) preparou uma lista de atividades especiais para quem quer aprender mais sobre as Ciências da Terra e do Universo, sem precisar sair de casa, que pode ser acessada pela plataforma. Já o Museu de Zoologia, entre outros conteúdos, está sendo disponibilizando, para as crianças, materiais para colorir, que podem ser baixados e impressos. (Com informações da Agência Brasil )

 

 

Com o período de isolamento social muitas atividades foram suspensas, entre elas as aulas em escolas, públicas, particulares e universidades. Com isso, algumas instituições se adequaram e agora oferecem aos alunos aulas online. É o caso da MT Escola de Teatro, que criou salas em plataformas de reuniões online e vídeoconferências, disponibilizando atividades, inclusive com práticas teatrais na casa de cada um.

De acordo com o coordenador pedagógico da MT Escola, Rodolfo García Vázquez, esta é uma ótima oportunidade para se aprender a usar novas ferramentas tecnológicas e incluí-las na pedagogia. "É um desafio bastante prazeroso. A realidade é que não sabemos até quando essa grave crise vai continuar, ninguém tem essa ideia, não sabemos as suas consequências. Mas as pessoas não podem parar, elas precisam continuar, seja artista ou seja estudante e a gente tem que dar esse suporte", discorre.

Ele ainda diz que no início os estudantes ficaram um pouco assustados, já que alguns têm limitações por causa da internet, mas foi oferecido todo o suporte para esses casos específicos, pois é muito importante preservar a democratização do acesso dos estudantes à plataforma. "O método de aprendizado tem sido bem bacana. Estamos fazendo coisas que muitas vezes presencialmente não conseguíamos fazer, como análises mais especificas do trabalho de cada um, trabalhos mais dirigidos. Então, tem sido bastante interessante", explica Rodolfo.

Da mesma opinião é a professora do curso de cenografia e figurino, Jane Klitzke, que salienta a oportunidade de remodelar o sistema de ensino. "Tivemos um certo trabalho e diversas reuniões para organizar tudo. No EAD, podemos explorar esse universo das redes sociais que pertence aos jovens. Estamos tendo ótimas respostas dos estudantes, que têm criado trabalhos usando as tecnologias que nos deixam surpresos com a qualidade do material e do conteúdo altamente criativo", salienta.

Para a aluna do curso de tecnologia em teatro, com ênfase em atuação, Ana Gabriela Corrêa, mais conhecida como Pacha Ana – rapper, cantora e poeta, as aulas ajudam a manter os alunos ocupados. "Foi uma sacada muito boa da universidade antecipar o que pode ser antecipado a distância e notei que as aulas estão ajudando a preencher um espaço ocioso e possibilitando uma interação. Conversando com os colegas, percebo que está todo mundo muito ansioso por causa desse isolamento. Mas é isso, tem que dar continuidade para que a gente possa voltar presencialmente o mais rápido possível", diz ela.

Segundo o coordenador artístico da MT Escola de Teatro, Flávio Ferreira, as aulas foram devidamente planejadas pela escola em parceria com a Unemat, que está acompanhando o projeto. "O principal sentido é o de fortalecer os vínculos e manter as aulas que podem ser realizadas a distância, neste momento em que a arte, que tem uma função importantíssima para a humanidade, é uma das mais prejudicadas, os nossos artistas estão se preparando, estudando e contribuindo não só com a escola, mas com toda a comunidade por meio dessas aulas", ilustra.

O coordenador pedagógico explica que outro problema é em relação às implicações psicológicas e psiquiátricas, pois os casos de depressão aumentaram muito com o isolamento, "mas também existe suporte para os alunos nesse sentido, pois a escola não pode abandonar o estudante, já que é um espaço global de aprendizado, onde o aprender, o conviver e o experimentar estão todos juntos. As aulas online vão deixar esses estudantes muito bem preparados, pois quando se voltar a conviver presencialmente, eles terão construído um conhecimento e técnicas muito elaborados durante o período de quarentena. Tenho certeza de que é fundamental não parar. Os artistas têm que resistir!", finaliza.

A MT Escola de Teatro

A MT Escola de Teatro é um polo de formação da gestão do Cine Teatro Cuiabá firmada entre Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) e Associação Cultural Cena Onze. O curso de tecnologia em Teatro tem a parceria da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e da Associação dos Artistas Amigos da Praça (Adaap/SP).

 

 

A arquiteta Natalia Rubio está em busca de profissionais e empresas interessados em encarar um novo desafio: tornar as salas de descanso dos enfermeiros do Pronto-socorro de Cuiabá e de hospitais públicos  mais acolhedoras. Quem estiver disposto a colaborar pode procurá-la nas redes sociais - arqnataliarubio - ou contribuir na vaquinha on line

Com a intervenção, tanto profissionais da saúde como pacientes serão beneficiados. Entre as vantagens já comprovadas estão aumento da produtividade, sentimento de bem estar, integração das equipes, bem como prevenção de doenças e afastamentos dos servidores.

De acordo com a arquiteta, que estuda neuroarquitetura,  é possível com poucos recursos e conhecimento técnico atenuar o estresse do dia-a-dia do profissional, que está sendo altamente demandado durante a pandemia e não deixa de ser humano quando entra no hospital.

“Ele enfrenta a sobrecarga e ainda se preocupa com os familiares que ficaram em casa. Um pressão grande intercalada com curtos períodos de descanso”, avalia Natália.

Na linha que segue, ela defende o uso de  biofilia e luminotécnica para recriar no imaginário cenários que remetem a sentimentos como paz, calma, amor e até mesmo um pouquinho de casa.

Em que fase está o projeto

Na segunda-feira (20), houve uma reunião entre Natalia, o diretor do Hospital Municipal de Cuiabá, Alexandre Belloto, e o médico Eduardo Andraus Filho. O projeto foi apresentado e teve o apoio das lideranças da unidade.

Belloto falou que o pronto-socorro está precisando muito deste tipo de trabalho porque a inauguração foi recente, sendo assim, as salas ainda estão muito frias e precisando da humanização.

Ele chegou a citar uma série de espaços disponíveis para receber o trabalho e ainda ofereceu outros, como uma área destinada ao convívio de pacientes e acompanhantes da ala infantil.

“Tem gente que precisa ficar um tempo longo e queremos ter um ambiente para eles descansarem um pouco. Quem sabe assistir um pouco de televisão ou ler um livro?”, expõe.

Belloto também se colocou à disposição para colaborar no que a equipe precisar, inclusive com apoio técnico dos trabalhadores de manutenção já existentes na instituição.

Ele e o médico Eduardo Andraus Filho, que também participou do encontro, reafirmaram que, nos últimos meses, o número de atestados de afastamento apresentados é muito grande, o que inclusive levou o PS a olhar com mais atenção para o problema.

Na sequência, será a vez de bater de porta em porta atrás de parceiros que também estejam interessados em apoiar a ação social.

Como surgiu a ideia

“Eu fechei o meu escritório por conta do isolamento social e muitos dos meus trabalhos estão paralisados. Comecei a ficar angustiada e acompanhando os noticiários percebi que precisava fazer algo”, lembra a profissional.

Conversando com outros membros do grupo de estudos de neuroarquitetura, Natália viu que, em outras capitais, eles estavam se reunindo e fazendo ações solidárias com a reforma dos espaços, chamados de sala de descompressão.

Em Porto Alegre (RS), por exemplo, alguns hospitais já foram beneficiados. Eles tiverem ambientes que eram frios, mal organizados e até mesmo insalubre transformados.

“Eles conseguiram adaptar os mobiliários, modificar iluminação e criar ambientes, o que gerou mais conforto”, explica Natália.

O trabalho, hoje em uso, foi concluído graças a solidariedade das pessoas comuns. Profissionais liberais, comerciantes e quem de alguma forma pode se doar.

A ideia da arquiteta é fazer a mesma coisa em Cuiabá. Ela já fez um simulação dos recursos que poderiam ser empregados, mas lembra que cada caso é um caso e a solução depende do diagnóstico.

Serviço

Quem quiser cooperar com a ação poder entrar em contato com a arquiteta pelas redes sociais dela - @arqnataliarubio - e pelo telefone - (65)9 8169-4758.

Medida injeta R$ 65 milhões na economia local. Depois de 35 dias fechado, o comércio cuiabano poderá, gradativamente, voltar a funcionar a partir do dia 27 de abril

O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, anunciou nesta quinta-feira (23) o adiantamento em oito dias do pagamento do salário dos servidores municipais, referente ao mês de abril. Conforme do chefe do Executivo, os valores estarão disponíveis para o saque a partir desta sexta-feira (24), cumprindo com o compromisso da gestão de sempre efetuar a quitação no mês trabalhado. 

“Estamos honrando o nosso compromisso com os servidores municipais. Isso é fruto da nossa boa gestão fiscal e, principalmente, do apoio que recebemos de todos os contribuintes cuiabanos. Mesmo em um momento de dificuldade, todos se esforçam para pagar os seus impostos, nos ajudando a manter Cuiabá em pleno funcionamento”, comenta Pinheiro. 

Ao todo, a folha de pagamento de pessoal corresponde a R$ 65 milhões,  sendo R$ 51 milhões referentes a servidores ativos e R$ 14 milhões dos inativos. Segundo o prefeito, o recurso, além de garantir uma maior tranquilidade aos servidores e seus familiares, é uma forma do município contribuir para a economia local, principalmente no momento de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus (Covid-19). 

“Apesar de ser uma obrigação, esperamos com isso colabor para o bem-estar da família cuiabana. O pagamento do salário em dia é importante também para movimentar economia local. O comércio está retomando, gradativamente, suas atividades neste momento difícil e estamos, dentro das nossas possibilidades, tentando dar nossa parcela de contribuição”, destaca. 

Emanuel Pinheiro reforça que, neste período de enfrentamento a Covid-19, a Prefeitura de Cuiabá tem buscado dar o exemplo e apontar os caminhos a serem seguidos para superar o momento de instabilidade social. O prefeito destaca ainda, a necessidade da população em continuar seguindo as recomendações de medidas protetivas recomendadas pelas entidades de saúde. 

“Nesse período de pandemia temos agido com muita seriedade. Mesmo quando implantamos medidas duras, seguimos no nosso propósito de proteger a população. Principalmente ao servidor público pedimos que, mesmo com o salário na conta, que ele procure se organizar e evitar aglomerações, pois todos somos responsáveis pela saúde”, pontua o gestor. 

 

Sexta, 24 Abril 2020 06:00

A generosidade em ação

A causa é nobre. O projeto ‘Máscara do Bem Cuiabá’ troca máscaras de tecido por alimentos ou cesta básica que chegará até pessoas necessitadas

Na emergência que o mundo está vivendo, a comerciante kelida Abdala Silva, formada em Serviço Social, se destaca com seu projeto ‘Máscara do Bem’. O projeto é a soma de esforços de 20 pessoas. “É uma ação entre amigos. Sem fins lucrativos, políticos ou ideológicos. Toda ajuda e recurso veio de doação espontânea de amigos e familiares que ao tomarem conhecimento da campanha simpatizaram com o nosso movimento”, disse a comerciante. 

O momento é de reflexão, de ficar em casa e de se proteger e ao próximo. Certamente todos estão ansiosos pela volta ao convívio social e às comemorações. No entanto, há pessoas que somam esforços para transformar vidas. Para elas, a solidariedade é a melhor receita para vencermos as dificuldades deste tempo.

A confecção das máscaras de proteção à covid-19 é feita por voluntárias. “A maioria são idosas que estão isoladas, de quarentena, tristes e se sentindo  entediadas”, observou Kelida.

Ela conta que a iniciativa surgiu de um telefonema da sua comadre Lucy Vieira lhe oferecendo máscara em troca de alimento. “Eu adorei a ideia e disse: eu quero e vou te ajudar. Não sei costurar, mas vou comprar matéria prima e vou divulgar para os meus contatos. Então outra amiga, Carminha Visquetti, fez  um primeiro post e eu passei a divulgar. Com dois dias eu não conseguia mais atender o telefone e nem responder as mensagens, tamanha foi a aceitação. Muita gente querendo ajudar. Uns querendo máscara, outros querendo doar matéria prima, mão de obra e assim a ação que começou pequenina foi tomando corpo. Na sequência,  convidei outra amiga, a Heloisa Guimarães para cuidar das mídias sociais e aí que viralizou mesmo”, comemora a comerciante.

Conforme Kelida, os alimentos são destinados às pessoas diretamente atingidas pela pandemia, bem como quem perdeu o emprego, vendedores ambulantes e faxineiras. “Já arrecadamos 2000 quilos de alimentos e já distribuímos mais de 120 cestas básicas”.

EMPATIA E COLABORAÇÃO

A ideia inicial era produzir mil máscaras. Agora, segundo Kelida, vai depender da demanda. “Enquanto aparecer gente querendo trocar máscara por alimento, confeccionaremos quantas forem necessárias. Até o momento mil já foram produzidas”.

Para participar basta dirigir-se a um dos pontos de troca levando 2kg de alimento não perecível para cada máscara a ser trocada.

“Temos quem fornece e entrega cesta básica (R$52,00), basta ligar no (65) 99574076 e fazer a transferência. Na sequência, ela nos entrega a cesta e nós entregamos as máscaras. Cada cesta equivalente a 10 máscaras do bem ou a uma máscara de artista. Há também um disk idoso (65 36213755) pra aqueles idosos que querem contribuir e não podem sair de casa”, informou Kelida.

Locais de troca:

Speed Label, na Rua Comendador Henrique, 1298, Bairro Dom Aquino;

Vó Ana Bolos Caseiros, na Avenida Miguel Sutil - próximo ao Big Lar;

Prevenção Total, na Avenida Miguel Sutil, 4957, Bairro Areão;

Clínica Harmonie:  Rua José Barros do Vale, 179, Bairro Goiabeiras;

Gusman Construção, na Avenida Presidente Afonso Pena, 562, Bairro Santa Helena.

 

SERVIÇO:

@Mascaradobemcuiaba

Kelida Abdala Silva – (065) 99981-0378

Máscara dos artistas = 1 cesta de 52,00
Cada máscara comum = 2kg de alimento não perecível

A cesta contém:

Arroz 5kg
Feijão 1kg
Farinha de Trigo 1kg
Sal refinado 1kg
Açúcar cristal 2kg
Café 500g
Óleo de soja 900ml
Sardinha 84g

Conta:
Banco do Brasil
AG: 4042-8 - C/C: 106.059-7
DIST. DE ALIM. RIO BRANCO
CNPJ 03.362.501/0001-06

Legenda foto: Três artistas regionais que cederam estampas para confecção de 40 máscaras de cada um deles.

O podcast Serasa Ensina, gratuitamente, como cortar gastos, planejar, poupar e cuidar bem do seu dinheiro

 

Novidade no ar! O Serasa Ensina, braço educacional do Serasa Consumidor, lançou mais uma plataforma para ajudar o consumidor em um dos mais importantes compromissos de vida, que é a sua jornada financeira: o Podcast Serasa Ensina. 

 Criado por um time de educadores financeiros da própria Serasa, como Guilherme Casagrande e Joyce Carla – ambos especialistas em organização das finanças –, o podcast pode ser definido em duas palavras sobre universo financeiro: praticidade e informação. 

 Sempre com um tema e um convidado diferente, a plataforma traz os principais assuntos de finanças do momento, além de dicas de planejamento, de como cortar gastos, poupar e acumular dinheiro; como solicitar crédito e outras explicações muito práticas. 

 Já é possível conferir duas entrevistas com convidados especiais: uma com Murilo Duarte, youtuber do canal Favelado Investidor e outra com o especialista em planejamento financeiro Fabiano Calil.  

 “Saber mais sobre educação financeira faz toda a diferença na relação que tem com o dinheiro. Para aprender a se controlar, é essencial estudar e estar sempre ligado no que acontece no mundo das finanças. O podcast é uma fonte fácil e rápida para conseguir fazer isso”, explica Guilherme Casa Grande, educador financeiro do Serasa.

 

 As entrevistas são disponibilizadas às quintas-feiras, nas principais plataformas de áudio: Spotify, Deezer, Apple podcasts e Google podcast e ficam disponíveis para ouvir quando quiser.

 O podcast ainda oferece um espaço especial para responder perguntas do público e falar sobre as novidades do mercado financeiro.

 Quer saber mais? Clica aqui. 

https://www.serasaconsumidor.com.br/ensina/dicas/podcast-serasa-ensina/

 

A multa será de R$ 80 reais no caso de descumprimento

Reunidos em sessão plenária nesta quarta-feira (22), os deputados estaduais de Mato Grosso aprovaram, em segunda votação, o Projeto de Lei 303/2020, acatando o substitutivo integral número 3, que dispõe sobre o uso de máscaras como medida não farmacológica para evitar a disseminação do novo coronavírus em Mato Grosso.

O parágrafo único do artigo 1º da mensagem aprovada diz que as máscaras faciais serão distribuídas gratuitamente pela Secretaria de Estado de Saúde para todas as famílias com renda familiar de até 1,5 salário mínimo e para os servidores públicos enquanto vigente o estado de calamidade pública decretado pelo Estado. A nova lei passa a vigorar a partir do dia 5 de maio.

O artigo 2º da referida lei prevê que os estabelecimentos públicos devem exigir o uso de máscara a seus funcionários, colaboradores e clientes. O parágrafo primeiro diz que “o descumprimento ensejará aplicação de multa de R$ 80,00 ao estabelecimento privado por pessoa sem máscara, sem prejuízo da apuração de ilícitos penais eventualmente praticados pelas pessoas físicas ou representantes legais da pessoa jurídica decorrentes de infração à medida sanitária”.

Pelo substitutivo aprovado, o parágrafo 2º do artigo 2º, diz que “o estabelecimento que estiver em funcionamento em qualquer município do Estado deve fornecer máscara para seus funcionários e colaboradores”. O parágrafo 3º diz que a multa poderá ser aplicada somente após a realização de uma fiscalização orientativa registrada em notificação. Já o artigo 4º prevê que os recursos provenientes das multas serão destinados à compra de cestas básicas. A serem distribuídas no município onde ocorreu a infração.

O deputado Wilson Santos (PSDB), que pediu para encaminhar, durante a votação, destacou que “o Parlamento aprimorou o projeto, melhorou bastante”, disse, acrescentando que o governo tem feito uma campanha publicitária interessante sobre o uso da máscara. “Tem surtido muito efeito a campanha governamental, que deveria, inclusive, ser ampliada. Quando o conhecimento chega, ele forma consciência. É uma campanha correta, que aplica de maneira correta os recursos públicos”.

Conforme o deputado Lúdio Cabral (PT), que fez questão de destacar ser contra uma lei dessa natureza, ou seja, prevendo multa, o substitutivo aprovada atende os interesses defendidos pelos parlamentares. “O texto aprovado contempla as perspectivas dos 24 deputados. Preserva a pessoa física, o cidadão não será multado por não ter acesso às máscaras. É o melhor projeto e não tem nenhuma inconstitucionalidade”, destacou.

Cabral também apontou como positiva a campanha do governo que fala sobre a importância do uso de máscara. “Foi positiva a campanha que o governo está desenvolvendo para conscientizar a população. O resultado tem sido positivo, independente da lei”.

O substitutivo 3, aprovado em segunda votação, teve cinco votos favoráveis da Comissão de Saúde, cujo parecer foi dado em plenário, e três votos favoráveis e dois contrários da Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Assembleia Legislativa. Secretaria de Comunicação Social

 

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